quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Um poema de Joanyr de Oliveira


DA FUNÇÃO DO POEMA

Estas palmas oblongas do poema,
amoldando secretas liturgias,
proliferam o mar de um teorema
a sangrar-se nos ângulos dos dias.

E tênue fogo insone se propaga
com sagrado rumor, além das eras,
reaberto na sombra ou numa chaga
num conclave de arcanjos e de feras.

Oclusivo fragor revolve os sonhos
em mistério a cremar, altissonante,
a emanar estrbilhos muito estranhos.

O casulo dos versos, sobre um monte,
com a luz a bolsar ritmos medonhos,
desintegra num grito a própria fronte.

Do livro: "Tempo de Ceifar", Thesaurus Editora, 2002, DF

Um comentário:

Polêmica disse...

Eu acho que a função do poema é parecida com a função da música que reflete nossos sentimentos!

Beijinhos!

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