sábado, 28 de fevereiro de 2026

AMPLITUDE n.7 - Revista Cristã de Literatura e Artes para download GRÁTIS

 

AMPLITUDE aqui está, firme em seu papel de resgatar, promover, divulgar e viver a literatura cristã em toda a sua vivacidade, singularidade e fortuna.

Neste número, a razão de ser de Amplitude se apresenta em toda a sua força: a poesia e a prosa de ficção ocupam a quase totalidade de nossas cinquenta e nove páginas.

Por sinal, este é um número eminentemente poético: São nada menos que dezenove páginas de poesia.

Nos contos, temos a presença de nomes como Joanyr de Oliveira, Rute Salviano Almeida e o norte-americano Walter Wangerin Jr., que somam-se a Eber Rocha, Seles Gonçalves, Valnei Nascimento da Silva e este que vos escreve.

Abrimos este número com um artigo especial, uma conversa sobre a autopublicação, com dicas práticas e links de interesse.

Falando em especial, fizemos um apanhado de poemas da literatura universal sobre (a Parábola d)o Filho Pródigo, um tema central da cultura cristã, em treze páginas de alta poesia.

Nas seções tradicionais, figuras impactantes e até surpreendentes: Em Jardim dos Clássicos, temos um conto do missionário escocês Robert Reid Kalley, pioneiro do evangelho em nossas terras e na lusofonia.

Em Hot Spots, uma seleção de frases de Henry Ward Beecher, prolífico autor com tão pouca bibliografia em língua portuguesa.

Poeta em Destaque deste número — uma seção que sempre deu espaço a autores vivos — desta vez contempla um nosso irmão já na glória: O lusitano J. T. (João Tomaz) Parreira.

Amplitude ganhou uma nova seção, a Torre de Oração, que buscará apresentar, a cada número, significativas obras do gênero.

E as demais seções? Nossa Pharmacia apresenta textos de autosocorro imediato. Parlatorium continua sua insurgência contra a mediocridade, com frases de impacto e frescor criativo. Notas Culturais traz algumas notícias sobre a cena cultural cristã. Download apresenta três e-books gratuitos que merecem sua leitura, como a antologia que organizamos reunindo os 50 melhores poemas cristãos de Jorge de Lima.

O resto você sabe: Amplitude circula apenas em formato eletrônico, com periodicidade semestral  — e é gratuita, para a glória de Deus.

Pegue seu café, seu chá, seu isotônico, água ou o que for, busque uma sombra — e boa leitura!

 

      Sammis Reachers, editor


PARA BAIXAR O ZEU EXEMPLAR 

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A Revista também está disponível pelo Play Store (Google), AQUI.

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quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

Trás-frente, baixo-cima: Uma crônica STREET FIGHTER

 



Nos anos 90 do século pretérito, a febre mundial representada pelo jogo Street Fighter 2, que colocou nosso planeta em polvorosa, claro que não deixou incólume o bairro gonçalense onde até hoje moro: O game simplesmente jogou tudo para o ar, com quase todos os moleques virando aficionados. O jogo, quase todos sabemos, inaugurou uma nova era dos fliperamas, sendo responsável central pela abertura de diversas casas no gênero. No final, era ele que pagava sozinho a luz e o aluguel...

Minha história com SF é atrapalhada, mas interessante: Como de início eu tinha dificuldade de realizar o simples “C” para dar as magias dos personagens (hadoken), e era para mim impossível aplicar o Shoryuken (aqui chamado de hoiuguer), logo me afeiçoei aos personagens cujos golpes eram baseados em trás-frente ou cima-baixo: Blanka, Honda, Guile, Shun-Li e principalmente meu preferido: Bison. Com este último me apurei nas manetes, e chegava a vencer alguns jogadores que usavam os apelões Ryu e Ken, para surpresa geral. Desenvolvi mesmo um preconceito contra os dois personagens e seus usuários, pois jogar com eles era “mole demais”. Moleque de coração duro, tinha seus adeptos na conta de retardados mentais. Ops, perdão, mas eram os tempos! De toda forma, até hoje não sou muito fã dos personagens com movimentos relacionados aos dois (como os posteriores Akuma, Dan, Sakura etc.). Mas, calma: Claro que aprendi a realizar os movimentos perfeitamente. Só ficou o ranço...

Aqui tínhamos um fliperama bem aconchegante, o bar da Dona Zeza, que ficava próximo a uma “favelinha” ou área mais carente do bairro, na beira do rio Alcântara (por sinal, chamamos aquela parte do bairro de Beira Rio ou Beira do Rio). Quantas vezes cheguei ali sete da manhã, esperando a birosca abrir! Quantas vezes eu mesmo ligava as máquinas na tomada, para “adiantar” a jogatina, enquanto o filho de Dona Zeza abria as portas e varria o pequeno varandão? Nada de eufemismos, amigos: É vício que chama.

Logo veio o maior frisson e a maior sofrência com o game: Tentar zerar com TODOS os personagens, tarefa que só dois do bairro ousaram (desafio que, anos depois, se repetiu em outro choque em minha vida, quando conheci KoF 95, mas essa é outra história). Amiguinho, naqueles tempos de barbárie, onde não tínhamos vídeos de Youtube ou grandes jogadores para emular (emular é copiar), e revistas eram raras, zerar o jogo com Dhalsim, Honda e Zanguief (eu não conseguia aplicar o pilão, principal golpe do personagem!) foi aventura cara e infernal. Mas consegui! Eu estava ou ao menos me sentia no time dos “PROs”...

No entanto, se tiver de hoje matar a saudade num emulador ou me deparar por acaso com um fliperama, a seleção de personagens vai parar logo nele, el villano, Mestre Bison/Vega. O resto é como andar de bicicleta: Vai no automático.

 

Sammis Reachers


sábado, 24 de janeiro de 2026

Retrospectiva Editorial 2025 - Tudo o que publicamos no ano

 


Como fazemos desde o quase longínquo 2012, ao fim de cada ciclo solar realizamos nossa retrospectiva editorial. Ela elenca tudo o que publicamos editorialmente, cobrindo de um livro de 600 páginas a um fanzine de duas, sem discriminação. 

2025 foi um ano principalmente das antologias individuais, com as coletâneas de frases de Stanley Jones e de poemas de Jorge de Lima. Na mobilização missionária, um projeto antiquíssimo ganhou vida: o Planner Missionário. No individual, lançamos dois e-books poéticos, e mais algumas parafernálias no gênero. E a Revista AMPLITUDE cumpriu firme seus compromissos, entregando seus dois números anuais repletos de boa arte. 

Confira abaixo tudo (espero) que publicamos no ano de 2025, e faça o download (geralmente gratuito, como você sabe) do que lhe aprouver. E compartilhe!


Em janeiro o quinto número de AMPLITUDE, nossa Revista Cristã de Literatura e Artes, veio à luz. Baixe a sua AQUI.



Em fevereiro publicamos o primeiro e-book do ano, Vivendo a Alegria: 150 Citações Selecionadas. Um verdadeiro presente em favor da alegria de viver. Baixe o seu AQUI.



Ainda em fevereiro, publicamos o e-book Filosofia em 300 Citações, na Amazon. Confira AQUI.


Em março, reuni as algumas crônicas e as muitas resenhas retrogamers (sobre jogos de videogame "antigos") que tenho escrito há alguns anos, desde que passei a colaborar com o projeto/revista Muito Além dos Videogames. O resultado foi o e-book FLIPERAMIGOS

Você pode fazer o download do e-book, que é gratuito, AQUI.



Em fins de abril, lancei o pequeno e-book Versos do Ide, reunindo meus poemas de temática missionária, ou melhor, missional, no sentido de incorporar a missão como instrução global para todos os atos da vida, tanto em Jerusalém quanto nos confins da Terra. É na verdade uma antologia, reunindo poemas desde meu primeiro livro, Uma Abertura na Noite, até o último, Primeiressências (2025).

Para baixar gratuitamente o e-book, CLIQUE AQUI.



Em maio meu décimo segundo livro de poesia nasceu, em formato impresso e eletrônico: Primeiressências reúne poemas de variada temática (do verso de amor ao poema visual), na maior parte escritos após a publicação de Cartas e Retornos (2021). 

O livro impresso pode ser adquirido diretamente comigo; o e-book é GRATUITO, e pode ser baixado AQUI.


E, falando em antologias de meus versos, em julho publiquei um plaquete/fanzine, com uma breve seleção de poemas compilados dos onze livros de poesia que já publiquei (na verdade, 12, mas um é uma antologia), ao longo de 26 anos (1999 -2025) – um poema de cada.

PARA BAIXAR PELO GOOGLE DRIVE, CLIQUE AQUI.



Em julho o sexto número da Revista AMPLITUDE chegou. A revista, infelizmente a única no gênero em um país com mais de 40 milhões de cristãos evangélicos, segue firme em sua missão.

BAIXE A SUA GRATUITAMENTE AQUI.



Em julho ainda, mês glorioso, publicamos o livro Stanley Jones em 450 Citações - O pensamento de um dos maiores missionários de todos os tempos. Com 174 páginas, o e-book oferece um amplo apanhado do pensamento de Jones, abarcando diversos tópicos.

Se perdeu, baixe o seu pelo Google Drive, AQUI.



Em agosto, um dos maiores poetas brasileiros, cuja obra está em domínio público, ganhou uma antologia toda especial. Os 50 Melhores Poemas Cristãos de Jorge de Lima.

Baixe o seu pelo Google Drive, AQUI.



Em fins de novembro, nosso depauperado fanzine Samizdat ganhou seu único número neste 2025, o #8. Nele, apenas poemas recentes, escritos após a publicação do livro Primeiressências. Baixe o seu AQUI.



E a última publicação do ano foi um projeto que se arrastava nas gavetas das ideias há uns cinco anos: um Planner Missionário. Editado por minha esposa, o planner possui 46 páginas e 11 seções diferentes, e seu foco, claro, é missões.

Baixe gratuitamente o seu exemplar, AQUI.



MEUS TEXTOS POR AÍ

Este não foi particularmente um ano onde eu tenha seja escrito muito, seja promovido meus textos por aí. Foi particularmente um ano de organização, edição e publicação de materiais, com os dois livros e o plaquete (livrete) de poesias já citados. Mas a roda da literatura nunca para de girar, e demos nossas voltas, para não perder o costume.


Em janeiro foi lançada a revista Animalista, publicação temática a cargo da Editora Cleópatra Cartonera. Compareci com três poemas. Confira a revista AQUI.

Em fevereiro, na segunda edição da revista, comparecemos também com um poema e algumas frases. Confira AQUI.

E na terceira edição também comparecemos com um conto. Confira AQUI.

Por sinal, a Cleopatra Cartonera chegou firme na cena e em julho lançou nova revista, a Epifania. Em seu número um, tive a honra de estar presente, com o poema visual/concreto elementAR. Confira a revista AQUI.


Em maio, o poema Carta ao Pão integrou a antologia TEMOS FOME, da editora Vós Que Me Lês. AQUI.

 

Durante o ano, marcamos presença na Revista Bulunga, onde, mensalmente, colaboramos com crônicas e contos. Confira os números da revista (eletrônica e gratuita) AQUI.


Em junho, o poema Transessências (de meu livro Primeiressências, ora pois) foi publicado no portal de poesia e literatura Amaité. AQUI.

O mesmo Amaité publicou, em três rodadas, onze de meus poemas, um de cada livro já publicado (ei, daqui surgiu a ideia para a publicação do plaquete 11 POEMAS). Confira AQUI, AQUI e AQUI. E fui presença constante no portal, com contos e crônicas, como Romário Machadinha e Dia de Eleição.


Em dezembro, o escritor, poeta, editor e agitador cultural José Feldman publicou o primeiro volume do Almanaque Poético Brasileiro (não, não é antologia paga, que não as organizo e nem delas participo). Tive a honra de estar presente, ao lado de outros 67 poetas de todo o Brasil, ocupando três páginas com poemas de meu livro Pulsátil. Conheça e baixe gratuitamente o e-book AQUI.


Na revista Muito Além dos Videogames, contribuí com textos no número 13 (maio) AQUI, e na Edição Especial 4 (jogos de Velho Oeste) AQUI.

E, ainda na seara retrogamer, colaborei também com uma outra revista do gênero, a tradicional OldBits. Em sua edição especial/crossover com a equipe da Muito Além dos Videogames, dedicada aos jogos do Mickey, escrevi sobre alguns jogos do Mickey Mouse para o Game Boy (AQUI); e, na edição 17 (julho) da OldBits, compareci com resenhas sobre um jogo beat 'em up, Silent Dragon (AQUI).


Marcamos presença também em um novo portal de literatura, aberto para publicação gratuita, Yaruma. Confira AQUI.

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Para 2026, diversos projetos esperam finalização e possível publicação (um deles já saiu, o e-book Henry Ward Beecher em 400 Citações). De pequenas antologias de frases temáticas a obras de grande envergadura - notadamente no gênero capital, qual seja, a promoção da obra missionária, diversos projetos estão em andamento, e rogamos suas orações para que sejam concluídos e publicados, e o sejam para a glória de Deus. Em 2026 nosso desejo e oração é por nos mantermos firmes no tripé em que baseamos nosso trabalho, o que conseguimos em 2025: Promoção da literatura cristã - Mobilização missionária multiníveis - Produção de material evangelístico.

Sammis Reachers


sábado, 17 de janeiro de 2026

Deambulações urbanas num domingo carioca (crônica)

  


São dezessete horas de um domingo de primavera. Cumprindo uma missão agora há pouco na UERJ do Maracanã, aquele monstro de concreto, ao sair me deparei com os vazios e desertos de uma cidade grande aos domingos de tarde. Foi instantâneo: me recordei de quando era rodoviário e solteiro e, ao trabalhar nos domingos, por vezes ao largar daquele trampo feito de sacolejar e de pessoas, saía sozinho pelos vazios urbanos de Niterói ou Rio, desarvorada, desavisada e destemidamente. Sem destino ou maiores objetivos. Que solidão especial, trotando lotada de melancolia e levando na carroça sua refém apaixonada-pois-adoentada da Síndrome de Estocolmo, a poesia... Sim, muitos poemas nasceram nessas andanças. Não, nunca fui assaltado ou indagado. Deus e minha cara de cana (e minha decana bolsa atravessada nas costas) talvez tenham me guardado.

Outro detalhe que me traz reflexão é que a melancolia de andar numa mata, campo ou descampado deserto é diferente da de andar num deserto urbano. Cada qual tem sua docilidade, mas o campo fala de sentimentos atávicos, instintivos ou transcendentes do que é puramente humano; já a urbe possui uma "linha de ansiedade" (é o melhor termo que pude) toda própria, o humano se celebra e exaure em seus próprios maquinários concretos e simbólicos, num jogo de topofilia/topofobia que nos faz querer continuar o jogo do ver e do rever, do estar e do deixar de estar, enquanto somos acolhidos/moídos pelo espaço que incessantemente nos ressignifica enquanto o ressignificamos. Jogo por sinal tão caro à corrente da Geografia que me apraz, a Geografia Humanista ou Fenomenológica.

Divagações livres, mas as deambulações (deambular é justamente andar à toa) hoje interditadas a um homem casado.

Bem, melhor assim.

Sammis Reachers

24/11/24


terça-feira, 6 de janeiro de 2026

Nossa Retrospectiva Retrogamer 2025 - Todas as resenhas e artigos que publicamos no ano



Bom dia, boa tarde, boa noite e madrugada, meus trinta leitores! Neste post, vamos elencar as nossas publicações sobre games do ano de 2025 - as pacatas resenhas sobre jogos antigos que escrevemos.

2025 viu nascer nosso primeiro e-book sobre o tema retrogamer, a coletânea de crônicas e resenhas FLIPERAMIGOS.
Reunindo toda a nossa produção retrogamer até aquele momento, o e-book ilustrado possui 283 páginas e mais de 30 textos, entre resenhas, crônicas, e até conto e poesia (!). E o melhor: O download é gratuito!
Baixe o seu exemplar pelo Google Drive, clicando AQUI.


No mais do ano, aqui vão os artigos publicados. Aqueles precedidos de um asterisco (*) foram publicados também no e-book Fliperamigos; os demais são textos posteriores. Clique sobre os títulos para acessar!


 

segunda-feira, 29 de dezembro de 2025

Gás Hélio - Um conto sobre acolhimento e cura, e a periferia

 


Gás Hélio

 

Foi nomeado pela paixão do pai e fonte de sustento da família, desde antes dele fazer parte da mesma: Hélio.

Seu pai, Airton, era vendedor de balões ou bexigas infladas por gás hélio, aqueles bólidos flutuantes em forma de peixe, escudo do flamengo ou cabeça do Mickey.

Aluno destaque do sexto ano do CIEP 051 Municipalizado Anita Garibaldi, em São Gonçalo/RJ, Helinho nutria carinho todo especial pelos balões que ajudaram a nomeá-lo e a provê-lo. O menino auxiliava o pai nos enchimentos e montagens, e sempre que podia era levado aos pontos de venda: Rotineiramente o Campo de São Bento, em Niterói, ou eventos sazonais, um aniversário de Itaboraí aqui, um feriado de São Gonçalo acolá, um festival de pipas em Maricá, por trás-os-montes. O menino já conhecia toda a Região Metropolitana do Estado do Rio.

O mesmo não ocorrera com seu predecessor em chegada na família, Heitor, irmão mais velho. Aliciado no portão de casa, ponto de revenda de drogas no depauperado bairro Jardim Catarina, cedo tomou o caminho da marginalidade.

Morreu no dia primeiro do segundo ano de carreira, a 200 metros do portão da casa do “seu Airton do Gás”; seu portão, seu pai.

Baque no sonhador Helinho, bordoada de moer menino tenro. Notas decaíram, participação nas aulas, na igreja. Seu sangue e companheiro de pelada no quintal, seu parceiro de PlayStation, seu incentivador nas paqueras, seu torto herói se fora.

Na velha coleção de biografias achada por seu pai no lixo, nas portas de um grande edifício, ao chegar pela manhazinha lá no niteroiense Campo de São Bento, Helinho mergulhava sua solidão. Numa das biografias, a do padre brasileiro Bartolomeu Lourenço de Gusmão, nosso primeiro inventor e pai do balão a ar quente, um estalo.

Inspirado numa prática de produção textual que aprendera na escola, o aluno destaque do Anita Garibaldi passou a escrever cartas; primeiro para si mesmo, refletindo sobre sua perda. Logo as endereçava a seu irmão. Por fim, o salto humanitário, digno de um Gusmão, uma Anita: Helinho passou escrever ternas mensagens para pessoas que tivessem perdido alguém, tal como ele perdera. E assim surgiram “Carta a uma mãe que perdeu um filho”, “Carta à criança que perdeu a avó”, “Carta a quem perdeu um irmão”. Contando brevemente sua história, Hélio contextualizava sua mensagem para diversos leitores em potencial.

Um belo dia, tendo imprimido uma quantidade de cópias de cada cartinha, Helinho as atou a balões inflados de hélio – não os artísticos balões vendidos pelo pai, mas a modelos simples, como as bexigas de festa de aniversário – e, subindo para a laje de sua humilde casa, soltou os balões, vagões de sonho lotados de afeto, nos ares de sua São Gonçalo.

No primeiro dia foram 30. Quinze dias depois, o menino despachava mais 15. E assim, usando de suas economias, o menino adquiria os balões e inflava-os com os botijões de gás do pai, liberando suas mensagens pelo ar.

Em apenas três dias depois dos primeiros lançamentos, duas marcações no perfil do menino no Instagram apareceram. Pessoas curiosas, que encontraram uma das mensagens, nas quais constava também o endereço do menino, e seu perfil naquela rede social. Mas demorou 45 dias para chegarem as primeiras cartas. Cartas de papel, como as de Helinho. Uma mãe e uma irmã.

“Querido menino Hélio. Encontrei seu balão pendurado nos galhos de uma árvore em Alcântara. Era de manhazinha, eu ia pro meu trabalho nos Correios. Sua mensagem me fez chorar no ônibus, pois perdi minha mãe há seis meses. Ainda sofro. Mas acredito que Deus usou você para me mandar uma mensagem de conforto. Obrigado, meu filho. Não te conheço, mas você já conquistou uma amiga.”

A segunda carta – outras viriam – era de uma adolescente de 17 anos, Ágatha. Ela vira o balão do menino caído em seu quintal, de tarde, ao chegar do cursinho pré-vestibular. Com a mensagem em mãos, Ágatha entrou no quarto de seu irmão, deitou-se em sua cama e chorou. Mateus partira ia pra um ano.

“Oie!

Me chamo Ágatha, sou moradora aqui do Vila Três, em São Gonçalo também. Cara, sua cartinha chegou a mim, bem no meu quintal! Eu perdi meu irmão assim como você. Meus sentimentos por sua perda.

Sua mensagem me trouxe uma alegria que não sei expressar; era como um recado de meu irmão, dizendo para mim e minha mãe sermos fortes, que ele está bem.

Precisei escrever para você. Ia mandar mensagem no privado em seu perfil, mas resolvi escrever uma carta, assim como você. Minha primeira carta. Nem sei como enviar! Mas vou no correio me informar.

Estou escrevendo essa carta na cama de meu irmão. Minha mãe doou as coisas dele, roupas e tals, mas deixou a cama como estava. Pra lembrar dele, sabe? Mas não sei se isso é saudável, pra nós duas. Pois ambas choramos muito nesta cama. Já a peguei de madrugada ajoelhada aos pés da cama dele, chorando sozinha, e dizendo ‘onde foi que eu errei?’ Mas somos tantas famílias nessa situação...

Hélio, venho agradecer seu gesto, sua forma de ajudar as pessoas. Você é um anjo que, não tendo asas, criou as suas com palavras e bexigas de gás. Obrigado obrigado obrigadooooo!”

 

Voa, Helinho. Voa e trabalha, que faltam anjos no mundo, e os que desistem, no lugar de uma segunda chance, são mortos a bala.


Sammis Reachers



segunda-feira, 15 de dezembro de 2025

Romance A Ordem Luterana da Cruz Combatente resenhado por Jorge F. Isah

 

A Ordem Luterana da Cruz Combatente

 

Jorge F. Isah

 

            O que monstros, anjos, demônios e uma conspiração secreta têm a ver com o Cristianismo? Simbioses, mutações, o bem e o mal disputando almas e o domínio do mundo? Para muitos, nada. Mas para aqueles que veem e estão dispostos a ver, tudo. Assim, de maneira simplista, podemos definir o primeiro romance de Sammis Reachers, A Ordem Luterana da Cruz Combatente, em seu tomo I: uma fábula repleta de magia, ação e surpresa. Mas seria toda a verdade?

Conheço a obra de Sammis há mais de dez anos. Autor criativo e eclético, transita por vários gêneros literários. A sua produção explora com a mesma facilidade estilos que vão dos poemas, contos, ensaios, coletâneas e, agora, o romance. Como a maioria dos poetas, se considera um prosista de versos, porque a poesia nunca está distante, nunca é relegada ao segundo plano, ou deixa de ser a mola mestra da criação. Por mais que o gênero se distancie dessa linguagem, o poeta jamais dormita ou abandona-a.

Permeada pela cosmovisão cristã, não espere temas proselitistas, dogmáticos ou definições teológicas. Não. Ele está disposto a mostrar a vida, a realidade, com seus becos-sem-saída, caminhos sem volta, naufrágios em terra e mar, mas também a possibilidade de sublimação e redenção. Enfim, ser guiado de volta para casa... A despeito dos percalços, ataques, aflições, as tentativas de obstruir e impedir a jornada, a ovelha ou peregrino estará segura em Cristo, ainda que ouça o rugido dos lobos, o esgueirar das serpentes, o tilintar de ouro e prata ou o estampido de trabucos. Como o monge diz a Martinho: A ordem por tantas e tantas vezes dorme. O caos, nunca (pg. 14). O mundo é o palco onde a arte desvela a saga humana, mas também os bastidores e arranjos, antes, durante e depois da representação em que cada um de nós tem papel crucial no cenário tripartite da guerra cósmica. 

A Ordem Luterana... não obstante ter todos os elementos épicos, de remeter às grandes obras de aventura, capa, espada, e os mais eletrizantes thrillers de ação e combate, tem camadas as quais o leitor deve atentar. Não se trata de outra epopeia, onde bons e maus se assanham, ou o jirau das peripécias de bravos e covardes, nobres e canalhas, numa dicotomia reducionista. Por natureza, o homem é ambíguo, e suas dúvidas, tal qual as decisões, nem sempre encontram as explicações lógicas e racionais. Afinal, e não se turve a reconhecer, sentimentos e emoções gravitam e atraem as mais inesperadas e repentinas decisões, e denunciam não haver somente o físico, mas também o transcendente.

      De um lado, a Ordem, seus homens e anjos, do outro, o Deicídio (cujo objetivo, como o próprio nome indica, é a morte de Deus e seus filhos), constituído por homens e demônios. Entre eles, a humanidade em sua placidez ignota, capaz de acreditar somente naquilo que os olhos veem, ou não veem. Entretanto, existe um mundo, ou mundos, alheios aos olhos físicos e disponíveis exclusivamente aos olhos espirituais. E neste campo se desenrola a guerra iniciada no Éden, em que Adão se fez presa fácil para as artimanhas do diabo, vítima da sua soberba e inveja.

      Os cambiantes, mistura de humanos e seres angélicos, são a elite dos agentes de ambas as forças. E a maior parte dos embates se dá com eles. Por falar nisso, o terço final do livro é de tirar o fôlego, literalmente. Para quem gosta de ação, reviravoltas e emoções, é um prato cheio; sem esquecer as várias esferas subentendidas às quais o autor propositalmente ofertou ao leitor, não como um plus ou complemento, mas a essência, algo imprescindível... Ponderando mais sobre as entrelinhas, das camadas criadas pelo autor, e elas são tantas e tão distinguíveis que supor ou apegar-se à ideia do livro ser apenas distração não somente é simplista, equivocada, mas ilegítima; facilmente pode-se notar a sua condição ou posição (sim, caro leitor, estou a falar de si), à medida que a narrativa se desenrola. Pode-se vislumbrar o movimento no tabuleiro, qual a ameaça e o quanto se está ou não seguro.

A história vai muito além das homenagens a Dumas, Stevenson, Scott, Tolkien ou Lewis, para ficar apenas em alguns. Ela trata da luta instalada no íntimo, onde o sopro divino, ou imago dei, colide com os efeitos noéticos da Queda. E este contexto é muito maior do que as explosões, perseguições, duelos, estratégias, complôs e tantos outros elementos a permear o gênero. Por mais que você resista, o livro fala e trata de você. E, por isso, é tão necessária a leitura de A Ordem..., pois, ao sentir-se preso, angustiado, certamente também se sentirá liberto e protegido.

      Sammis conhece muito bem isso, porque viveu, e ainda vive, nessa corda bamba, mas na convicção de transpor seguramente o fio tênue, mas irrompível, a encerrar o fim da sua fé. Ele fala de si e, por isso, fala de mim, de você, com propriedade. Mesmo não havendo dois seres humanos iguais, existe uma essência que compartilhamos e que nos tornam membros de uma mesma ordem ou caos. E nas peculiaridades encontramos o universal, sem os malabarismos burlescos e artificiais dos antropófobos e fatuados.

      Mostra que é possível divertir e pensar, sem abrir mão da verdade, mesmo envolta em sombras e muita, muita fumaça e poeira.

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Título: A Ordem Luterana da Cruz Combatente

Autor: Sammis Reachers

Páginas: 321

Link do autor: httpd://linktr.ee/sreachers

Email: sreachers@gmail.com

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Resenha publicada originalmente na Revista Bulunga n.36


sábado, 29 de novembro de 2025

Fanzine SAMIZDAT #8 (2025), de Sammis Reachers - Leia ou baixe




O ano de 2025 já ia tombando e não tínhamos sequer um novo número de nosso malbaratado zine. Bem, problema resolvido: Este número (#8) reúne apenas poemas recentes, escritos depois da publicação de meu livro Primeiressências, lançado no doce maio. Mas 2025 foi um ano prolífico: Além de Primeiressências, volume de inéditos, publicamos ainda os e-books Versos do Ide, reunindo poemas missionais, e o plaquete 11 Poemas, reunindo um poema de cada um ou cada qual de meus onze livros de poesia.

Baixe (ou leia online) o fanzine pelo Google Drive, CLICANDO AQUI.

domingo, 23 de novembro de 2025

AS PERGUNTAS FEITAS A UM DOS 7 SÁBIOS DA GRÉCIA

 


PERGUNTAS FEITAS A UM DOS 7 SÁBIOS DA GRÉCIA

1. Qual é a coisa mais antiga?

2. Qual a coisa mais bela?

3. Qual a coisa maior?

4. Qual a coisa mais cômoda?

5. Qual a coisa melhor?

6. Qual a coisa mais veloz?

7. Qual a coisa mais sábia?

8. Qual a coisa mais poderosa?

9. Qual a coisa mais fácil?

10. Qual a coisa mais difícil?

 


RESPOSTAS:

1. — Deus é a coisa mais antiga, porque sempre foi.

2. — O mundo é a coisa mais bela, por ser obra de Deus.

3. — O espaço é a coisa maior, por compreender as outras.

4. — A esperança é a coisa mais cômoda, porque perdidos os outros bens, fica este só.

5. — Nada melhor do que a virtude, porque sem ela não há coisa boa.

6. — Nada mais veloz que a mente do homem, porque num instante percorre o universo.

7. — Ninguém mais sábio que o tempo, que tudo ensina.

8. – A necessidade é poderosa, porque vence tudo.

9. – Nada mais fácil que dar conselhos.

10. – Nada mais difícil do que conhecer-se a si mesmo.

 

segunda-feira, 3 de novembro de 2025

O Compilador, uma parábola

 


E, quando estou enfadado até à morte de mim e dos homens, meu enfado de mim e meu enfado dos homens, em conluio, me conclamam: “Apruma, bípede besta! Recolhe-te à tua biblioteca e faze o trabalho de um antologista.”

Remediado ou acolhido sob um falso sentimento de filiação, às vezes cismo: “E os outros homens, para onde se recolhem?”

“Cuida tu deles? Até os livros que fazes, faze-os apenas para ti. Quanto a nós, nós cuidamos apenas de ti.”

Sammis Reachers


domingo, 26 de outubro de 2025

O SOMBRA: Um beat 'em up de responsa para o SNES


Oriundo do início dos anos 1930, O Sombra (The Shadow) é uma criação de Walter B. Gibson. Tudo começou com um programa radiofônico, onde o Sombra era o narrador. Até o grande Orson Welles o interpretou. Já nesta fase surge a famosa frase do personagem: "Quem sabe o mal que se esconde nos corações humanos? O Sombra sabe!". O personagem logo avançou para a carreira literária, prolífica, povoando revistas e livros detetivescos. E, claro, também os quadrinhos. Uma das primeiras figuras de justiceiro na mitologia pop, o Sombra, com seus característicos sobretudo, chapéu, luvas e cachecol, que além de lhe tapar metade do rosto ainda enfaixava seu pescoço, dando um toque de elegância belle epoque ao valentino, era bom mesmo em distribuir socos e chumbo, com suas duas legendárias pistolas Colt M1911, do "amigável" calibre .45. O Sombra é na verdade Lamont Cranston, playboy que antes fora um conhecido criminoso mas, tendo sido sequestrado e treinado (!) no Tibete por um sábio, resolve por fim voltar a Nova Iorque, agora "convertido" ao lado luminoso da força. Ou quase. Com ele, entre muitas habilidades, aquela que lhe dá a alcunha ou nome de guerra: Lamont consegue hipnotizar as pessoas para que não o vejam, salvo sua sombra. Sim, sim, você está certo: O Sombra serviu como uma das inspirações para o Batman, segundo Bill Finger, co-criador do morcegão.

Em 1994, a Universal lançou um filme do personagem, de recepção mediana - e um desastre nas bilheterias. Deste filme deriva o interessante jogo do SNES.

Beat 'em up raiz, aqui andamos - e rodamos - por dez longas fases, socando e atirando na marginalidade da Nova Iorque dos anos 1930.


A base ou o chão dos beats, os golpes, aqui são interessantes: além do soco, voadora, joelhadas e balão tradicionais, temos um botão específico para uma rasteira giratória (que você pode combinar num combo, por exemplo), e somando soco e pulo, uma breve sequência de socos espalha-brasas, e que consome life.

Mas é no quarto botão, dedicado aos "especiais", que está a pegada interessante: Ele permite ativar três movimentos especiais diferentes, selecionáveis via botão R, e que possuem uma barra de energia dedicada só para eles. Invisible ativa essa especialidade do Sombra, ente furtivo mais furtivo que seu filho, o homem-morcego; Dash ativas um golpe "corridinha", com o Sombra aplicando uma poderosa cotovelada ao fim da aceleração; e Devastate também entrega o que o nome diz: Uma cúpula de energia se expande do personagem, detonando todos na tela - claro, esta opção é a que consome mais energia da barra.

Sombra tem também um divertido modo "tiro": Em certos trechos das fases, quando os inimigos aparecem com armas de fogo, nosso anti-herói saca suas bitelas, suas duas Colts para trocar tiro com a marginalidade. Um modo que foi melhorado, talvez copiado em outro beat 'em up, o do Justiceiro (The Punisher).

As fases, como dito, percorrem a Nova Iorque dos anos 1930: Times Square, Empire State Building (com direito a clássica fase no elevador e luta contra o chefão no topo - mas calma, é só a segunda fase!), feira/parque de diversões, museu, Chinatown e por aí vai.

Além das despudoradas Colts, você apanha diversas armas brancas dos adversários: Barras de cano, tacos de baseball, pedaços de madeira (aqui chamamos de marroca de pau ou pau-de-dar-em-doido), facas e até tochas incendiárias. Elas se gastam pelo uso, feito a vida, ou são abandonadas ao andar das telas. E pior: Se um adversário ou mesmo você solta uma arma dessas no chão, elas são logo recolhidas por outro adversário, o que não acontece em todo beat...

Diversos cenários nas fases permitem que você, pulando com os adversários agarrados, soque a cabeça deles em algum objeto no teto: Luminárias e lustres, ventiladores de teto, e até um martelo de quilogramas no parque de diversões.

O Sombra tem seus senões, comuns em geral a brawlers de consoles de oito e dezesseis bits: Pouca variedade de inimigos e repetição, tanto de inimigos comuns quanto de chefões. Mas acredito que é a extensão das fases (dez, e a maioria realmente longas) e, logo, do jogo, o principal senão - a andança e o exército de canalhas podem ser estafantes para quem quer uma diversão rápida - já que não há passwords para salvar seu avanço. O fato de só permitir um jogador amplia essa sofrência ("ah, Samerson, mas é exatamente disso que eu gosto!"). Bem, é dedicar aquela sua tarde ou manhã de folga e moer a pilantragem de uma vez & sem dó! Afinal, O Sombra é um muito bom game e passagem incontornável para os fãs do gênero.


Uma particularidade sobre o game (eu deveria ter dito isso lá no começo!): Ele nunca foi lançado oficialmente. Seu protótipo de SNES, tido como completo, chegou a ser enviado para avaliação de revistas especializadas, mas provavelmente o retumbante fracasso do filme nas bilheterias afetou o lançamento do jogo. A desenvolvedora foi o Ocean, que estava meio que se especializando em games de franquias cinematográficas, por sinal.


Sammis Reachers


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