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quinta-feira, 4 de março de 2021

Livros impressos disponíveis: Poemas da Guerra de Inverno e Rodorisos

 


Amigos, já disponho de novos exemplares desses meus dois livros, por sinal completamente dispares.

Em Poemas da Guerra de Inverno, uma poesia ambientada na Segunda Guerra Mundial e em vários outros teatros de guerra, marcada pelo existencialismo cristão, dá voz a uma grande dor pessoal - que é também a dor da própria espécie humana.
Em RODORISOS, curtas (e reais) histórias de humor, escritas em linguagem acessível, são garantia de riso farto. São mais de 40 histórias e causos coligidos ainda nos tempos em que trabalhei como rodoviário.
Cada livro está disponível por apenas R$ 22,00, JÁ com o frete por Correios incluso.
E em breve, teremos livro inédito na praça. Aliás, livros!
Quem desejar adquirir, pode escrever para meu e-mail: sreachers@gmail.com

quarta-feira, 1 de julho de 2020

Banho de ervas para "abrir os caminhos": A caçada de Paulo pelos "paus raros"



Na época em que eu trabalhava como cobrador de ônibus no saudoso carro 087 da linha 49-2 (na cidade de Niterói), durante certo período em que o motorista efetivo do horário ficou de férias, a direção foi assumida por um outro companheiro, o motorista Anderson. Logo no primeiro dia, o pobre Anderson se envolveu, ou melhor, foi envolvido em um acidente: Um cidadão, com o carro estacionado entre a rua e a calçada, acreditou ter fechado a porta de seu carro – mas ela não se fechara, e aí... se abriu, lambendo a metade da lateral do ônibus, que passava no exato momento (e detonando totalmente a porta do camarada, é claro). Foi então que Anderson me disse que aquele já era o terceiro acidente em que era envolvido, em apenas um mês! Ele estava sinceramente preocupado e bastante aborrecido. Embora não tivesse culpa em nenhum dos três acidentes, era evidente a “maré de azar” que nosso amigo parecia atravessar.
No decorrer daquele dia de trabalho Anderson, meio na zoação, meio falando sério, começou a dizer que iria numa rezadeira para receber umas rezas e tomar um banho de descarrego.
Eu, como bom cristão, disse para ele que era melhor fazermos uma oração, ou ele procurar uma igreja. Mas, zoação vai, zoação vem, e pra aumentar a descontração eu resolvi escrever uma receita, uma bela e infalível receita de um banho de ervas capaz de limpar todo tipo de carma ruim, e abrir todos os caminhos.
Pois bem, tudo começou exatamente como brincadeira, eu havia escrito a receita à mão, numa folha de minha caderneta, e dado ao Anderson. Ele achou muito divertido e resolveu sacanear alguns amigos. Mostrou para um, enviou a foto da receita por Whatsapp para outro... até que nosso veículo se aproximou do despachante Paulo, alcunhado de Lobisomem (pois era peludo e sempre andava desgrenhado) ou Macarrão (seu prato preferido - comia numa bacia!). Anderson olhou para o bom Paulo e, sabendo que ele curtia uma curimba (macumba), resolveu apresentar a receita ao mesmo.
– Aí Paulo, chega aí amigo – chamou Anderson, fazendo Paulo subir na escada do veículo.
– Eu estava passando por uma maré braba, cara, tudo dando errado na minha vida, e aí eu resolvi ir numa rezadeira, uma rezadeira forte, lá do Catarina. Pô, a velha me deu uns passes e me passou essa receita aqui, dum banho de ervas. Eu tomei e foi bater e valer! Tudo mudou, cara!
Anderson falava muito sério, de sobrancelhas franzidas, cara de “brabo”. Eu, sentado na roleta, fazia força para não rir.
Em seguida Anderson apresentou a receita para o sofrido Paulo. Paulo a observou com espanto e muita atenção.
Eis o texto da “receita”:

RECEITA DE SIMPATIA
Para abrir caminhos (espirituais – financeiros – amorosos).
Banho de ervas. Modo de preparar: Reunir todas as ervas e ferver por 30 minutos EM FOGO À LENHA (não pode ser em fogão à gás).
Tomar 3 banhos, durante três sextas-feiras, sempre à noite. Não se enxugar.
Ervas:
Cipó cabeludo;
Canela em pau;
Saião socado;
Tromba de anjo;
Capim-boneca;
Bengala-de-boi;
Pau-ferro;
Pau-rosa;
Pau-de-remo;
Pau-d’alho;
Pau-pereira;
Pau-santo;
Papo-de-Peru.

Nota: Esta receita também é um poderoso afrodisíaco natural.

Pois bem, lá se foi o querido Paulo com a receita, todo feliz, como se tivesse achado uma nota de cem merréis.
No dia seguinte eu e o Anderson já estávamos fracos de tanto rir. Mas ao chegar no ponto de Paulo, para marcar a ficha (guia), ficamos sérios. Anderson, com aquela carranca, perguntou baixinho:
– E aí meu amigo, e aquela receita? Conseguiu fazer?
– Pô xará, tô tentando, tô tentando. Tô procurando as ervas, mas tá difícil. É muito PAU junto!!!

Sammis Reachers


sábado, 25 de janeiro de 2020

Desculpe interromper o silêncio de sua viagem, mas... (O assaltante educado)


O motorista Luís Otávio trabalhava à época na empresa Fortaleza, em Niterói. A Fortaleza é uma empresa pequena, de apenas duas linhas. Luís trabalhava na linha 53, no turno da tarde. Seu veículo era um “micrinho”, um pequeno micro-ônibus Volkswagen de apenas 16 lugares. Certo sábado, vindo pela rua Tiradentes, lá pelas cinco da tarde, um indivíduo dá sinal, sozinho no ponto. Um homem moreno, de olhar pacato, bem vestido. Ao subir, pediu para o motorista liberar a roleta, que ele iria pegar o dinheiro, após sentar-se. Sentou-se atrás do motorista, no pequeno banquinho solitário. 
 Após alguns instantes, o pesado Luizão ouve algumas batidas no vidro de trás. Instintivamente ele, sem olhar, estica a mão para trás, em concha, na intenção de pegar o dinheiro. Mas ao invés de dinheiro apalpa um volume duro e gelado. Nisso o indivíduo aproxima-se do vidro, ficando bem próximo de Luís Otávio, e diz: 
 – Solta, solta. 
 Luís olha para trás, no susto, e percebe que apalpara uma arma! 
 – Amigo, fique tranquilo aí. Eu vou fazer um ganho aqui, mas não vou mexer com você não, nem vou machucar ninguém. Fique muito tranquilo. 
 Assustado, Luisão ainda conseguiu dizer, sempre num tom de voz baixo, como o do gatuno: 
 – Cara, não vá perder cabeça... pensa na sua vida. 
 – Fica tranquilo. 
 Em seguida o indivíduo levantou-se. E aí veio o inusitado. 
– Senhoras e senhores, boa tarde. Desculpe por atrapalhar o silêncio da sua viagem. Eu estou hoje aqui pois estou desesperado, e tenho duas crianças com fome em casa. Eu tinha que tomar uma atitude. Desde já peço desculpa a todos, mas minha situação está difícil. 
 Somente então, após essas ternas palavras, o indivíduo sacou a arma. 
 – Isto é um assalto. Mas fiquem tranquilos e me desculpem, tá? Podem ir passando o dinheiro, relógios e joias aí. 
 Os passageiros, entre confusos e apavorados, foram logo passando seus pertences para o indivíduo. 
Enquanto isso, ao volante do veículo, mas prestando atenção no discurso e nas ações do estranho meliante, Luís estava muito confuso; nunca vira um ladrão pedindo desculpas e falando daquela forma. Apesar da sinistra situação, nosso amigo não sabia se ria ou se chorava. Começou a chorar então. Chorar de rir. 
 Após realizar a coleta e pedir muitas desculpas a cada um de quem apanhava os despojos, o marginal foi para a frente.  
– Motorista, devagar por favor. Eu vou descer ali perto do (clube) Canto do Rio. 
 Antes de descer, disse aos passageiros, todos tosquiados que nem cachorrinhos de madame: 
– Peço mais uma vez desculpas a todos. Não sou um marginal. Estou apenas pegando esse empréstimo com vocês para poder resolver minha situação. São duas crianças. Me desculpem mesmo. Tenham uma boa viagem, vão com Deus. 
Nesse momento Luís não aguentou, e riu um pouco mais alto. O indivíduo olhou sério para ele. Luís ficou quieto, agora arrependido de ter sorrido. 
 – Poxa, me esqueci de pagar a passagem, né? 
 – Não, não, amigo, tá tranquilo – disse o motorista. 
 – Não, que isso – disse o bom larápio. Enfiando então a mão na sacola de seus ganhos, puxou uma nota e disse: 
 – Segura aqui vinte reais, pode ficar com o troco. E desceu, sob os olhares entre desnorteados e furiosos dos passageiros. 
 – Ei ei, por que ele não te roubou? E que parada é essa dele te dar vinte reais? Você está mancomunado com o marginal – Foi logo dizendo um dos clientes. 
 Luís não conseguia parar de sorrir, seja por nervoso seja pelo inacreditável da situação. E foi assim que nosso amigo Luís Otávio foi posto numa situação pra lá de delicada pelo educado ladrão, pois todos os passageiros se levantaram e foram pra cima dele, coitado...

Essa é uma das quarenta histórias verídicas e hilárias do livro RODORISOS - Histórias Hilariantes do Dia-a-dia dos Rodoviários (à venda nas modalidades impressa e e-book, na Amazon).

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