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sábado, 26 de fevereiro de 2022

Um poema educativo sobre as frutas nativas do Brasil - Cantiga das Crianças Fruteiras

CANTIGA DAS CRIANÇAS FRUTEIRAS -  Este pequeno material é um poema que, de forma divertida, fala sobre as frutas nativas de nosso Brasil, apresentando em seu corpo diversos nomes, a maioria “desconhecidos”, de algumas de nossas mais de 300 frutas nativas. O objetivo é informar e despertar a curiosidade de crianças e jovens (e adultos também) para um universo que muitos ignoram. 

É um material simples: Uma única folha A4 impressa em frente e verso e depois dobrada. Ele pode ser utilizado em aulas de português, ciências, geografia e mesmo outras disciplinas ou atividades transversais, a critério do educador. Pode ser livremente impresso e compartilhado. 

O arquivo em PDF traz duas versões, uma colorida e outra já otimizada para a impressão em preto-e-branco.

Para baixar o arquivo pelo Google Drive, CLIQUE AQUI

sexta-feira, 12 de outubro de 2018

A árvore, centro da natura - E uma antologia de poemas que a celebram



        O termo grego ανθολογία (antologia), significa “coleção ou ramalhete de flores”. Daí o latim florilegium. O termo florilégio encaixa-se bem ao presente trabalho, onde procurou-se coligir poemas sobre a árvore, esse centro e pilar da hera.
        E foi sorvendo de outas antologias, e ainda de livros individuais, revistas e websites, que coligimos aqui este singelo ramalhete de poemas sobre a árvore. Adicionamos ao volume uma pequena seleção de frases sobre o tema, e, em arremate, publicamos o texto integral (vertida sua grafia ao português hodierno) do poema A Destruição das Florestas, do múltiplo Manuel de Araújo Porto-Alegre (1806 – 1879). O poema, que veio à luz em 1845, é um significativo e precoce exemplo de consciência ambiental em nossa literatura.
        Uma antologia temática é uma chance sempre de a poesia penetrar em espaços outros que não os estritamente circunscritos aos apreciadores de poesia. Como antologista, confesso que prefiro, por motivos óbvios, trabalhar com temas ainda não contemplados, os quais infelizmente são muitos em nossa língua. Já assim fizemos em trabalhos como Segunda Guerra Mundial – Uma Antologia PoéticaBreve Antologia da Poesia Cristã Universal e Amor, Esperança e Fé – Uma Antologia de Citações, só para citar alguns trabalhos. Assim, qual a vantagem (ou vantagens) de debruçarmo-nos, agora, sobre uma outra antologia da árvore, já que nossa literatura possui obras neste viés? Acreditamos em algumas. A primeira, é de ordem da amplitude espaço-temporal: a coleta de um número significativo de textos, abarcando autores, se em sua maioria brasileiros ou lusos, também de outras literaturas do globo, e alguns deles de produção posterior às seletas precedentes; a segunda, por suprimento de lacuna, visto que os predecessores são livros esgotados já de há boas décadas; e, por fim, nossa motivação principal: a democratização do conhecimento proporcionada por um livro que já nasce eletrônico e gratuito, o que permite um acesso fácil, amplo e permanente ao seu conteúdo. Afinal, em tempos em que “Meio Ambiente” alcançou o status de tema transversal a perpassar o ensino de todas as disciplinas escolares, auxiliar educadores em seu esforço para incutir o reconhecimento e a valorização deste ser áulico e basilar da Natureza, a árvore, naqueles corações sob sua jurisdição, torna-se nosso objetivo mais urgente.
        Além do elogio da árvore, presta-se aqui uma homenagem a nossos poetas de agora e de ontem, e de certa forma um serviço à literatura lusófona, pois toda antologia literária é antes de tudo isso - um serviço prestado a uma literatura e ao universo de seus usuários.
        Este é um livro gratuito. Como amante das árvores e da literatura, como professor e como antologista, é um prazer ofertar este livro a todos, com votos de que ele possa ser compartilhado livremente, para que alcance os fins a que se propõe.
                               
Sammis Reachers

Para baixar o livro (224 págs., em formato PDF) pelo Google Drive, CLIQUE AQUI.

quarta-feira, 23 de abril de 2014

Cantiga dos Moleques Fruteiros

Pêra-do-campo ou cabacinha-do-campo. Foto de Silvestre Silva

Cantiga dos Moleques Fruteiros

Pedrinho tem fome de mato,
das frutinhas que tantas dão por lá:

Cajuí, taperebá, araticum e cajá
Cambuci, guabiroba, cagaita e maracujá

Juca menino erradio
pulou a cerca do sítio,
e lá se foi, frutas a roubar:

Pindaíva, marôlo, sorvinha e biribá
saguarají, feijoa, sapoti e joá

Gustinho não poupa ninguém
nem atina se a fruta é veneno;
se tem polpa pouca
ou se nem polpa tem,
a de vez ele come,
a passada também:

Mangaba, guriri, tucum e butiá
uarutama, bacupari, marmelinho e ingá

Renato é um bicho-do-mato:
chafurda nas matas,
rompe pelos florestins
sabe o tempo de cada fruta,
e deita sozinho a fazer seus festins:

Babaçu, inajá, catolé e bacuri
sapota, cupuaçu, araçá e cacauí

Fernandinho é moleque mateiro:
gosta é de pelar pé de árvore
no pomar da avó.
É fruta que não acaba tão cedo
e lá vai ele, arteiro, trepar no arvoredo:

Grumixama, cubíu, marmixa e abiu
guaburiti, pitangatuba, murtinha e camu-camu

Saltam riacho, cerca de roça,
mata fechada e o que se lhes dá;
Comem de tudo e tudo sem pressa,
sorvendo o bom doce de tudo o que há:

Acumã, pequiá, jameri e jaracatiá

aboirana, curriola, fruta-de-tatu e cambuiú.

Sammis Reachers

domingo, 23 de junho de 2013

O poema pitanga


Pitangas sabor de sol
sabor de sol e mar pitangas
fruta odalisca solar
em meus bolsos palato coração
dois bolsos repletos
para o viés do dia
valdevinas pitangas...

madeirites de sandboard,
dunas de Itaipu, adeus meu patrão,
deslizar pitangas...

afrodisíacas, afrodisiarcontes pitangas
a dor areal que o mar apaga
a felicidade maral que a areia gesta
nesta cópula sensorial sublimi(lu)nar

rubicundelirantes pitangas...

Sammis Reachers


sexta-feira, 14 de setembro de 2012

BARU: Amêndoa de fruto do Cerrado supera peixes e outras castanhas




Amêndoa de baru
Mais que uma iguaria saborosa e nutritiva, o baru - fruto castanho do Cerrado pouco conhecido no país - tem alto potencial antioxidante.
Seus efeitos benéficos à saúde incluem a possibilidade de combater processos inflamatórios e doenças crônicas e degenerativas, como câncer, hipertensão, diabetes, artrite e enfermidades cardiovasculares.
A descoberta é da cientista de alimentos Miriam Rejane Bonilla Lemos, em um estudo desenvolvido em uma parceria entre a Universidade de Brasília e a Universidade Federal de Pelotas.

Melhor que peixe
A partir da análise de compostos bioativos em amêndoas de baru, a pesquisadora comprovou a eficiência desses fitoquímicos no controle dos radicais livres - apontados como responsáveis por inúmeras enfermidades.
"Nossos estudos em laboratório identificaram esses grupos com reconhecida ação contra as moléculas causadoras do estresse oxidativo", explica. "Os fitoquímicos contribuem como potentes agentes preventivos de doenças graves."
A pesquisadora descobriu também que os óleos da amêndoa do baru são mais ricos em ômega 3, 6 e 9, com 81% mais ácidos graxos insaturados que os próprios peixes, tão recomendados em dietas saudáveis.
"Em relação a seu potencial oxidativo, na família de leguminosas - pistache, amendoim, noz, macadâmia -, sem dúvida alguma, a amêndoa do baru se sobressai", diz.

Propriedades farmacológicas
"A pesquisa é um pontapé inicial no reconhecimento das propriedades farmacológicas do baru, geralmente mais estudado em seus aspectos nutricionais," afirmou a professora Egle Machado Siqueira.
Para ela, a identificação de altos níveis de fenólicos, antioxidantes mais poderosos que as vitaminas C e E, constitui, sem dúvida, uma grande contribuição científica.
Outro ponto positivo da pesquisa apontado pela professora Egle é a valorização do Cerrado, segundo maior bioma do Brasil, "flora ainda pouco notada em seu potencial produtivo", de acordo com o estudo.

segunda-feira, 19 de março de 2012

O exotismo das frutas da Mata Atlântica


Você conhece grumixama? Já comeu geleia de uvaia? Para a grande maioria, provavelmente a resposta será "não". Mas no que depender de Marcio Schittini, das empresas Tiferet, e Paulo Lima, da Estilo Gourmand, essas frutas da Mata Atlântica, hoje ainda consideradas exóticas, se tornarão mais conhecidas do consumidor. Para isso, eles estão fazendo um mapeamento de frutas nativas no estado do Rio, para identificar quais são e em que regiões elas crescem abundantes ou têm potencial para atender demanda comercial.


O projeto, que está sendo desenvolvido com financiamento do edital de Inovação Tecnológica, da Faperj, é amplo. "A Mata Atlântica é uma fonte de riquezas ainda pouco exploradas. Existem frutas nativas ainda muito pouco conhecidas do consumidor e por isso mesmo consideradas como exóticas. É o caso do cambuci, do cambucá, dagrumixama, da própria pitangajabuticaba, da uvaia e do araçá. Elas são, na verdade, as nossas berries nativas, ou seja, nossas cerejas fluminenses, bastante adequadas à produção de geleias, sorvetes, sucos, molhos e até pratos com ingredientes 100% do Rio de Janeiro", explica Schittini.

Identificadas as regiões de maior potencial, a equipe da Tiferet e daEstilo Gourmand vem visitando e entrando em contato com os agricultores da área para desenvolver estilos de cultivo orgânico, biodinâmico e amplo. "Alguns se mostram mais arredios; outros, ao saber que poderão contar com comprador para frutas que até então praticamente não tinham mercado, se entusiasmam." 

Segundo Schittini, ao valorizar frutas nativas, também se está valorizando os pequenos produtores rurais. "Nesse sentido, procuramos estabelecer treinamento e melhoria de práticas agrícolas sustentáveis, transformando esse produtor em fornecedor de frutas frescas e para uso industrial."

Apesar de serem frutas abundantes em toda a Mata Atlântica, ainda não existem cultivos em escala. "Na região do município de Varre-Sai, encontramos agricultores bem animados em ampliar sua plantação dejabuticaba e em conhecer novos métodos de cultivo. Na área de Quissamã, no entanto, embora adequada à grumixama, os agricultores ainda não acreditam que haja consumidores para ela por se tratar de uma fruta esquecida", explica.

O fato é que Schittini está investindo com certo conhecimento de causa. Para saber como anda o gosto do público, a Tiferet, que já produz molhos diferentes para atender a um público mais sofisticado, submeteu amostras de geleias de cinco sabores diferentes a testes cegos com especialistas da área de alimentos e donos de restaurantes.

"Testamos pitangaaraçájabuticabauvaiagrumixama e cambuci, além de outras quatro mais conhecidas, como goiaba, ameixa, laranja e amora. O resultado foi que esse público se mostra disposto e curioso a experimentar novos sabores." Segundo Schittini, ao consultar seus compradores sobre seu interesse em geleias, o resultado foi o mesmo. "Eles querem produtos diferenciados, não o que já existe no mercado e que o público já conhece", garante.

Enquanto procura aprimorar as amostras desses novos sabores de geleia, tanto no sabor quanto na formulação, já que se trata de produtos que não usam conservantes, a empresa também se prepara para começar a produzir de duas a cinco toneladas de geléia. Isso já garantirá a aquisição de quantidades importantes de frutas in natura junto aos plantadores. 

"De início, não conseguiríamos adquirir mais devido à escassez de plantios. O nosso objetivo é implementar novas áreas de cultivo pelo estado. Ao comercializar produtos com valor agregado, visamos ao desenvolvimento sustentável das comunidades fruticultoras. Se inicialmente queremos conquistar o mercado fluminense, no futuro, pretendemos direcionar nossas geleias também para exportação, que é um mercado sempre em busca de novidades do Brasil."

Para Schittini, estimular o consumo desses novos produtos será também um grande incentivo à fruticultura no estado, com geração de empregos e renda no interior. Como argumento, ele apresenta números: "O mercado de produtos orgânicos tem aumentado 10% ao ano no Brasil e 20% no exterior. O público consumidor de produtos light ou diet no País é de 30 milhões de pessoas e a receita das empresas do setor cresceu 870% nos últimos dez anos, segundo dados da Apex-Brasil. Além desses argumentos econômicos, temos ainda o fato de que preservar e reflorestar as áreas de Mata Atlântica é uma prioridade para o estado do Rio de Janeiro. Com a exploração econômica de frutas, é exatamente isso que estamos propondo."

FONTE: Faperj
Vilma Homero - Jornalista

sexta-feira, 2 de março de 2012

A fruta com nome de instrumento musical


Ruy Vasconcelos

Verbetes ao Vinagrete, Volume Dois
GRAVIOLA

sf 1 V cherimólia. 2 Peça de madeira em que, nos estaleiros, repousa a quilha dos navios. 3 Fruto da graviola-do-norte. G.-do-norte: árvore anonácea frutífera (Anona muricata). Var: gravéola
[Dicionário Michaelis da Língua Portuguesa]

*

sf.
1. Bras. Bot. Árvore da fam. das anonáceas (Annona muricata), originária das Antilhas, de frutos com polpa comestível de que são feitos sucos e sorvetes; ANONA; ATA; PINHA
2. Bot. O fruto dessa árvore.
3. Bras. Ict. Peixe (Platydoras costatus) de água doce.
[F.: De or. Incerta.]
[Dicionário Aulete da Língua Portuguesa]

A maioria dos dicionários portugueses não registram graviola. 

______________________

A graviola é a fruta com nome de instrumento musical. Por alguma razão junto a ela estão esquinas próximas do Colégio General Osório na década de 70. E sua carne tenra de fruta aquosa guarda algo da tez branca, pré-palimpséstica que as meninas portam da sexta para a oitava séries. E são aquelas meninas cujos nomes acompanham a gente para o resto da vida, e entram para o acervo dos pequenos mitos. A graviola existe aberta, com a polpa branca exposta, num dia de muitas e espessas nuvens brancas mas de céu azul. Leque com motivos orientais bordados no branco ou o Santos em grande dia. Proa de iate quebrando contra ondas. E assim, aberta, é mais do que quando está no pé, e se resguarda numa armadura verde, cheia de ressentimentos, nervuras, rugas e espinhos.

domingo, 22 de janeiro de 2012

‘Fruta do milagre’ transforma gosto azedo em doce


As descobertas a respeito do gosto continuam surpreendendo cientistas e entusiastas da gastronomia. Esse sentido que parecia ser tão simples, revela-se cada vez mais misterioso. O objetivo dessa coluna é condensar diversas pesquisas recentes sobre o assunto num único texto, sem muito detalhes moleculares para torná-lo mais “digestivo”.
Lembra daquele mapa da língua que aprendemos no colégio, descrevendo que o doce é reconhecido na ponta da língua, amargo nos lados e azedo dos lados? Pois é, está completamente errado. Esse mito começou a ser propagado a partir de um erro de tradução de um trabalho alemão para o inglês. Na verdade, todas as regiões da língua possuem receptores para todos os gostos, a sensitividade sim varia de acordo com a região.
As pequenas saliências na língua não são os receptores dos gostos. Cada papila tem o formato de pequenos cogumelos e acomodam de 50 a 100 receptores. Os nervos que transmitem os sinais dos receptores da língua para o cérebro passam por trás do canal auditivo. Esse atalho anatômico pode ser a razão de algumas infecções no ouvido causadas por alimentos ricos em gorduras, por exemplo. Cerca de 20% da população são considerados como “superdegustadores” pois possuem um número significativamente maior de papilas na língua. Mas esses superdegustadores sofrem de sensitividade aguda, não suportam o gosto de vegetais ricos em nutrientes como o brócolis – muito amargo pra eles. A consequência? São aparentemente mais propensos a desenvolver certos pólipos pré-cancer.
E pra quem não é um superdegustador, o bom gosto começa desde cedo. O sabor de comidas como cenoura, alho e baunilha pode ser sentido pelo feto no líquido amniótico e pelo bebê através do leite materno. O gosto do leite materno é influenciado não só pelo alimento da mãe, mas também por aquilo que ela cheira durante o dia. Os bebês por sua vez, tendem a preferir alimentos ingeridos pelas mães durante a gravidez, provados pela primeira vez no útero.
Todos sabemos reconhecer doce, amargo, salgado e azedo, mas menos conhecido é o quinto elemento: umami. O umami é aquele gosto semelhante ao ajinomoto e outras comidas com alto teor de glutamato. O receptor para umami não se encontra apenas na língua, mas por todo aparelho digestivo. Acredita-se que participa também na digestão e nutrição.
Acredita-se que cada gosto tenha apenas 2-3 tipos de receptores, com exceção do amargo, que possui 25. A razão dessa expansão parece estar relacionada com a proteção contra comida estragada ou envenenada. A maioria dos compostos de plantas venenosas tem gosto amargo.
Doces e álcool ativam o mesmo sistema de recompensa do cérebro. Essa observação foi confirmada de forma independente quando mostrou-se que crianças vindas de famílias com histórico de alcoolismo tinham preferência por sabores intensos de doces. A “larica” de quem consome maconha também pode ser explicada de maneira semelhante: os endocanabinóides (químicos relacionados ao principio ativo da maconha) amplificam o gosto dos doces.
Mas talvez a notícia mais doce do momento seja a fruta africana conhecida como “fruta do milagre”. A fruta contém um tipo de glicoproteina chamada “miraculina” que se associa aos receptores da língua fazendo com que frutas azedas sejam percebidas como doces. Misture sorvete de limão com cerveja preta e tome junto com a miraculina, vai ter gosto de milkshake de chocolate. Esse fenômeno de reorganização dos circuitos neurais do palato dura por apenas algumas horas.
Pesquisadores da Universidade da Flórida, nos EUA, conseguiram clonar o gene que codifica a miraculina em tomates e morangos transgênicos. O objetivo da pesquisa é desenhar frutas com baixo nível de açúcares e vegetais que sejam mais atraentes ao paladar. Obviamente também desenharam adoçantes baseados na fruta, tendo como alvo o público diabético. Doce não?

sábado, 24 de dezembro de 2011

NATAL NO RECIFE



Neste natal,
uma pitombeira em flor bordeja
a minha janela.
A desarrumação climática
não impediu os tabuleiros
de mangabas, a abundância do côco-verde
e da manga-espada.


Nas ruas, frutas doces,
frutas cítricas anunciadas
em pregões pelos mercadores:
jambos, rosa e carmim,
cajus, cajás, jabuticabas.


O tempo, advindo
sobre o Recife, não
modificou tudo,
mas em vão esperei
pelas chuvas de caju
que marcavam nossos dezembros.


O sol, quase ácido,
esmorece minha vontade,
os rios, caudalosos
refletem antigas
casas assombradas.


Recife,
saudade é uma palavra
que desliza suave sobre ti;
do tempo
em que tinha medo
de tudo, quase,


mas é doce o meu coração de menina
e guarda uma esperança
que nunca termina.


Julia Lemos

sábado, 19 de novembro de 2011

Estudo comprova propriedades funcionais de frutas do Cerrado



Gabiroba, guapeva e murici são frutas comumente saboreadas no Cerrado brasileiro, mais precisamente na região Centro-Oeste. Apesar da crença popular de que teriam efeitos positivos na saúde humana, nunca foi descrito na literatura o potencial anti-inflamatório e antioxidante dessas espécies. Um estudo pioneiro associando ciência de alimentos e saúde apresenta resultados positivos em relação ao potencial biológico destas frutas. 
Diante da comprovação, se utilizadas nas indústrias farmacêutica, alimentícia e cosmética, as frutas devem contribuir no combate ao desenvolvimento de doenças crônico-degenerativas, tais como câncer e diabetes. "As frutas podem ser usadas tanto na forma in natura ou como ingredientes funcionais nessas indústrias", ressalta Luciana Malta, autora da tese.

Essas pequenas, mas poderosas, frutas devastadas durante o processo mecanizado de "limpeza" e adubo da terra no Cerrado poderiam mudar a história de muitas pessoas na luta contra o câncer e outras doenças. Comparadas a outras drogas já conhecidas no mercado, as frutas apresentaram alto potencial, segundo Luciana, podendo ser usadas no enriquecimento de produtos comestíveis pela indústria alimentícia. "Além disso, seus compostos ativos poderiam ser retirados e encapsulados pela indústria farmacêutica, já que não observamos nenhum nível toxicológico ao testar os extratos em animais", enfatiza.

Ao aplicar os extratos das frutas em diferentes células cancerígenas humanas, obtidas no banco de células do Centro Pluridisciplinar de Pesquisas Químicas, Biológicas e Agrícolas (CPQBA), Luciana também observou um alto potencial anticâncer. "As plantas impediram o crescimento celular", reafirma. Esse resultado motivou o desenvolvimento de pesquisas com pacientes com câncer do Hospital de Clínicas da Unicamp, em um projeto de pós-doutorado também orientado por Gláucia Pastore. Por não terem sido tóxicas aos animais utilizados na pesquisa e fazerem parte da alimentação da população da região do Cerrado, as frutas podem ser testadas em seres humanos com segurança, se consumidas na dose certa, segundo Luciana.

As espécies também demonstraram potencial superior quando comparadas com frutas estudadas nos Estados Unidos, onde Luciana realizou doutorado-sanduíche pela Universidade de Cornell, sob coorientação do professor Rui Hai Liu. "Algumas atividades mostraram que as espécies analisadas são cem vezes mais potentes que outras tidas como frutas de alta atividade", acrescenta Luciana. De acordo com a pesquisadora, o extrato da casca de guapeva demonstrou alto potencial nos testes in vivo, enquanto a gabiroba foi eficiente em avaliações in vitro.

A parte da pesquisa realizada nos Estados Unidos é inédita, segundo Luciana, e permite que os resultados de experimentos com células sejam obtidos em 24 horas, utilizando uma quantidade mínima de extrato de frutas. "Não é considerada uma análise in vivo, mas ofereceu os mesmos resultados das análises realizadas em animais. Então por que utilizar tanto animal e extrato, se com as células consigo o mesmo resultado?" O método utilizado nos Estados Unidos foi trazido por ela ao Brasil para testar frutas e vegetais brasileiros.

Diante dos resultados, Luciana acentua que a pesquisa não pode ser engavetada, mas sim abrir caminho para que outros testes sejam realizados e os resultados aprimorados até chegarem à fase de produto disponível para a população. Um dos próximos passos é definir a quantidade ideal a ser consumida. "Tudo tem um limite para ser consumido, senão o organismo pode sofrer também com o excesso de algumas propriedades contidas nos alimentos. Então, é preciso avançar na pesquisa", esclarece.

DEVASTAÇÃO

Assim como gabirobas e guapevas, outros vegetais podem estar em processo de extinção no Cerrado, devido ao processo acelerado de ocupação agrícola e à exploração extrativista e predatória. As baixas são significativas nas safras dos produtos e há dados de que cerca de 40% do bioma já tenha sido desmatado. A grande chamada do trabalho, na opinião de Luciana, é para a biodiversidade brasileira. "Estamos perdendo esses vegetais e a cura de muitas doenças pode estar nessa biodiversidade", enfatiza Luciana.

Ela informa que nos últimos 35 anos, mais de metade da extensão original do Cerrado foi substituída por plantações de soja e por pastos para a criação de gado de corte. De acordo com um relatório técnico da Conservação Internacional -- Brasil, os desmatamentos anuais na região chegam a 1,1%, representando uma perda de 2,2 milhões de hectares ao ano. "Se esse ritmo for mantido, o bioma será eliminado por volta do ano 2030", adverte.

Ela acredita que os cientistas também precisam chamar atenção para a devastação do bioma do Cerrado. "Para o Centro-Oeste, principalmente para fazendeiros, vale mais a pena devastar a vegetação e fazer um pasto que manter as frutas. O próximo passo é fazer com que a população se conscientize da importância da manutenção deste bioma. Agora temos dados científicos para chamar atenção tanto da população como também do próprio governo do Centro-Oeste".

Luciana acrescenta que o bioma Cerrado possui uma diversidade grande de frutos importantes na sustentabilidade da região. Com esta enorme biodiversidade criou-se uma tradição de uso de espécies alimentícias, medicinais, madeireiras, tintoriais e ornamentais. As frutas nativas são comercializadas e consumidas in natura ou beneficiadas por indústrias caseiras na forma de sucos, geleias, sorvetes e licores. "O Brasil precisa conhecer melhor sua biodiversidade. Muitos dos frutos do país ainda são desconhecidos ou pouco utilizados", pondera.

FONTE: Universidade Estadual de Campinas
Jornal da Unicamp
via http://www.agrosoft.org.br

domingo, 23 de outubro de 2011

Clube da Semente estimula plantação de mudas no Brasil

Nas últimas décadas, a pequena vila de Olhos D'Água, município de Luziânia, a 17 km de Brasília (DF), envia para todo o Brasil sementes e mudas da nossa flora. É o Clube da Semente, ONG criada em 1988 por Antonio Fernandes e Assis Roberto de Bem. Essa ONG já ajudou a plantar no País mais de 250 milhões de sementes e mudas. O trabalho é mostrado no documentário Clube da Semente do Brasil, uma produção da TV Câmara. Seu Antônio conta os sonhos e dramas, recorda o amigo Roberto, técnico da Embrapa já falecido. Seu vizinho de porteira, o professor da Universidade de Brasília (UNB) Armando Farias Neves, cassado pelos militares e anistiado recentemente, conta o início da saga que começou bem antes, com a criação da Feira de Troca. Que atrai interessados e curiosos duas vezes por ano para a pequena Olhos D'Água. 25/09/11 - TV NBR - 20:48





Fonte: http://www.agrosoft.org.br

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Receita ideal de suco com 7 frutas protege o coração

A receita ideal, segundo os pesquisadores, inclui frutas fáceis de se encontrar no Brasil, 
como maçã, uva, morango e acerola.[Imagem: Wouter Hagens/Wikimedia]
Suco ideal
Uma pesquisa francesa indica que uma receita que mistura o suco de sete frutas pode diminuir o risco de ataque cardíaco e derrame.
Os cientistas testaram diferentes "vitaminas" com 13 frutas diferentes e descobriram - em testes de laboratório com porcos - que algumas misturas eram mais efetivas em fazer com que as paredes das artérias relaxassem.
A receita ideal, segundo os pesquisadores, inclui frutas fáceis de se encontrar no Brasil, como maçã, uva, morango e acerola.
Mas encontrar os demais ingredientes - mirtilo, lingonberry (amora-alpina ou arando-vermelho) e chokeberry(conhecida nos Estados Unidos como aronia)- pode ser uma tarefa complicada.
Polifenóis
Estudos anteriores revelaram que compostos encontrados nas frutas, os polifenóis, protegem o coração e impedem o entupimento das artérias.
Os cientistas franceses decidiram então testar o efeito antioxidante de diferentes misturas de sucos de frutas.
Segundo os pesquisadores da Universidade de Estraburgo, o coquetel de sete frutas mais efetivo testado por eles aumentaria o fluxo de sangue para o coração, garantindo um melhor equilíbrio entre nutrientes e oxigênio.
O estudo, publicado no periódico Food and Function, também descobriu que alguns polifenóis são mais potentes que outros e que sua capacidade de eliminar radicais livres que podem danificar células e DNA é mais importante que a quantidade de polifenóis encontrada em cada fruta.
Frutas e legumes para o coração
Tracy Parker, da organização British Heart Foundation, diz que a pesquisa confirma a evidência de que o consumo de frutas e legumes reduz o risco de doenças cardíacas, mas faz uma ressalva.
"Nós ainda não entendemos por que, ou se, algumas frutas e legumes são melhores que outros. Mesmo este estudo admite que os cientistas não conseguiram estabelecer nenhuma ligação", diz ela.
"O que sabemos é que devemos comer uma boa variedade de frutas e legumes como parte de uma dieta balanceada, e suco de fruta é uma maneira prática e gostosa de fazer isso. Mas precisamos lembrar que sucos contêm menos fibras e mais açúcar que a fruta original."

Fonte: http://www.diariodasaude.com.br/

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Conheça o Buriti


Nome: Buriti ou miriti
Nome científico: Mauritia flexuosa L. f.
Família botânica: Arecaceae (Palmae)
Categoria:
Origem: Brasil
Características da planta: Palmeira geralmente com 25 a 50 metros de altura, porte elegante, estipe reto e simples. Folhas grandes, dispostas em leque. Flores de coloração amarela, reunidas em inflorescência do tipo cacho.
Fruto: Tipo drupa, globoso e alongado, com superfície revestida por escamas de coloração castanho-avermelhada brilhante. Polpa comestível, alaranjada, envolvendo uma semente globosa e dura.
Frutificação: Primavera a outono, dependendo da região.
Propagação: Semente
Os buritis e as veredas do Brasil central, imortalizados na obra literária de Guimarães Rosa, são parte indissociável dos chapadões recobertos pelos domínios do Cerrado. Testemunhos dessa realidade, espalhados pelo interior do país encontram-se localidades e vilarejos de nomes como Buritis Altos, Vereda do Buriti Pardo, Buriti Mirim, Vereda Funda, Bom Buriti, Vereda Grande, Buriti Comprido, Vereda da Vaca Preta, Buriti do Á, Vereda do Ouriço Cuim, Buriti Pintado, Veredas Mortas, Córrego do Buriti Comprido, entre tantos outros.
Palmeira de estipe elegante e ereto, encimado por folhas enormes e brilhantes, o buriti sempre se destaca na paisagem. Duas vezes ao ano, seus cachos carregam-se de flores: alguns abrigam as flores masculinas; outros, as femininas. Neles, percebe-se, claramente, os intrigantes frutos em formação. Suas folhagens, abertas em leque com a forma de estrelas, formam um copa arredondada, uniforme e linda.
Do buriti – “verde que afina e esveste, belimbeleza”, como diz o Riobaldo de Guimarães Rosa – já foi dito, e muitas vezes reafirmado, que se trata da mais bela palmeira existente.
Nas regiões onde ocorre, o buriti é a planta mais importante entre todas as outras, de onde as populações locais, herdeiras da sabedoria dos indígenas, aprenderam a retirar a parte essencial de seu sustento. São os sertanejo do Cerrado e os caboclos da Amazônia.
Os cachos, carregados de frutos, e as belas folhas espalmadas são apanhados no alto, cortados no talo com facão bem afiado para não machucar a palmeira. Em algumas localidades de Goiás conta-se que, depois de cortado o cacho, os coletores mais experientes pulam lá de cima, usando as largas palmas do buriti ajeitadas como se fossem um pára-quedas, pousando suavemente na água.
Coco de muitos usos
Dos frutos do buriti – um coquinho amarronzado que, quando jovem, possui duas escamas que vão escurecendo à medida que amadurecem – aproveita-se a polpa amarelo-ouro, altamente nutritiva, que envolve o caroço do fruto. Para extraí-la é preciso, antes, amolecer as escamas por imersão em água morna ou abafamento. Com ela são preparados os doces e outros subprodutos tradicionais: o doce de cortar, com sua cor morena, embalado em caixinhas de delicada marcenaria, totalmente confeccionadas com a madeira leve do próprio buriti; a farinha obtida da parte interna do estipe da palmeira; as raspas produzidas pela polpa do fruto desidratada ao sol; a paçoca, que é uma mistura das raspas com um pouco de farinha de mandioca com rapadura. A polpa pode ser também congelada, sendo utilizada praticamente da mesma forma que a polpa fresca. Com ela produzem-se diferentes tipos de sorvetes, cremes, geléias, licores e vitaminas de sabores exóticos e alta concentração de vitaminas A e C, invenções e descobertas modernas, muitas delas desenvolvidas nos centros de pesquisa da Embrapa.
De acordo com estudos realizados na Universidade de Campinas (Unicamp) em conjunto com a Embrapa, a polpa do buriti apresenta um dos mais altos teores de vitamina A encontrados naturalmente na biodiversidade brasileira. Dela extraí-se um óleo de cor vermelho-sanguíneo que é comestível e também riquíssimo em vitamina A, utilizado, popularmente, contra queimaduras, de efeito aliviador e cicatrizante.
Também comestível e saboroso é o palmito extraído do broto terminal da planta. Seu estipe fornece, por incisão, uma seiva adocicada que, além de matar a sede, contém 93% de sacarose; assim, quando fermentado, esse líquido transforma-se no chamado “vinho de buriti”.
Com as folhas maiores ou palhas do buriti faz-se de tudo, desde coberturas para o teto das habitações até o tapiti de espremer massa de amndioca, o paneiro de carregar todo tipo de fruta, além de uma variedade de cestos, balaios, esteiras, redes de dormir, cordas e abanos. Por fim, de sua madeira leve e fácil de trabalhar, faz-se uma infinidade de objetos e utensílios: desde caixas, gaiolas e móveis até brinquedos e miniaturas, como os que são oferecidos como pagamento de promessas na festa do Círio de Nazaré em Belém do Pará.
Veredas com buritis
Por onde passa um rio, riacho ou ribeirão, em suas margens, em meio ao Cerrado e nos lavrados das campinas de Boa Vista em Roraima (enclaves de vegetação semelhante à do Brasil central em meio à floresta tropical) florescem as matas de galeria e, nelas, os buritis. Um pouco além dessas matas, ladeando-as, vêem-se veredas bem marcadas, com suas areias claras e vegetação rasteira. Na relva densa e rica das veredas, destaca-se majestosamente o buriti. São terrenos de várzea e brejos, de solo fofo e úmido, recobertos por extensos buritizais que escondem, por entre seus meandros, as águas correntes. E, por onde passam, são as águas que carregam e espalham a sementes da palmeira buriti.
Fonte: Livro Frutas Brasil
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