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segunda-feira, 23 de abril de 2018

Os sonhos como força regulatória do humor




É interessante e bastante sinistro como os sentimentos vivenciados durante os sonhos continuam a reverberar no espírito humano, durante praticamente o dia inteiro, influenciando nosso humor, mesmo quando, ao acordarmos, já não lembremo-nos de sequer um trecho de tais sonhos, e muitas vezes sequer que tenhamos sonhado.
São os sonhos um tipo de mecanismo de regulação? Provavelmente. Mas regulação de quê, e com que objetivos? A ciência não tem a resposta, e é provável que o tempo antes da nova criação finde e nós não tenhamos a resposta.
Quando adolescente, sonhava em me formar em Psicologia - não para clinicar, pois de loucura e desvio os meus sempre me bastaram e cansaram - mas para poder dedicar-se ao estudo dos sonhos. Minha teoria de então era que os sonhos seriam apenas válvulas de escape para “gastar” ou “descarregar” as imensas forças criativas que nosso cérebro possui, e que usualmente uma pessoa normal não usa nem a mínima parte. Bem, é uma teoria, não mais do que a ciência possui: certa feita li numa revista especializada nada menos que 19 (!!!) teorias em estudo para explicar a função dos sonhos. E o mistério segue...

domingo, 22 de janeiro de 2012

‘Fruta do milagre’ transforma gosto azedo em doce


As descobertas a respeito do gosto continuam surpreendendo cientistas e entusiastas da gastronomia. Esse sentido que parecia ser tão simples, revela-se cada vez mais misterioso. O objetivo dessa coluna é condensar diversas pesquisas recentes sobre o assunto num único texto, sem muito detalhes moleculares para torná-lo mais “digestivo”.
Lembra daquele mapa da língua que aprendemos no colégio, descrevendo que o doce é reconhecido na ponta da língua, amargo nos lados e azedo dos lados? Pois é, está completamente errado. Esse mito começou a ser propagado a partir de um erro de tradução de um trabalho alemão para o inglês. Na verdade, todas as regiões da língua possuem receptores para todos os gostos, a sensitividade sim varia de acordo com a região.
As pequenas saliências na língua não são os receptores dos gostos. Cada papila tem o formato de pequenos cogumelos e acomodam de 50 a 100 receptores. Os nervos que transmitem os sinais dos receptores da língua para o cérebro passam por trás do canal auditivo. Esse atalho anatômico pode ser a razão de algumas infecções no ouvido causadas por alimentos ricos em gorduras, por exemplo. Cerca de 20% da população são considerados como “superdegustadores” pois possuem um número significativamente maior de papilas na língua. Mas esses superdegustadores sofrem de sensitividade aguda, não suportam o gosto de vegetais ricos em nutrientes como o brócolis – muito amargo pra eles. A consequência? São aparentemente mais propensos a desenvolver certos pólipos pré-cancer.
E pra quem não é um superdegustador, o bom gosto começa desde cedo. O sabor de comidas como cenoura, alho e baunilha pode ser sentido pelo feto no líquido amniótico e pelo bebê através do leite materno. O gosto do leite materno é influenciado não só pelo alimento da mãe, mas também por aquilo que ela cheira durante o dia. Os bebês por sua vez, tendem a preferir alimentos ingeridos pelas mães durante a gravidez, provados pela primeira vez no útero.
Todos sabemos reconhecer doce, amargo, salgado e azedo, mas menos conhecido é o quinto elemento: umami. O umami é aquele gosto semelhante ao ajinomoto e outras comidas com alto teor de glutamato. O receptor para umami não se encontra apenas na língua, mas por todo aparelho digestivo. Acredita-se que participa também na digestão e nutrição.
Acredita-se que cada gosto tenha apenas 2-3 tipos de receptores, com exceção do amargo, que possui 25. A razão dessa expansão parece estar relacionada com a proteção contra comida estragada ou envenenada. A maioria dos compostos de plantas venenosas tem gosto amargo.
Doces e álcool ativam o mesmo sistema de recompensa do cérebro. Essa observação foi confirmada de forma independente quando mostrou-se que crianças vindas de famílias com histórico de alcoolismo tinham preferência por sabores intensos de doces. A “larica” de quem consome maconha também pode ser explicada de maneira semelhante: os endocanabinóides (químicos relacionados ao principio ativo da maconha) amplificam o gosto dos doces.
Mas talvez a notícia mais doce do momento seja a fruta africana conhecida como “fruta do milagre”. A fruta contém um tipo de glicoproteina chamada “miraculina” que se associa aos receptores da língua fazendo com que frutas azedas sejam percebidas como doces. Misture sorvete de limão com cerveja preta e tome junto com a miraculina, vai ter gosto de milkshake de chocolate. Esse fenômeno de reorganização dos circuitos neurais do palato dura por apenas algumas horas.
Pesquisadores da Universidade da Flórida, nos EUA, conseguiram clonar o gene que codifica a miraculina em tomates e morangos transgênicos. O objetivo da pesquisa é desenhar frutas com baixo nível de açúcares e vegetais que sejam mais atraentes ao paladar. Obviamente também desenharam adoçantes baseados na fruta, tendo como alvo o público diabético. Doce não?

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Tu Youyou, a modesta mulher que venceu a malária


Descoberta da artemisinina
Apesar dos constantes esforços para o desenvolvimento de uma vacina contra a malária, o melhor medicamento contra a doença continua sendo a artemisinina.
Este composto, derivado da planta medicinal chinesa Artemisia annua, ou Qinghaosu, tem um elemento curioso em sua história: até há pouco, ninguém sabia quem o havia descoberto.
Todas as referências citam que a artemisinina foi "descoberta na China nos anos 1970". Mas descoberta por quem?
Descobrir isto foi o trabalho de detetive a que se propôs Louis Miller, um pesquisador da malária do Instituto Nacional de Saúde nos Estados Unidos.
Ao participar de uma reunião em Shangai sobre a doença, ele se espantou ao descobrir que os próprios chineses também não sabiam a resposta.
Tu Youyou
Em tempos de Revolução Cultural, o grupo era mais importante do que o indivíduo, e divulgar nomes de cientistas nunca foi uma prioridade em um período em que as próprias publicações científicas chegaram a ser proibidas pela China.
Depois de revisar artigos, manuscritos e até atas de reuniões na época consideradas secretas, Miller chegou finalmente à resposta que procurava.
Tu Youyou, agora com 80 anos, descobriu a artemisinina em uma história digna de um roteiro de cinema. E ela encara toda a sua vida de trabalho e de pesquisas com um desprendimento difícil de encontrar fora dos scripts dos grandes heróis.
Há poucos dias, ela teve seu trabalho finalmente reconhecido ao receber o Prêmio Lasker, a principal comenda médica dos Estados Unidos.
Perguntada sobre o que ela achava da homenagem, Youyou respondeu: "Fiquei grata pelo prêmio. Mas eu me sinto mais recompensada quando vejo tantos pacientes curados."
A modesta mulher que descobriu a artemisinina e venceu a malária
Qinghao, ou Artemisia anua, a planta que produz o composto ativo artemisinina. [Imagem: Wikipedia/Jorge Ferreira]
Medicina tradicional e medicina moderna
Durante a Revolução Cultural, em 1967, Youyou foi retirada de sua casa, afastada da família e enviada para a região de maior incidência de malária na China graças ao seu currículo exemplar: ela era versada na ciência ocidental e na ciência tradicional chinesa.
Depois que mais de 240.000 compostos químicos já haviam sido testados no Ocidente, sem qualquer efeito contra a malária, era necessário alguém que pudesse escarafunchar a extensa biblioteca medicinal da China tradicional, sem repetir o trabalho já feito no Ocidente.
Ao retornar para casa, depois de cumprida sua tarefa, a filha de Youyou, deixada com quatro anos de idade, não a reconheceu e perguntou quem era aquela mulher estranha que se achava dona da casa.
Mas os anos de trabalho de Youyou não foram em vão.
Ela descobriu uma receita tradicional baseada em uma planta, a Artemisia annua, indicada para febres intermitentes - uma marca registrada da malária.
Youyou encontrou a receita em um livro escrita 1.600 anos atrás, mas teve antes que descobrir como retirar o composto ativo da planta, que se perde na preparação dos tradicionais chás, o que ela fez usando um solvente à base de éter, que ferve a 35 °C.
Responsabilidade
Depois de obter resultados excepcionais em animais, faltava testar o composto em humanos, tanto para aferir sua eficácia quanto sua segurança, ou atoxicidade.
Youyou testou a droga nela mesma: "Como chefe do grupo de pesquisas, eu tinha essa responsabilidade," contou ela, após receber o prêmio nos EUA.
Seu trabalho, sem a citação de seu nome, só foi publicado em 1977, quando o medicamento já estava sendo usado para salvar vidas no mundo todo.
Se ela sentiu falta do reconhecimento pelo seu trabalho? Ela mesma responde.
"O que eu fiz foi o que eu deveria ter feito como uma compensação pela educação que recebi de meu país," afirmou Youyou. "É responsabilidade dos cientistas continuarem buscando o bem-estar de todos os humanos."
De forma bastante inspiradora, o nome de Youyou poderia ser traduzido, do inglês, como Você-Você - uma lição em tempos de vaidades e muitos Eu-Eu.
A descoberta da artemisinina continua a ser um ponto de orgulho para a China, e muitos pesquisadores argumentam que essa descoberta mostra a importância de se pesquisar aservas medicinais tradicionais em busca de outras "pedras preciosas".

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Uma estátua em homenagem ao gigante Tesla


 - Um dos maiores e mais injustiçados cientistas que este mundo cão já abrigou...


Visite o site da Sociedade Memorial de Tesla: http://www.teslasociety.com

sábado, 19 de novembro de 2011

Estudo comprova propriedades funcionais de frutas do Cerrado



Gabiroba, guapeva e murici são frutas comumente saboreadas no Cerrado brasileiro, mais precisamente na região Centro-Oeste. Apesar da crença popular de que teriam efeitos positivos na saúde humana, nunca foi descrito na literatura o potencial anti-inflamatório e antioxidante dessas espécies. Um estudo pioneiro associando ciência de alimentos e saúde apresenta resultados positivos em relação ao potencial biológico destas frutas. 
Diante da comprovação, se utilizadas nas indústrias farmacêutica, alimentícia e cosmética, as frutas devem contribuir no combate ao desenvolvimento de doenças crônico-degenerativas, tais como câncer e diabetes. "As frutas podem ser usadas tanto na forma in natura ou como ingredientes funcionais nessas indústrias", ressalta Luciana Malta, autora da tese.

Essas pequenas, mas poderosas, frutas devastadas durante o processo mecanizado de "limpeza" e adubo da terra no Cerrado poderiam mudar a história de muitas pessoas na luta contra o câncer e outras doenças. Comparadas a outras drogas já conhecidas no mercado, as frutas apresentaram alto potencial, segundo Luciana, podendo ser usadas no enriquecimento de produtos comestíveis pela indústria alimentícia. "Além disso, seus compostos ativos poderiam ser retirados e encapsulados pela indústria farmacêutica, já que não observamos nenhum nível toxicológico ao testar os extratos em animais", enfatiza.

Ao aplicar os extratos das frutas em diferentes células cancerígenas humanas, obtidas no banco de células do Centro Pluridisciplinar de Pesquisas Químicas, Biológicas e Agrícolas (CPQBA), Luciana também observou um alto potencial anticâncer. "As plantas impediram o crescimento celular", reafirma. Esse resultado motivou o desenvolvimento de pesquisas com pacientes com câncer do Hospital de Clínicas da Unicamp, em um projeto de pós-doutorado também orientado por Gláucia Pastore. Por não terem sido tóxicas aos animais utilizados na pesquisa e fazerem parte da alimentação da população da região do Cerrado, as frutas podem ser testadas em seres humanos com segurança, se consumidas na dose certa, segundo Luciana.

As espécies também demonstraram potencial superior quando comparadas com frutas estudadas nos Estados Unidos, onde Luciana realizou doutorado-sanduíche pela Universidade de Cornell, sob coorientação do professor Rui Hai Liu. "Algumas atividades mostraram que as espécies analisadas são cem vezes mais potentes que outras tidas como frutas de alta atividade", acrescenta Luciana. De acordo com a pesquisadora, o extrato da casca de guapeva demonstrou alto potencial nos testes in vivo, enquanto a gabiroba foi eficiente em avaliações in vitro.

A parte da pesquisa realizada nos Estados Unidos é inédita, segundo Luciana, e permite que os resultados de experimentos com células sejam obtidos em 24 horas, utilizando uma quantidade mínima de extrato de frutas. "Não é considerada uma análise in vivo, mas ofereceu os mesmos resultados das análises realizadas em animais. Então por que utilizar tanto animal e extrato, se com as células consigo o mesmo resultado?" O método utilizado nos Estados Unidos foi trazido por ela ao Brasil para testar frutas e vegetais brasileiros.

Diante dos resultados, Luciana acentua que a pesquisa não pode ser engavetada, mas sim abrir caminho para que outros testes sejam realizados e os resultados aprimorados até chegarem à fase de produto disponível para a população. Um dos próximos passos é definir a quantidade ideal a ser consumida. "Tudo tem um limite para ser consumido, senão o organismo pode sofrer também com o excesso de algumas propriedades contidas nos alimentos. Então, é preciso avançar na pesquisa", esclarece.

DEVASTAÇÃO

Assim como gabirobas e guapevas, outros vegetais podem estar em processo de extinção no Cerrado, devido ao processo acelerado de ocupação agrícola e à exploração extrativista e predatória. As baixas são significativas nas safras dos produtos e há dados de que cerca de 40% do bioma já tenha sido desmatado. A grande chamada do trabalho, na opinião de Luciana, é para a biodiversidade brasileira. "Estamos perdendo esses vegetais e a cura de muitas doenças pode estar nessa biodiversidade", enfatiza Luciana.

Ela informa que nos últimos 35 anos, mais de metade da extensão original do Cerrado foi substituída por plantações de soja e por pastos para a criação de gado de corte. De acordo com um relatório técnico da Conservação Internacional -- Brasil, os desmatamentos anuais na região chegam a 1,1%, representando uma perda de 2,2 milhões de hectares ao ano. "Se esse ritmo for mantido, o bioma será eliminado por volta do ano 2030", adverte.

Ela acredita que os cientistas também precisam chamar atenção para a devastação do bioma do Cerrado. "Para o Centro-Oeste, principalmente para fazendeiros, vale mais a pena devastar a vegetação e fazer um pasto que manter as frutas. O próximo passo é fazer com que a população se conscientize da importância da manutenção deste bioma. Agora temos dados científicos para chamar atenção tanto da população como também do próprio governo do Centro-Oeste".

Luciana acrescenta que o bioma Cerrado possui uma diversidade grande de frutos importantes na sustentabilidade da região. Com esta enorme biodiversidade criou-se uma tradição de uso de espécies alimentícias, medicinais, madeireiras, tintoriais e ornamentais. As frutas nativas são comercializadas e consumidas in natura ou beneficiadas por indústrias caseiras na forma de sucos, geleias, sorvetes e licores. "O Brasil precisa conhecer melhor sua biodiversidade. Muitos dos frutos do país ainda são desconhecidos ou pouco utilizados", pondera.

FONTE: Universidade Estadual de Campinas
Jornal da Unicamp
via http://www.agrosoft.org.br

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

O Sol Azul


Um Sol azul
Clique na imagem para vê-la em maior resolução.
Não. Realmente não é azul e nunca foi. É uma inversão de cor de uma foto do Sol feita por Alan Friedman com um filtro H-alfa para observar da melhor forma possível os detalhes da cromosfera, que é uma camada delgada da atmosfera da estrela que está sobre a fotosfera e embaixo da coroa. Calcula-se que tem entre 2.200 e 5.000 quilômetros de espessura.


A foto foi feita em 2009 e não mostra grande atividade solar, mas sim dá para observar algumas proeminências, na parte superior e à esquerda, as quais têm vários planetas Terra de altura, ainda que na foto pareçam tão pequenas.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

NASA capta onda de surfista no Sol

Ondas de surfista, geradas no Sol, assim como nos oceanos da Terra, por um processo chamado de mecanismo de Kelvin-Helmholtz, foram vistas pela primeira vez na atmosfera do Sol.[Imagem: NASA/SDO/Astrophysical Journal Letters]
Onda de surfista solar
Astrônomos detectaram uma típica onda de surfista rolando através da atmosfera do Sol.
E isto significa bem mais do que apenas uma boa foto: as ondas de surfista solares contêm pistas sobre como a energia se move através da atmosfera solar, conhecida como corona.
Como os cientistas sabem como esses tipos de ondas - tecnicamente conhecidas como instabilidades de Kelvin-Helmholtz - dispersam a energia na água, eles podem usar essas informações para entender melhor a corona solar.
Isto, por sua vez, pode ajudar a resolver um grande mistério de por que a corona é milhares de vezes mais quente do que se poderia esperar.
"Uma das grandes perguntas sobre a corona solar é o seu mecanismo de aquecimento," diz o físico solar Leon Ofman, da NASA. "A corona é mil vezes mais quente do que a superfície visível do Sol, mas o que a aquece é algo não bem compreendido. Tem sido sugerido que ondas como estas poderiam causar turbulência, que causa o aquecimento, mas agora temos a prova direta das ondas de Kelvin-Helmholtz."
Estas foram algumas das primeiras imagens capturadas na câmera do Observatório da Dinâmica Solar (SDO - Solar Dynamics Observatory), um telescópio solar de alta resolução, lançado em 11 de fevereiro de 2010, e que iniciou a captura de dados em 24 de março daquele ano.
Mecanismo de Kelvin-Helmholtz
As instabilidades de Kelvin-Helmholtz ocorrem quando dois líquidos de diferentes densidades ou diferentes velocidades fluem um através do outro.
No caso das ondas do mar, o par é formado pela água densa e pelo ar, muito mais leve.
À medida que eles passam um pelo outro, leves ondulações podem ser rapidamente amplificadas, gerando as ondas gigantes, tão amadas pelos surfistas.
No caso da atmosfera solar, que é feita de um gás muito quente e eletricamente carregado, chamado plasma, os dois fluxos vêm de uma expansão de plasma em erupção a partir da superfície do Sol, que passa por um plasma que não está em erupção.
A diferença na velocidade e na densidade dos fluxos através dessa fronteira provoca a instabilidade que gera as ondas.
NASA capta onda de surfista no Sol
Esta é uma ejeção de massa coronal captada pelo Observatório de Dinâmica Solar em 07 de junho de 2011. [Imagem: NASA/SDO]
Explosão solar
O mesmo observatório solar SDO captou uma tempestade solar média que deverá atingir a Terra entre hoje e amanhã.
O Sol desencadeou uma tempestade solar de classe M-2 (média), uma tempestade de radiação S1 (menor) e uma espetacular ejeção de massa coronal (CME) - tudo no dia 07 de junho.
A grande nuvem de partículas formou um cogumelo e caiu de volta, cobrindo uma área de quase metade da superfície solar.
A sonda SDO registrou estas imagens em luz ultravioleta extrema, que mostram uma erupção muito grande de gás frio, algo bastante atípico.
Embora não dirigida diretamente à Terra, a ejeção de massa coronal está se movendo a 1.400 km/s, de acordo com modelos da NASA, e deverá ser detectada no final da noite do dia 8 e madrugada do dia 9, gerando auroras nas altas latitudes terrestres.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Surfistas, apaixonados e simpatizantes: entendam o mar

Prof. Elói Melo

Surfar não depende só de ficar em pé na prancha e aprender as manobras. Também é fundamental entender o mar e prestar atenção nos sinais enviados pela natureza.
Atualmente, há diversos sites que disponibilizam a previsão de swell e analisam as condições do mar - facilitandoa muito a vida das surfistas.
Mas o que é mesmo swell ? Para esclarecer as dúvidas de quem está dando os primeiros passos no esporte, consultei o professor Elói Melo, 56 anos, PHD em Ciências Oceânicas pela Universidade da Califórnia (EUA), pós-graduado em engenharia oceânica pela Universidade Federal do Rio de Janeiro.
Ele coordena o Laboratório de Hidráulica Marítima da Universidade Federal de Santa Catarina e é responsável por uma das bóias que fazem o monitoramento das condições do mar no Brasil. Surfista desde os 15 anos, ele esclarece tudo o que você sempre quis saber, mas nunca teve coragem de perguntar.

Qual é o melhor local para entrar e sair do mar?

O canal é o melhor local para entrar e o banco de areia, para sair.


Como reconhecer a vala, o banco de areia e o canal?

A melhor maneira de identificar é observando. A vala é o buraco escavado pelas ondas e pela corrente. Se houver uma vala, observe se ali há correnteza. Ficará mais fácil entrar por ali, que é um canal, que se forma com a água que vai da praia em direção ao mar, facilitando a vida da surfista. O banco de areia é onde as ondas quebram e indica que naquela região a profundidade é mais rasa.


Como se formam as ondas?

As ondas são geradas pelo vento nos oceanos. Para que se forme uma onda, é necessário que haja uma ventania, não necessariamente numa praia próxima ao pico. As ondas formadas dentro da zona de geração (região onde ocorrem as tempestades) são denominadas vagas. Depois de criadas, elas podem viajar por conta própria e ganham o nome de swell, ou ondulação.

Um exemplo de como elas podem viajar são as ondas na costa da Califórnia, que, às vezes, são geradas na Nova Zelândia e atravessam o Oceano Pacífico inteiro para chegar até a costa norte-americana.  Se a tempestade acontece próxima à costa, as ondas acabam rolando dentro da zona de geração e menos tempo o swell terá para se acertar, para chegar perfeito à costa.

O que determina o tamanho das ondas?

Quando elas ainda estão se formando no meio do oceano, três fatores determinam o tamanho: intensidade do vento, pois quanto mais vento, maiores ondas podem aparecer; a área do oceano sobre a qual o vento atua, também chamada de pista; e a duração do vento, ou seja, o tempo que ele atua e transfere energia na forma de ondas.

Ondas grandes são geradas por tempestades com ventos fortes, mas não um furacão, que passa rápido e não tem pista. Para que rolem ondas grandes, é necessário uma tempestade com ventos fortes no oceano, os chamados ciclones extratropicais, que duram cerca de dois ou três dias. O fundo só passa a fazer diferença quando as ondas estão próximas às praias e passam pela plataforma continental.

O que é swell?

Após serem criadas na zona de geração, as ondas normalmente viajam pelos oceanos e são denominadas swell, ou ondulação.


Como funciona a combinação entre swell e vento?

Os ventos estão em constante mudança, conforme o movimento do sistema atmosférico. Se uma tempestade de sul durar dois ou três dias, ela poderá sofrer influência de diversos tipos de ventos, que possivelmente variarão entre norte e nordeste. Só que nesse momento, os ventos não interferem mais porque o que importa é o momento em que a tempestade foi gerada.

Ou seja, o vento interfere no momento em que dissipa energia para gerá-las. O vento cria outras ondas e as primeiras seguem sua trajetória. Já nas praias, é preciso observar qual vento é favorável para fazer quebrar determinado pico e isso depende da posição geográfica da praia. Por exemplo: Maresias tem altas ondas com ondulação de sul e vento leste, porém em Ubatuba, esse mesmo vento deforma as ondas.

O swell de sul sempre traz onda para a costa brasileira em todos os picos?

Tudo depende da orientação da costa em relação à direção do swell. O litoral sudeste é muito bem posicionado geograficamente para receber as ondulações vindas do extremo sul. Geralmente, as tempestades ocorrem numa faixa entre 30º e 50º graus de latitude. Se analisarmos o Atlântico Sul, Florianópolis (SC) está a 27,5º graus de latitude. Ou seja, as tempestades rolam ainda mais para baixo, no que chamamos de Quadrante Sul, que é a região mais ao sul do Rio Grande do Sul, Uruguai e Argentina. Isso depende da praia estar bem posicionada para receber essas ondulações, além de não ter muito vento. Saquarema, por exemplo, na região dos Lagos (RJ), está otimamente posicionada para receber os swells vindos do sul, além do que, o vento Nordeste, que é dominante no Brasil, também é constante na região proporcionando excelentes ondas. Já no Ceará, onde a posição geográfica está voltada para cima, o swell de sul não influencia em nada as ondas da região. Para rolar onda lá, é necessário que a ondulação venha do Atlântico Norte. Por isso, nessa região, a época de ondas boas ocorre entre dezembro e fevereiro, quando é inverno no Hemisfério Norte. Por isso Fernando de Noronha é tão constante nessa época do ano, enquanto o restante do litoral do Brasil é dominado pelo flat.


O que é vento maral e terral?

O vento maral provém do mar para a terra. Esse vento gera ondas locais, as marolas, e acaba balançando o mar, deixando as ondas irregulares. Já o vento terral não gera onda e vai da terra em direção ao mar. O terral costuma deixar o mar liso.


É verdade que raio é sinal de que o mar vai abaixar?

Não há nenhuma explicação científica. As tempestades de verão, que geralmente são repletas de raios, não fazem onda porque os ventos fortes duram em média meia hora. E isso não faz o mar subir, pois é preciso de tempo para que as ondas subam.


Chuva diminui o tamanho das ondas?

A chuva não tem efeito significativo em relação as ondas.


O que determina o intervalo entre as ondas nas séries?

O período das ondas, que é o intervalo entre as duas ondas, é um fator importante e é preciso prestar bastante atenção nele. O período chega a ser até mais importante do que a altura das ondas e varia de 3 a 4 segundos, até 20 segundos em média. Quanto mais longo for o período, mais perfeitas serão as ondas, independentemente do tamanho. Para que rolem altas ondas, é preciso que uma tempestade atue numa área de oceano muito grande, por pelo menos dois dias. Na Indonésia, muitas vezes os períodos são de 18 a 20 segundos, por isso as ondas são tão perfeitas. Quando o período está entre 4 e 5 segundos as ondas tornam-se bagunçadas, mexidas.


Como funcionam as bóias? Quantas existem no Brasil?

A bóia é uma esfera metálica de um metro de diâmetro com 300 kg, fundeada em pontos estratégicos da costa com cabos e âncora. Ela balança quando as ondas passam e possui um equipamento eletrônico em seu interior que é capaz de dizer a altura da ondas quando elas passam por ela. O Laboratório de Hidráulica Marítima da Universidade Federal de Santa Catarina tem uma há 35 quilômetros da costa de Florianópolis. Ela possui uma antena que registra cerca de 20 minutos a cada hora e  envia as informações via rádio. Nós recebemos, processamos e disponibilizados em nosso site (www.lahimar.ufsc.br). Além do tamanho, ela também mede o período e a direção _as três informações básicas necessárias. Em Arraial do Cabo (RJ), também há outra bóia do Instituto de Estudos do Mar Almirante Paulo Moreira, que utiliza com o mesmo sistema.


E a maré, como influencia as ondas?

A maneira como a onda quebra depende da profundidade onde ela se encontra. Por exemplo, se for uma praia de perfil declinado, na maré seca as ondas quebrarão de uma maneira. Quando a maré encher, as ondas vão quebrar onde está mais raso, muda o ponto de arrebentação. Ou seja, o tipo da onda varia de acordo com o nível da água ocasionado pela maré.


A Lua influencia, por quê?

A Lua influencia totalmente na maré. Mas as ondas não têm nada a ver com isso, pois a Lua apenas controla as marés. Quando a Lua está cheia, o nível do mar sobe, mas se não tiver swell não vai adiantar nada. Só vai influenciar se a maré for grande. Na região sudeste, a variação é de pequena amplitude. Já no nordeste é preciso prestar mais atenção na maré. Boas ondas dependem de uma combinação de fatores e em algumas praias as ondas quebram melhores com a maré cheia.


Por que o mar fica de ressaca?

Porque acontecem as tempestades nos oceanos. Se ventos fortes atuarem por mais de dois dias, acontece uma tempestade que proporcionará uma ressaca no mar.


Frente fria sempre traz ondas grandes?

Para elas trazerem ondas grandes tem que ter ventos que atendam aos requisitos, como serem fortes e têm que ir na direção certa da costa. É uma coisa que não se pode afirmar. Mas, geralmente as frente frias evoluem para um ciclone extra-tropical, proporcionando as ondulações.


Uma onda perfeita depende de vento, fundo ou swell?

Depende se o swell tiver um período longo, com mais de dez segundos, se o vento local está favorável (terral ou vento fraco) e se a praia está numa posição geográfica favorável. Já ondas espetaculares precisam de um fundo com feições, como um canyon submarino, ou um morro submerso, que faça com que elas quebrem perfeitas. É uma combinação de fatores, não depende só de um deles. 


Como interpretar a previsão de ondas na internet

Waves (www.waves.com.br) - O site oferece um gráfico que disponibiliza a previsão das ondas durante cinco dias, além de mostrar o período, velocidade dos ventos e fotos das principais praias do Brasil para a prática do surf.
Lahimar (www.lahimar.ufsc.br) – Site do Laboratório de Hidráulica Marítima da Universidade Federal de Santa Catarina, responsável por uma das bóias encontradas em nosso litoral. 
Disk Surf (www.disksurf.com.br) – Oferece  previsão das ondas e ventos e ainda o serviço de atendimento ao surfista gratuito. Disponível em alguns Estados é só ligar e saber onda estão as melhores condições.
Inpe (tucupi.cptec.inpe.br/wam) – Site do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, que apresenta gráficos com a altura e direção das ondas e oferece a possibilidade de controlar o movimento e a velocidade do gráfico..

Como interpretar o gráfico do Waves Check

Na parte superior do gráfico você encontra um seletor representando os próximos cinco dias. O mapa representa as condições para o período destacado em vermelho no seletor. Há duas previsões para cada dia, uma referente às 9 horas e outra para às 21 horas. O mapa das condições do oceano é interativo, sendo possível deslocá-lo horizontal e verticalmente por intermédio das barras de rolagens, ou por intermédio do "zoom" abaixo do mapa.
O botão "animar" altera automaticamente o instante selecionado no seletor, representando a evolução das condições do oceano para os próximos dias. Há duas opções disponíveis de modelo. O modelo global simula os oceanos como bacias oceânicas planas e muito profundas, enquanto o modelo regional considera os efeitos de refração devido às variações da profundidade. Nos dois modelos podemos apresentar no mapa a altura significativa das ondas, o período médio e a intensidade dos ventos.
O primeiro gráfico abaixo do mapa apresenta a previsão para a altura, direção e período das ondas para os próximos dias, tendo como referência uma bóia "virtual" (simulação de presença de bóia) localizada próxima ao pico. O tamanho está apresentado em azul e sua escala fica à esquerda do gráfico. O período está assinalado em vermelho e sua escala está à direita do gráfico. O período das ondas corresponde ao intervalo de tempo entre as ondas. Quanto maior for o período, maior a possibilidade de ocorrer boas ondas.
Na parte inferior temos a direção do swell (ondulação) no início do dia. Para observar eventuais mudanças no decorrer do dia, passe o mouse sobre o gráfico e observe a direção do swell apontada pela bússola. Neste gráfico as regiões escuras representam o período noturno, enquanto o restante representa o período diurno. No segundo gráfico temos a evolução da intensidade e direção do vento para os próximos dias.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Botânicos reúnem numa lista todas as espécies de plantas conhecidas


Helena Geraldes 

Legumes, musgos, rosas e mesmo as ervas mais simples fazem parte da lista mais completa de sempre das plantas conhecidas para a ciência. A base de dados, com mais de um milhão de nomes, está terminada, revelaram hoje os jardins botânicos de Kew e do Missouri, instituições de referência mundial em biologia vegetal.

A Lista das Plantas, que será atualizada, inclui 1,25 milhões de nomes científicos de plantas. Destes, cerca de 300 mil são nomes já aceites e 480 mil são sinónimos. Para os restantes 260 mil nomes ainda não há certezas suficientes e há que investigar mais. 

“Todos os nomes válidos publicados para as plantas, ao nível das espécies, foram incluídos na Lista das Plantas. A maioria são sinónimos e nenhum nome foi apagado”, disse Peter H. Raven, director do Jardim Botânico do Missouri, em comunicado.

Stephen Hopper, director dos Jardins de Kew, considera que esta lista “é crucial para planear, implementar e monitorizar os programas de conservação das plantas de todo o mundo”.

Sem nomes específicos, a tarefa de compreender e comunicar o cenário botânico do planeta seria um “caos ineficiente, que custaria muito caro”, revelam os Jardins de Kew, em comunicado. Assim, a lista permite ligar os diferentes nomes científicos utilizados para uma espécie em particular e relacionar as espécies a publicações científicas para ajudar os investigadores.

Os botânicos ingleses e norte-americanos começaram a trabalhar nesta lista em 2008, comparando as famílias de plantas registadas pelos Jardins de Kew e o sistema Trópicos, um banco de dados alimentado desde 1982 pelos Jardins do Missouri, com cientistas a trabalhar em 38 países.

“Nas últimas décadas, estas duas instituições de referência têm feito um investimento extraordinário para identificar espécies à escala global e para construir uma rede de avaliação mundial da diversidade vegetal”, comentou Helena Freitas, directora do Jardim Botânico da Universidade de Coimbra. As duas conseguiram “chegar a um número bastante realista” e cientificamente válido sobre o número de espécies, acrescentou ao PÚBLICO, salientando a “promoção da ideia da importância das plantas como base das cadeias alimentares”.

Em Outubro, os 193 países membros da Convenção sobre a Diversidade Biológica reunidos em Nagoya, no Japão, decidiram criar até 2020 um banco de dados online de toda a flora conhecida no planeta.

Uma em cada cinco plantas no mundo está ameaçada de extinção, revelou em Setembro um estudo da União Internacional da Conservação da Natureza (UICN).

Fonte: Público - Portugal

A lista pode ser acessada em www.theplantlist.org

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Uma câmera digital superior ao olho humano?

O sensor da câmera consiste em uma rede de fotodetectores flexíveis,
 interconectados e instalados sobre uma membrana elástica. [Imagem: Jung et al/Pnas]

Olho com zoom
Abra uma câmera digital e você verá que seu sensor, chamado CCD, é plano.
Mas a retina humana é hemisférica, o que significa que são necessários truques de óptica para permitir que uma câmera "veja" de forma parecida com um olho humano.
Mas parecido não é igual.
Por isso, cientistas e engenheiros há muito tempo tentam criar uma câmera com um sensor curvilíneo, cujo formato imite o formato da retina humana.
Agora, um grupo de pesquisa fez mais do que isso. Eles incluíram um adicional importante: ao contrário do olho humano, a câmera "globo ocular", como seus criadores a estão chamando, possui um zoom óptico de 3,5 vezes.
Melhor do que o olho humano
"Estamos nos inspirando no olho humano, mas queremos ir além do olho humano," afirmou Yonggang Huang, da Universidade Northwestern, que desenvolveu a câmera em conjunto com seus colegas da Universidade de Illinois em Urbana-Champaign - ambas nos Estados Unidos.
Segundo Huang, a minúscula câmera combina o melhor do olho humano com o melhor de uma câmera profissional tipo SLR (Single-Lens Reflex) dotada de zoom.
Ao copiar o sistema de lente única do olho humano - o cristalino - e o zoom da câmera SLR, os cientistas obtiveram uma câmera capaz de fazer imagens sem distorção sem precisar do peso e de todo o aparato das câmeras profissionais.
O sensor da câmera consiste em uma rede de fotodetectores flexíveis, interconectados e instalados sobre uma membrana elástica. A membrana e o circuito podem mudar de formato inúmeras vezes, sem risco de danos.
Uma câmera digital superior ao olho humano?
A câmera ainda é um protótipo, distante de um equipamento prático. [Imagem: Jung et al/Pnas]
A lente foi construída com uma membrana fina e elástica encapsulada dentro de uma câmara com água. As paredes de vidro da câmara permitem que a luz passe pela lente e chegue até o sensor.
Câmera hemisférica
A chave para a construção dessa câmera globo ocular são substratos flexíveis, onde são montados a lente e os fotodetectores, e um sistema hidráulico que altera o formato dos substratos de forma precisa, obtendo um zoom variável e contínuo.
eletrônica flexível foi suprida pela equipe do professor John Rogers, que tem uma extensa lista de proezas na área - a última delas são minúsculas lâmpadas implantáveis, que poderão permitir a criação de tatuagens que acendem, entre várias outras aplicações.
A equipe do prof. Rogers já havia criado uma câmera digital que imita a retina humana em 2008. Aquela versão, contudo, tinha uma resolução de apenas 256 pixels e ainda não tinha zoom.
Embora seja apenas um protótipo, e precise de muitos desenvolvimentos antes de chegar ao mercado, a câmera digital hemisférica poderá ser usada em várias aplicações, incluindo visão robótica, vigilância e equipamentos de consumo, além de imagens médicas, em endoscopia, por exemplo.
Para conhecer uma abordagem alternativa para uma câmera mais parecida com o olho humano, veja a reportagem Sensor de imagem flexível pode revolucionar a fotografia.
Bibliografia:

Dynamically tunable hemispherical electronic eye camera system with adjustable zoom capability
Inhwa Jung, Jianliang Xiao, Viktor Malyarchuk, Chaofeng Lu, Ming Li, Zhuangjian Liu, Jongseung Yoon, Yonggang Huang, John A. Rogers
Proceedings of the National Academy of Sciences
January 18, 2011
Vol.: Published online before print
DOI: 10.1073/pnas.1015440108
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