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sábado, 26 de novembro de 2011

Vietnã, 25 anos depois - testemunho da menina Kim Phuc


A foto da garota Kim Phuc, nua, fugindo de seu povoado que estava sofrendo um bombardeio de napalm, até hoje é lembrada como uma das mais terríveis imagens da Guerra do Vietnã.

No momento em que a foto foi tirada, em 8 de junho de 1972, a vida de Kim Phuc, então com 9 anos, mudaria para sempre. Hoje, 32 anos depois, Kim Phuc é Embaixatriz da Boa Vontade da UNESCO. Ela contou à BBC sua experiência.

Em 1972, os americanos lançaram uma bomba de napalm em meu povoado, no sul do Vietnã.
Um fotógrafo, Nick Ut, tirou uma foto minha fugindo do fogo, a foto que hoje é tão famosa.
Eu me lembro que tinha 9 anos, era apenas uma menina. Naquela noite, nós do povoado havíamos ouvido que os vietcongues estavam vindo e que eles queriam usar a vila como base.
Então, quando já era dia, eles vieram e iniciaram os combates no povoado.
Nós estávamos muito assustados.
Eu me lembro que minha família decidiu procurar abrigo em um templo, porque nós acreditávamos que lá era um lugar sagrado.
Nós acreditávamos que, se nos escondêssemos lá, estaríamos a salvo.
Eu não cheguei a ver a explosão da bomba de napalm; só me lembro que, de repente, eu vi o fogo me cercando.
De repente, minhas roupas todas pegaram fogo, e eu sentia as chamas queimando meu corpo, especialmente meu braço.
Naquele momento, passou pela minha cabeça que eu ficaria feia por causa das queimaduras, que eu não ia mais ser uma criança como as outras.
Eu estava apavorada, porque de repente não vi mais ninguém perto de mim, só fogo e fumaça.
Eu estava chorando e, milagrosamente, ao correr meus pés não ficaram queimados.
Só sei que eu comecei a correr, correr e correr.
Meus pais não conseguiriam escapar do fogo, então eles decidiram voltar para o templo e continuar abrigados por lá.
Minha tia e dois de meus primos morreram.
Um deles tinha 3 anos e o outro só 9 meses, eram dois bebês.
Então, eu atravessei o fogo.

Queimaduras

O fotógrafo Nick Ut nos levou para um hospital das redondezas.
Assim que ele nos deixou lá, foi para uma sala escura revelar as fotos.
Depois, me falaram que eu e as outras pessoas feridas seriam transferidas para o hospital de Saigon.
Dois dias depois, meus pais me encontraram no hospital.
Eu passei bastante tempo no hospital: 14 meses.
Os médicos fizeram 17 cirurgias para curar as queimaduras de primeiro grau.
Metade do meu corpo ficou queimada.
Aquele foi um momento decisivo na minha vida.
A partir daí, eu comecei a sonhar em como ajudar outras pessoas. Meus pais guardaram a foto, que tinha saído num jornal, e depois a mostraram para mim."Esta é você, quando você estava ferida", disseram eles. Eu não consegui acreditar que era eu, era uma foto aterrorizante.
Eu acho que todas as pessoas deveriam ver essa foto, mesmo hoje.
Porque essa foto mostra claramente como uma guerra é terrível para as crianças. Você pode ver o terror no meu rosto. Basta ver a foto, para as pessoas aprenderem.

Este texto foi adaptado de uma gravação feita para o site do BBC World Service em inglês.
Fonte: http://www.historianet.com.br

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Sarney apresenta proposta para novo referendo sobre desarmamento nesta terça-feira

BRASÍLIA - Diante da tragédia na Escola Municipal Tasso da Silveira , o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), vai apresentar nesta terça-feira aos líderes partidários proposta para a realização de um novo referendo sobre o desarmamento. A ideia é debater com os líderes a votação de um projeto de lei que estabeleça nova consulta à população sobre a proibição de vendas de arma de fogo no país. Na última sexta-feira, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) defendeu a retomada da discussão sobre o desarmamento e sugeriu a convocação de um novo referendo .



Sarney afirmou que a intenção é votar de imediato a matéria:
- Desde o princípio, tenho dito a vocês que acho possível e acho que temos que tomar uma iniciativa nesse sentido. Vou tratar disso na próxima reunião com os líderes dos partidos para ver se nós imediatamente temos condições de votar uma lei modificando o que foi decidido no referendo, e fazendo um novo referendo - afirmou o parlamentar.
Em 23 de outubro de 2005, foi realizado um referendo sobre o tema. A maioria dos votantes (59 milhões de pessoas, o equivalente a 64% dos votos válidos) optou por não proibir o comércio de armas e munições.
- O Rui Barbosa dizia que só quem não muda são as pedras. O que não se deve é mudar do bem para o mal e do mal para o pior. Nós estamos mudando do mal para o bem, de maneira que eu acho que a população vai ser sensível - assinalou o presidente do Senado.
O presidente do Senado também apoiou a proposta do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo , de debater com organizações não governamentais a antecipação da Campanha Nacional pelo Desarmamento, prevista para junho. Segundo ele, toda iniciativa para promover e criar a consciência contra o desarmamento é bem-vinda.
- Acho que qualquer iniciativa no sentido de promover, de criar uma consciência nacional contra o desarmamento, é muito bem vinda. Toda vez que temos armas no país, evidentemente que elas têm por finalidade aumentar o crime - afirmou.
'Plebiscito sobre posse de armas, só depois de debates', diz Romero Jucá
"Entrar direto num novo plebiscito sem uma prévia discussão, isso não. O plebiscito deve ser resultado de um debate". Assim o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), manifestou-se na manhã desta segunda-feira sobre a ideia de a população brasileira ser novamente convocada a decidir a respeito da posse de armas por civis.
- Eu defendo o desarmamento, acho que deve haver menos armas nas ruas. Sou a favor de uma ampla discussão desse assunto com a sociedade. Sou a favor de ampliarmos a conscientização a respeito desse assunto. Mas esse plebiscito deve acontecer apenas como resultado de um amplo debate - opinou Jucá.
ONG Viva Rio quer que o governo pague também por balas
A ONG Viva Rio vai sugerir ao governo federal que pague pelas munições, e não apenas pelas armas, a serem recolhidas na campanha do desarmamento deste ano, que inicialmente estava marcada para junho, mas será antecipada. Uma das ideias é incluir chips nas armas ainda nas fábricas.
Houve uma queda no número de armas entregues pela população. Na campanha de 2008 e 2009, que teve a participação apenas da Polícia Federal, o governo retirou do mercado apenas 30 mil armas. Entre 2004 e 2005, quando ONGs, igrejas e as polícias participaram da campanha, 459 mil armas foram recolhidas. Para Antônio Rangel, um dos coordenadores do Viva Rio, o fracasso se explica porque muita gente ainda tem receio de entregar armas diretamente à polícia:
- As pessoas precisam ser convencidas a entregar as armas, e quem faz isso são padres, pastores, médicos. A campanha tem que envolver a sociedade civil - afirmou.


via http://oglobo.globo.com

terça-feira, 1 de julho de 2008

As verdadeiras armas de destruição em massa


As armas de fogo pequenas e leves são responsáveis pela morte de 600 mil pessoas todos os anos no mundo. Isso faz delas as verdadeiras armas de destruição em massa.

Segundo o Small Arms Survey, de Genebra, estima-se que existam cerca de 639 milhões de armas pequenas em circulação em 110 países, que representam a metade da população mundial. Dessas, apenas 37,8% pertencem às Forças Armadas, 2,8% às polícias, e a enorme proporção de 59,2% estão nas mãos da população civil.

No Brasil, essa proporção de armas nas mãos da sociedade, e não do Estado, sobe para 90%, isto é, mais de 15 milhões de armas, mais de 50% ilegais1.

Diferentemente das drogas, produzidas e comercializadas ilegalmente, as armas são legalmente produzidas e, em certo ponto, ingressam no mercado clandestino. Por isso, uma vez controlado o mercado legal, torna-se possível o controle do comércio ilegal.

Para ter sucesso, qualquer política de controle de armas deve atuar sobre quatro áreas específicas: o controle da oferta, a redução da demanda, o gerenciamento dos estoques e a destruição dos excedentes.

A temática do controle de armas é polêmica e o combate ao desvio das armas do mercado legal para o ilegal depende de vontade política. A centralização, a informatização e a convergência das informações provenientes dos diversos órgãos de segurança são fundamentais para um efetivo controle dos estoques e da circulação das armas pequenas e leves.

Nos países pobres ou em desenvolvimento, a troca de informações é precária por falta de estrutura e tradição. Nos países ricos, até uma década atrás, as armas de fogo eram tratadas como um produto qualquer, sem exigir maiores cuidados e controles.

Na América Latina, o passado recente de regimes autoritários na maioria dos países dificulta o controle de armas pequenas e leves. Em muitos países a questão está sob comando exclusivo dos militares, sem a participação da polícia e da sociedade civil, através de ONGs especializadas, como recomenda a ONU. No entanto, já se desenham iniciativas de cooperação regional, principalmente entre os países do Mercosul.

Solução depende de integração

O fluxo de armas de fogo transcende as fronteiras estaduais e nacionais, e o controle desse fluxo exige ações integradas em todos os níveis: municipal, estadual, nacional, regional e internacional.

Iniciativas em diversos países, e acordos regionais e internacionais, têm obtido sucesso na diminuição da quantidade de armas de fogo em circulação. Países como Brasil, Japão, Grã-Bretanha, Canadá, Austrália e África do Sul implementaram leis rígidas de controle de armas.

Acordos regionais, como, por exemplo, entre os países do Mercosul, permitirão harmonizar a legislação dentro de uma região, dificultando atividades como o tráfico de armas nas fronteiras, pois não adianta avançar no controle em um país, se as armas continuarem a ser traficadas em países vizinhos. A necessidade de que as leis de controle de armas sejam convergentes é cada vez mais evidente, e leis como o Estatuto do Desarmamento brasileiro têm servido de inspiração para outros países da região.

Existem também esforços no sentido de se criar um Tratado Global sobre o Comércio de Armas. Em 2001, a ONU realizou a primeira conferência global sobre a questão das armas pequenas, que levou à criação do Programa de Ação (PoA), que visa a prevenção, o combate e a erradicação do comércio ilícito de armas pequenas e leves em todos os seus aspectos. Entre as recomendações do PoA estão a regulamentação das atividades dos intermediários (brokers) e a marcação das armas para facilitar o rastreamento.

As organizações civis vão pressionar os governos a adotar um instrumento legal para regular as transferências de armas entre países, que contemple também as transferências de armas entre governos e atores não estatais, além da marcação de munições para tornar mais eficiente o combate ao tráfico ilícito desses produtos.

1 Segundo pesquisa "Brasil: as armas e as vítimas" do Iser/Viva Rio

www.comunidadesegura.org
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