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sábado, 21 de junho de 2025

Sammis Reachers, o charlatão genérico da Shopee: O PRAZER É MEU

 


PRAZER O MEU

O cara que nunca vi na vida me segue pois viu que escrevi um artigo sobre games, faço parte de uma equipe, pareço entender do riscado. Mas aí – o cara para quem os videogames são a vida – vasculha as redes e percebe que quase não falo do assunto, e estou absorto em aleatoriedades as mais insossas, sou o mais infrequente dos jogadores. "ELE DEVERIA SER MAIS GAMER. E NEM COLECIONA BONEQUINHOS!" O cara dessegue.
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O cara que nunca vi na vida me segue pois leu um texto meu, viu meu nome em algum lugar – eita, que nome estranho, e o tal nome estranho domina a poesia, o conto, a crônica, ele adapta, traduz, ele edita de tudo, um monstrinho, um diabo, um anti-herói? – mas ao dar uma olhada nas redes, o cara que ama a literatura como cátedra e magistério vê que ao lado de literatura falo de videogames, posto fotos de gatos, piadas machistas ou insossas, e simplicidades da maior das indignidades. Um moleque, um charlatão? "ELE DEVERIA SE PORTAR À ALTURA DE UM LITERATO." O cara dessegue.
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O cara que nunca vi na vida me segue pois sou um mobilizador missionário. Mantenho um blog de duas décadas, já publiquei mais de dezena de livros e recursos, tudo gratuito!, devo ser louco ou herói. Aí vendo minhas redes o cara percebe que não falo de missões nelas, pois são redes de relaxamento. E a teologia também não aparece muito. Sou um crente dos piores, da periferia da fé, da santidade, da virtude que você quiser. O cara – para quem a obra missionária é tudo, com a seriedade que ela exige, (bem, e este deve ser o único certo aqui) – se escandaliza ("ELE DEVERIA SER UM RELIGIOSO") e dessegue.
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O cara vê que falo mal de Lula e Bolsonaro, que já votei nos dois e sonho com o fim de ambos, isso quando sonho - sou ocupado. O cara dessegue com ódio, sua única força. "UM LIVRE PENSADOR DE VERDADE? ELE OU ISSO NÃO TEM DIREITO DE EXISTIR."
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Eu me divirto (olha o pecadilho), na falta de coisa melhor pra fazer, com a decepção que esparjo enquanto ando, rolo, marcho ou me arrasto em direção ao céu. Sou o pior dos homens e não tenho mesmo muito tempo. Eu não mudo pois não me importo. Sofri até os 12 tentando um encaixe ou compreender o mundo – minha mãe, anja de roça, me levava em macumba, igreja, psicólogo. Dei trabalho. Dali aos 14 ensaiei entre tumba e crisálida, mas nos 15 estava livre. Era Sammis, meu inferno e minha singularidade. Sem papas na língua, sem dependências, sem associação alguma com qualquer manada, nem submissão a Mamon. Minha mãe partiu em novembro do ano passado, aos meus 46 anos, e eu era o orgulho dela. Isso me importa. O resto é a vida, sua carga, seu fulgor, sua missão. Cheia de pedras, pássaros e próximos, a quem é preciso amar, malgrado o abismo que separa os homens.

Sammis Reachers

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2024

O tempo em que mandávamos e recebíamos cartas, as piadas da Playboy e o nascimento de um escritor

 


Peguei a reta final do universo das epígrafes, ali pelos anos 90, 2000 (sim, pois daí em diante foi sobrevida).

Ainda criança, tinha o vício da acumulação, do colecionador de tudo (que troquei pela Literatura, tempos depois. Hoje não tenho apego nem a meus livros impressos). Enviava carta para todo lugar que dissesse “receba grátis nosso catálogo”, “receba grátis nosso informativo” etc.

Para além disso, eu já era um escritor, sem saber, sem ninguém me avisar. Mas, como era isso? Eu comprava em banca revistas de piadas da Ediouro, publicações populares na época. Nelas, se dizia que quem enviasse piadas que fossem publicadas, ganharia brindes (mais revistas). AQUI me tornei escritor: Eu copiava e REESCREVIA, com outras palavras, nomes e até transcursos, piadas que vinham na página final da revista Playboy (como eu as conseguia, as Playboys? Ora, eram os anos 80/90, valia de tudo).

O engodo infantil funcionou umas três ou mais vezes, e ganhei diversas revistas. Mas também um “presente” inesperado: O editor colocou num editorial o meu nome e idade, dizendo que “eu era um jovem leitor do RJ e que desejava fazer amizades via cartas”. Não sei de onde diabos ele tirou aquilo. Eu, fazer amizades via cartas? Eu ainda era moleque rueiro, e tinha amigos e inimigos que bastavam. Mas o resultado foi que passei a receber cartas, esparsas, de todo o Brasil. Nessa brincadeira, arrumei uma namoradinha virtual (epa, na época era epistolar) em Minas Gerais, e outra no Rio Grande do Sul. Meninas de minha faixa, 11, 12 anos. Trocávamos fotos, e eram bonitas, as princesinhas.

Bem, bateu até uma saudade aqui, de quando enviávamos - e recebíamos - cartas. Que bom ter vivido aquela época!


domingo, 27 de janeiro de 2019

C. S. Lewis, Tolstoi, Martin Luther King Jr. - e outros livros de citações gratuitos

100 FRASES DE C. S. LEWIS - O escritor Clive Staples Lewis nasceu em 1898 em Belfast, na Irlanda do Norte (Reino Unido).  Multitarefas, Lewis foi professor universitário, escritor, romancista, poeta, crítico literário, ensaísta e apologista cristão britânico, após abandonar o ateísmo, influenciado por seu amigo, o igualmente famoso J. R. R. Tolkien (de O Senhor dos Anéis). Lewis é reconhecido e estimado em todo o mundo, seja por sua série ficcional As Crônicas de Nárnia, seja por seus escritos que reúnem com rara argúcia e beleza de estilo temas metafísicos, filosóficos e religiosos. Sua obra literária abarca 38 livros, dos quais diversos já foram traduzidos para a língua portuguesa.
Reunimos aqui uma seleção de frases para iluminar sua jornada, amigo(a) leitor(a). De educação à religião, de ética à literatura, de felicidade à dor, passando por temas os mais diversos, a sabedoria de um dos maiores autores do século XX aqui se faz presente, em pequenas doses, cápsulas para o seu dia-a-dia.
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100 FRASES DE LIEV TOLSTOI - O romancista russo Liev (também dito Lev, Leon, Leão) Tolstoi nasceu em 1828, na pequena vila de Yasnaya Polyana.
Para além de sua obra literária que se configura como uma das maiores já criadas, Tolstoi ganhou fama como pacifista e pensador. Suas ideias, que versam do anarquismo ao vegetarianismo, iam de encontro ao status quo vigente, mesmo entre instituições cristãs, algumas das quais ele denunciava como não vivendo o verdadeiro cristianismo, conforme pregado por Cristo no Sermão da Montanha (Mateus caps. 5 a 7).
Reunimos aqui trechos de reflexão que vão da educação à religião, de ética à literatura, de felicidade à dor, avançando por temas os mais diversos. A sabedoria de um dos maiores autores da humanidade aqui se faz presente, em pequenas doses, cápsulas para alimentar o seu dia a dia.
Tenha uma boa leitura!
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100 FRASES DE MARTIN LUTHER KING - Martin Luther King Jr. (1929 – 1968) foi um pastor protestante e ativista político norte americano. Sua cruzada em favor dos direitos civis dos negros e pobres fez dele uma das mais importantes vozes de protesto e luta por justiça do século XX.
Seus esforços não se limitaram ao combate às práticas de discriminação racial: King foi defensor dos direitos das mulheres, opositor da guerra do Vietnã e militou ainda por melhores salários e condições de trabalho para a população de baixa renda.
Graduado em sociologia e teologia, com doutorado nesta última, King sempre foi um hábil artesão da palavra, e seus discursos são ricas peças de exortação e motivação.
Sua grande força moral, que lhe rendeu o Prêmio Nobel da Paz (1964), recebeu influência do princípio da não-violência de Mahatma Gandhi e principalmente dos ensinos de Jesus Cristo. Por sua vez, seu exemplo e suas palavras impactaram e continuam a influenciar pessoas em todos os cantos da Terra.
Confira, neste breve livro, um pouco da riqueza do pensamento de Martin Luther King Jr.  E, no texto ao fim deste volume, entenda a origem da irrefreável esperança e sede de justiça que tornaram King um gigante.
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100 FRASES DE BLAISE PASCAL - Matemático, físico, filósofo, teólogo: já desde a infância, o francês Blaise Pascal dava indícios de sua genialidade. E, nos apenas trinta e nove anos de vida, suas contribuições para a ciência e o pensamento universal foram fabulosas.
Nascido em Clermont-Ferrand, na França, em 1623, o precoce e constante esforço intelectual de Pascal contribuiu para a evolução do método científico, inaugurou novos campos de pesquisa na física e na matemática e levou até mesmo à construção da primeira máquina calculadora, chamada de Pascalina.
Aos trinta e um anos, Pascal passa por uma experiência espiritual de grande impacto em sua vida e obra, passando a dedicar-se com mais afinco à reflexão filosófica e teológica, sem descuidar de seus trabalhos científicos.
Neste breve livro, reunimos um pouco da sabedoria e perspicácia, muitas vezes desconcertantes, deste que foi um dos maiores intelectuais com que a humanidade já se viu agraciada. 

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Frases UP! 250 Frases para motivar e iluminar o seu dia - Este e-book reúne uma coleção de frases coligidas de épocas e autores os mais diversos, no objetivo de formar um breve compêndio de sabedoria para iluminar e motivar o seu dia a dia e a sua vida.
Mas o que é, em breves termos, “motivação”? Podemos entender motivação como o conjunto de forças internas que mobilizarão o indivíduo para atingir um dado objetivo como resposta a um estado de necessidade, carência ou desequilíbrio.
A palavra motivação vem do latim movere, que significa “mover”. A motivação é, então, aquilo que é susceptível de mover o indivíduo, de levá-lo a agir para atingir algo (o objetivo), e de lhe produzir um comportamento orientado.
Esperamos que você tenha uma boa leitura, e possa compartilhar esta pequena seleta e suas cápsulas de sabedoria com seus amigos! 
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PAZ em 200 Citações - Vivemos em tempos de crescente agitação. A informação, surgindo de todos os lados, ganha ares de avalanche. A violência, seja urbana ou rural, física, simbólica ou virtual, toma os espaços e espalha tristeza e medo, quando não terror.
Neste cenário de acelerada e intensificada agitação e violência, onde encontrar a paz? Sobre que bases e com que ferramentas construí-la?
Neste breve livro, reunimos algumas percepções e pensamentos sobre a Paz, oriundas de pensadores, estadistas, escritores os mais diversos no tempo e no espaço.
O texto que encerra essa seleta demonstra como a paz que almejamos está ao alcance daquele que a busca, e pode, uma vez conquistada, ser irradiada para os outros.
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sábado, 24 de novembro de 2012

Um jovem e seu burro, dois heróis da Primeira Guerra

Um jovem e seu burro, heróis da Primeira Guerra

John "Jack" Simpson Kirkpatrick nasceu em South Shields (Inglaterra) em 1892; era um rapaz solitário, sempre rodeado de animais e que desde muito jovem já começou a dar mostras de seu caráter: com apenas 13 anos salvou dois garotinhos que estavam se afogando no rio Tyne. Seu pai morreu quando tinha 17 anos e ele passou a ser o arrimo da família, sustentando a mãe e irmã. Era um exemplo de filho querido e amado.


Um jovem e seu burro, heróis da Primeira Guerra
Quando chegou aos 18, Simpson decidiu se alistar como fogueiro no navio da marinha mercante SS Yedo. Durante a viagem à Austrália deu-se conta de que aquilo não era para ele. Passava muito tempo encerrado sem ver a luz do sol, uma férrea disciplina mesmo para alguém que se adaptava facilmente às piores adversidades.
Um jovem e seu burro, heróis da Primeira Guerra
Quando chegaram a Newcastle (Austrália), desertou. Ali trabalhou cortando cana, nas minas de carvão e, sobretudo, como pastor. Apesar de não ganhar muito, seguia sempre enviando dinheiro a sua família ainda que mal sobrasse para sobreviver. Depois do início da Primeira Guerra Mundial, Jack se alistou na ANZAC (Australian and New Zealand Army Corps) e foi assentado no Corpo Médico como maqueiro. Na verdade pouco se importava com aquela guerra, para ele era só uma forma de regressar para casa no comboio da ANZAC, com o SS Medic onde foi embarcado com destino para a Europa.
Um jovem e seu burro, heróis da Primeira Guerra
Mas algo deu errado: o comboio foi desviado a Egito e em alguns meses mais tarde à Turquia. A Campanha de Galípoli, também chamada batalha dos Dardanelos, foi uma operação combinada, em forma de desembarque, entre britânicos, franceses e a ANZAC para controlar o estreito dos Dardanelos.
Um jovem e seu burro, heróis da Primeira Guerra
Quis o destino que, por algum erro de cálculo e a bisonhice dos comandos, as tropas aliadas ficassem presas entre o mar e as colinas em poder dos otomanos. O grande número de baixas obrigou a reduzir o número de maqueiros por unidade a somente dois, e Simpson, que sempre se entendeu melhor com os animais do que com as pessoas, decidiu, por sua conta e risco, que seu colega seria um burro que tinha encontrado na montanha ao qual chamou de Duffy. Com Duffy dedicou-se a levar os feridos desde a frente de batalha até a praia e quando regressava para recolher mais, levava água aos soldados.

Todos os dias, a partir das 6:30 da manhã até a noitinha, entre disparos de metralhadoras, atravessava o campo de batalha para recolher os feridos. Como agia por sua conta, inclusive dormia e comia com os soldados indianos de uma unidade de artilharia que tinham mulas, seu oficial no comando lhe ameaçou com a prisão por causa da indisciplina, mas quando viu a popularidade e respeito que Jack conquistara entre a tropa, esqueceu do assunto. Durante 24 dias, e 15 vezes ao dia, Jack e Duffy atravessaram aquele inferno até que em 19 de maio de 1915 o pior aconteceu: com 22 anos incompletos, um franco-atirador acabou com sua vida. Jack e Duffy resgataram e salvam a vida de mais de 300 soldados.
Um jovem e seu burro, heróis da Primeira Guerra
Simpson foi recomendado várias vezes para receber honrarias como a Cruz da Vitória mas, hipocritamente, a burocracia militar lhe negou todas as petições por causa de seu gênio arredio e seus atos de indisciplina. Mesmo assim, em anos posteriores e como reconhecimento a seu heróico trabalho, a imagem de Jack e Duffy e um soldado ferido apareceram grafados em selos, cédulas e moedas e em abril de 2011, o Governo australiano anunciou que Simpson seria um dos militares examinados em um inquérito sobre "Reconhecimento não resolvido para atos militares heróicos do passados". O tribunal para este inquérito está sendo realizado para fazer recomendações sobre a concessão de condecorações, incluindo a Cruz da Vitória britânica e australiana.


Leia mais em: Um jovem e seu burro, heróis da Primeira Guerra (5 fotos) - Metamorfose Digital http://www.mdig.com.br/index.php?itemid=23980#ixzz2CoCcGEyZ

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Angelo Agostini - sua vida, arte e influência


Angelo Agostini (Vercelli, Itália 1843 - Rio de Janeiro RJ 1910). Caricaturista, ilustrador, desenhista, crítico, pintor, gravador. Ainda criança muda-se para Paris, onde conclui seus estudos de desenho em 1858. Reside em São Paulo a partir de 1860, e quatro anos depois funda, com Luís Gonzaga Pinto da Gama (1830 - 1882) e Sizenando Barreto Nabuco de Araújo (1842 - 1892), o semanário liberal Diabo Coxo. Em 1866, cria, com Américo de Campos e Antônio Manuel Reis, o jornal O Cabrião, periódico semanal, no qual publica sátiras sobre a Guerra do Paraguai. Além disso, nessa publicação, merecem destaque a série de pequenos artigos Instruções Secretas dos Padres da Companhia de Jezus, onde ironiza as estratégias de enriquecimento da ordem religiosa, e a caricatura O Cemitério da Consolação em Dia de Finados, sátira sobre o feriado cristão. Esta charge gera uma grande polêmica desenvolvida nas páginas de dois outros periódicos, O Diário de São Paulo e o Correio Paulistano. Muda-se para o Rio de Janeiro e passa a colaborar no periódico O Arlequim, em 1867, e na revista Vida Fluminense, em 1868, que publica pela primeira vez a história infantil de sua autoria Nhô Quim ou Impressões de uma Viagem à Corte. Entre 1869 e 1875, trabalha como colaborador na revista O Mosquito onde, em 1872, publica caricatura satirizando a tela Passagem de Humaitá (1868), de Victor Meirelles (1832 - 1903). Em 1876, funda a Revista Ilustrada e, como editor, publica, em 1879, a série de caricaturas Salão Fluminese-Escola Brazileira, em que satiriza as obras enviadas para os salões de belas-artes. Em uma dessas caricaturas, intitulada Oferecido ao Eminente Pintor Victor Meirelles de Lima, o artista ironiza as telas Batalha dos Guararapes (1875/1879), de Victor Meirelles, e A Batalha do Avaí (1872/1877), de Pedro Américo (1843 - 1905). Durante a campanha abolicionista, Agostini publica na revista a série de caricaturas Cenas da Escravidão, em que, fazendo referência aos passos da paixão, apresenta, em 14 ilustrações, diversas formas de tortura a que eram submetidos os negros cativos. Em 1889 viaja para Paris e lá permanece até 1895. Nesse ano retorna ao Rio de Janeiro e funda a revista Dom Quixote. Trabalha na revista O Malho, em 1904, e integra a equipe fundadora da revista infantil O Tico-Tico, em 1905.


NHÔ QUIM - O mais antigo quadrinho nacional




Em 30 de janeiro comemora-se o Dia do Quadrinho Nacional. Data essa, instituída para homenagear o pioneiro artista Ângelo Agostini (1843-1910) que publicou no dia 30 de janeiro de 1869, Nhô-Quim, ou Impressões de uma Viagem à Corte, considerada a primeira história em quadrinhos brasileira e uma das mais antigas do mundo.


Apesar de ser uma arte que encanta e apaixona muita gente no Brasil, pouca gente sabe quem foi Angelo Agostini. Angelo Agostini nasceu na Itália e chegou no Brasil com 16 anos. Morou inicialmente em São Paulo, onde fundou o primeiro ilustrado com o título “Diabo Coxo”. Anos depois, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde sua carreira de cartunista deslanchou.
Nessa época, já há muito se fazia cartum no Brasil e no mundo. O que faz de Agostini um nome tão importante foi a publicação, em 30 de janeiro de 1869, da primeira história em quadrinhos do país e que figura entre as mais antigas do mundo.


“Nhô Quim é um caipira que vai para a cidade do Rio e se choca com a civilização meio rural, meio urbana. É uma caricatura dos costumes da época”, explica o jornalista e pesquisador Athos Eichler.


O pesquisador afirma que, 14 anos depois, Agostini lançou outro personagem, Zé Caipora, que também fez história. Publicado inicialmente na “Revista Ilustrada”, mais tarde ele foi retomado em outras edições e teve suas aventuras lançadas em fascículos. “Isso é algo que gosto de chamar a atenção. É a primeira revista exclusivamente de quadrinhos e a primeira que acompanha as histórias de um personagem fixo”, afirma.


Em 2002, Eichler lançou pela Editora do Senado Federal o livro “As Aventuras de Nhô-Quim & Zé Caipora”, recuperando ambas as histórias na íntegra. “Sempre fui interessado por esse material, que até então não tinha visto completo. Achava impossível ninguém ter publicado aquilo até então”, lembra.


Nhô Quim, um personagem bem retratado no filme Marvada Carne, de certa forma homenageia o criativo Angelo Agostini, num dos melhores filmes nacionais.


Fonte: http://impulsohq.com
Foto ao alto: http://www.quadrinize.com



Troféu Angelo Agostini


No dia 30 de janeiro é comemorado em todo o Brasil “O Dia do Quadrinho Nacional” em homenagem a Angelo Agostini,criador da primeira História em Quadrinhos brasileira, em arte sequêncial e, com um personagem fixo,  que começou a ser publicada em 30 de janeiro de 1869 e que durou mais nove capítulos sob seu traço, com o título As Aventuras de Nhô Quim ou Impressões de uma Viagem à Corte e, para homenagear a data, a AQC-ESP (Associação dos Quadrinistas e Cartunistas do Estado de São Paulo) criou, em 1984, o Prêmio Angelo Agostini que visa homenagear e premiar os profissionais da arte sequencial. Visite: http://aqcsp.blogspot.com/2011/11/amanha-reuniao-da-aqc-as-10h00.html




ALGUMAS ILUSTRAÇÕES
(clique nas imagens para ampliar)
De volta do Paraguai. (Vida Fluminense, nº 12, junho, 1870). 
Na representação de Agostini, ex-escravo combatente e condecorado vê sua própria mãe no tronco ao voltar da guerra. 

 "Natal de 1877", Angelo Agostini. Caricatura representando as "facadas" com o natal. A imagem é a primeira a ilustrar uma árvore de natal, no Brasil.

Algumas capas da Revista Ilustrada

 Ângelo Agostini retrata Martinho de Campos, líder do Partido Liberal.

 1881

Caricatura de Floriano Peixoto



Pedro II dormindo... 1887

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Hannah Szenes - Mulher, judia, poetisa e heroína


Hannah Szenes nasceu em Budapeste, na Hungria, no seio de uma abastada família de intelectuais judeus. O seu pai, Bela Szenes, escritor e jornalista de sucesso, morreu quando ela e Giora - o seu único irmão, um ano mais velho - eram ainda muito jovens. Hannah tinha apenas seis anos e a sua mãe, Katherine, teve que criá-los sozinha.

Durante a infância, Hannah teve pouco contacto com o judaísmo, pois os seus pais, assim como muitos judeus húngaros, haviam-se assimilado totalmente ao meio circundante.
Hannah era uma criança especial. Desde pequena demonstrava a força de carácter que moldou a sua vida, sempre dizendo que queria “fazer uma diferença, no mundo”. Brilhante desde a infância, logo demonstrou um notável talento literário especialmente para a poesia, primeiro em húngaro e, posteriormente – após se tornar uma ardente sionista – em hebraico. Com 13 anos iniciou um diário no qual registou os seus pensamentos e os acontecimentos que marcaram a sua curta vida. É através das suas palavras no diário e das suas poesias que Hannah se revela. A sua vida em Budapeste Hannah e o seu irmão receberam uma excelente educação, frequentando as melhores escolas de Budapeste. Até completar dez anos, a menina, excelente aluna, estudou numa escola pública de Budapeste, até conseguir ser aceite numa escola particular protestante, só para meninas. A escola havia recentemente aberto as suas portas a católicos e judeus, desde que pagassem uma mensalidade maior. No caso de uma jovem católica, a escola cobrava o dobro da mensalidade “normal” e, quando se tratava de uma judia, o triplo. Apesar do crescente anti-semitismo na Budapeste da década de 30, a mãe de Hannah nunca pôs de parte a hipótese de colocar os filhos numa escola judaica.

Foi nesta escola protestante que Hannah começou a conhecer e amar o judaísmo. Um dos seus professores era o rabino-chefe de Budapeste, Imre Benoschofky. Grande estudioso e ardente sionista, o rabino Benoschofky teve uma profunda influência sobre o nascente interesse da jovem pelo judaísmo e sionismo, por tudo que dizia a respeito do seu povo. Foi também nesta escola que Hannah teve os seus primeiros contactos com o anti-semitismo e com a discriminação imposta aos judeus.

A década de 1930 foi difícil para os judeus da Europa, um prelúdio do terrível pesadelo que iria abater-se sobre a população judaica da região. Após a Primeira Guerra Mundial, um crescente sentimento anti-semita começava a tomar conta da Hungria. Assim como em outras partes da Europa, os judeus eram vistos como os “grandes responsáveis“ por todos os males do país. O crescente anti-semitismo oficial resultara na promulgação de uma dura legislação anti-judaica .
Na época, Hannah era uma jovem bonita, talentosa e decidida. Ao completar 17 anos foi eleita presidente da sociedade literária da escola, mas não assumiu o posto, pois foi informada de que jamais uma judia poderia assumir a presidência de tal – ou de qualquer outra – sociedade. Na ocasião, a jovem escreveu em seu diário: “Você precisa ser alguém excepcional para lutar contra o anti-semitismo... Só hoje comecei a realmente entender o que significa ser judeu numa sociedade cristã. Mas eu não me importo. É porque temos sempre que lutar muito por tudo que queremos; é porque é sempre mais difícil para nós, judeus, atingirmos os nossos objectivos que acabamos desenvolvendo qualidades excepcionais... Se eu fosse cristã, todas as profissões estariam abertas para mim”.
Hannah sabia que se tornar cristã, como lhe havia sido sugerido e como outros haviam feito, não era uma opção para ela. Ao invés de se converter, abandonou a sociedade literária, cortando todos os vínculos que tinha com a entidade. Na mesma época tornou-se membro de um grupo sionista jovem e muito activo, os Macabim. No final de Outubro de 1938, escreveu no seu diário: “Tornei-me sionista e esta palavra tem para mim inúmeros significados. Agora sinto de uma forma consciente e profunda que sou judia e muito orgulhosa de o ser. Minha meta é ir para Eretz Israel e tudo farei para consegui-lo”.
Em Março de 1939 Hannah formou-se. Era uma das melhores alunas da classe e os seus professores tentaram fazê-la desistir da ideia de deixar a Hungria e ir para Eretz Israel, pois acreditavam que ela devia tornar-se cristã e, comas suas notas,poderia ingressar na universidade e ter “um futuro promissor”. Mas a jovem estava mais do que decidida. Assim que recebeu a resposta de sua admissão numa escola agrícola em Nahala, embarcou rumo ao seu sonho – a Terra de Israel. Era Setembro de 1939 e a Alemanha já iniciara a sua campanha mortífera contra a Europa e os judeus.




Sonho realizado

Ao chegar em Eretz Israel, Hannah escreveu a sua primeira carta para a mãe revelando a sua felicidade por lá estar: “Estou em casa. Aqui é para onde me trouxe a minha ambição de vida – poderia dizer minha vocação, porque sinto que, por estar aqui, estou cumprindo uma missão, não apenas vegetando; aqui cada vida é o cumprimento de uma missão.” Para completar a sua alegria, o seu irmão Giora juntou-se a ela poucos meses depois.
Em 1941 Hannah integrou-se ao Kibutz Sdot Yam, perto de Cesáreia, e alistou-se na Haganá. No ano seguinte, entrou para o Palmach, braço armado da Haganá. Enquanto estava em Sdot Yam, Hannah escreveu várias poesias e uma peça sobre a vida no kibutz. Mas as terríveis notícias sobre a situação dos judeus na Europa a deixavam angustiada e preocupada. Assim como todos em Eretz Israel, ela sentia que devia fazer algo para ajudar os judeus europeus. Estava também preocupada com a sua mãe, que ainda vivia em Budapeste. Hannah queria de alguma forma voltar para a Hungria para salvar a mãe e ajudar a organizar a saída de judeus – especialmente os jovens – do país e da Europa. Em 1943, um milhão e duzentos e cinquenta mil judeus ainda estavam vivos na Hungria, Eslováquia, Roménia e Bulgária.
Em 1943, Hannah alistou-se no exército britânico para poder participar da luta contra os nazistas, voluntariando-se para uma operação de salvamento. O projecto originara nas pesadas perdas sofridas por bombardeiros aliados durante os ataques. Os britânicos estavam convencidos de que havia necessidade de mais informações sobre as defesas alemãs. Diante disso, a liderança da Haganá fez uma proposta à Grã Bretanha: judeus com ligações nessas regiões poderiam ser lançados de pára-quedas, sobre a Europa, para exercer a dupla função de agentes secretos, ajudando os Aliados na Europa, e, ao mesmo tempo, tentar organizar alguma forma de resistência nas comunidades judaicas.
Depois de muita hesitação, os britânicos aprovaram o plano e 32 judeus palestinos – 30 homens e 2 mulheres – foram aceites para a missão. Hannah estava entre os primeiros a se alistar. Os britânicos levaram os jovens para o Cairo, no Egipto, onde foram treinados. Todos que haviam se voluntariado para a missão eram nativos das regiões para as quais seriam eventualmente enviados, falavam as línguas fluentemente e ainda tinham parentes nesses países. Ninguém punha em dúvida a coragem e a bravura dos jovens; todos sabiam que a missão era muito perigosa e que poucos retornariam com vida. Hannah incentivava os seus companheiros, dizendo: “Somos os únicos a poder ajudar, não temos o direito de pensar na nossa própria segurança; não temos o direito de hesitar, de ter medo... é melhor morrer com a consciência do dever cumprido do que voltar sabendo nem haver tentado”.

A missão

Em Março de 1944, uma semana antes de que os alemães ocupassem a Hungria, Hannah e mais quatro pára-quedistas foram lançados por aviões aliados sobre a Eslovénia, rumo a Budapeste. Esperavam conseguir, com a ajuda dos partisans de Tito, atravessar a fronteira da Hungria. Hannah ficou três meses com este grupo para que a ajudassem a chegar até a Hungria. Foi nesta época que ela escreveu um de seus mais famosos poemas – “Abençoado o fósforo”.

No dia 7 de Junho de 1944, no período da mais intensa deportação de judeus húngaros pelos nazistas, Hannah cruzou a fronteira da Hungria. Atravessou com dois companheiros e alguns guias mais de 450 quilómetros de território controlado pelas tropas alemãs. As ordens britânicas eram precisas: primeiro deveriam ser socorridos os pára-quedistas britânicos em mãos dos nazistas. Só depois de completar esta missão os jovens poderiam ajudar os judeus locais.

Mas toda a missão chegou bruscamente ao fim poucos dias após a sua chegada. Traída por um informante – um dos partidários de Tito que fazia parte do grupo – Hannah foi capturada pela polícia húngara. No momento em que foi detida, estava de posse de um rádio transmissor.

Presa, foi levada para uma prisão em Budapeste. A Gestapo e o serviço de contra-espionagem húngaro interrogaram-na e a torturaram brutalmente durante vários meses. Queriam que ela revelasse detalhes da sua missão e o código britânico de rádio. Mas Hannah não revelou qualquer informação. Na tentativa de fazê-la falar, a polícia prendeu no dia 17 de Junho a sua mãe, Katherine Szenes, que ainda vivia em Budapeste, acreditando que os seus filhos estivessem a salvo em Eretz Israel. Ameaçaram a jovem de torturar a sua mãe na sua frente e depois matá-la. Mesmo assim, Hannah não cedeu e não revelou o código. No primeiro dos poucos encontros que teve com a mãe, apesar de ferida pelas torturas e espancamentos, pediu que a mãe compreendesse por que tinha que ficar calada – não poderia trair o seu povo. “Mãe, perdoa-me” disse, chorando, a jovem à mãe que a olhava sem acreditar no que via: a sua filha, naquela prisão, presa e ferida, e não a salvo em Eretz Israel. No fundo do seu coração Katherine sabia que – apesar de Hannah negar o facto – a sua filha voltara à Hungria por sua causa, para tentar salvá-la. Enquanto na prisão, vários dos detidos contaram para Katherine quão gentil e bondosa era a jovem; contaram que antes da sua chegada, haviam perdido toda e qualquer esperança, mas que ela era uma como uma luz na escuridão, que transmitia a todos a força para continuar a lutar e a ter fé. Ela cantava, ensinava músicas, danças, o hebraico. Contava sobre Eretz Israel, a história da sua Terra, a esperança no futuro, a esperança do dia da vitória do povo de Israel. Um deles escreveu: “A sua atitude frente à Gestapo e às SS foi memorável. Ela sempre parava à sua frente, alertando-os sobre o destino que teriam após a sua derrota. Curiosamente, aqueles animais selvagens, dos quais qualquer traço de humanidade parecia ter desaparecido, sentiam-se envergonhados na presença dessa jovem refinada e corajosa”.

Convencidos de que a jovem não falaria e sentindo que os alemães estavam prestes a serem derrotados, a policia húngara acabou libertando Katherine Szenes em Yom Kipur.

O julgamento

Depois de cinco meses na prisão, no dia 28 Outubro de 1941, Hannah foi levada a um suposto julgamento, acusada de “traição” contra a Hungria. O “julgamento” ocorreu apesar de ser evidente desde Setembro que a Alemanha estava perdendo a guerra, e que a Hungria queria libertar-se do jugo nazista.

Durante o “processo” ela defendeu com firmeza as suas ações e os seus ideais. Recusou-se a pedir clemência. Corajosa até ao fim, foi executada por um pelotão de fuzilamento no dia 7 de Novembro. Na hora da execução não quis colocar a venda sobre os olhos, queria encarar o seu destino e os seus carrascos. Prisioneiros que testemunharam a sua execução ficaram emocionados com tanta coragem. As suas últimas palavras para os companheiros foram: “Continuem no caminho, não se deixem deter. Continuem a luta até ao fim, até que a liberdade chegue, o dia da vitória para o nosso povo”. Hannah tinha somente 23 anos.



Poucos dias depois os russos tomaram Budapeste, prendendo ou matando todos os nazistas ou aqueles que os haviam apoiado. A sua mãe conseguiu sair de Budapeste e foi juntar-se ao filho Giora, em Israel.

Hannah tornara-se um símbolo de heroísmo e dedicação. A sua coragem pessoal foram fonte de inspiração e estímulo para os judeus da Europa, mesmo que ela e os seus companheiros não tivessem tido sucesso nas suas missões. A sua imagem jovem e radiante, usando o uniforme militar, podia ser vista nas casas de cada cidade e vilarejo de Eretz Israel.

Em 1950, os restos mortais de Hannah foram levados para Israel e novamente enterrados, com honras militares, no cemitério militar localizado no Monte Herzl. 
Um vilarejo foi nomeado Yad Hannah em sua homenagem. O seu diário e os seus trabalhos literários foram publicados em hebraico, em 1945, sendo posteriormente traduzidos para vários idiomas, inclusive o húngaro.
Ela foi também tema de inúmeros trabalhos artísticos, entre os quais uma peça teatral de autoria do escritor israelita Aharon Megged e um filme. Vários poemas de autoria de Hannah, entre os quais “A caminho de Cesaréia” e “Abençoado o fósforo” foram musicados.


Bibliografia:
Sachar, Abraham, The Redeption of the Unwanted
Slater, Elinor and Robert, Great Jewish Women
Entrevista de Katherine Szenes a David Alster Yardeni, em 7 de maio de 1987, na internet.




Fonte: http://cemiteriosfamosos.blogspot.com




POEMAS


Eli,Eli

Meu Deus, meu Deus, que não acabem nunca
a areia e o mar,
o murmurar das águas,
os relâmpagos dos céus,
as orações dos homens.







NO CÁRCERE

Um-dois-três... oito pés de comprimento
Dois passos de largura, o resto é escuridão...
A vida paira sobre mim, como um ponto de interrogação.

Uma-duas-três....talvez outra semana,
Ou no próximo mês me encontre aqui,
Mas a morte, sinto-a, está perto.

Eu poderia ter vinte e três em Julho próximo;
Apostei o que mais queria,
Os dados foram lançados. E perdi.

(Traduzido do inglês por J.T.Parreira)









Aos irmãos 


Se nós faltarmos
aceitai o jugo,
grande, pesado,
em cima de vós.
Construí sobre a areia
sob o azul
céu... tudo
de novo.

E saibam que o preço do caminho
da justiça e do valor
não é baixo.

Morrer...

Morrer... jovem... morrer... Não, não queria.

Amava o sol cálido,
a luz, a poesia, um piscar de olhos,
e não queria destruição, guerra.
Não. Não queria.

Mas se hoje fosse obrigada a viver
num banho de sangue, na terrível destruição
diria: 'Bendito seja o Senhor pelo direito
a viver, que venha a hora da morte
sobre a tua terra, meu país, minha pátria.

(Traduzido do Espanhol por Florbela Ribeiro)

domingo, 5 de junho de 2011

Irena Sendler




IRENA SENDLER foi homenageada em 2007 por ter salvado a vida de 25000 crianças judias durante o holocausto.

Heroína desconhecida fora da Polônia e apenas reconhecida no seu país por poucos historiadores devido ao obscurantismo comunista que havia apagado sua façanha dos livros de história oficiais, Irena nunca contou a ninguém sobre sua vida durante aqueles anos.

Em 1999 sua história começou a ser conhecida graças a um grupo de alunos de Kansas através de um trabalho de conclusão de curso sobre os Heróis do Holocausto. Na pesquisa encontraram poucas referências sobre Irena com um dado surpreendente: 2.500 vidas foram salvas por ela. Como era possível não existir informação sobre uma pessoa assim? Mas a maior surpresa viria depois. Ao investigarem o local do túmulo de Irena descobriram que nunca existiu porque ela estava viva. Aos 97 anos residia em um asilo em Varsóvia num quarto cercado de flores e cartões de agradecimento de sobreviventes e filhos destes em sua honra.

Quando a Alemanha invadiu o pais em 1939, Irena era enfermeira no Departamento de Bem-estar Social de Varsóvia, onde cuidava das refeições comunitárias. Desde o outono de 1940, Irena Sendler assumiu riscos consideráveis para levar alimentos, roupas e remédios aos habitantes do gueto que os ocupantes nazistas instalaram num quarteirão da capital. Em 4 km2, eles colocaram 500.000 pessoas. Ao assistí-los no Gueto de Varsóvia Irena, horrorizada pelas condições de vida impostas a seus moradores. Devido à falta de comida, muitos morreram de fome ou em decorrência de doenças. Os outros foram mandados para as câmaras de gás do campo de Treblinka. No fim do verão de 1942, ela resolveu unir-se ao movimento de resistência Zegota (Conselho de Ajuda aos Judeus) criado por um grupo de resistência heróica antes de o exército nazista destruir completamente o quarteirão.

Como os alemães receavam uma epidemia de tifus aceitavam a ajuda dos poloneses para controlar a situação e os deixavam tomar conta do local. Irena fazia contato com as famílias oferecendo ajuda para levar filhos e netos com ela para fora do Gueto. Era um dos momento mais dolorosos de sua experiência; deveria obter a confiança dos pais e convencê-los a entregar-lhe seus filhos. Era indagada: “Pode prometer que meu filho viverá?.....” E a única coisa que poderia dar como certa é a de que morreriam se permanecessem ali. O mais duro era o momento da separação.

Começou a tiráa-los em ambulâncias como vítimas de tifus, e se valia de todos os meios e de tudo o que estivesse ao seu alcance para escondê-los e tira-los dali: cestas de lixo, sacos de batatas, malas, etc. Em suas mãos, qualquer coisa se transformava numa via de escape. Conseguiu recrutar ao menos uma pessoa de cada um dos dez centros do Departamento de Bem-estar Social. Com a ajuda dessas pessoas elaborou centros de documentos falsos, com assinaturas falsificadas, dando identidade temporária às crianças judias. Irena vivia os tempos da guerra pensando nos tempos da paz. Era incansável. Queria que um dia pudessem recuperar seus verdadeiros nomes, sua identidade, suas histórias pessoais e suas famílias. Foi quando inventou um arquivo que registrava os nomes dos meninos com suas novas identidades. Anotava os dados em pedaços de papel que enterrava, dentro de potes de conserva, debaixo de uma maciera, no jardim do seu vizinho.

Algumas vezes quando Irena e suas companheiras retornavam a estas famílias a fim de persuadi-las era informada que todos haviam sido foram levados aos campos de extermínio. Cada vez que isso ocorria, ela lutava com mais força para salvá-las.Quando caminhava pelas ruas do gueto, Sendler usava uma braçadeira com a Estrela de David, em solidariedade aos judeus, e afim de não chamar a atenção.

Um dia os nazistas acabaram descobrindo suas atividades e a levaram à prisão. Quebraram-lhe os pés e as pernas, além de inúmeras torturas. Queriam que delatasse quem eram seus colaboradores e os nomes das crianças que ajudara a salvar. Por não revelar absolutamente nada, em total silêncio, foi sentenciada a morte.

Irena era a única pessoa que sabia os nomes e onde se encontravam as famílias que abrigaram as crianças judias. A caminho de sua execução, o soldado que a levava a deixou escapar. Embora oficialmente ela constasse nas listas dos executados, a resistência havia subornado o soldado salvando a vida de Irena. Ela mesma desenterraria os vidros com as anotações e tentaria unir os 2500 meninos que colocou com famílias adotivas devolvendo-os a suas verdadeiras famílias. Infelizmente, a maioria tinha perdido seus pais e irmãos nos campos de concentração nazista.

O pai de Irena, um médico que falecera de tifus quando ainda pequena, lhe fez memorizar o seguinte: “Ajude sempre a quem estiver se afogando, sem levar em conta a sua religião ou nacionalidade. Ajudar cada dia alguém tem de ser uma necessidade que saia do coração.”

Os meninos só a conheciam pelo apelido: Jolanta.

Anos mais tarde, quando a sua história saiu num jornal com sua foto antiga, diversas pessoas entraram em contato: “Lembro de seu rosto... sou um daqueles meninos, lhe devo a minha vida, meu futuro, e gostaria de vê-la!”

Irena viveu anos numa cadeira de rodas pelas lesões e torturas impostas pela Gestapo.

Não se considera uma heroína e jamais reivindicou crédito por suas ações: “Poderia ter feito mais” e completa: “Este lamento me acompanhará até o dia de minha morte!”

Irena faleceu segunda-feira, 12 de maio, de 2008.

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