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terça-feira, 9 de maio de 2017

Mas irmão Sammis, por que você faz livros de graça?"


"Ideias não podem ser possuídas. Elas pertencem a quem quer que as compreenda." 
Sol LeWitt 

Mas há quem me pergunte, de quando em vez e algo inocentemente, o porquê dos livros gratuitos. Porque todo livro deveria ser gratuito, salvo o gasto em papel, gasto que não tenho. 
 "Mas o obreiro é digno de seu salário." Dê um salário ao obreiro, ora pois; o direito autoral vai muito além disso, é uma usurpação ad-infinitum (100 anos? Isso é o infinito, pois transcende a vida de um homem), um ato de lesa-humanidade. 
Ideias contundentes quando estrondam contra a concha em que o $istema lhe nutriu, hum? Isso começou há não muitos séculos, em terras de Adam Smith, e foi aperfeiçoado em terras de von Mises, mas isso é outro e mais complexo assunto, com sua própria carga nauseabunda.
O importante sobre uma aculturação, uma cangalha, é que nunca é tarde para ser livre, para deitar o fardo d'outros pelo chão. E basta despir-se um pouco para perceber a clareza de tudo isso, dessa transcendência, essa TRANS-pessoalidade do/no mundo das ideias, essa corrente unidirecional (para a frente, sim, mas isso não denota necessariamente uma fé cientificista no "progresso") e construto coletivo, VISCERALMENTE e aprioristicamente coletivo, que as ideias são. 
"Se cheguei até aqui foi porque me apoiei nos ombros de gigantes", dizia Newton, o Isaac. O Conhecimento é assim: nada surge do nada, todo conhecimento é CONHECIMENTO DERIVADO, elo de uma cadeia que nasceu no barro, nasceu em Adão. 
Por essas e outras que eu, o bom aluno que nunca gostou da escola, terminei como professor... 
Poderia estar ganhando dinheiro, mas sou tolo ou homem demais pra isso. Não sou um individuado e ambulante centro do Universo, sou um elo ínfimo num esforço amplo, membro de um corpo cumprindo sua função, seja o corpo social, seja o corpo de Cristo, sem que isso tolha minha individualidade e singularidade.

Sammis Reachers

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Kirby Ferguson: Abraçando o Remix - Assista a este vídeo



Nada é original, diz Kirby Ferguson, criador de 'Tudo é um Remix'. De Bob Dylan a Steve Jobs, ele afirma que nossos criadores mais celebrados pegam emprestado, se apropriam e transformam.

Outros videos do TED (sobre centenas de áreas do conhecimento) legendados: http://www.ted.com/translate/languages/pt-br?page=2

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Fim de uma era para a Enciclopédia Britânica


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Em 1768, um artista escocês que fazia gravuras, chamado Andrew Bell, e um gráfico chamado Colin Macfarquhar colocaram tinta no papel para criar três volumes indexados conhecidos como Enciclopédia Britânica.
A editora de Chicago disse que, no lugar disso, vai se concentrar em vender as enciclopédias para assinantes através do seu site ou via aplicativos para tablets e smartphones.Na terça-feira, a Encyclopaedia Britannica Inc. disse que vai parar de imprimir sua famosa enciclopédia, um sinal de como os leitores têm abandonado livros de referência impressos, trocando-os por websites, como Wikipédia e Google.
"Esse não é um dia triste para a Britannica", afirmou Jorge Cauz, presidente da Encyclopaedia Britannica. "Nós somos uma empresa completamente digital."
A Britannica, que ao longo dos anos teve colaboradores como Marie Curie, Albert Einstein e Henry Ford, disse que as vendas de volumes impressos atingiram o pico em 1990, quando ela vendeu 120.000 conjuntos. Desde então, as vendas vêm caindo vertiginosamente: em 2010, a empresa imprimiu somente 12.000 conjuntos, sendo que 3.500 ainda não foram vendidos. Cada conjunto, composto de 32 volumes da Enciclopédia Britânica custa, em média, US$ 1.500 nos Estados Unidos.
A ideia de parar com a impressão dos veneráveis livros vinha amadurecendo já por uns dois anos, disse a empresa, uma vez que enciclopédias se tornaram um produto primordialmente virtual nos últimos vinte anos.
Até 2004, a empresa estava perdendo dinheiro devido à queda nas vendas de produtos impressos. Mas, desde então, ela cresceu no mercado educacional, onde agora obtém 85% de seu faturamento, vendendo programas didáticos e livros eletrônicos de matemática, ciências e humanas para o primeiro e segundo graus e outros currículos mais avançados.
Apenas 15% do faturamento da Britannica vêm de conteúdo enciclopédico. A empresa, que tem capital fechado, não quis divulgar os seus lucros, mas disse que vem se mantendo lucrativa nos últimos oito anos e que gera "milhões de dólares" por ano. Apenas 1% da sua receita vem da venda de enciclopédias impressas.
Mas a empresa ainda tem um longo caminho pela frente até conseguir uma presença virtual próxima à da Wikipédia, a enciclopédia gratuita mantida pela organização sem fins lucrativos Wikimedia Foundation. A Wikipédia aparece como o resultado número 1 em 56% das buscas no Google, de acordo com um estudo da Intelligent Positioning Ltd., uma agência do Reino Unido que ajuda empresas a melhorarem seu tráfego na internet.
Além disso, o banco de dados da Britânica é significativamente menor do que o da Wikipédia, disse Cauz. Entre 1,2 e 1,5 bilhões de buscas on-line mensais pedem por conteúdos disponíveis nas páginas da Enciclopédia Britânica, mas menos que 0,5% destas buscas levam, de fato, aos sites da Britânica, disse ele. Mesmo assim, Cauz está otimista com o fato de a empresa ter mantido sua lucratividade, apesar do seu ranking baixo das pesquisas do Google.
"Nós estamos colocando mais conteúdo gratuito na internet para, assim, conseguirmos atrair aqueles que buscam conhecimento casualmente", afirmou.
A empresa já tirou outras páginas do livro da Wikipédia. A Britânica permite que seus leitores façam inclusões nos artigos da enciclopédia, que são, então, publicados pelos editores após um processo de revisão.
A Wikipédia não estava disponível para comentários na terça-feira.
Cerca de 500.000 lares assinaram para poder acessar o conteúdo completo da Enciclopédia Britânica, e mais de 100 milhões de pessoas têm acesso à enciclopédia em escolas, livrarias e universidades, disse a Britânica.

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Sensacional: Aulas do MIT, Harvard, Yale e outras legendadas em português no Veduca


POR - 

Sempre que colocamos aqui algum curso ou aulas em vídeo, um detalhe inviabiliza a participação de muita gente: o inglês. Como a maior parte desse material está na língua do tio Sam, a barreira do idioma inviabiliza o aproveitamento desse rico material. Um brasileiro está destruindo essa barreira. Conheça Carlos Souza e o Veduca.
Carlos abandonou seu emprego como engenheiro em uma multinacional para investir tudo no Veduca, um site que legenda e disponibiliza, gratuitamente, aulas de instituições como MIT, Harvard, UCLA, Stanford… Como apenas 2% da população brasileira tem o inglês afiado, ele acredita haver potencial na ideia.
No momento, o Veduca já conta com mais de 200 aulas traduzidas e já no primeiro mês teve 73 milhões de acessos aos seus vídeos. Em entrevista à Galileu, Carlos disse que o portal foca em universitários, profissionais formados e professores, mas que não há impedimento algum para que outros perfis usufruam do serviço. Com a quinta maior população universitária do mundo (6,1 milhões) e mais e mais gente interessada em aprender via Internet, mercado para o Veduca, há.
Os planos de Carlos são ambiciosos: ele quer levar aulas de universidades brasileiras para a Internet. Parcerias com algumas, não reveladas, já estão sendo firmadas e nos próximos meses as primeiras aulas nacionais deverão aparecer no site. Além disso, uma ferramenta de legendagem colaborativa está sendo desenvolvida, o que permitirá que fluentes no inglês ajudem no trabalho de tradução do material internacional.
O Veduca, como dito, é gratuito e divide seu acervo de acordo com vários critérios — professores, universidades, disciplinas e assuntos. Acesse-o no link ao lado. [Veduca via Galileu]

domingo, 13 de maio de 2012

Festival de cinema sob licença Creative Commons na Cidade do México


De 9 a 14 de julho, os moradores da Cidade do México vai apreciar o seu primeiro festival de cinema sob licenças Creative Commons (CC CMX) . Este é um espaço que será exibido obras audiovisuais, curtas-metragens, longas-metragens, documentários, que estão sob tais licenças de propriedade intelectual com o objectivo de criar uma rede de distribuição para novos criadores. O que é a diferença neste ciclo com o resto do negócio na cidade? Para entender sua importância, é necessário entender um pouco sobre as licenças Creative Commons .

O que é Creative Commons?

Em 2001 veio "Creative Commons, uma organização não governamental sem fins lucrativos, liderada por Lawrence Lessig, professor de Direito na Stanford University. A idéia do projeto foi desenvolver um grupo de licenças de propriedade intelectual (mais conhecido como comuns licenças criativas de bens) menos rigoroso do que no presente, compatível com as várias jurisdições do mundo, e para permitir que o autor para fornecer flexibilidade ao seu trabalho. As licenças Creative Commons são projetados para um modelo de distribuição com base na cópia, em um mundo onde a reprodução ea distribuição de obras estão disponíveis para todos os processos.
Ao longo de mais de uma década, as licenças foram traduzidos e adaptados para serem compatíveis com diversas legislações do mundo, incluindo Espanha, México e Argentina. Licenças Creative Commons permitem que o autor a colocar certas condições em seu trabalho, como o liberdade para o jogo sob atribuição, criar obras derivadas ou restringir a comercialização. Os termos são baseados em copyleft neologismo cunhado, em contraste com o autor, um conjunto de palavras cujo significado pode ser traduzido como "permissão para copiar" (ou no sentido literal, o autor à esquerda).

Onde é que o festival?

O festival de cinema na Cidade do México é uma cópia do Criativo NCCB Barcelona Commons Festival de Cinema . O evento espanhol é a partir de 2010 e está registrado sob uma licença Attribution Noncommercial - Share Alike (CC-NA-SA). Isto significa que qualquer pessoa no mundo pode organizar um festival similar, desde que se reúne duas condições:
  • O licenciado tem o direito de copiar, distribuir, exibir e executar a obra e fazer trabalhos derivados para fins não comerciais.
  • O licenciado tem o direito de distribuir trabalhos derivados sob uma licença idêntica à licença que rege o trabalho original.
Festival de Barcelona terá sua terceira edição nos dias seguintes (10 a 13 de Maio). Além da capital mexicana, outras cidades que já sediaram o ciclo deste ano foram Madrid (19-22 de Janeiro), Lima (28 fevereiro-2 março) e Buenos Aires (13 a 16 de Março).

Qual é o CMX DC?

O CC CMX será mostrado em diferentes locais do Centro Histórico do México, Espanha Centro Cultural, Museu Nacional de Arte da Universidade do Claustro de Sor Juana, entre outros. Além dos filmes, haverá um workshop sobre o uso de licenças Creative Commons em projetos audiovisuais (muito importante para jovens diretores) e um par de mesas-redondas temáticas: "Cinema na era da Internet" e "Os espaços no cinema " . Se eu não tenho nenhuma dúvida sobre o CMX-DC como se inscrever, como participar com seus trabalhos, pode contactar os organizadores diretamente no site do festival.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Exposição mostra como Oswald de Andrade antecipou discussão sobre direitos autorais


Agência Brasil

Daniel Mello

São Paulo - “Direito de ser traduzido, reproduzido e deformado em todas as línguas” era a frase que vinha na folha de rosto da edição original do romance Serafim Ponte Grande, do modernista Oswald de Andrade. Com a citação, o escritor paulistano entrava em 1933 na vanguarda das controversas discussões sobre direitos autorais. A mensagem também foi usada para abrir a exposição sobre o autor no Museu da Língua Portuguesa, na capital paulista.
“Em 1933, ele já era a favor da cultura livre, quase uma ideia do Creative Commons, comenta o curador adjunto da mostra, Cacá Machado. “Hoje em dia, a gente ainda tem resistência a esse tipo de pensamento. Então, isso é muito radical na postura de um homem de cultura, das letras”, acrescenta.
Aberta no último dia 27, a exposição com o título Oswald de Andrade: O Culpado de Tudo usa elementos de linguagem contemporâneos para retratar a vida e a obra, elementos indissociáveis, do artista. “Há uma dimensão poético-literária, um histórico e uma dimensão pouco conhecida que é a ensaísta”, explica Machado.
A inspiração para a organização vem do poema As Quatro Gares, onde o escritor reflete sobre as quatro fases da vida. “Nossa função foi revelar Oswald de Andrade. Foi trazer a literatura dele e, como essa literatura está muito atrelada à sua vida, não tinha como não falar da vida do Oswald”, conta o curador.

Uma existência agitada, de viajante, segundo Machado, fez com que o artista, um dos idealizadores do movimento modernista brasileiro, tivesse reflexões que continuam pertinentes décadas após sua morte. “O Oswald já está pensando em um mundo globalizado, isso na década de 30”, diz, em referência, entre outras coisas, às famosas ideias de antropofagia, base do movimento iniciado em 1922.
Para Oswald, a garantia de sobrevivência da cultura brasileira está na capacidade de entrar em contato com outras culturas e absorvê-las, em um processo de transformação. “Se a gente não assimila o outro nessa relação, a gente cria uma cultura absolutamente egocêntrica”, comenta  Machado. “No mundo em que a gente vive hoje, isso é absolutamente fundamental”.
Colocando esse pensamento em prática, a mostra convidou o grafiteiro Ganu para reproduzir nas paredes da exposição trechos da fase utopista do escritor que, na velhice, passou a se dedicar a reflexões sobre cultura e comportamento. “É como se fossem hieroglifos. Ao mesmo tempo, é uma relação com a rua”, explica Machado.


via http://www.jb.com.br

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

“Imaginem um mundo sem direitos de autor nem monopólios”: livro de Joost Smiers e Marieke van Schijndel disponível gratuitamente em português



Acaba de ser publicada a versão em português do livro “Imaginem um mundo sem direitos de autor nem monopólios”, dos pesquisadores holandeses Joost Smiers e Marieke van Schijndel
por CTS
Acaba de ser publicada a versão em português do livro “Imaginem um mundo sem direitos de autor nem monopólios”, que pode ser livremente acessado neste link para download.
O livro dos pesquisadores holandeses Joost Smiers e Marieke van Schijndel analisa os mercados culturais e identifica duas forças que contribuem para a monopolização desses mercados: o copyright e os grandes conglomerados, mais ainda no campo digital do que no chamado mundo antigo. Smiers e van Schijndel defendem que, sob uma perspectiva democrática, tal cenário não é aceitável, e questionam o que poderia acontecer se os direitos de autor fossem abolidos e a dominação do mercado cultural fosse dilapidada, combinando-se isso à revitalização da competição ou a políticas antitruste.
Segundo os autores, como resultado haveria uma mudança fundamental na posição dos artistas, gerando uma situação econômica melhor distribuída para a maioria, e correspondentemente diminuindo o rendimento dos artistas de grande renome. Ao mesmo tempo, seria resguardado o domínio público do conhecimento e criatividade, que de acordo com o argumento do livro não mais seriam privatizados.
Os autores
Joost Smiers é professor de ciência política das artes e pesquisador no Grupo de Investigação sobre Arte e Economia na Escola Superior das Artes de Utrecht (Holanda). O seu livro “Arts Under Pressure. Promoting Cultural Diversity in the Age of Globalization” foi traduzido em dez línguas. Escreveu com Nina Obuljen Unesco’s Convention on the Protection and Promotion of the Diversity of Cultural Expressions. Making it Work (Zagreb, 2006). Tem em preparação um estudo sobre o ruído: “A quem pertence o espaço público?”. Vive em Amsterdã.
Marieke van Schijndel é diretora do Museu Catharijne Couvent de Utrecht, depois de ter sido diretora-adjunta da Fundação Mondriaan, que financia atividades (internacionais) nos domínios das artes plásticas e da patrimônio cultural. Tem uma pós-graduação em Administração de Empresas na Universidade Concordia de Montreal, estudou ciências do teatro, do cinema e da televisão. Vive em Utrecht.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Be-a-bá sobre Creative Commons




Por que eu preciso de CC mesmo?!? 

Cenário 1:
Você é um compositor, e decide colocar suas músicas online "a titulo gratuito", na esperança de se tornar conhecido e conseguir oportunidades de trabalho.
Alguns meses se passam, e você descobre que uma agência de publicidade está usando suas músicas em comerciais na rádio e televisão, sem citar sua autoria e sem lhe pagar nenhum tostão.
Eles estão no direito deles, e você não tem a quem recorrer.
Como a Creative Commons poderia ter te ajudado?
Se você tivesse utilizado a licença Creative Commons BY, a empresa de publicidade ainda poderia usar sua obra, mas seria obrigada a lhe dar os devidos créditos:
Se você tivesse usado a licença Creative Commons BY-NC, as pessoas poderiam baixar e ouvir suas músicas online; mas você preservaria o direito de exploração comercial da obra:


Cenário 2:
Você não quer impedir o uso comercial. Quer apenas que as pessoas ouçam sua música, compartilhem, e sejam felizes.
Alguns meses se passam, e você descobre que um cantor famoso gravou um CD com suas músicas. Até aí tudo bem. Mas você também descobre que esse cantor não compartilha seus ideais: ele proíbe terminantemente que as pessoas copiem seus CDs, e sua gravadora chega a enviar notificações judiciais para pessoas que baixam suas músicas online.
Eles estão no direito deles, pois a gravação é daquele cantor; e, novamente, você não tem a quem recorrer.
Como a Creative Commons poderia ter te ajudado?
Se você tivesse utilizado a licença Creative Commons BY-SA ("share-alike"), o cantor ainda poderia gravar suas músicas -- desde que ele as disponibilizasse segundo a mesma licença, que permitiria a cópia. Ou seja: ele não poderia tirar dos outros a liberdade que recebeu de você.
***
Estes dois cenários mostram como a Creative Commons pode ser útil para os criadores que queiram liberar alguns, mas não todos os seus direitos; ou mesmo para aqueles que queiram liberar todos os direitos e garantir que ninguém possa revogá-los.
Quem usa a Creative Commons? A Wikipedia, o MIT OpenCourseWare, entre tantos outros projetos de cunho social ou educacional.
Tudo isso sem precisar pagar um único centavo, pois as licenças estão disponíveis na internet, para quem quiser usar.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Pela pirataria na internet


Por Wilton Cardoso, editor de Vida Miúda

A internet é, por natureza, uma biblioteca composta pelos conteúdos digitais (e digitalizáveis) de todas as épocas e culturas. Uma biblioteca total, gratuita, interativa, livre de controles e acessível a quem quer que tenha um chip plugado na rede. Esta pelo menos é a potência da internet, é no que ela pode facilmente se transformar num piscar de olhos. E o que impede a concretização desta potência? Basicamente interesses de mercado e do estado.

Internautas, artistas e programadores simpatizantes ou ativistas da cultura livre se debatem entre o velho e o novo mercado pop. Por um lado o velho mercado, formado por editoras, estúdios, gravadores e emissoras, deseja manter o status quo das rígidas leis de direitos autorais e de cópia (copyright) que o beneficia. Por outro lado, o novo mercado, formado por empresas telefônicas e sites de serviços e conteúdos como o Google, deseja a flexibilização das leis de direitos autorais e de copyright em nome de novos marcos legais que regularizem suas atividades baseadas na publicidade. Um artigo esclarecedor sobre o jogo do mercado na internet e a posição da cultura livre neste jogo pode ser lido aqui.

A crítica aos mercados não se trata de uma reclamação típica de esquerdistas frustrados e sonhadores. Vale ressaltar o quanto o novo mercado pop (ao que tudo indica, o que sairá vencedor na batalha dos mercados) coloca em risco a privacidade das pessoas, pois seu negócio é exatamente a armazenagem e o cruzamento de dados privados dos internautas para vendê-los à publicidade dirigida – e, eventualmente, entregá-los ao estado. Se o direito ao acesso livre e gratuito aos conteúdos é um assunto caro às “esquerdas”, o direito à privacidade, pelo que eu saiba, é muito estimado pelos liberais. O problema, portanto, é de todo mundo. Para saber mais sobre os riscos que o mercado e o estado trazem à privacidade do internauta, sugiro este artigo.

UM EXEMPLO CONCRETO

A internet trouxe problemas às leis de direitos autorais e de copyrightpois é impossível impedir ou controlar a cópia de conteúdo na rede.Isto por vários motivos: a cópia de conteúdo digital não tem qualidade inferior ao “original”, seu custo é praticamente zero, é rápido e fácil copiar qualquer conteúdo. Chaves de proteção são facilmente quebradas por hackers. Na verdade, a internet funciona, entre outras coisas, por meio da cópia de bytes – para ler esta página de blog, por exemplo, seu computador local está fazendo uma cópia temporária dela na memória. A cópia de conteúdo pertence, portanto, à natureza da internet. 

Um bom exemplo de como a internet bagunça as leis do copyright é o caso da música.

Vamos aos fatos: já é possível baixar gratuitamente qualquer música por meio de torrents ou sites de armazenamento. Todo mundo baixa/ouve (vê o clipe da) música gratuitamente e sem o menor peso na consciência de estar lesando gravadoras, autores, músicos, técnicos etc… Algumas gravadoras e artistas já entenderam que as pessoas não querem pagar por conteúdo digital/digitalizável (LPs esgotados também se tornam mp3 disponíveis para download) e disponibilizam as músicas gratuitamente para baixar. Vão ganhar o seu com shows e outros serviços, fora do ambiente da internet: veja o caso da Trama Musical.

Se for pra cobrar de alguém, a única chance é que se cobre das empresas de telecomunicações, sites de armazenamento, Youtube ou portais de torrents, que faturam com publicidade: o internauta não aceita pagar e já considera, mesmo que incosncientemente, que o acesso gratuito às músicas (a qualquer conteúdo) é um direito seu.

É altamente provável que os internautas não queiram nem mesmo se expor à publicidade para consumir música gratuitamente, pois isto significa literalmente vender sua privacidade, seus gostos, sonhos e desejos em troca de conteúdo. Negociar a privacidade é como vender a alma ao mercado por intermédio do publicitário (este padre hedonista), um negócio pior que vendê-la ao diabo. Este pelo menos remunera o mortal com riquezas terrenas, já o mercado só retribui com contas a pagar. É que ainda não há alternativas na internet à publicidade: caso surja um espaço na rede que seja gratuito, sem publicidade e livre de controles de mercado e dos governos, certamente os internautas correriam pra lá sem pestanejar.

INTERNET: TERRITÓRIO EM DISPUTA 

A internet se trata, portanto, de uma mídia técnica na qual se digladiam várias potências, várias vontades de poder, vários interesses conflituosos: 

1. Os do velho mercado pop, que gostaria que a rede nunca tivesse nascido e que será, provavelmente, derrotado;

2. Os do estado, sempre acometido de paranóia e desejo de controle, ávido por saber os passos de cada cidadão seu. Neste aspecto, a internet é uma ferramenta muito poderosa, pois ela grava todos os eventos da rede e o cálculo computacional proporciona um cruzamento de dados que torna o universo de controle do filme 1984uma brincadeira de criança;

3. Os do novo mercado pop, ávido pelos bancos de dados da alma de cada pessoa a fim de maximizar suas receitas publicitárias;

4. Os de artistas, programadores, hackers e internautas adeptos da cultura livre em geral, que veem na internet um espaço potencialmente livre dos controles do mercado e do estado, no qual a criatividade desenvolve toda a sua potência e a privacidade e o acesso gratuito ao conhecimento (aos conteúdos) é um direito.

É possível que outras forças surjam na internet, que algumas se extingam ou se transformem e outras permaneçam. Uma coisa é certa: a potência da rede como biblioteca total e gratuita, como espaço da cultura livre, faz parte de sua natureza maquínica e vai de encontro com o desejo das pessoas pelo acesso livre e gratuito ao conhecimento. A adesão praticamente irrestrita da população internauta à pirataria digital confirma que as pessoas já escolheram o direito à informação em detrimento ao direito de propriedade intelectual. Tacitamente as pessoas dizem:

“vamos copiar todos os conteúdos independente de leis ou vontades autorais, estatais ou mercadológicas em contrário, contra o autor, os produtores, distribuidores e o estado. Acessar, copiar e (usu)fruir gratuitamente todo e qualquer conteúdo digital ou digitalizável no ambiente da internet é legítimo, é um direito nosso. “

Por que não explicitar tal desejo coletivo numa declaração de princípios, trazendo-a para a consciência e exigindo leis que cumpram tais princípios? 

CINCO PRINCÍPIOS DA CULTURA LIVRE NA INTERNET 

Qualquer lei que atenda aos anseios por uma cultura livre na internet teria que se basear, pelo menos, nos seguintes princípios: 

1. É direito do internauta que todo conteúdo digital/digitalizável seja disponibilizado gratuitamente na internet;

2. Todo conteúdo disponibilizado na internet poderá ser copiado de forma ilimitada;

3. É vedada a disponibilização de conteúdo com qualquer tipo de proteção contra cópias ou limitações ao uso gratuito (No máximo, poderá haver um “pague se quiser” ou “pague a mim, mas pode repassar gratuitamente”);

4. O conteúdo gratuito não pode sofrer restrições de acesso/download por conta de contratos publicitários. Obs. 1: Por outras palavras, todos os conteúdos podem ser remixados para a retirada de publicidade ou disponibilizados em ambientes livres de publicidade. Obs. 2: Este item é controverso, mas não acho que hackers, piratas e praticantes da cultura livre queiram abrir mão dele, pois é ele que dá direito ao internauta de escapar da nova indústria cultural que vive de publicidade, como o Google;

5. Se houver exploração comercial de um conteúdo na internet, o seu criador (ou criadores) terá direito de ser remunerado. Obs.1: Por outro lado, o autor não tem direito à remuneração no caso do uso não comercial da obra. Obs. 2: Outro ponto polêmico: o autor poderia criar obstáculos à fruição desinteressada de seu trabalho no ambiente da internet? O direito ao conhecimento não se sobreporia ao direito de propriedade do autor sobre sua obra, pelo menos no espaço da biblioteca total que é a internet?

Isto valeria para vídeo, imagem, som, escrita, games, programas, etc. Tudo que seja digital…

Tenho certeza que tais princípios são moralmente concretos e tecnicamente factíveis de se atingir. Moralmente, eles já estão entranhados firmemente no espírito das pessoas e são, portanto, legítimos: as pessoas já escolheram privilegiar, em detrimento dos outros direitos, o direito irrestrito ao conhecimento e à informação.Tecnicamente não há o que comentar, a internet é, por natureza, uma biblioteca total de conteúdos digitais/digitalizáveis, gratuita e disponível a todos que tenham um chip conectado na rede: a única coisa que falta é fazer upload das obras ainda fora da rede e catalogar tudo com precisão, para evitar conteúdos em duplicidade e dificuldades na busca.

Não tenho ilusões que o mercado e o estado permitirão a aprovação de leis que atendam a estes princípios que, como disse, são legítimos e deveriam ser alçados à condição de direitos da população (global). Uma lei assim só sairá do papel quando a pirataria for tão maciça, disseminada e incontrolável que o mercado e o estado não tenham nada mais a perder. E ela vai atingir tal estágio de virulência, estejam certos disso: se existe uma praga determinada, tenaz e invencível neste mundo do Deus Mercado, é a pirataria digital.

É ela, a pirataria digital, esta guerra suja empreendida pelos vagabundos da rede, que irá efetuar a potência máxima da internet, tornando-a efetivamente uma biblioteca total.

domingo, 6 de março de 2011

A Descoberta da Escrita, de Ignácio de Loyola Brandão - Um conto contra a censura


Tentava escrever e eles surgiam, levando todo o material. Confiscavam e sumiam. Sem satisfações, mas também sem recriminações. Não diziam nada, olhavam e recolhiam o que estava sobre a mesa.
Tentou mudar de casa, não adiantou. Eles chegavam apenas a caneta tocava o papel. Como se aquele toque tivesse a capacidade de emitir um sinal, perceptível somente por eles, como o infra-som para um cachorro. Levaram todos os papéis. E quando ele tentou comprar, as papelarias não venderam sem a requisição oficial. Nenhum tipo de papel, nada. Caderno, cada criança tinha direito a cotas estabelecidas. Desvio de cadernos era punido com degredo perpétuo. Rondou as padarias e descobriu que o pão era embrulhado em plásticos finos, transparentes. E quando quis comprar um jornal, viu que as margens não eram brancas, vazias. Agora, havia nelas um chapado preto, para impedir que se escrevesse ali. Uma noite, altas horas, escreveu nas paredes. E pela manhã descobriu que eles tinham vindo e caiado sobre o escrito. Escreveu novamente. Caiaram, outra vez. Na terceira, derrubaram as paredes. Ele procurava caixas, aproveitar as áreas internas. Eles tinham pensado nisso, antes. As partes internas eram cheias de desenhos, ou com tintas escuras sobre as quais era impossível gravar alguma coisa. Experimentou panos brancos, algodão cru, cores leves como o amarelo, o azul claro. Eles também tinham pensado. As tintas manchavam o pano, borravam, as letras se confundiam.
Eles não proibiam, prendiam ou censuravam. Pacientemente, vigiavam. Controlavam. Dia a dia, minuto, segundos. Impediam que ele escrevesse. Sem dizer nada, simplesmente tomando: objetos, lápis, canetas, cotos de carvão, pincéis, estiletes de madeira, o que ele inventasse.
Dois, cinco, doze anos se passaram. Ele experimentou fabricar papel, clandestinamente, em porões e barracos escondidos no campo. Eles descobriram, arrebentavam as máquinas, destruíam as matérias-primas.
Ele tentou tudo: vidros, madeira, borracha, metais. Percebia, com o passar do tempo, que eles não eram os mesmos. Iam mudando, se revezando. Constantes, sempre incansáveis, silenciosos.
Deixou o tempo correr. Fez que tinha desistido. Só pensava, escrevia dentro da própria cabeça tudo o que tinha. Esperou dois anos, cinco, doze. Quando achou que tinha sido esquecido, colocou o material num carro.
Tomou estradas para o norte, regiões menos povoadas. Cruzou pantanais, sertões, desertos, montanhas. Calor, frio, umidade. Encontrou uma planície imensa, a perder de vista. Onde só havia pedras. Ficou ali. Com martelo e cinzel, começou a escrever. Gravando bem fundo nas pedras imensas os sinais. Ali podia trabalhar, sem parar.
E o cinzel formava, lentamente, as, bês, cês, dês, pês. Traços. Palavras, desenhos.

do livro O Homem do Furo na Mão e outras histórias

Fonte: Blog BRADANTE - http://bradante.blogspot.com
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