Mostrando postagens com marcador Guerra. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Guerra. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 7 de março de 2022

Guerra Fria: Segundo Ato

 


Dia desses, dando aula para uma turma de nono ano, afirmei: “Com o fim da Guerra Fria...”. Somente ao adentrar o aconchego do lar, na frieza dos raciocínios, dei-me conta da sandice: A Guerra Fria nunca acabou: No máximo, entrou num hiato. Hoje ela explode em seu “segundo ato”, com seus oponentes rearranjados no tabuleiro. A assim chamada Guerra ao Terror, que recentemente envolveu o mundo (de americanos a russos, de sauditas a nigerianos) num combate a extremistas muçulmanos, agora parece ter sido apenas uma pantomima, uma diversão apresentada no palco entre uma partida e outra da verdadeira guerra.

Claro está que a Rússia nunca será o que foi a URSS, que chegou a controlar, de fato ou ao menos no campo ideológico, quase meio mundo (e quantas, quantas “viúvas” de sua existência deixou!); mas isso não impede o ditador-maquiado-de-democrata Putin de almejar retomar parte da glória da antiga potência, desejo de glória hoje reconfigurado numa nova ideologia, na verdade colcha de retalhos que mistura culto à mítica mãe Rússia com a fé cristã ortodoxa, somado a tantos e embaraçosos pitacos de fascismo, comunismo e capitalismo oligarca que a situação toda desconcertou os ideólogos de direita e esquerda pelo orbe à fora. E com reflexos divertidos no Brasil, rachando esquerda e direita na confusão de a quem apoiar e pelo quê. Mas deixemos os idiotas de esquerda e direita e voltemos à guerra ou ao mundo real (com o perdão da redundância).

Hitler utilizou o conceito do lebensraum, o espaço vital, para justificar sua expansão bélica por sobre territórios e vidas alheias. O conceito foi elaborado ainda no século XIX, justamente por um alemão, o geógrafo Friedrich Ratzel. A ideia era que o povo “ariano” precisava de mais terra para desenvolver seu potencial e isso era um direito “natural”. Esse tipo de presepada não lhe era exclusividade: Vide o conceito-irmão de “destino manifesto”, preconizado do outro lado do Atlântico por ideólogos dos EUA, e que segue a mesma ladainha suprematista – mas essa polêmica, deixo para outro artigo. Putin utiliza, um pouco travestido, o mesmíssimo argumento: Invade ou subleva ex-membros da URSS para salvaguardar população de origem ou etnia-cultura russa presente em tais países. Pois temos um baita problema aqui: Há tais tipos de pessoas (russos étnicos) EM TODAS as ex-repúblicas soviéticas! Era uma norma da URSS fazer esse transplante de populações, de etnias, entre suas repúblicas, no objetivo de promover a integração e ajudar a debelar eventuais movimentos separatistas (essas transposições, de si só, causaram mais mortes que muitas e muitas guerras).

Sim, a URSS ruiu duma vez para sempre, mas a m#rd@ está feita, e acredite neste professorzinho aqui: Ainda terá outras e bélicas repercussões, nos próximos anos. Pois Putin, caso não caia ao fim deste capítulo ucraniano, certamente há de, agora ferido ao extremo pelos embargos, “meter o pé na jaca” ou na porta alheia, e aproveitar para aumentar sua presença em ou influência sobre tais repúblicas, notadamente as não abrigadas sob o guarda-chuva da OTAN. Cada ex-república soviética, seja hostil, “neutra” (isso ecxiste???) ou ALIADA, sente o peso do urso e rumina o risco, dia após dia.

Poslúdio: Enquanto isso a China, embebida na sapiência pragmática de Confúcio e Sun-Tzu, segue o que eu chamaria cariocamente de o caminho do bom malandro, e observa seus adversários ou aliados de ocasião (não se engane, a China sempre viu e verá a URSS/Rússia desta forma) se digladiando. Ela ocupa espaços no tabuleiro, engorda seu gado, ara seu campo – até que se apresente o momento (10, 15, 25 anos?) de ditar o capítulo final (Terceiro Ato?) da Guerra Fria.

 Sammis Reachers

Publicado originalmente no Jornal Daki em 05/03/2022

sexta-feira, 12 de novembro de 2021

Coragem e superação: 300 Frases para o Dia da Batalha

 

De uma batalha campal à luta por uma promoção ou um novo emprego; de uma situação perigosa em que as circunstâncias o lançaram à solicitação, à pessoa amada, de um primeiro beijo, cada um sabe – ou logo descobrirá – quais são as batalhas de sua vida. Desafiados somos todos os dias, por situações procuradas ou inesperadas, e necessário é que nos mostremos fortes diante dos desafios e adversidades.

Aqui, neste breve volume, reunimos uma poderosa coleção de frases de inspiração e sabedoria, que falam sobre coragem e heroísmo, prudência e resiliência, estratégia, ousadia e iniciativa para enfrentarmos o dia da batalha.

quinta-feira, 4 de março de 2021

Livros impressos disponíveis: Poemas da Guerra de Inverno e Rodorisos

 


Amigos, já disponho de novos exemplares desses meus dois livros, por sinal completamente dispares.

Em Poemas da Guerra de Inverno, uma poesia ambientada na Segunda Guerra Mundial e em vários outros teatros de guerra, marcada pelo existencialismo cristão, dá voz a uma grande dor pessoal - que é também a dor da própria espécie humana.
Em RODORISOS, curtas (e reais) histórias de humor, escritas em linguagem acessível, são garantia de riso farto. São mais de 40 histórias e causos coligidos ainda nos tempos em que trabalhei como rodoviário.
Cada livro está disponível por apenas R$ 22,00, JÁ com o frete por Correios incluso.
E em breve, teremos livro inédito na praça. Aliás, livros!
Quem desejar adquirir, pode escrever para meu e-mail: sreachers@gmail.com

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Grandes poetas de 17 países que viveram e escreveram sobre a Segunda Guerra Mundial reunidos em Antologia gratuita


Sofro da estranha mania de organizar antologias.  Já são mais de dez. Some-se a esse furor antologista meu fascínio pela Segunda Guerra Mundial, fixação de infância, sendo mesmo anterior ao meu interesse pela literatura, e que ao longo dos anos nunca arrefeceu.
     Eis esboçado então o cenário para que eu volte à carga em minha maltrapilha sina de tapa-buracos das mal a(r)madas estantes de poesia: a esta altura do ano da graça de 2014, decorridos 69 anos do fim do maior conflito bélico e da maior exibição de atrocidades que a humanidade já vivenciou, não lhe parece, amigo leitor, de espantar que não exista uma antologia de poetas ou poemas da Segunda Guerra em nossa bibliografia lusófona, neste caso mais culposa e especificamente na brasileira (pois afinal Portugal manteve-se ‘neutro’ no conflito)? Tal lacuna sempre me pareceu digna de nota. Nos EUA tais antologias de guerra são comuns – você poderá contar com umas duas dezenas delas, de variados alcances e focalizações editoriais.
     Busquei coligir para esta seleta apenas poemas de autores contemporâneos ao conflito, e de países diretamente envolvidos na guerra. Sejam war poets “clássicos” (soldados-poetas que participaram em algum momento da guerra, engajados em exércitos regulares), sejam vítimas (população de países subjugados, judeus e minorias étnicas, críticos e inimigos ideológicos do regime), sejam partisans e combatentes das resistências que pululavam nas mais diversas frentes do conflito. E também o que se poderia chamar de poetas expectadores, que, embora nativos de países envolvidos na guerra, apenas a acompanharam pelos canais noticiosos, caso de alguns poetas dos EUA e de outros países americanos, como o chileno Pablo Neruda e brasileiros como Carlos Drummond de Andrade, Murilo Mendes e outros.
Esta é uma antologia breve – são apenas 134 páginas, mas que oferecem um significativo panorama de grande valor literário e histórico da riquíssima poesia produzida no período da SGM, ao abarcar em suas páginas grandes poetas de 17 diferentes nacionalidades.

Autores antologiados:
Bertolt Brecht (ALE) - Abgar Renault (BRA) - Carlos Drummond de Andrade (BRA) - Cecília Meireles (BRA) - Murilo Mendes (BRA) - Vinícius de Moraes (BRA) - Pablo Neruda (CHI) - Ivan Goran Kovacic (CRO) - Vladimir Nazor (CRO) - Archibald MacLeish (EUA) - Dudley Randall (EUA) - John Ciardi (EUA) - Karl Shapiro (EUA) - Randall Jarell (EUA) - Stanley Kunitz (EUA) - T. S. Eliot (EUA/ING) - Louis Aragon (FRA) - Paul Eluárd (FRA) - Pierre Emmanuel (FRA) - René Char (FRA) - Giorgos Seferis (GRE) - Odisséas Elýtis (GRE) - Tasos Leivaditis (GRE) - Gerrit Kouwenaar (HOL) - Jan Campert (HOL) - Gyula Illyés (HUN) - István Vas (HUN) - János Pilinszky (HUN) - Miklós Radnóti (HUN) - Dylan Thomas (ING) - Edith Sitwell (ING) - Keith Douglas (ING) - W.H. Auden (ING/EUA) - Giuseppe Ungareti (ITA) - Primo Levi (ITA) - Salvatore Quasímodo (ITA) - Sadako Kurihara (JAP) - Tamiki Hara (JAP) - Hirsh Glick (LIT) - Czeslaw Milosz (POL) - Zbigniew Herbert (POL) - Paul Celan (ROM) – Jaroslav Seifert (TCH) - Margarita Aliguer (URSS) - Marina Tzvietáieva (URSS) - Mikhaíl Dúdine (URSS) - Olga Fiódorovna Bierggólts (URSS) - Pável Antokólski (URSS) - Siemión Gudzenko (URSS)

Para baixar o livro pelo site 4Shared, CLIQUE AQUI.
Para baixar o livro (ou ler online) pelo site Scribd, CLIQUE AQUI.
Para baixar o livro (ou ler online) pelo site Issuu, CLIQUE AQUI.

Caso não consiga realizar o download, por favor, solicite-me o envio por e-mail: sammisreachers@ig.com.br


Buscando manter-me fiel ao meu princípio de produzir e disponibilizar bons livros, sempre gratuitamente, galgo mais um degrau em minha quixotesca empresa, mas ciente das dificuldades de divulgação que um trabalho de outsider assim encontra, principalmente através dos canais estabelecidos. Por isso, conto com cada um de vocês, leitores desta obra, para divulgá-la, republicá-la e passá-la adiante. A cultura é uma ação: precisa de agentes. Colabore!

domingo, 23 de março de 2014

Um conto da Segunda Guerra Mundial - Carta do pracinha Dirceu para a jovem Marília



XXXX, Itália, janeiro de 44

A noite, como a morte, é uma carta de trás para a frente, Marília, uma carta que não se entende até que amanheça.

Marília, hoje avançamos sobre o monte xxxx. Não adianta eu escrever nomes e datas, a censura suprimirá essas informações, que de mais a mais pouco importam a uma menina de 17 anos numa cidade tão bonita como Niterói.

Não sei se lhe escreverei mais cartas, se há um amanhã com meu nome na lista ao final da fila de ração. Então, perdoe-me pela estranheza e extensão destas linhas aqui transcritas. Foram escritas em dias espaçados, sob influências diversas – mas todas apenas dimensões, fragmentações de você.

E então eu agora abertamente digo que te amo, amiga. Amo-te mais que tudo em minha vida, os poemas, os sambas, o Bangu, meus cães e a filosofia. Amo-te desde o primeiro dia que lhe vi ao lado de Michaela, e eu que pensava amá-la, mas depois percebi que não, que nada, que tudo em minha vida e na história de meu coração era aio e ensaio até você. Pois o coração de toda a beleza que pulula no Universo-aqui, no espasmo-agora, é você, Marília.
Sei da galanteria que o Marco lhe faz; sei que seu pai, não tão secretamente quanto ele pensa, faz gosto de tê-lo como genro. E sei também que você se agrada. Agora ele está aí ao teu lado, pois pode ver-te todos os dias, e eu estou aqui na Velha Bota, na cega neve, na arruinada madona que o Duce deflagou. Nesta disputa, se disputa havia, já perdi; se eu morrer e eu vou morrer, morrerei para que você possa ser feliz. Morrerei para não suportar, além do próprio peso da vida, a impossibilidade de você.
Tinha sonhos contigo, sonhos de casamento e roça, três crianças de quem eu, em secreto, adivinhava já os traços das faces. Terminaria o curso de Filosofia e iria dar aulas em alguma cidade pacata do interior do estado. Madalena ou Campos dos Goytacazes, talvez. Hoje queimo estes sonhos no altar da Guerra.
Tenho um pedido apenas: se em algum dia de tua vida de luz, sentiste algum afeto por mim, para além de nossa firme amizade, lhe rogo que nomeie teu primeiro filho com o meu nome; deixa-me estar próximo à tua lembrança enquanto você viver, pois sei que de mim a Guerra tudo requisita, como uma noiva voraz que quer o seu prometido e todo o dote, e ela nada poupará em seu holocausto.
Sei que falo coisas tristes e confusas demais e adultas demais para teu coraçãozinho principesco, mas preciso comunicar a alguém esta minha calma angústia, e é a você que comunico, pois você é mais que a pessoa que amo, é o próprio Universo onde habito, minha deusa lar, particular.

Na última carta você referiu lembrar-se de minha expressão antes da Declaração de Guerra, da forma como eu, durante as lições que lhe dava em sua casa, segurava o mapa da Europa nas mãos e quedava absorto por minutos silenciosos, ‘como se eu soubesse’. Marília, a História é um pano roto onde uma bruxa de candomblé lança búzios, búzios que dão sempre o mesmo resultado. Desde a invasão da Rússia, eu já sabia que o Brasil ingressaria na Guerra, eu sabia que haveria uma convocatória. Eu já treinava disparos, eu já sabia para onde fugir de ti, eu já sabia onde finalmente encontrá-la para sempre.

Escrevo este trecho de xxx. Mas todas as cidades por onde passei, Nápoles e Modena e Livorno, chamam-se você, todas as cidades da terra e do sol nomeiam-se secretamente Marília.

Aqui abraço a morte como se abraçasse você, menina. Nomeio a imperatriz-meretriz Morte com teu nome epifânico, e ela ganha ternura e sonho, cresce em intimidade sem perder a realeza. Vida ou Morte, Destino ou Acaso, como um grande Brahman dos hindus, escolhi ter você em tudo e como tudo, e que tudo a seja, foi a forma que encontrei para não perdê-la.

Nesta neve de menos 2 graus, lembro-me de nosso passeio na praia de Icaraí, sob o poder do carro de Hórus, o Sol que existe apenas para lhe dar um pedestal, Marília... Minha amiga, minha irmã, naquele dia, quando paramos em frente à Pedra do Índio e imprudentemente segurei a tua mão, não foi senão por amor!, amor que requereu-me um resgate, resgate cujo objeto é esta guerra e talvez a minha vida. Seja; amei-te e amo-te, e o Fuhrer ou a ciumenta Morte não hão de abalar isto, macular este mármore; ainda que implodam todos os mármores e monumentos da Itália, ainda que despedacem o céu em meu encalço e desçam comigo ao Sheol.

Aqui combatemos com fuzis M1 Garand americanos. Paralisados em nosso avanço, numa missão que a censura não permite nomear, peguei minha faca e com sua lâmina virgem risquei na coronha de meu fuzil o seu nome. E passaram a ter mais paixão e alcance os meus disparos. E se algum dia este fuzil passar a outras mãos, aquele que o empunhar saberá que há uma Marília no mundo, e há ou houve alguém que a amou – e isso é um rascunho de eternidade. Mesmo que eu morra um fuzil chamado Marília combaterá para livrar o país de Marília, a cidade de Marília e o coração de Marília.

Enfurnado no fundo de uma trincheira não há muito em que pensar. Amanhã, quando for matar tedescos (na carta de dezembro já lhe expliquei que aqui, por influência dos italianos, nós chamamos os alemães de tedescos), penso se matarei algum descendente de Schopenhauer, Hegel ou Kant. E será estanho assassiná-los, como ainda me espanta ter que combatê-los. E penso em meus livros de filosofia alemã em francês, que fim terão se eu morrer. Mamãe os queimará ou deitará fora? Diga-lhe para vendê-los no alfarrábio do senhor turco.
Se você lesse em francês ou tivesse intenção de aprender a língua, por certo deixaria tudo para ti. Mas não lhe apraz o aprendizado de línguas estrangeiras, e bem faz: elas é que devem estropiar-se para compreendê-la, ó pequena luz de tudo.
Você é o meu portentoso deus, o objeto de eleição de minha fé, raio e circunferência da religião que criei; aquilo que arbitrariamente sacralizo, meu lancinante talho na aorta da Realidade – platônicanarquica faca tomando o lugar do cosmocorpo que ela mata; mas o estranho deus dos judeus, do qual você tanto fala na última carta, talvez seja o único que realmente exista.

Nunca voltarei. Seja feliz com o Marco.

Meu último poema. Se eu pudesse, enfeixá-lo-ia para compor um livro, com todos os demais poemas dos quais você é a musa. Mas você os tem: livro dentro de um livro. Pois ao fim e ao cabo, todo deus é uma biblioteca. Mas não quero confundi-la.
Como sempre, nada como seus amados Bilac e Oliveira, mas mais para os franceses de que lhe falei. 
Adeus.


Batalha para alcançar Marília (poema 32)

Tuas palavras caíam no chão ribombantes
como granadas de sândalo:
eu avançava nu como quem sonha

Teus olhos congelavam o entorno, deusa:
moscas, sonhos, oxigênio
tudo era teu
ó mínimo-coração-do-mundo

A metralha tedesca cantarolava
mas seus atiradores e balas eram sombras
apresadas e impotentes na caverna platônica

Pois tu(a) é a Guerra, Minerva:
Tua boca era a bandeira a capturar, Marília, Valkíria,
como a piscina de hidromel sita no coração de Valhala
samadhi nirvana aniquilação íris de cada um
dos mil olhos de Brahman


Sammis Reachers

Do livro Poemas da Guerra de Inverno, segunda edição 

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

POEMAS DA GUERRA DE INVERNO: Segunda edição impressa, revista e acrescida com novos poemas



Publicado em formato de livro eletrônico em meados de 2012, a primeira edição deste livro já surgiu com duas ausências, um poema (Thor Odinson) que havia ficado perdido e inacabado na pasta de rascunhos de meu celular, e o pequeno Batalha de Guadalcanal (publicado posteriormente em meu livro DEUS AMANHECER).
Somados a outros poemas escritos no período imediatamente posterior à primeira edição, poemas de fundo marcial, viciados pelo mesmo élan existencialista dos demais, me pareceu oportuno publicar esta segunda edição revista e acrescida, acatando sugestão que primeiramente partiu de meu amigo poeta, Francisco Carlos Machado. E agora, na forma de livro impresso.
Os novos poemas enxertados no corpus desta dor: Thor Odinson, Batalha de Guadalcanal, Enterrem meu coração na curva do rio, A Morte do Berserker; três poemas de um pequeno ciclo ulisseano, Odisseu: Aproximações, Hino Combatente e Bloomsday Confraria (todos já publicados em blogs e redes sociais); E ainda os textos inéditos: Grande Guerra Patriótica – Poslúdio: A Morte do Camarada Arkhady, Legio Patria Nostra e Carta do Pracinha Dirceu para a jovem Marília.
O poema Sobre a Fênix Assassinada, que faz uso de cores em sua expressão, originalmente fechava a seção Omnia Funera, mas aqui precisou ser realocado para a contracapa do livro, pois seria impraticável publicá-lo em cores, no miolo do volume.
Falei do livro DEUS AMANHECER. Agora ocorreu-me algo: se aquele é um livro sobre a Vida, este seria um livro sobre a Morte? Faltar-me-ia então o mais difícil, um livro sobre a Interseção. Mas talvez a interseção entre Vida e Morte inexista...
No mais, que posso acrescentar? Eis a Guerra, fêmea sem vulva, eis a hecatombe humana e eis a angústia primal & matricial.

O livro está à venda no site do Clube de Autores, AQUI.



sábado, 24 de novembro de 2012

Um jovem e seu burro, dois heróis da Primeira Guerra

Um jovem e seu burro, heróis da Primeira Guerra

John "Jack" Simpson Kirkpatrick nasceu em South Shields (Inglaterra) em 1892; era um rapaz solitário, sempre rodeado de animais e que desde muito jovem já começou a dar mostras de seu caráter: com apenas 13 anos salvou dois garotinhos que estavam se afogando no rio Tyne. Seu pai morreu quando tinha 17 anos e ele passou a ser o arrimo da família, sustentando a mãe e irmã. Era um exemplo de filho querido e amado.


Um jovem e seu burro, heróis da Primeira Guerra
Quando chegou aos 18, Simpson decidiu se alistar como fogueiro no navio da marinha mercante SS Yedo. Durante a viagem à Austrália deu-se conta de que aquilo não era para ele. Passava muito tempo encerrado sem ver a luz do sol, uma férrea disciplina mesmo para alguém que se adaptava facilmente às piores adversidades.
Um jovem e seu burro, heróis da Primeira Guerra
Quando chegaram a Newcastle (Austrália), desertou. Ali trabalhou cortando cana, nas minas de carvão e, sobretudo, como pastor. Apesar de não ganhar muito, seguia sempre enviando dinheiro a sua família ainda que mal sobrasse para sobreviver. Depois do início da Primeira Guerra Mundial, Jack se alistou na ANZAC (Australian and New Zealand Army Corps) e foi assentado no Corpo Médico como maqueiro. Na verdade pouco se importava com aquela guerra, para ele era só uma forma de regressar para casa no comboio da ANZAC, com o SS Medic onde foi embarcado com destino para a Europa.
Um jovem e seu burro, heróis da Primeira Guerra
Mas algo deu errado: o comboio foi desviado a Egito e em alguns meses mais tarde à Turquia. A Campanha de Galípoli, também chamada batalha dos Dardanelos, foi uma operação combinada, em forma de desembarque, entre britânicos, franceses e a ANZAC para controlar o estreito dos Dardanelos.
Um jovem e seu burro, heróis da Primeira Guerra
Quis o destino que, por algum erro de cálculo e a bisonhice dos comandos, as tropas aliadas ficassem presas entre o mar e as colinas em poder dos otomanos. O grande número de baixas obrigou a reduzir o número de maqueiros por unidade a somente dois, e Simpson, que sempre se entendeu melhor com os animais do que com as pessoas, decidiu, por sua conta e risco, que seu colega seria um burro que tinha encontrado na montanha ao qual chamou de Duffy. Com Duffy dedicou-se a levar os feridos desde a frente de batalha até a praia e quando regressava para recolher mais, levava água aos soldados.

Todos os dias, a partir das 6:30 da manhã até a noitinha, entre disparos de metralhadoras, atravessava o campo de batalha para recolher os feridos. Como agia por sua conta, inclusive dormia e comia com os soldados indianos de uma unidade de artilharia que tinham mulas, seu oficial no comando lhe ameaçou com a prisão por causa da indisciplina, mas quando viu a popularidade e respeito que Jack conquistara entre a tropa, esqueceu do assunto. Durante 24 dias, e 15 vezes ao dia, Jack e Duffy atravessaram aquele inferno até que em 19 de maio de 1915 o pior aconteceu: com 22 anos incompletos, um franco-atirador acabou com sua vida. Jack e Duffy resgataram e salvam a vida de mais de 300 soldados.
Um jovem e seu burro, heróis da Primeira Guerra
Simpson foi recomendado várias vezes para receber honrarias como a Cruz da Vitória mas, hipocritamente, a burocracia militar lhe negou todas as petições por causa de seu gênio arredio e seus atos de indisciplina. Mesmo assim, em anos posteriores e como reconhecimento a seu heróico trabalho, a imagem de Jack e Duffy e um soldado ferido apareceram grafados em selos, cédulas e moedas e em abril de 2011, o Governo australiano anunciou que Simpson seria um dos militares examinados em um inquérito sobre "Reconhecimento não resolvido para atos militares heróicos do passados". O tribunal para este inquérito está sendo realizado para fazer recomendações sobre a concessão de condecorações, incluindo a Cruz da Vitória britânica e australiana.


Leia mais em: Um jovem e seu burro, heróis da Primeira Guerra (5 fotos) - Metamorfose Digital http://www.mdig.com.br/index.php?itemid=23980#ixzz2CoCcGEyZ

domingo, 28 de outubro de 2012

O GUETO DE KOVNO


Vista da Rua Krisciukaicio no Gueto de Kovno

O Gueto

Gueto de Kovno, Lituânia, 1941

"Temo somente uma coisa:
Não ser digno de meu tormento."
Dostoievski


A ajuda saiu de lugar nenhum,
andou pela estrada do nada
e nunca chegou até aqui.

Mas
mas, sobretudo
sobretudo há
há uma glória negra
uma glória negra
em ser o último homem da terra,
em estar
no último lugar da terra,
Ilha do Esquecimento,
cercado de noite e morte
por todas as portas.

Há uma glória secreta e negra
em ter sido abandonado
por tudo o que existe.

Sammis Reachers, no livro Poemas da Guerra de Inverno  

*Como o famoso Gueto de Varsóvia, ao longo da guerra foram estabelecidos diversos guetos nos países conquistados pelas forças alemãs. O Gueto de Kovno foi um gueto estabelecido pela Alemanha Nazista para conter os judeus lituanos de Kaunas durante o Holocausto. Em seu auge o gueto deteve 40.000 pessoas, a maioria das quais foram posteriormente enviadas para campos de concentração e extermínio, ou fuziladas no IX Forte.  Os lituanos, aliados dos alemães por desejarem verem-se livres do domínio soviético, participaram ativamente na caça e execução dos judeus de seu próprio território.
(Com informações de Wikipédia e outras fontes.)
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...