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sábado, 19 de setembro de 2026

Histórias para guardar do Esquecimento – Uma coletânea de pequenas histórias para ressignificar as nossas vidas

 


Fábulas e parábolas são utilizadas há milênios por povos e culturas para transmitir os mais preciosos valores e ensinamentos: Aqueles que falam sobre a natureza da vida e de nosso procedimento, nossa busca por justiça, paz e felicidade.

Este livro reúne uma coleção de narrativas assim — fábulas, parábolas, contos breves e também histórias reais — escolhidas com um critério simples: o de que tenham algo de valor a dizer sobre a experiência de ser humano. Sobre perdão, sobre o tempo, sobre orgulho e humildade, sobre o que escolhemos alimentar dentro de nós. Os temas são universais, e as histórias que os carregam pertencem a diferentes tradições e culturas — algumas com origem conhecida, outras que a memória coletiva já não consegue rastrear com precisão.

Há uma razão antiga para que povos tão diferentes tenham recorrido à parábola. A verdade dita diretamente pode ser ignorada ou esquecida. Mas a verdade que chega “disfarçada” numa história — com personagens, com tensão, com um desfecho inesperado — tem o curioso hábito de se instalar sem pedir licença. Os homens não gostam de encarar a Verdade nua; preferem-na vestida.

Esta pequena parábola nos ajuda a entender perfeitamente a questão:

 

A Verdade e a Parábola

A Verdade visitava os homens; sem roupa e sem adornos, tão nua quanto o seu nome.

E todos os que a viam viravam-lhe as costas de vergonha ou de medo, e ninguém lhe dava as boas-vindas.

Assim a Verdade percorria os confins da Terra, rejeitada e desprezada.

Numa tarde, muito desolada e triste, encontrou a Parábola, que passeava alegremente, num traje belo e muito colorido.

— Verdade, por que estás tão abatida? — perguntou a Parábola.

— Porque devo ser muito feia e repulsiva, já que os homens me evitam tanto!

— Que disparate — riu a Parábola. — Não é por isso que os homens te evitam. Toma, veste algumas das minhas roupas e vê o que acontece.

Então a Verdade pôs algumas das lindas vestes da Parábola e, de repente, por toda a parte onde passava era bem vinda.

Então a Parábola disse:

— A verdade é que os homens não gostam de encarar a Verdade nua; eles a preferem disfarçada!

 

O leitor encontrará aqui histórias que tocam em questões éticas e espirituais com naturalidade, nascidas da convicção de que a dimensão interior da vida não pode ser ignorada quando se fala em ressignificar a própria existência. Mas o convite não é doutrinal — é um convite à pausa, à reflexão, a sentar com uma história curta e deixar que ela pergunte alguma coisa. Cada narrativa vem acompanhada de versículos bíblicos, não como imposição, mas como camadas adicionais de sentido.

Histórias para Guardar do Esquecimento é exatamente o que o título promete: narrativas que merecem não se perder — não porque sejam perfeitas ou inéditas, mas porque dizem coisas que a vida moderna tem uma habilidade particular de nos fazer esquecer. Sobre como tratamos os outros. Sobre o que priorizamos. Sobre quem queremos nos tornar.

Nosso desejo é que ao menos uma dessas narrativas lance raiz em seu coração — e reapareça, algum dia, quando mais for preciso.

O livro é gratuito na versão eletrônica (e-book), mas também está disponível na modalidade impressa, a preços acessíveis.

PARA BAIXAR O E-BOOK PELO SITE BIBLIOTECA DE MISSÕES, CLIQUE AQUI.

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domingo, 23 de novembro de 2025

AS PERGUNTAS FEITAS A UM DOS 7 SÁBIOS DA GRÉCIA

 


PERGUNTAS FEITAS A UM DOS 7 SÁBIOS DA GRÉCIA

1. Qual é a coisa mais antiga?

2. Qual a coisa mais bela?

3. Qual a coisa maior?

4. Qual a coisa mais cômoda?

5. Qual a coisa melhor?

6. Qual a coisa mais veloz?

7. Qual a coisa mais sábia?

8. Qual a coisa mais poderosa?

9. Qual a coisa mais fácil?

10. Qual a coisa mais difícil?

 


RESPOSTAS:

1. — Deus é a coisa mais antiga, porque sempre foi.

2. — O mundo é a coisa mais bela, por ser obra de Deus.

3. — O espaço é a coisa maior, por compreender as outras.

4. — A esperança é a coisa mais cômoda, porque perdidos os outros bens, fica este só.

5. — Nada melhor do que a virtude, porque sem ela não há coisa boa.

6. — Nada mais veloz que a mente do homem, porque num instante percorre o universo.

7. — Ninguém mais sábio que o tempo, que tudo ensina.

8. – A necessidade é poderosa, porque vence tudo.

9. – Nada mais fácil que dar conselhos.

10. – Nada mais difícil do que conhecer-se a si mesmo.

 

segunda-feira, 3 de novembro de 2025

O Compilador, uma parábola

 


E, quando estou enfadado até à morte de mim e dos homens, meu enfado de mim e meu enfado dos homens, em conluio, me conclamam: “Apruma, bípede besta! Recolhe-te à tua biblioteca e faze o trabalho de um antologista.”

Remediado ou acolhido sob um falso sentimento de filiação, às vezes cismo: “E os outros homens, para onde se recolhem?”

“Cuida tu deles? Até os livros que fazes, faze-os apenas para ti. Quanto a nós, nós cuidamos apenas de ti.”

Sammis Reachers


domingo, 14 de setembro de 2025

Sammis Reachers: Dez frases sobre a POLÍTICA

 


O extremismo é um corredor veloz, mas sem pernas: precisa sempre das pernas e do lombo de um asno para avançar.


Todo extremo tem a mesma face; só muda de pele. Todo extremista, o mesmo discurso. Só mudam as palavras.

 

Foi obra da esquerda, da direita? Boas ideias não têm lado: contentam-se em ter razão.

 

É preciso dar nomes aos bois, e, antes deles e ainda mais importante, sobrenomes aos lobos.

 

Sou de centro. Vezes centro esquerda, noutros pontos centro direita. Mas sou fundamentalmente uma pessoa desagradável para os fundamentalistas, os radicais: Quando ando, é impossível ouvir o som de correntes sendo arrastadas.

 

Nenhum político merece sua seriedade. Dê-lhe o que restar.

 

Não há democracia fora do chão.

 

Política é isso aí: Tanto rabo preso que você olha e não vê nenhum CÃO, apenas as CAUDAS abanando – e as CORRENTES.

 

Inteligência é a capacidade de solucionar problemas. Sabedoria é a capacidade de evitá-los. E a Política é espúria e magistral soma das duas: Capacidade de criar problemas e lucrar com eles.

 

Além da guerra, a política é a única ocupação onde um porco pode entregar o máximo de sua porquidão. Uma arena onde ele pode ofertar o seu pior para o cosmos.



quinta-feira, 8 de maio de 2025

VIVENDO A ALEGRIA - 200 Citações Selecionadas sobre a alegria em livro gratuito

 


Alegria.

Imersos num turbilhão de sentimentos e solicitações, bombardeados por informação – muitas vezes tóxica, opressiva, rasa –, feridos por receios e ansiedades,  buscamos alegria, como quem busca, sem saber, a essência da vida. Mas não a alegria passageira, conquistada ao obter uma promoção no trabalho ou comer uma coxinha sem peso na consciência: ansiamos por alegria duradoura, cientes talvez de que o estado alegre é o nosso estado natural, perdido em alguma curva da história individual ou da espécie.

A alegria contagia e precisa ser assim: Somos seres gregários, e a alegria verdadeira passa por compartilhar este sentimento com os demais, numa troca luminosa.

Aqui, reunimos uma inspiradora coleção de citações, coligidas de autores os mais diversos, sobre este tema que é saúde para o corpo e o espírito. E, ao final deste volume, oferecemos uma reflexão sobre a conquista da verdadeira alegria, muralha contra o desespero e o vazio que nos rondam como que dia e noite.

 

Para baixar gratuitamente o seu exemplar, CLIQUE AQUI.


terça-feira, 29 de outubro de 2024

15 breves reflexões sobre Jesus Cristo, por Sammis Reachers

 


Jesus encarnado é a quebra da meta-alteridade de Deus, o infinitamente inapreensível tornado infinitamente ao lado.

 *   *   *

A um tempo Fonte e Receptáculo de todos os tesouros da Ciência e da Sabedoria: enquanto permanecermos reféns do pó, jamais entenderemos tudo o que Ele FUNDOU naquela CRUZ. O mistério da encarnação, a sublimação máxima: um muro para o entendimento, uma esperança instigante para os ainda agrilhoados ao pó, pela revelação vindoura da glória imarcescível - e então PLENAMENTE compartilhada.

 *   *   *

Quanto mais acumulo quer riquezas quer dívidas, amigos ou opositores, decepções ou alegrias, e experiências com os anos de vida, mais percebo que, estando cheias ou vazias minhas despensas, para tudo, sobretudo e contra tudo, Jesus é tudo o que tenho.

Sou um cristão e, deixados os eufemismos no capacho, isso significa que não há um centímetro do corpo de Cristo que eu não tenha apunhalado, e persista em perfurar novamente, num vai-e-vem tragicômico de crimes e arrependimentos. Cada segundo de respiração minha é um absurdo, uma explosão milagrosa, cataclísmica, de perdão e graça. Kierkegaard falava com razão que a fé verdadeira exige um salto para o absurdo, e a loucura da cruz, do Deus apunhalado, é esse absurdo.

 *   *   *

Seria impossível aproximarmo-nos satisfatoriamente de Deus se Ele não se tivesse feito homem. E isso não pela ausência ou ineficiência de qualquer revelação, mas sim porque, seres caídos (e isso significa: mui distanciados), ser-nos-ia impossível evitar a desconfiança, seja da maior das graças, seja do maior dos deuses, tão distanciadamente alto, que vê-lo é impossível, vê-lo é morrer. Mas, como desconfiar do andrajoso Rabi, o melhor dos homens?

 *   *   *

Seria impossível aproximarmo-nos satisfatoriamente de Deus se Ele não se tivesse feito homem. E isso não pela ausência ou ineficiência de qualquer revelação, mas sim porque, seres caídos (e isso significa: mui distanciados), ser-nos-ia impossível evitar a desconfiança, seja da maior das graças, seja do maior dos deuses, tão distanciadamente alto, que vê-lo é impossível, vê-lo é morrer. Mas, como desconfiar do andrajoso Rabi galileu?

 *   *   *

A um tempo Fonte e Receptáculo de todos os tesouros da Ciência e da Sabedoria: enquanto permanecermos reféns do pó, jamais entenderemos tudo o que Ele FUNDOU naquela CRUZ. O mistério da encarnação, a sublimação máxima: um muro para o entendimento, uma esperança instigante para os ainda agrilhoados ao pó, pela revelação vindoura da glória imarcescível - e então PLENAMENTE compartilhada.

 *   *   *

Eu não sei quem eu sou, mas Cristo, sei bem quem tu és. E sabendo quem és, em ti encontro quem sou.

 *   *   *

Às vezes pode ser cansativo, algumas vezes até irritante, e vezes há que até mesmo, sim!, é humilhante.

Mas nada se compara ao suportado pelo CORDEIRO.

ELE é digno. No dia mau, na crise, quando não puder suportar sequer a expressão do próximo, ou quando não puder suportar sequer o seu próprio rosto no espelho, olhe nos imutáveis olhos do Cordeiro. Apanhe força, arranque-a da Fonte.

Continue seu combate, seu serviço, sua missão.

 *   *   *

Maria busca a máscara chamada filhos; João, a máscara dita paz. Antônio a máscara poder, Marcela a máscara fama. Desmascaradas suas fragilidades, o que todos buscam é por redenção. E só o Cristo, aquele que ressuscitou, a possui e a dá, graciosamente, a quem lhe pede.

 *   *   *

Somos deuses suicidados, ressuscitados por Deus que por nossas mãos se suicidou.

“A palavra da cruz é loucura para os que perecem”.

 *   *   *

Deixar de compartilhar a verdade com medo de magoar o ouvinte, é acabar magoando a verdade.

E a verdade não é uma relatividade ou generalidade, mas uma singularidade, um ‘norte’ fundacional para todas as coisas. Ao fim e ao cabo, a verdade é uma pessoa: Cristo, de onde toda verdade emana.

 *   *   *

Há rei que peça que você mate; há Rei que peça que você morra. Inevitavelmente um desses dois vai definir seu estar e seu porvir. O que lhe solicita que morra é na verdade Senhor da Vida, e a dará a você, a Vida além do tempo, além do calculável. O que ordena que você mate, ao fim e ao cabo nada pode, senão morrer contigo, e arrastá-lo para compartilhar para sempre de seu castigo, o castigo dos usurpadores. Pois só existe um Rei.

 *   *   *

Em Cristo as genealogias são pó, assim como é pó toda honra obtida ao largo da cruz.

 *   *   *

Toda rota que não leva a Cristo é rota de colisão.

 *   *   *

Descobrir que Jesus existe,

Descobrir quem Ele é:

Eis tudo.

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Sammis Reachers

Outras frases e reflexões do autor podem ser encontradas no pequeno e-book gratuito Sabenças & Sentenças da Missão. Para baixar o arquivo do livro, CLIQUE AQUI.


terça-feira, 30 de julho de 2024

A única decisão que pode transformar toda a sua vida

 

O único problema do homem é espiritual. Quem consegue resolvê-lo, resolve tudo.
A única causa do problema é o seu pecado. Quem admite isto, admite tudo.
A única salvação vem de Deus. Quem a aceita, ganha tudo.
O único meio de recebê-la tem duas partes. Quem deixa uma, perde outra.
A parte NEGATIVA é …
Arrependimento (não apenas tristeza pelos pecados, mas´pleno desejo de não cometê-los mais). Quem pode fazer isto, pode fazer tudo.
A parte POSITIVA é …
Crer no Senhor Jesus Cristo como o Único e suficiente Salvador. (Não apenas crer que Jesus é o Salvador, mas uma aceitação pessoal de Jesus Cristo como o SEU SALVADOR dos seus PECADOS).
A única resposta de Deus ao pecador arrependido que crê no Senhor Jesus Cristo como seu Salvador é tríplice.
1. Perdão dos seus pecados do passado. “Pois, perdoarei as suas iniquidades, e dos seus pecados jamais me lembrarei.” Jeremias 31:34.
2. Purificação do seu coração pelo sangue de Jesus Cristo. “Sabendo que não foi mediante coisas corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados do vosso fútil procedimento que vossos pais vos legaram, mas pelo precioso sangue, como de cordeiro  sem  defeito e sem  mácula  o  sangue de Cristo.”  1 Pedro 1:18,19.
3. Certeza da vida eterna. “Por isso quem crê no Filho tem a vida eterna; o que, todavia, se mantem rebelde contra o Filho não verá a vida, mas sobre ele permanece a ira de Deus.” João 3:36.
A única salvação oferecida ao homem é esta. Quem a rejeita, rejeita tudo.
“E não há salvação em nenhum outro; porque abaixo do céu não existe nenhum outro nome, dado entre os homens, pelo qual importa que sejamos salvos.” Atos 4:12.
Faz… Agora… a ÚNICA coisa digna de um pecador…
… “Buscai ao Senhor enquanto se pode achar, invocai-o enquanto está perto. Deixe o perverso o seu caminho, o iníquo os seus pensamentos; converta-se ao Senhor, que se compadecerá dele, e volte-se para o nosso Deus, porque é rico em perdoar.” Isaías 55:6,7.
Missão Aleluia

sábado, 29 de junho de 2024

Saudade da infância primordial ou (d)a alegria do dia primeiro

Há algo, instância ou substância, ou um amálgama das duas, de que a infância é cheia. Nascemos com (n)esse estado-substância, meio mítico, meio divino, que rescende a Criação, a Éden, a inauguração das alegrias de Deus. E daí o que fazemos é perder tal situação-potência, vê-la diluir-se nos dias, na transumância da vida social, seus tratos e contratos. Ou a entropia não violaria as almas?

E o resto da vida, dos homens ao menos, pois percebo uma imunidade natural em muitas mulheres, é correr atrás desse vento que se foi, e que, não tendo forma e pior, nome, nos escapa pelo bueiro do inominável.

Há formas de contrabandear fagulhas, muito fagulhas e algo falsificadas, do referido sentimento. Este coleciona brinquedos; aquele, repassa velhos filmes, de ano em ano; eu escrevo poemas.

Não é a orfandade do Éden, que fulmina homens, mulheres e até a animália do campo; é algo mais específico, que adentra o Éden até um ponto inicial, um monturo de barro; é orfandade do PRIMEIRO DIA.

Sammis Reachers


terça-feira, 11 de junho de 2024

Três máximas para uma vida vitoriosa

 

Tenho por prazer antigo vasculhar livros em busca de máximas, citações que comportem, em resumo e forma, o suprassumo da sabedoria humana. Nessa jornada de sofá deparei-me com um turbilhão de frases desconcertantes, que nos levam em direções inesperadas; outras, portadoras de um poder de fulminação capaz de nos fazer tombar, extasiados. Mas o que percebi, no acumulado, é que a sabedoria humana fundamental (exprimível, sempre, na forma de máximas) é simples, e pode ser apreendida, conservada e praticada por qualquer pessoa.

Bem, de minha parte, se me coubesse lhe apresentar um resumo de sabedoria, eu poderia tecer máximas de máxima simplicidade e surpreendente economia. Sua falsa obviedade, seu ar simplório, escondem o segredo de uma vida bem vivida, em tudo proveitosa – para si e para os demais navegantes de nossa espécie. Vamos lá?

 

Uma máxima em apenas três palavras: Creia em Cristo

Em duas: Seja homem

E em uma única palavra: Aja

 

Ah, mas eu sou mulher... Pois bem minha filha, faça isso, SEJA MULHER, com o melhor que puder entregar.

 

Sammis Reachers


quinta-feira, 7 de dezembro de 2023

Devo Gamer: Meditações bíblicas a partir do universo dos videogames - Lançamento da Editora Trinitas

No devocional Devo Gamer: Meditações bíblicas a partir do universo dos videogames, em pré-lançamento pela Editora Trinitas, Luiz Miguel Gianeli, usando seus muitos anos de experiência como cristão e como alguém apaixonado por jogos, mostra que, para aqueles que estão em Cristo, os videogames não só podem ser um meio de entretenimento saudável e proveitoso, como também, se usados de maneira lícita, devem servir à glória de Deus e à edificação do seu povo.

Da nostalgia dos games mais antigos ao cenário mais atual, o autor apresenta experiências pessoais, lições preciosas e meditações intrigantes, além de abranger décadas de história desse universo com lentes bíblicas e devocionais.

Voltado para todas as idades, este livro serve para mostrar que mesmo o tempo jogando videogame precisa ser pautado pela Bíblia. Com questões para meditação e orações ao fim de cada capítulo, trata-se de um excelente recurso para pais e filhos, leituras em grupo ou devocionais pessoais.


O livro está em pré-venda, por um preço promocional. Confira aqui: https://www.editoratrinitas.com.br/devocional/devo-gamer


Luiz Miguel Gianeli é escritor, pastor e teólogo, e capitaneia o projeto Muito Além dos Videogames, que publica livros e revistas sobre o tema.




sexta-feira, 24 de novembro de 2023



Amor (ou caridade), Esperança e Fé: As três principais virtudes cristãs, conforme arroladas pelo apóstolo Paulo no décimo terceiro capítulo da Primeira Carta aos Coríntios, um dos ou talvez mesmo o mais belo capítulo de todo o Novo Testamento. Os católicos chamam-nas de virtudes teologais, que seriam infundidas por Deus no homem, e cuja ação é complementada pelas virtudes cardinais (prudência, justiça, fortaleza e temperança).

Nesta breve seleta, reunimos nada menos que mil (e cem) citações. São textos notadamente de autores cristãos (reformados, católicos e de outras vertentes), mas não somente; autores de outras confissões religiosas aqui comparecem, e mesmo agnósticos e livres pensadores os mais diversos, contribuindo para o entendimento e a reflexão plurais sobre tais temas de infindável profundidade. Assim, mesmo focado na seara cristã, esta pequena antologia é de valia para todo tipo de leitor, todo aquele que tem sua atenção capturada pelo mundo das ideias.

Este livro é uma edição revista e ampliada do e-book “Amor, Esperança e Fé – Uma antologia de citações”, publicado em 2017, e que reunia em torno de 750 citações sobre as três virtudes. Além do acréscimo em citações, aqui inserimos uma nova seção, “As Três Virtudes”, reunindo citações que falem ao mesmo tempo sobre as três, ou ao menos duas delas. O referido e-book foi uma publicação que surgiu no rastro de comemorações dos 500 anos da Reforma Protestante.

“Bem, as virtudes teologais: o que tem isso a ver com a Reforma?”, perguntará o leitor mais desatento. E que foi a Reforma, senão um retorno ou esforço de retorno aos fundamentos da fé cristã uma vez perdidos ou obnubilados? Anseio desesperado de tornar às bases e raízes que foram amortecidas ou banidas em troca de conceitos débeis e prostituídos? Se assim entendermos, percebemos que nada há de mais basilar em nossa crença do que o consórcio destas três virtudes capitais. São elas que garantem a simplicidade revolucionária da mensagem dAquele que por todos se ofereceu na cruz.

Que esta pequena seleta seja de proveitosa e edificante leitura a você, amigo leitor. Mais do que um livro a ser lido, nosso esforço foi para tornar este volume um livro a ser revisitado enquanto durar nossa peregrinação terrena.

E agora, além da versão em e-book, gratuita, atendemos a um pedido de muitos e disponibilizamos uma versão impressa, à venda no site da Editora UICLAP.


Para baixar o e-book GRATUITO pelo site Google Drive, CLIQUE AQUI.


Caso queira adquirir o livro impresso, confira no site da UICLAP, CLICANDO AQUI.


sábado, 13 de maio de 2023

Saindo da Zona de Conforto em 200 Frases VOLUME 2 e Volume Único

Há algum tempo atrás, tomamos sob nosso encargo uma empresa aventurosa: elencar 200 frases seletas, cuja audácia ou perspicácia, sabedoria, criatividade e alegria – mas também cinismo e desconcerto fossem poderosos para impactar proativamente o leitor, seja o experimentado ou desavisado. O sucesso da iniciativa, o e-book Saindo da Zona de Conforto em 200 Frases, serviu de incentivo para voltarmos ao batente e, martelando os tambores, reunir uma nova coleção de frases com poder de encantar – ou catar você de sua zona de espera, de planejamento, de expectativa ou rendição – e desafiá-lo, municiá-lo para a ação – ou mesmo a desaceleração e mudança de rumo.

Uma alegoria, uma exortação, uma nova perspectiva: Surpreenda-se com este apanhado da boa sabedoria humana. 

Sammis Reachers

JÁ DISPONÍVEL NA AMAZON: https://www.amazon.com.br/dp/B0C4JY96KX



E mais: Unimos os dois volumes de Saindo da Zona de Conforto num único, disponível apenas no formato impresso, e que já pode ser adquirido pela plataforma Uiclap. Confira: https://loja.uiclap.com/titulo/ua32900/


domingo, 30 de outubro de 2022

DIA DE ELEIÇÃO, crônica de Sammis Reachers

 

Dia de eleição é dia de catarse. De expor amigamentos e odianças por esses que o jogo político arregimenta, esses que, por pudor nos negamos a dizer, mas no fundo – sejamos nós letrados ou humildeletras, enricados e pés-de-pano – sabemos que são os piores de nós...

Dia de eleição é dia de desnudamentos, de sangria dos ânimos, de expor os radicais e seus monóculos, sua tobas de ver o mundo por um só viés. Esses de direita e esquerda, em seus extremos tão perigosos – mas não haveria jogo sem eles, afinal, os fominhas da bola.

Dia de eleição é dia de melancolia, e isso nenhum poeta, dos seis mil que conheço ou ao menos tolero, já aventou: Dia máximo de melancolia, ao revisitar velhos caminhos e seções, ao rever rostos de anos, infância até, estudos juntos, trampos, sopapos e beijos trocados.

Dia de eleição é dia de cidadania, essa obviedade central & inescapável, frenética em seus entra-e-sais quase copulosos, pois desse seu coito na urna, hoje botãonizada, nasce o rebento que nos resguarda, a democracia – mais que este ou aqueloutro ator canastrão que ocupar o cargo que lhe confiarmos.

Dia de eleição é dia de suspense, riso e lágrima, apuração de samba e final de copa, suspiros ou expiros de sonhos, projetos, construtos de luz ou maquiavélicas maquinações. E acerto de conta$, que o correligionário também come, afinal.

Dia de eleição é dia de socializar – e orar, debater, biritar, conforme a cultura da aldeia: Preocupações ou despreocupações se carnavalizam, entrechocam e abraçam – o outro feito nós na sujeição ao sistema que nos comporta, renovação de ciclo, refundação tumultuosa de nosso pequeno grande mundo citadino.

 Sammis Reachers

https://linktr.ee/sreachers


terça-feira, 7 de junho de 2022

NADA SE CRIA, NADA SE PERDE, TUDO SE TRANSFORMA - Um conto sobre justiça e viagens no tempo

 

Ano 2082. A Boate Tanganica fica na cobertura do edifício Von Humboldt, 18° andar. O enclave alemão de Stadt der Sonne, neocolônia de 730 quilômetros situada no coração da Tanzânia, reúne alguns dos mais ricos homens da África.

Johanes Blunt é um deles. Homem de meia idade, bem apessoado, os leves cabelos grisalhos lhe conferiam o charme que, ao lado de seu deus particular, o dinheiro, lhe franqueavam acesso à quase toda mulher que desejasse. Acoitava essa singularidade que o diferenciava entre os seus coetâneos da exótica colônia: Gostava apenas de mulheres.

Afastando-se do salão principal da festa, Johanes ruma à toalete. Ele vai aplicar, na própria veia, uma das poucas drogas proibidas, mesmo na babélica Stadt der Sonne: Nintol. É um estimulante que acelera a atividade de todas as células. Johanes irá aplicar a droga e também irá morrer em seguida, em menos de dois minutos, sozinho no cubículo de um banheiro àquela altura da festa já imundo, tombado sobre uma privada.

Isso, pela cronologia alfa.

Johanes, o grande empresário de soja da África, responsável pelo desmatamento de duas Namíbias inteiras, aplica a nova droga que, misturada à medicação que ele tomara horas atrás, causa uma reação anafilática que o derruba sobre a privada da qual havia acabado de levantar-se. Nesse instante, a cronologia beta se inicia. A portinhola do cubículo é arrancada, e uma injeção contendo contramedidas é enfiada no pescoço do moribundo.

Antes que pudesse recuperar a consciência e entender o que estava acontecendo, braços fortes levantam o corpo esmorecido de Johanes. E algo sinistro ocorre, no exato momento em que o alemão entreabre os olhos: Ele julga ver a ele mesmo sendo jogado de volta sobre a privada. O ele ou outro dele que voa parece um boneco sem vida.

Em seguida, o indivíduo que o apanhara pelos braços toca a outros dois elementos, militarmente paramentados e mascarados, e todos os quatro desaparecem numa espécie de mini-buraco negro que chega a absorver a própria luz do lugar.


***

Ano de 2061. Gotardo Mahles foi, há quarenta anos atrás, um ministro de estado, empossado na década de vinte do vigésimo primeiro século, no então continental país conhecido por Brasil. Durante seus pouco mais de dois anos de atuação, ele foi responsável direto e indireto pelo aumento do desmatamento em toda a floresta amazônica. Sob sua tutela e do então presidente da república, Aldir Maldonaro, criminosos brasileiros e de outros países praticaram dezenas de crimes ambientais, crimes que Mahles se esforçou por encobrir, contextualizar, e mesmo descriminalizar, ao fazer lobby por leis mais brandas.

Após sua saída daquele governo, transcorreram ainda quarenta anos antes do ex-ministro morrer, numa queda de avião. Mahles seguiu, até seu fim, praticando crimes outros, ligados à exploração sexual, notadamente para satisfazer às suas muitas luxúrias. Sequer destes deu-se notícia, durante sua vida: O frio Gotardo jamais experimentou o chão de um cárcere. As tentativas de puni-lo criminalmente por suas atividades quando no governo redundaram sempre em nada, até seus crimes prescreverem.

O avião, um Tesla Lightining, aeronave elétrica de 28 lugares, rumava de Caracas para Curitiba, capital do Brasil do Sul. Ao sobrevoar Anápolis, ainda sobre o país de Araguaia, ambos os motores elétricos entraram em pane. O piloto poderia ter acionado as contramedidas de praxe – ejeção da célula de passageiros – mas não o fez. O motivo? Nunca se soube, e já não importa.

Três homens surgem dum pequeno estouro, uma espécie de célula escura que emitiu um som de vento ao eclodir. Imediatamente, um deles ativou um pequeno aparelho de bloqueio de sinais eletromagnéticos, cujo objetivo era impedir que imagens do interior da aeronave fossem transmitidas para fora da mesma, pelo mecanismo de monitoração em tempo real. Apanhando pelo braço ao apavorado Gotardo, com a mesma velocidade com que surgiram, desapareceram. Deixaram caído ao chão um corpo: Um corpo idêntico ao do velho covarde. A ação toda fora percebida por alguns dos passageiros, mas principalmente pela aeromoça que, da porta da cabine, observava o salão do avião, enquanto a nave demonstrava passar por algum problema. Ela se aproximou daquele corpo que fora deixado para trás, e lhe admirou a semelhança com o passageiro que, há segundos, fora pego e levado para dentro de um buraco negro. Seu susto não teve muito tempo para entabular conjecturas, pois o veículo chocou-se contra um edifício, matando tudo e despedaçando a maioria daqueles corpos a bordo.

 

***

Ano de 1859. Austrália, dois séculos antes da ilha se tornar uma neocolônia chinesa, após a Grande Guerra do Pacífico. Thomas Austin, um agricultor, cometeu o mesmo erro que dezenas de seus patrícios, fato que faz da antiga Austrália um dos países mais visitados pelos misteriosos saltadores de buracos-negros. Seu crime foi introduzir uma espécie exótica – no caso, coelhos nativos da Europa – no frágil ecossistema australiano. Os eventos desencadeados a partir desse estopim foram catastróficos, e geraram uma reação em cadeia de sandices, como a introdução dos inimigos europeus dos coelhos, as raposas-vermelhas, na esperança de combater sua reprodução desenfreada. Raposas que, estabelecidas, acharam mais vantajoso caçar os lentos coalas do que coelhos serelepes. E esse foi apenas o princípio das dores.

A porta da choupana em que o moribundo Thomas se encontrava, já prestes a morrer, foi aberta pelos dois agentes, que acreditavam estar diante de um velho canceroso com apenas uma hora de vida. E assim era; mas a reação do velho diabo os surpreendeu. Sem mostrar apavoramento diante daqueles homens imbuídos em estranhíssimas vestes e armas, o australiano apanhou uma velha garrucha de pederneira que jazia numa mesinha ao lado de seu catre e fez fogo contra os agentes, fulminando no peito o primeiro deles. O segundo agente conseguiu recuar, puxando rapidamente seu companheiro pelo braço para fora do pequeno cômodo, praguejando em termos de “maldita Austrália” e “lugar almadiçoado”. Imediatamente iniciou os procedimentos de retorno temporal: Um pequeno buraco-negro, ele sempre, engoliu os dois aventurosos.

Uma nova incursão se fez necessária, ativando uma terceira linha do tempo, a gama, menos por temor do moribundo e sua arma, do que pela necessidade de salvar a vida do agente que fora atingido.

 

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2109, tempo presente.

Os chamados Comandos Temporais de Ecojustiçamento realizaram, até aqui, 92 viagens.

Na maioria delas, com perfeito sucesso: Apenas a cronologia beta foi ativada. Sim, pois se possível era voltar no tempo, o número de idas a um determinado, específico ponto temporal era limitado. Mesmo sem causar alterações tempo-processuais, que são aquelas acarretadas por intervenções/alterações diretas (como voltar a 1939 e assassinar Hitler), a reles presença ou penetração num mesmo ponto temporal, por mais de três ou quatro vezes, infringia um tipo sinistro de dano à linha do tempo, de consequências assaz desastrosas.

Assim, os gestores das viagens estabeleceram um limite convencionado de no máximo três incursões sobre um mesmo evento ou momento. Somente seria possível, sobre a chamada cronologia alfa ou cronologia base (original) estabelecer uma cronologia beta, gama ou delta, a derradeira.

Das noventa e duas viagens empreendidas pelos cronoagentes, o sucesso foi mais que satisfatório: apenas uma delas chegou a delta, e cinco a gama.

 

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Vamos agora aclarar os fatos? O objetivo das viagens era, sempre sem alterar a linha temporal, capturar grandes criminosos ambientais no momento exato de suas mortes. Para evitar problemas, seus corpos eram substituídos por réplicas sem vida, clones previamente engendrados: Assim as mudanças nos fatos temporais eram suprimidas ou minimizadas ao máximo possível. Para todos os efeitos, aquele que iria morrer dentro de instantes... morreu, e estava ali seu corpo.

Sua captura tinha um objetivo único: Julgá-los por seus crimes, crimes que afetaram toda a vida planetária. Sua condenação era certa, e sempre a mesma: Seus corpos, agora com sobrevida garantida pela medicina em uso, serviriam como COMBUSTÍVEL VIVO para reatores de energia ôntica – a poderosíssima energia da vida, élan ou força vital que, de reles lenda ou especulação espiritualista, para-filosófica, foi descoberta como uma das forças elementares da natureza, em 2098. Uma vez descoberta, logo se conseguiu utilizar tal força para gerar quantidades milagrosas (não há outra palavra) de energia, mas ao custo de sugá-la de um ser vivo, algo eticamente impensável pela cosmovisão vigente.

Mas, e se fosse possível utilizar as vidas de criminosos – não os poucos e reles criminosos do tempo, mas os maiores dentre os maiores, aqueles responsáveis por danos massivos não apenas à antroposfera, esfera dentre muitas da vida no planeta, mas aqueles que danificaram muitas e muitas (se não todas) as esferas de vida do sistema-Terra?

O programa se iniciou há exatos oito meses, especificamente em agosto de 2108. Fabuloso foi o debate que nele desembocou, como é de se imaginar.

Toda pessoa omniconectada opinou e votou: Deveríamos capturar os que cometeram crimes contra a humanidade, ou apenas os que cometeram crimes contra a base que permite ou não a humanidade subsistir: O planeta Terra? Tais crimes eram mesmo maiores? A era entendeu que sim. Era o zeitgeist, o espírito daquele tempo.

O pragmatismo venceu. Sim, ainda hoje gera embates éticos dignos de uma ágora ateniense. Mas está feito.

A pouquíssima possibilidade de retornar no tempo, e a impossibilidade de mudar suas linhas mestras, tornaram a operação toda direcionada ao que se deu. E aquela civilização pôs-se à caça.

Assim, a lei de Lavoisier e lei maior da matéria, “na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma” era celebrada por aqueles corpos, fadados a consumir-se lentamente, alimentados por equipamentos de biosustentação, doando sua energia mais íntima, mais fundamental – a energia própria da vida – para justamente manter a vida no planeta que tentaram destruir.

Utilizados como tochas humanas. Imóveis. Padecendo de dor, dor considerável, e não por crueldade: Não havia como minorá-la. Sim, uma afronta aos mecanismos vigentes de proteção da vida, aos chamados direitos omnivitais. Ainda assim, a exceção – corporificada naquela pena barbaresca – era aplicada.

Não apenas os altos custos e o altíssimo risco das viagens pelo tempo ditaram a regra para a punição apenas dos criminosos ambientais – que tinham até um apelido, os megadeths. A própria ética da era, amparada numa firme concepção de afirmação da vida, oriunda seja da filosofia secular, seja do neobudismo, seja do cristianismo positivo do (então reabilitado) Albert Schweitzer, deixaram claro o entendimento de que um crime contra a natureza era um crime contra todos, contra todo o conjunto dos terraviventes – dos quais os homens, veja você, são apenas uma das milhões de formas manifestas.

 

Sammis Reachers



Este conto faz parte do livro Fabulário Índigo. Disponível em formato impresso (aqui) e e-book (pela Amazon, aqui).


segunda-feira, 7 de março de 2022

Guerra Fria: Segundo Ato

 


Dia desses, dando aula para uma turma de nono ano, afirmei: “Com o fim da Guerra Fria...”. Somente ao adentrar o aconchego do lar, na frieza dos raciocínios, dei-me conta da sandice: A Guerra Fria nunca acabou: No máximo, entrou num hiato. Hoje ela explode em seu “segundo ato”, com seus oponentes rearranjados no tabuleiro. A assim chamada Guerra ao Terror, que recentemente envolveu o mundo (de americanos a russos, de sauditas a nigerianos) num combate a extremistas muçulmanos, agora parece ter sido apenas uma pantomima, uma diversão apresentada no palco entre uma partida e outra da verdadeira guerra.

Claro está que a Rússia nunca será o que foi a URSS, que chegou a controlar, de fato ou ao menos no campo ideológico, quase meio mundo (e quantas, quantas “viúvas” de sua existência deixou!); mas isso não impede o ditador-maquiado-de-democrata Putin de almejar retomar parte da glória da antiga potência, desejo de glória hoje reconfigurado numa nova ideologia, na verdade colcha de retalhos que mistura culto à mítica mãe Rússia com a fé cristã ortodoxa, somado a tantos e embaraçosos pitacos de fascismo, comunismo e capitalismo oligarca que a situação toda desconcertou os ideólogos de direita e esquerda pelo orbe à fora. E com reflexos divertidos no Brasil, rachando esquerda e direita na confusão de a quem apoiar e pelo quê. Mas deixemos os idiotas de esquerda e direita e voltemos à guerra ou ao mundo real (com o perdão da redundância).

Hitler utilizou o conceito do lebensraum, o espaço vital, para justificar sua expansão bélica por sobre territórios e vidas alheias. O conceito foi elaborado ainda no século XIX, justamente por um alemão, o geógrafo Friedrich Ratzel. A ideia era que o povo “ariano” precisava de mais terra para desenvolver seu potencial e isso era um direito “natural”. Esse tipo de presepada não lhe era exclusividade: Vide o conceito-irmão de “destino manifesto”, preconizado do outro lado do Atlântico por ideólogos dos EUA, e que segue a mesma ladainha suprematista – mas essa polêmica, deixo para outro artigo. Putin utiliza, um pouco travestido, o mesmíssimo argumento: Invade ou subleva ex-membros da URSS para salvaguardar população de origem ou etnia-cultura russa presente em tais países. Pois temos um baita problema aqui: Há tais tipos de pessoas (russos étnicos) EM TODAS as ex-repúblicas soviéticas! Era uma norma da URSS fazer esse transplante de populações, de etnias, entre suas repúblicas, no objetivo de promover a integração e ajudar a debelar eventuais movimentos separatistas (essas transposições, de si só, causaram mais mortes que muitas e muitas guerras).

Sim, a URSS ruiu duma vez para sempre, mas a m#rd@ está feita, e acredite neste professorzinho aqui: Ainda terá outras e bélicas repercussões, nos próximos anos. Pois Putin, caso não caia ao fim deste capítulo ucraniano, certamente há de, agora ferido ao extremo pelos embargos, “meter o pé na jaca” ou na porta alheia, e aproveitar para aumentar sua presença em ou influência sobre tais repúblicas, notadamente as não abrigadas sob o guarda-chuva da OTAN. Cada ex-república soviética, seja hostil, “neutra” (isso ecxiste???) ou ALIADA, sente o peso do urso e rumina o risco, dia após dia.

Poslúdio: Enquanto isso a China, embebida na sapiência pragmática de Confúcio e Sun-Tzu, segue o que eu chamaria cariocamente de o caminho do bom malandro, e observa seus adversários ou aliados de ocasião (não se engane, a China sempre viu e verá a URSS/Rússia desta forma) se digladiando. Ela ocupa espaços no tabuleiro, engorda seu gado, ara seu campo – até que se apresente o momento (10, 15, 25 anos?) de ditar o capítulo final (Terceiro Ato?) da Guerra Fria.

 Sammis Reachers

Publicado originalmente no Jornal Daki em 05/03/2022

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