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domingo, 25 de setembro de 2022

JANAÍNA GANHA O MUNDO - Um conto sobre o tráfico sexual

  


Era estudante do quarto período de Direito na Faculdade Universo, no auspicioso bairro de Trindade, na fluminense São Gonçalo. Da faculdade ia para casa a pé: Herdara de uma tia solteirona um apartamento no condomínio Alcântara II, a uns dois quilômetros do campus. As mensalidades eram pagas, com aperto, por seu trabalho como vendedora numa loja da perfumaria O Boticário, num grande shopping gonçalense.

Alegre, vaidosa, decidida. Assim os amigos definiam Janaína, cuja frase de status no Whatsapp era quase afrontosa (ou de um empoderamento rude, alguém diria torpe): “Mulher bonita pode fazer o que quiser”.

Há muito Janaína tomara aquela máxima para si, para a vida. A ouvira ainda na adolescência. Indo com uma amiga para uma matinê no saudoso Clube Tamoio, em São Gonçalo, e querendo economizar os poucos dinheirinhos, já a bordo do busão perguntou ao cobrador, – Colega, a gente pode passar juntas? – Queriam passar juntas na roleta ou catraca, pagando uma única passagem.

– Claro, meu anjo. Mulher bonita pode fazer o que quiser.

 

*   *   *

 

Ela o conhecera por indicação de outra aluna da faculdade de Direito. Era um argentino de seus quarenta anos, esbelto, trajando sempre o rigor das últimas tendências; possuía uma farta cabeleira agrisalhada, que ele conservava presa num elegante rabo-de-cavalo.

Ela quase se apaixonou, e olha que nem era disso, pois de paixão costumava ser ela o objeto, e isso lhe bastava – e até pagava algumas contas. Mas o argentino deixou nas entrelinhas que aquela relação era apenas profissional. Ele já trabalhara na Costa Rica, México e Colômbia, e agora estava no Brasil. Era um tipo de caça-talentos, a serviço de uma grande marca da moda e perfumaria europeia. Fundada em 1913 em Milão, na Itália, por Mario Prada, a marca Prada era sinônimo incontornável de glamour – e grana, claro. A marca buscava ampliar sua presença global, notadamente no ramo de perfumes. O argentino tinha a função de encontrar e selecionar mulheres dentro do perfil delimitado pela marca, enviando-as então para a Itália, onde trabalhariam por nove meses numa das lojas da empresa, especializada em cosméticos, num regime de estágio/curso remunerado.

Uma baita mudança de vida, ares e rotina, que era compensada à farta pelo salário: Quatro mil dólares mensais, mais alojamento. E ainda aulas de inglês e italiano no pacote, que incluía oferta de emprego numa das futuras lojas da divisão de perfumaria da marca, no Brasil.

 

*   *   *

 

Trancou a faculdade. Nas redes sociais celebrou sua conquista, postando fotos de seu passaporte, e até fotos da cidade de Milão, seu em breve destino, fotos que ‘roubartilhara’ da internet. As amigas ficaram em polvorosa, e os parabéns venenosos, transidos na inveja, choviam sobre Janaína, que os sorvia com prazer. “Haha! Elas que lutem!”

Com o dinheiro da rescisão de seu contrato de trabalho na Boticário, Janaína ajudou a mãe, dona Josefa, castigada nordestina do município de Nossa Senhora das Dores, em Sergipe, a ampliar sua casinha. Desde seus primeiros anos no Rio a moça convidava, instava, implorava até, à septuagenária e solitária mãe para vir morar com ela, mas dona Josefa sempre desconversava, dizia que estava bem na terrinha, que não se adaptaria.

 

*   *   *

 

A gritaria fez alguns clientes saírem de seus quartos, enquanto os seguranças rapidamente se lançaram escadaria acima.

A menina, que instintivamente correra para as estreitas escadas, brecou e fez meia-volta, ao ver os dois brucutus que subiam por elas. A construção, bastante antiga, “tinha quase quinhentos anos”, segundo lhe dissera um dia uma das moças, e um problema com a mesma idade: Era pelas escadas a única saída.

No meio do pandemônio, um dos clientes fez menção de agarrá-la, mas recuou ao ver seu rosto, ensanguentado, e o instrumento em suas mãos, uma tesoura – igualmente ensanguentada.

Enquanto recuava, ela passou pela sucessão de portas, cada uma das quais lhe trazia à memória um trauma, uma perversidade.

Ao fim do corredor, estacou. Voltou-se, apenas para divisar que os brutamontes estavam agora na metade do grande corredor, um deles com o taser nas mãos – taser seu velho conhecido. Ela já desmaiara duas vezes ao toque daquele instrumento de choque.

A moça observou a grande janela que dava para a fachada frontal do edifício, mantida propositalmente encardida. Conseguiu divisar, entre o baço da fuligem, a cidade lá fora, cujas luzes noturnas eram apoiadas pelo brilho lunar, naquele agosto quente, em pleno verão europeu. Era Amalfi, pequena e redundantemente bela cidade costeira italiana, propriedade da máfia "Ndrangheta. Assim como ela.

A jovem sabia três andares até o chão, carros e alguns arbustos lá embaixo. Como uma cotia que defronta uma onça-pintada, ela podia ouvir, literalmente, o tic-tac do inferno em aceleração, murmurando em seus ouvidos. Precisava tomar sua decisão: Fugir ou lutar. Apertou com força a tesoura nas mãos – a mesma com que perfurara há pouco o peito do cliente, aquele que todas as sextas-feiras vinha para a casa, vinha para torturá-la, penetrá-la com objetos, humilhá-la.

Hoje ele queria usar um crucifixo. Foi o limite para aquela corroída alma sertaneja. Ela nunca tivera lá tempo para aquele Deus – estava ocupada, vivendo sua vida, boletos, correria, curtindo – que não era de ferro. Mas sabia que aquilo era demais, demais para ela e para o próprio novo-velho mundo que ela descobrira ao descer daquele avião na cidade errada, mundo onde o mal se despia de suas milhares de máscaras e firulas e se apresentava nu, impudico, soberano-sem-intermediários sobre tudo o que é seu. E, ela compreendera com a própria carne, em alguns lugares ele era senhor de praticamente tudo.

Tomou distância da janela, apenas para retornar em sua direção. Lançou-se, explodindo seu desespero de encontro às vidraças, escapando das mãos dos sequazes da "Ndrangheta, que já estavam como que sobre ela. Imaginou cair em pé, quebraria as pernas?, pediria ajuda.

Bateu com as costas sobre um Alfa-Romeo Giulia – luxuosa propriedade de um dos clientes, que jamais teria coragem de cobrar o prejuízo à máfia calabresa, tida como a mais silente, sanguinária e poderosa do mundo.

 Morreu na hora.

 

*   *   *

 

1,76m, 62kg, 64cm de cintura, 96 de quadril, 102 de busto. Jovem deusa de jambo e ocitocina do Brasil miscigenado de amores e estupros, filha de Josefa Fortunata Ramalho, de pai desconhecido – assim como seu destino, sem funeral, de cadáver dissolvido num tonel de ácido pela máfia.

Gonçalense adotiva, guerreira, sonhadora, deslumbrada e cooptada pela máfia do tráfico humano, nem primeira nem última, lágrimas num casebre em Nossa Senhora das Dores, número numa estatística. 


Sammis Reachers



Este conto faz parte do livro Fabulário Índigo. Disponível em formato impresso (aqui) e e-book (pela Amazon, aqui).


quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Consulta Pública: II Plano Nacional de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas


O Ministério da Justiça iniciou um processo de participação social para a elaboração do II Plano Nacional de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas. Qualquer cidadão brasileiro pode participar por meio do Fórum de Debate II Plano Nacional de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas.
O processo será dividido em duas etapas:
1a etapa) participação no fórum virtual até o dia 31 de agosto de 2011
2a etapa) votação no fórum virtual das propostas sistematizadas, de 1º a 15 de setembro de 2011
Além da modalidade de participação individual, o Ministério também sugere a realização de reuniões com grupos para discussão do tema e construção coletiva de sugestões.
Participe! O Tráfico de Pessoas é um grave problema para as comunidades no Brasil e no exterior e a sua opinião é muito importante.
Assista AQUI a um vídeo sobre este tema.
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"Abre a tua boca a favor do mudo, pela causa de todos que são designados à destruição." Pv 31.8

domingo, 31 de julho de 2011

Tráfico de pessoas: autoridades e especialistas apontam necessidade de mudanças na lei

Código penal é insuficiente e não trata da relação do tráfico de pessoas com trabalho escravo ou remoção de órgãos.
Maioria das vitimas não denuncia o crime.
Por Cristina Sena - http://www.andi.org.br
O debate sobre o tráfico de pessoas no Brasil ganha corpo com a criação de uma CPI no Senado e integra a agenda do Executivo para formulação de novo plano de enfrentamento ao problema. O crime tem caráter transnacional e mantém relações profundas com outras modalidades criminosas.
O II Plano Nacional de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas está em discussão desde junho pelo Grupo de Trabalho Interministerial, formado por 21 representantes do Executivo, entre autarquias, ministérios e secretarias, sob coordenação da Secretaria Nacional de Justiça (SNJ) do Ministério da Justiça (MJ). A população pode participar elaborando propostas e debatendo em plenárias livres. A SNJ lançou no dia 28 de julho o Guia de Participação com orientações, regras para contribuições e um breve resumo sobre as conquistas do primeiro plano.  
A formulação do documento deve se estender pelo menos até setembro. “O objetivo é reunir organizações, vítimas, famílias e qualquer outro ator social que queira encaminhar propostas para o Plano”, diz a diretora do Departamento de Justiça, Classificação e Títulos da Secretaria Nacional de Justiça (SNJ) do Ministério da Justiça (MJ), Fernanda dos Anjos.
O novo plano visará o enfrentamento ao tráfico de estrangeiros para o Brasil e o tráfico interestadual. A Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos farão parte do planejamento estratégico do governo para os próximos anos.
Em 2008, o I Plano Nacional de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas firmou parcerias entre poder público, organismos internacionais e instituições brasileiras com o objetivo de levantar mais informações, realizar campanhas, fomentar a rede de apoio às vítimas e treinar equipes que lidam na prevenção e combate à prática criminosa. A criação de núcleos de atendimento e postos avançados é uma das políticas implementadas no âmbito do plano, Este ano, há dotação orçamentária de R$ 2,5 milhões para construção de mais cinco Núcleos de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas (NETP) e quatro postos avançados.
Até 2010, haviam NETPs em Goiás, Rio de Janeiro, São Paulo, Pernambuco, Pará e Acre. Apesar de reconhecer a sua importância, Fátima Leal, pesquisadora da UnB, afirma que há necessidade de ajustes na política de atendimento às vítimas que retornam ao Brasil. Fátima afirma que não há iniciativas de reinserção social ou de proteção do Estado suficientes para a demanda. “Elas (vítimas) sentem dificuldade, não têm a quem recorrer. Os núcleos e postos avançados não dão conta de suprir todos os níveis de proteção que essas mulheres necessitam, falta intersetorialidade, atendimento de saúde, qualificação e inserção  profissional”, analisa Fátima.
No Senado Federal, a Comissão Parlamentar de Inquérito sobre Tráfico Nacional e Internacional de Pessoas, instituída em abril, viaja a cidades que fazem parte das 520 rotas traçadas pela CPI. O objetivo é reunir informações para subsidiar mudanças na legislação e diagnosticar as nuances regionais. Cidades-sede da Copa de 2014 também serão visitadas. Antes, foram realizadas audiências públicas com representantes do governo e de organismos internacionais na tentativa de mapear as rotas de tráfico no país.
A primeira reunião estadual ocorreu no início de julho em Manaus (AM). A região amazônica é porta de entrada para outros países da América Latina e, devido a grande extensão territorial, conta com pouca fiscalização. A CPI ainda deve passar por Salvador (BA), Belém (PA) e Rio de Janeiro (RJ). “A verificação direta nos estados permite que tenhamos contato com vítimas e com o andamento de investigações”, afirma a presidente da CPI, senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM).
Ao final do trabalho, os senadores pretendem criar o marco legal para que o Brasil esteja de acordo com o Protocolo de Palermo, determinação das Nações Unidas que trata da prevenção, punição e repressão do tráfico de pessoas. A necessidade de adequação é mais urgente, pois o crime muitas vezes acontece entre países diferentes.
Violação dos direitos da criança
A relação entre violação de direitos na infância e vulnerabilidade ao aliciamento para o tráfico para fins de exploração sexual ficou explícita na pesquisa Mulheres Brasileiras na Conexão Ibérica: Estudo Comparado entre Tráfico e Migração Irregular. O projeto foi desenvolvido pelo Grupo de Pesquisa sobre Tráfico de pessoas, Violência e Exploração Sexual de Mulheres, Crianças e Adolescentes, o Violes, da Universidade de Brasília (UnB) e deve ser concluído em agosto.
De acordo com a pesquisadora do grupo Fátima Leal, “a biografia dessas mulheres e adolescentes é marcada por violações de direitos que as expulsam de casa”. Promessas de emprego fora do país – no comércio ou no mercado do sexo – e até de casamento com estrangeiros são disfarces comumente usados pelas redes de tráfico transnacionais.
 “A base de tudo é a necessidade de sobrevivência e o sonho de conseguir algo melhor para si e suas famílias”, explica. As que conseguem sair do mercado do sexo permanecem como migrantes irregulares, recebendo baixos salários em atividades semelhantes às que exerciam no país de origem.
Necessidade de alterar o Código Penal
“A forma como o Código Penal trata o tráfico de pessoas é completamente insuficiente”, afirma a senadora Vanessa Grazziotin (PC do B-AM). O Código Penal contempla apenas dois artigos específicos sobre tráfico de pessoas: o 231 e 231-A, que tratam do envio de brasileiros ao exterior ou para outros estados ou municípios para fins de exploração sexual comercial.
A pena, que pode chegar a oito anos de reclusão, é aumentada em até quatro anos quando se trata de vítimas com menos de 18 anos ou se o condenado possuir, por lei, obrigação de cuidar do adolescente. Emprego de violência e ameaças também endurecem a punição.
Quando há relação com trabalho escravo ou remoção de órgãos, não há dispositivo penal específico, apenas adaptações incluídas no código a partir da década de 80.
Em audiência pública realizada pela CPI em 31 de maio, o Oficial de Governança e Justiça do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crimes (UNODC), Rodrigo Vitória, reforçou a necessidade de alterar o Código Penal. "A legislação nacional contempla como crime somente o tráfico para fins de exploração sexual. A exploração do trabalho forçado e a remoção ilegal de órgãos são considerados crimes, mas a legislação não contempla o ato do tráfico para esses fins".
A diretora da SNJ Fernanda dos Anjos, concorda. “A legislação não avançou o suficiente. A falta de um marco punitivo afeta o trabalho de prevenção e repressão. As próprias vítimas têm dificuldade de se reconhecerem como vítimas do tráfico de pessoas”, ressalta.
Número de denúncias é baixo
O número de inquéritos policiais instaurados é baixo. Em 2010, foram iniciadas 74 investigações, quase o dobro que no ano anterior – 43.  Os dados fazem parte de relatório da Polícia Federal entregue em junho à CPI do Senado e elaborado em conjunto pelo MJ, Secretaria de Direitos Humanos e Secretaria de Políticas para as Mulheres.
Segundo a diretora da SNJ, a maioria das vítimas costuma denunciar apenas os crimes de trabalho forçado, exploração sexual ou remoção de órgãos, sem levar em consideração as condições em que elas foram encaminhadas ao local. “Mesmo no patamar de grande crime transnacional, ainda falta sensibilidade por parte da sociedade”.
Para dar visibilidade ao tema, o governo federal prepara adesão à Campanha Coração Azul(Blue Heart Campaign About Human Trafficking), da UNODC. A campanha, adaptada à realidade brasileira, ainda está em fase de estruturação e não tem data prevista para início.
eia Também
Guia de Fontes:
Fátima Leal
Pesquisadora do Grupo de Pesquisa sobre Tráfico de pessoas, Violência e Exploração Sexual de Mulheres, Crianças e Adolescentes (Violes), da Universidade de Brasília (UnB). Participou, junto com a pesquisadora Maria Lúcia Leal, da coordenação da Pestraf.
(61) 3226 2748
fatima.violes@gmail.com
www.violes.unb.br
Fernanda dos Anjos
Diretora do Departamento de Justiça, Classificação e Títulos da Secretaria Nacional de Justiça (SNJ) do Ministério da Justiça (MJ)
Contato: João Amurim, assessor de comunicação do Ministério da Justiça
(61) 2025 3135
Senadora Vanessa Grazziotin (PC do B-AM)
Presidente da CPI do Tráfico Nacional e Internacional de Pessoas
(61) 3303-6726
Andrea Catta Preta
Assessora de Comunicação do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC)
(61) 8118 0910 / 3204 7206
andrea.cattapreta@unodc.org
www.unodc.org.br
Mais informações sobre o Tráfico de Pessoas
Consulte o help desk no site da ANDI sobre abuso e exploração sexual infantil
(Edição: Lauro Mesquita e Ricardo Corredor)

quarta-feira, 1 de junho de 2011

CPI do Tráfico de Pessoas vai investigar falsas agências de modelos na internet

"Abre a tua boca a favor do mudo, pela causa de todos que são designados à destruição." Pv 31.8
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[Senadora Marinor Brito preside reunião da CPI do Tráfico de Pessoas]
A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Tráfico de Pessoas deve abrir investigações sobre atividades de recrutamento de modelos por meio da internet. O objetivo é examinar indícios de envolvimento de agências de recrutamento que na verdade atuam na prostituição de mulheres.
A informação foi dada pela senadora Marinor Brito (PSOL-PA), relatora da CPI, nesta terça-feira (31). Com o apoio de dois policiais federais que estão agora assessorando os trabalhos, a comisão deve traçar ainda na próxima semana um roteiro para as investigações.
- Deveremos identificar as falsas agências de modelo e apurar is indícios de que estejam usando a internet para fins de exploração sexual na modalidade tráfico - disse a senadora.
Marinor recebeu a sugestão para investigar anunciantes e sites do presidente da SaferNet Brasil, Thiago Tavares de Oliveira, um dos convidados da audiência realizada nesta terça pela CPI. Thiago Oliveira citou uma lista de cerca de 700 sites de recrutamento de modelos que, de forma anônima, foram denunciados à SaferNet. Segundo ele, as falsas agências de modelo não possuem sede nem endereço fixo - só operam pela internet.
- Já temos contas de email suspeitas de serem usadas pelas supostas agências para aliciar jovens tanto para o tráfico interno quanto internacional associado à exploração sexual - disse Thiago Oliveira.
A SaferNet, que colaborou com os trabalhos da encerrada CPI da Pedofilia, se colocou à disposição da comissão que agora investiga indícios de crime de tráfico de pessoas - normalmente associado à exploração sexual e a trabalhos forçados, mas que também está relacionado ao tráfico de órgãos humanos. Thiago Oliveira disse que a CPI anterior não chegou a entrar no exame das denúncias relacionadas a tráfico, mas que agora pode ser a oportunidade para a quebra dos sigilos telemáticos, requisito para a identificação dos aliciadores.
O presidente da SaferNet explicou que os anúncios na internet costumam utilizar o código "ficha rosa" quando querem indicar que estão recrutando modelos para participar de eventos (feiras, congressos e festas fechadas, por exemplo) que, ao mesmo tempo, fiquem disponíveis para programas sexuais. Jovens que desconhecem o sentido da expressão 'ficha rosa' são atraídas pelos anúncios acabam se tornando vítimas de situações inesperadas e abusos.
Gorette Brandão / Agência Senado

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Pessoas desaparecidas: ajude esta causa

*



A causa das pessoas desaparecidas obteve no último dia 18 deste mês uma grande vitória. Foi aprovada a Lei 12.127, que cria o Cadastro Nacional de Crianças e Adolescentes Desaparecidos. Segundo a Lei, o cadastro deverá especificar os dados pessoais e as características físicas das crianças e adolescentes desaparecidos. O objetivo é integrar, em tempo real, as informações entre o Ministério da Justiça e as Secretarias de Segurança de todo o país, além de órgãos internacionais e a sociedade civil em geral. A nova Lei já está em vigor, mas ainda falta a definição sobre a forma de acesso às informações do cadastro, e a forma de atualização das mesmas.

Mas ainda muito pode e precisa ser feito. Outras iniciativas podem ser implementadas. Assista ao vídeo abaixo, sobre o chamado Alerta AMBER. Uma excelente iniciativa norte-americana que pode ser implantada também no Brasil.



Sobre o tema, elaboramos ainda uma lista de links, para você se informar, interagir e colaborar de todas as formas possíveis:


CNPD - http://www.cnpd.org.br

Bureau Internacional de busca a crianças, adolescentes e adultos desaparecidos - http://www.interbureau.org

Divulgando Desaparecidos - http://www.divulgandodesaparecidos.org/home.html

Serviço Integrado de Atenção a Crianças e Adolescentes Desaparecidos (DF) - http://www.missingkids.com.br 

Desaparecidos Minas Gerais - http://www.desaparecidos.mg.gov.br/ 

Desapareceu.org (cadastro de brasileiros desaparecidos no mundo) - http://www.desapareceu.org 

Mães do Brasil - http://blogdasmaesdobrasil.blogspot.com/ 

Projeto Caminho de Volta - http://www.caminhodevolta.fm.usp.br

CPI das Crianças e Adolescentes Desaparecidos - http://www.cpicriancasdesaparecidas.com.br/

Portal Kids - http://www.portalkids.org.br/ 

Mães da Sé - http://www.maesdase.org.br/ 

Fundação da Infância e Adolescência (FIA –RJ) - http://www.fia.rj.gov.br/

Serviço de Investigação de Crianças Desaparecidas (Paraná) - http://www.sicride.pr.gov.br/ 

Desaparecidos Site - http://www.desaparecidos.com.br

Movimento Catarinense de Busca da Criança Desaparecida - http://www.criancadesaparecida.org/ 

Pessoas Desaparecidas (RS) - http://www.desaparecidos.rs.gov.br/ 

Procurados .org - http://procurados.org/ 

Diga Não à Erotização Infantil - http://diganaoaerotizacaoinfantil.wordpress.com/

National Center for Missing & Exploited Children (EUA) - http://www.missingkids.com

Fondation pour la Recherche d’Enfants Disparus, International (Suíça) - http://www.fredi.org/

Parents and Abducted Children Together (Inglaterra) - http://www.pact-online.org/


Abuelas de Plaza de Mayo (Argentina) - http://www.abuelas.org.ar/


“O que me preocupa não é o grito dos maus. É o silêncio dos bons.” Martin Luther King

“Livra os que estão destinados à morte e salva os que são levados para a matança, se os puderes retirar.Se disseres: Eis que o não sabemos; porventura, aquele que pondera os corações não o considerará? E aquele que atenta para a tua alma não o saberá? Não pagará ele ao homem conforme a sua obra?” Provérbios 24.11,12

Mobilize sua igreja para a ação e a oração, contate os políticos de sua cidade e estado, ponha seu blog na luta! Ajude das mil e uma formas possíveis, ou invente uma nova. E conte comigo!

Graça e paz.

Sammis Reachers

via blog Cidadania Evangélica

segunda-feira, 2 de março de 2009

Brasil: Mais de 200 mil desaparecidos por ano

Dados revelam drama que atinge milhares de famílias

Brasília

Mais de 200 mil pessoas desaparecem no Brasil anualmente – 40 mil são crianças e adolescentes. Deste total, de 10% a 15% jamais retornam para seus lares. Os números são da Associação Brasileira de Busca e Defesa das Crianças Desaparecidas (ABCD) e, de acordo com Ivanise Santos, presidente da entidade, o perfil dos desaparecidos envolve menores de origem pobre, de pele clara e muito bem afeiçoados, mas sem faixa etária definida.

Mãe de uma menina desaparecida há 13 anos, Ivanise acredita que o número de pessoas desaparecidas pode ser ainda maior, sobretudo nas Regiões Norte e Nordeste, onde existem famílias que por desconhecimento não procuram uma delegacia para registrar o desaparecimento de um parente.

– Outro dia, recebi uma mãe cujo filho estava desaparecido há 30 dias e ela não tinha feito o boletim de ocorrência. Ela começou a procurar o filho pelos hospitais e ruas mas não sabia que tinha que ir à delegacia. É raro, mas ainda acontece – conta.

Segundo Ivanise, as autoridades brasileiras ainda deixam de cumprir o que é previsto em lei para os casos de desaparecimento. Ela acredita que o sumiço de uma pessoa é visto, na maioria das vezes, apenas como mais um número que alimenta as estatísticas. A Lei 11.259/06 prevê que toda delegacia, ao registrar uma ocorrência de criança ou adolescente desaparecido, deve começar uma busca imediata, além de acionar aeroportos, portos e terminais rodoviários.

– A polícia não pode alegar o desconhecimento da lei. Nossa Constituição é bem clara quando diz que a criança e o adolescente são responsabilidade da família, do Estado e da sociedade. Há um descaso e um abandono muito grande – critica a presidente da ABCD.

Apesar do desaparecimento de uma pessoa em si não ser enquadrado como crime, Ivanise alertou que há relatos de crianças e adolescentes desaparecidos ligados ao tráfico de órgãos, de pessoas, de drogas e também à adoção ilegal e à exploração sexual. As circunstâncias em que ocorre o desaparecimento, segundo ela, são similares na maioria dos casos e demandam atenção por parte dos responsáveis: crianças e adolescentes geralmente desaparecem enquanto brincam na porta de casa, quando fazem o percurso de ida ou de volta da escola ou quando saem para fazer compras em estabelecimentos comerciais próximos de onde moram.

– A prevenção é primordial e a criança, atualmente, é muito inteligente. Se você conscientizar o seu filho dos perigos que corre, ele não desaparece. São coisas simples como ensinar o número do telefone e o endereço de casa, o nome do pai e da mãe, ensinar a não dar informações para qualquer pessoa estranha que se aproxime dele oferecendo uma bala ou um brinquedo. Procure saber quem são os amigos do seu filho e nunca deixe ele sair de casa desacompanhado – orienta. Ivanise lembra que a primeira providência a ser tomada, caso um menor desaparecido seja identificado, é entrar em contato com o serviço de Disque-Denúncia local ou mesmo para o 190. Ela destaca que a pessoa não precisa se identificar, mas apenas ter a consciência de que aquela criança ou adolescente tem uma família à procura dela.

A associação, também conhecida como Mães da Sé, realiza hoje ato nas escadarias da Praça da Sé, em São Paulo. Mães de crianças e adolescentes desaparecidos farão uma manifestação silenciosa segurando fotos de seus filhos nas escadarias da catedral.

A Catedral da Sé recebeu uma iluminação especial para o protesto. Luzes cor de rosa destacarão as paredes da fachada no final da tarde. A intenção do ato é alertar população sobre o drama que afeta centenas de milhares de famílias brasileiras. No ano passado, apenas na cidade de São Paulo, foram registrados cerca de 1.500 casos novos de desaparecimento.

Está prevista, também, a celebração de uma missa em homenagem a todas as mulheres que enfrentam esse drama, além da apresentação do Coral Vozes da Catedral de São Paulo e São Gonçalo. A Associação Paulista de Medicina disponibilizará em seu endereço eletrônico na internet um link para o site das ABCD/Mães da Sé, para que profissionais de medicina e a população tenham acesso às fotos das crianças desaparecidas e possam ajudar na localização.

Fonte: Jornal do Brasil

(com agências)

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