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quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Fim de uma era para a Enciclopédia Britânica


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Em 1768, um artista escocês que fazia gravuras, chamado Andrew Bell, e um gráfico chamado Colin Macfarquhar colocaram tinta no papel para criar três volumes indexados conhecidos como Enciclopédia Britânica.
A editora de Chicago disse que, no lugar disso, vai se concentrar em vender as enciclopédias para assinantes através do seu site ou via aplicativos para tablets e smartphones.Na terça-feira, a Encyclopaedia Britannica Inc. disse que vai parar de imprimir sua famosa enciclopédia, um sinal de como os leitores têm abandonado livros de referência impressos, trocando-os por websites, como Wikipédia e Google.
"Esse não é um dia triste para a Britannica", afirmou Jorge Cauz, presidente da Encyclopaedia Britannica. "Nós somos uma empresa completamente digital."
A Britannica, que ao longo dos anos teve colaboradores como Marie Curie, Albert Einstein e Henry Ford, disse que as vendas de volumes impressos atingiram o pico em 1990, quando ela vendeu 120.000 conjuntos. Desde então, as vendas vêm caindo vertiginosamente: em 2010, a empresa imprimiu somente 12.000 conjuntos, sendo que 3.500 ainda não foram vendidos. Cada conjunto, composto de 32 volumes da Enciclopédia Britânica custa, em média, US$ 1.500 nos Estados Unidos.
A ideia de parar com a impressão dos veneráveis livros vinha amadurecendo já por uns dois anos, disse a empresa, uma vez que enciclopédias se tornaram um produto primordialmente virtual nos últimos vinte anos.
Até 2004, a empresa estava perdendo dinheiro devido à queda nas vendas de produtos impressos. Mas, desde então, ela cresceu no mercado educacional, onde agora obtém 85% de seu faturamento, vendendo programas didáticos e livros eletrônicos de matemática, ciências e humanas para o primeiro e segundo graus e outros currículos mais avançados.
Apenas 15% do faturamento da Britannica vêm de conteúdo enciclopédico. A empresa, que tem capital fechado, não quis divulgar os seus lucros, mas disse que vem se mantendo lucrativa nos últimos oito anos e que gera "milhões de dólares" por ano. Apenas 1% da sua receita vem da venda de enciclopédias impressas.
Mas a empresa ainda tem um longo caminho pela frente até conseguir uma presença virtual próxima à da Wikipédia, a enciclopédia gratuita mantida pela organização sem fins lucrativos Wikimedia Foundation. A Wikipédia aparece como o resultado número 1 em 56% das buscas no Google, de acordo com um estudo da Intelligent Positioning Ltd., uma agência do Reino Unido que ajuda empresas a melhorarem seu tráfego na internet.
Além disso, o banco de dados da Britânica é significativamente menor do que o da Wikipédia, disse Cauz. Entre 1,2 e 1,5 bilhões de buscas on-line mensais pedem por conteúdos disponíveis nas páginas da Enciclopédia Britânica, mas menos que 0,5% destas buscas levam, de fato, aos sites da Britânica, disse ele. Mesmo assim, Cauz está otimista com o fato de a empresa ter mantido sua lucratividade, apesar do seu ranking baixo das pesquisas do Google.
"Nós estamos colocando mais conteúdo gratuito na internet para, assim, conseguirmos atrair aqueles que buscam conhecimento casualmente", afirmou.
A empresa já tirou outras páginas do livro da Wikipédia. A Britânica permite que seus leitores façam inclusões nos artigos da enciclopédia, que são, então, publicados pelos editores após um processo de revisão.
A Wikipédia não estava disponível para comentários na terça-feira.
Cerca de 500.000 lares assinaram para poder acessar o conteúdo completo da Enciclopédia Britânica, e mais de 100 milhões de pessoas têm acesso à enciclopédia em escolas, livrarias e universidades, disse a Britânica.

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Argentina homenageia Borges, um gênio da literatura sem Nobel



Texto originalmente publicado em AFP
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BUENOS AIRES — Ao completar um quarto de século da morte do escritor Jorge Luis Borges, a Argentina evoca seu gênio e sua obra, citada entre os clássicos da literatura universal, embora sua eterna candidatura ao Prêmio Nobel tenha sido frustrada, aparentemente por suas posturas políticas.
“Deixou tanto, mas tanto, que seu legado ainda está se acomodando entre nós”, resumiu o premiado escritor argentino Ricardo Piglia (“Blanco Nocturno”) sobre a obra de Borges, morto há 25 anos na cidade suíça de Genebra, aos 86 anos.
As homenagens por ocasião do aniversário de falecimento se multiplicaram esta terça-feira de Buenos Aires a Veneza, onde a viúva do escritor, Maria Kodama, inaugurou um espaço em sua memória na forma de um labirinto, uma das obsessões na vasta obra do poeta, narrador e ensaísta.
Dezenas de escritores e leitores lembraram o autor de “O Aleph” na praça San Martín, no centro, um de seus lugares preferidos na capital argentina, e no centro cultural que leva seu nome na mesma cidade foi aberta a exposição “Histórias de um universo escrito”.
Considerado um dos maiores escritores em língua castelhana depois de Miguel de Cervantes Saavedra, Borges começou sua prolífica carreira em 1923, aos 24 anos, com seu livro de poemas, “Fervor de Buenos Aires”, e se encerrou em 1985, um ano antes de sua morte, também com a poética de “Os conjurados”.
Nesse período de 62 anos, o autor de “Ficções” publicou mais de 30 livros nos gêneros ensaio, poesia e narrativa, que foram traduzidos para 25 idiomas, além de escrever centenas de artigos em jornais e revistas.
Sua influência na literatura deu origem ao chamado “estilo borgeano”, que deixou sua marca em autores de língua inglesa como Ian McEwan, Martin Amis, Salman Rushdie e em latino-americanos como o chileno Roberto Bolaño, o mexicano Carlos Fuentes e em seu compatriota, Julio Cortázar.
“Há algo de libertador na escrita de Borges; é o puro prazer do jogo de abstração literária”, disse McEwan (“Sábado” e “Amor sem Fim”).
Córtazar afirmou, por sua vez, que “a grande lição de Borges não foi a lição temática, nem de conteúdos, nem de mecânicas. Foi uma lição de escrita. A atitude de um homem que, diante de cada frase, pensou cuidadosamente não que adjetivo colocar, mas que adjetivo tirar”.
Borges recebeu dezenas de reconhecimentos de universidades e governos e muitos prêmios como o Cervantes, o mais importante da língua espanhola, mas sua candidatura de 30 anos consecutivos ao Nobel terminou frustrada, aparentemente por suas controversas posições políticas.
Entre suas posições polêmicas, em 1976, o autor de “Livro de Areia” foi premiado pelo ditador chileno Augusto Pinochet e elogiou o regime militar argentino (1976-83), embora em 1985 tenha voltado atrás e assistiu a uma das audiências do histórico julgamento dos chefes de governo de fato.
via http://www.livrosepessoas.com

quarta-feira, 1 de junho de 2011

CPI do Tráfico de Pessoas vai investigar falsas agências de modelos na internet

"Abre a tua boca a favor do mudo, pela causa de todos que são designados à destruição." Pv 31.8
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[Senadora Marinor Brito preside reunião da CPI do Tráfico de Pessoas]
A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Tráfico de Pessoas deve abrir investigações sobre atividades de recrutamento de modelos por meio da internet. O objetivo é examinar indícios de envolvimento de agências de recrutamento que na verdade atuam na prostituição de mulheres.
A informação foi dada pela senadora Marinor Brito (PSOL-PA), relatora da CPI, nesta terça-feira (31). Com o apoio de dois policiais federais que estão agora assessorando os trabalhos, a comisão deve traçar ainda na próxima semana um roteiro para as investigações.
- Deveremos identificar as falsas agências de modelo e apurar is indícios de que estejam usando a internet para fins de exploração sexual na modalidade tráfico - disse a senadora.
Marinor recebeu a sugestão para investigar anunciantes e sites do presidente da SaferNet Brasil, Thiago Tavares de Oliveira, um dos convidados da audiência realizada nesta terça pela CPI. Thiago Oliveira citou uma lista de cerca de 700 sites de recrutamento de modelos que, de forma anônima, foram denunciados à SaferNet. Segundo ele, as falsas agências de modelo não possuem sede nem endereço fixo - só operam pela internet.
- Já temos contas de email suspeitas de serem usadas pelas supostas agências para aliciar jovens tanto para o tráfico interno quanto internacional associado à exploração sexual - disse Thiago Oliveira.
A SaferNet, que colaborou com os trabalhos da encerrada CPI da Pedofilia, se colocou à disposição da comissão que agora investiga indícios de crime de tráfico de pessoas - normalmente associado à exploração sexual e a trabalhos forçados, mas que também está relacionado ao tráfico de órgãos humanos. Thiago Oliveira disse que a CPI anterior não chegou a entrar no exame das denúncias relacionadas a tráfico, mas que agora pode ser a oportunidade para a quebra dos sigilos telemáticos, requisito para a identificação dos aliciadores.
O presidente da SaferNet explicou que os anúncios na internet costumam utilizar o código "ficha rosa" quando querem indicar que estão recrutando modelos para participar de eventos (feiras, congressos e festas fechadas, por exemplo) que, ao mesmo tempo, fiquem disponíveis para programas sexuais. Jovens que desconhecem o sentido da expressão 'ficha rosa' são atraídas pelos anúncios acabam se tornando vítimas de situações inesperadas e abusos.
Gorette Brandão / Agência Senado

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Sarney apresenta proposta para novo referendo sobre desarmamento nesta terça-feira

BRASÍLIA - Diante da tragédia na Escola Municipal Tasso da Silveira , o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), vai apresentar nesta terça-feira aos líderes partidários proposta para a realização de um novo referendo sobre o desarmamento. A ideia é debater com os líderes a votação de um projeto de lei que estabeleça nova consulta à população sobre a proibição de vendas de arma de fogo no país. Na última sexta-feira, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) defendeu a retomada da discussão sobre o desarmamento e sugeriu a convocação de um novo referendo .



Sarney afirmou que a intenção é votar de imediato a matéria:
- Desde o princípio, tenho dito a vocês que acho possível e acho que temos que tomar uma iniciativa nesse sentido. Vou tratar disso na próxima reunião com os líderes dos partidos para ver se nós imediatamente temos condições de votar uma lei modificando o que foi decidido no referendo, e fazendo um novo referendo - afirmou o parlamentar.
Em 23 de outubro de 2005, foi realizado um referendo sobre o tema. A maioria dos votantes (59 milhões de pessoas, o equivalente a 64% dos votos válidos) optou por não proibir o comércio de armas e munições.
- O Rui Barbosa dizia que só quem não muda são as pedras. O que não se deve é mudar do bem para o mal e do mal para o pior. Nós estamos mudando do mal para o bem, de maneira que eu acho que a população vai ser sensível - assinalou o presidente do Senado.
O presidente do Senado também apoiou a proposta do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo , de debater com organizações não governamentais a antecipação da Campanha Nacional pelo Desarmamento, prevista para junho. Segundo ele, toda iniciativa para promover e criar a consciência contra o desarmamento é bem-vinda.
- Acho que qualquer iniciativa no sentido de promover, de criar uma consciência nacional contra o desarmamento, é muito bem vinda. Toda vez que temos armas no país, evidentemente que elas têm por finalidade aumentar o crime - afirmou.
'Plebiscito sobre posse de armas, só depois de debates', diz Romero Jucá
"Entrar direto num novo plebiscito sem uma prévia discussão, isso não. O plebiscito deve ser resultado de um debate". Assim o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), manifestou-se na manhã desta segunda-feira sobre a ideia de a população brasileira ser novamente convocada a decidir a respeito da posse de armas por civis.
- Eu defendo o desarmamento, acho que deve haver menos armas nas ruas. Sou a favor de uma ampla discussão desse assunto com a sociedade. Sou a favor de ampliarmos a conscientização a respeito desse assunto. Mas esse plebiscito deve acontecer apenas como resultado de um amplo debate - opinou Jucá.
ONG Viva Rio quer que o governo pague também por balas
A ONG Viva Rio vai sugerir ao governo federal que pague pelas munições, e não apenas pelas armas, a serem recolhidas na campanha do desarmamento deste ano, que inicialmente estava marcada para junho, mas será antecipada. Uma das ideias é incluir chips nas armas ainda nas fábricas.
Houve uma queda no número de armas entregues pela população. Na campanha de 2008 e 2009, que teve a participação apenas da Polícia Federal, o governo retirou do mercado apenas 30 mil armas. Entre 2004 e 2005, quando ONGs, igrejas e as polícias participaram da campanha, 459 mil armas foram recolhidas. Para Antônio Rangel, um dos coordenadores do Viva Rio, o fracasso se explica porque muita gente ainda tem receio de entregar armas diretamente à polícia:
- As pessoas precisam ser convencidas a entregar as armas, e quem faz isso são padres, pastores, médicos. A campanha tem que envolver a sociedade civil - afirmou.


via http://oglobo.globo.com

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Na “era do “e-reader” editora aposta numa revolução visual


vídeo mostra a reação das pessoas ao verem o livro Tree of Codes de Jonathan Safran Foer
Para algumas mulheres, o início da maternidade é o fim da carreira. Para outras, pode ser mais uma oportunidade. Radicadas em Londres, a dinamarquesa Britt Iversen e a francesa Anna Gerber conheceram-se no infantário dos filhos. Tornaram-se grandes amigas. Há dois anos, num jantar, começaram a falar em como “seria incrível ter uma empresa que só fizesse livros com escrita visual”, lembra Britt, ao telefone do escritório da Visual Editions.
De início, quase ninguém percebia o que queriam dizer com isso. “Ah, livros para crianças?”, perguntavam. “Depois pensavam que estávamos completamente loucas”, ri-se Iversen, que trabalhou os últimos 15 anos em publicidade. A resposta é simples: a escrita visual integra elementos visuais na narrativa. “No momento em que se tornam decorativos, deixam de ser necessários – e deixa de ser ”escrita visual” para ser só ”visual””, explica.
Começaram por reeditar um clássico. Ao longo dos séculos, “A Vida e Opiniões de Tristram Shandy, Cavalheiro” teve mais de 120 versões no Reino Unido. Nenhuma honrava a obra de Laurence Sterne, o gênio que em 1759 lançou os primeiros volumes de uma série tão louca como moderna. “Queríamos mostrar que existe uma tradição muito forte deste tipo de livros”, diz Britt Iversen. Mas o segundo título que deram à estampa é que causou verdadeira sensação. Os primeiros 10 mil exemplares esgotaram em seis semanas – apesar do formato de bolso e do preço: 30€
O manuscrito esculpido O autor americano Jonathan Safran Foer foi uma escolha evidente para assinar o primeiro original da Visual Editions. Há anos que incorporava elementos visuais em edições tradicionais como a de “Extremamente Alto, Incrivelmente Perto” (Quetzal). Anna e Brit disseram-lhe que publicariam aquilo que ele quisesse. Só havia um senão: não podiam pagar-lhe. Ele nem hesitou. Há anos que alimentava a ideia de esculpir um livro de outro.
Foer escolheu “The Street of Crocodiles” de Bruno Schulz, um dos seus escritores favoritos. Imprimiu uma série de cópias e começou a recortar. O objetivo, explicado num vídeo disponível no site da Visual Editions, era encontrar uma história dentro da história. “A experiência de ler o livro muda à medida que se avança”, acrescenta. “Espero que contribua para a discussão do que é possível fazer com a literatura e com o papel.”
This is a sneak peak at our second book. It's called "_Tree of Codes_":/tree-of-codes and it's by Jonathan Safran Foer. It's "available to buy":/our-books now. "The Boston Phoenix":http://thephoenix.com/BLOGS/pageviews/archive/2010/10/19/digitize-this-jonathan-safran-foer-s-crazy-new-book.aspx called it Safran Foer's "Crazy New Book". We liked that.
imagem de uma das páginas de Tree of Codes
Só uma gráfica na Bélgica aceitou o desafio de o produzir. O processo é tão complicado que são necessários três meses para imprimir cada leva de exemplares. “Mas essa também é a beleza do livro”, avança Anna, professora de design gráfico, que se juntou mais tarde à conversa, “É um livro aparentemente impossível de produzir, que vem com a sua própria história. A segunda edição já está disponível.
Regresso ao futuro Só daqui a 12 meses é que as duas empreendedoras vão perceber se o plano de negócios que levaram mais de um ano a conceber resulta. Têm mais dois livros a caminho. “Composition #1″ deverá sair em Maio. É a reedição de um título dos anos 60, o primeiro livro de sempre feito de páginas soltas dentro de uma caixa. “O leitor tem grande controlo sobre a forma como lê”, diz Britt. Para “A Collection of Short Uncanny Stories” ainda não há data de publicação, mas há conceito: um original feito a partir de histórias infantis que deram para o torto. O objectivo é publicar quatro títulos por ano, cada um da forma que melhor se adeque à história. Até pode ser no iPad.
Livros à venda em visual-editions.com
Fonte: IOnline

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Beachionary – Mapas e descrições das praias no mundo


beachionary.com é um projeto com um grande objetivo: chegar a ser o maior diretório de praias no mundo todo.
Podemos ler detalhes sobre a estrutura existente em cada praia, ver opiniões, desfrutar de fotos.. tudo com a opção de dar nossas sugestões para ampliar o banco de dados do sistema.
Ainda que no momento não tem muitos dados incluídos, a facilidade de uso e o design limpo e intuitivo podem fazer do beachionary todo um sucesso na sua categoria.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Lançado RPG on-line com aventuras bíblicas


A Bíblia também virou entretenimento lúdico. Uma produtora de jogos alemã, chamada FIAA GMBH, vem desenvolvendo um RPG on-line baseado nos textos e cenários bíblicos. O novo game, batizado The Bible Online, é inspirado no livro de Gênesis. 

O primeiro de uma série de capítulos da aventura foi lançado como piloto, em setembro passado, sob o títuloHeroes (Heróis). Nessa fase, os jogadores deverão cumprir as missões de Abraão em busca da Terra Prometida (Canaã). Para isso, terão de construir e manter suas tribos nômades, prover os recursos e alimentos, além de entrar em batalha com outros povos tribais até chegar ao destino traçado. 

Para iniciar o jogo, também disponível em inglês, basta fazer um cadastro gratuito no site www.bibleonlinegame.com

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

O Homem Mais Perigoso do Ciberespaço

Jacob Appelbaum – o hacker norte-americano por trás do WikiLeaks – luta contra regimes opressores no mundo inteiro. Agora, está fugindo do governo de seu próprio país 


Por Nathaniel Rich

Foto: Peter Yang
Jacob Appelbaum no coletivo de hackers de Noisebridge, que ele fundou antes de o FBI começar a segui-lo
Jacob Appelbaum no coletivo de hackers de Noisebridge, que ele fundou antes de o FBI começar a segui-lo
 
 



 
Em 29 de julho, ao voltar de uma viagem para a Europa, Jacob Appelbaum, um rapaz magro e despretensioso de 27 anos, usando uma camiseta preta com o slogan "be the trouble you want to see in the world" ["seja o problema que você quer ver no mundo"], foi detido na alfândega por um grupo de agentes federais. Em uma sala de interrogações no aeroporto Newark Liberty, em Newark, foi questionado sobre seu papel no WikiLeaks, o grupo denunciador que expôs os relatórios de inteligência mais bem guardados do governo norte-americano sobre a guerra no Afeganistão - e que, a cada dia, libera mais documentos na rede. Os agentes fizeram cópias de seus recibos, apreenderam três de seus celulares - ele tem mais de uma dúzia - e confiscaram seu computador. Eles o informaram que estava sob vigilância do governo, questionaram sobre o calhamaço de 91.000 documentos militares confidenciais que o WikiLeaks havia divulgado na semana anterior, um vazamento que Daniel Ellsberg, ativista da era do Vietnã, chamou de "a maior divulgação não autorizada desde os Papéis do Pentágono". Exigiram saber onde Julian Assange, fundador do WikiLeaks, estava se escondendo, pressionaram para saber sua opinião sobre as guerras no Afeganistão e no Iraque. Appelbaum se recusou a responder. Depois de três horas, finalmente foi liberado.

Appelbaum é o único membro norte-americano conhecido do WikiLeaks e o líder evangelista do programa de software que ajudou a possibilitar o vazamento. De uma certa maneira, é uma versão bizarra de Mark Zuckerberg: se a ambição do Facebook é "tornar o mundo mais aberto e conectado", Appelbaum vem dedicando a vida a lutar pelo anonimato e pela privacidade. Um garoto de rua anarquista criado por um pai viciado em heroína, abandonou a escola, aprendeu sozinho as minúcias do código e desenvolveu uma paranoia saudável ao longo do caminho. "Não quero viver em um mundo onde todos são observados o tempo inteiro", diz. "Quero ficar sozinho o máximo possível. Não quero que um rastro de dados conte uma história que não é verdadeira." Transferimos nossas informações mais íntimas e pessoais - contas bancárias, e-mails, fotos, conversas por telefone, históricos médicos - para redes digitais, confiando que está tudo trancado em alguma cripta secreta, mas Appelbaum sabe que essas informações não são seguras. Ele sabe porque consegue encontrá-las.


Demonstra isso quando o encontro, no segundo trimestre, duas semanas antes de o WikiLeaks virar manchete no mundo inteiro ao divulgar um vídeo mostrando soldados dos EUA matando civis no Iraque. Visito seu duplex cavernoso em São Francisco. Os únicos móveis são um sofá preto, uma poltrona preta e uma mesa baixa preta: uma máscara de Guy Fawkes está pendurada em uma parede da cozinha. O chão está coberto de sacos Ziploc com maços de dinheiro estrangeiro: pesos argentinos, francos suíços, leis romenos, dinars iraquianos antigos com o rosto de Saddam Hussein. O saco marcado "Zimbábue" contém uma única nota de $50 bilhões. Fotos, a maioria delas tirada por Appelbaum, cobrem a parede sobre sua mesa: garotas punk em poses sedutoras e um retrato do falecido pai, um ator, vestido como um personagem.


Appelbaum me conta sobre um de seus feitos menos impressionantes em hacking, um programa de software que inventou, chamado Blockfinder. Diz que não foi especialmente difícil de gravar. Na verdade, a palavra que usa para descrever a complexidade do programa é "trivial", um adjetivo cada vez menos usado que ele e seus amigos hackers empregam, como em "Disparar o firewall chinês é trivial" ou "É trivial acessar qualquer conta do Yahoo utilizando ataques de solicitação de senha". Tudo o que o Blockfinder faz é permitir que você identifique, contate e possivelmente invada cada rede de computador no mundo.


Ele me leva até um de seus oito computadores e aperta várias teclas, ativando o Blockfinder. Em menos de 30 segundos, o programa lista todas as alocações de endereço de protocolo internet no mundo - provavelmente lhe dando acesso a cada computador conectado à internet. Appelbaum decide se concentrar em Burma, um pequeno país com um dos regimes mais repressores do mundo. Digita o código de país de duas letras de Burma: "mm", para Mianmar. O Blockfinder instantaneamente começa a cuspir todo endereço IP em Burma.


O Blockfinder informa a Appelbaum que há 12.284 endereços IP alocados em Burma, todos eles distribuídos por provedores de internet controlados pelo governo. Em Burma, como em muitos países fora dos Estados Unidos, o acesso à internet passa pelo Estado. Appelbaum pressiona algumas teclas e tenta se conectar a cada sistema de computação em Burma. Apenas 118 respondem. "Isso significa que praticamente todas as redes em Burma estão bloqueadas para o mundo externo", afirma. "Exceto 118 delas." Esses 118 sistemas de computação sem filtro só poderiam pertencer a organizações e pessoas a quem o governo conceda acesso ilimitado à internet: políticos de confiança, os mais altos escalões de empresas estatais, agências de inteligência.


"Agora, esta", diz Appelbaum, "é a parte boa".


Ele seleciona uma das 118 redes aleatoriamente e tenta entrar nela. Uma janela abre pedindo uma senha. Appelbaum joga a cabeça para trás e dá uma risada alta - uma gargalhada alegre, quase maníaca. A rede roda em um roteador Cisco Systems e está cheia de vulnerabilidades. Invadi-la será trivial.


É impossível saber o que está do outro lado da senha. A conta de e-mail pessoal do primeiro-ministro? O servidor de rede da polícia secreta? O comando central da junta militar? Seja lá o que for, poderá estar logo na ponta dos dedos de Appelbaum.


Ele fará isso?


"Eu poderia", afirma Appelbaum com um sorriso. "Mas seria ilegal, não?"


Ninguém fez mais para espalhar o evangelho do anonimato do que Appelbaum, cujo emprego normal é ser o rosto público do Tor Project, um grupo que promove a privacidade na internet através de um programa de software inventado há 15 anos pelo Laboratório de Pesquisa Naval dos EUA. Ele viaja o mundo ensinando a espiões, dissidentes políticos e ativistas de direitos humanos como usar o Tor para evitar que alguns dos regimes mais repressores do mundo rastreiem seus movimentos online. Acredita ser um absolutista da liberdade de expressão. "A única maneira de progredirmos na raça humana é através do diálogo", afirma. "Todos deviam honrar a carta de direitos humanos da ONU que diz que o acesso à liberdade de expressão é um direito universal. A comunicação anônima é uma boa forma de isso acontecer. O Tor é só uma implementação que ajuda a disseminar a ideia."


Só no ano passado, foram realizados 36 milhões de downloads do Tor. Um suspeito membro de alto escalão do exército iraniano utilizou o Tor para vazar informações sobre o aparato de censura de Teerã. Um blogger tunisiano exilado na Holanda usa o Tor para burlar a censura estatal. Durante as Olimpíadas de Pequim, protestantes chineses usaram o Tor para esconder sua identidade do governo.


O Tor Project recebeu financiamento não apenas de grandes corporações como Google e grupos de ativistas como o Human Rights Watch, mas também do exército norte-americano, que vê no Tor uma ferramenta importante para o trabalho de inteligência. No entanto, o Pentágono não ficou especialmente feliz quando o Tor foi usado para revelar seus segredos. O WikiLeaks roda no Tor, o que ajuda a preservar o anonimato de seus informantes. Embora Appelbaum seja funcionário do Tor, é voluntário do WikiLeaks e trabalha em conjunto com Julian Assange, fundador do grupo. "Não dá para subestimar a importância do Tor para o WikiLeaks", afirma Assange. "Jacob tem sido um promotor incansável nos bastidores de nossa causa."


Em julho, pouco antes de o WikiLeaks divulgar os documentos confidenciais da guerra do Afeganistão, Assange deveria fazer a palestra principal na Hackers on Planet Earth (HOPE), uma grande conferência realizada em um hotel de Nova York. Agentes federais foram vistos na plateia, presumidamente esperando Assange aparecer. Só que quando as luzes se apagaram no auditório, não foi Assange quem subiu ao palco, mas sim Appelbaum.


"Olá a todos os meus amigos e fãs em vigilância nacional e internacional", começou Appelbaum. "Estou aqui hoje porque acredito que podemos fazer um mundo melhor. Infelizmente o Julian não pôde vir, porque não vivemos nesse mundo melhor agora, ainda não chegamos lá. Queria fazer uma pequena declaração aos agentes federais no fundo da sala e para aqueles aqui na frente, e serei muito claro: eu tenho comigo, no bolso, algum dinheiro, a Declaração dos Direitos e uma carteira de motorista, e é só. Não tenho um sistema de computação, nem telefone, chaves, nenhum acesso a coisa alguma. Não há motivo absolutamente algum para me prender ou me incomodar, e caso vocês se perguntem, sou um norte-americano, nascido e criado aqui, que está descontente com como as coisas estão." Fez uma pausa, interrompida por aplausos ensurdecedores. "Citando Tron" acrescentou, "'Luto pelo usuário'".


Nos 75 minutos seguintes, Appelbaum falou sobre o WikiLeaks, pedindo a hackers na plateia para se juntarem à causa. Depois, as luzes se apagaram e Appelbaum, com o capuz cobrindo o rosto, pareceu ser escoltado para fora do auditório por um grupo de voluntários. Só que, no lobby, o capuz foi retirado, revelando um rapaz que não era Appelbaum. O verdadeiro Appelbaum havia fugido pelos bastidores e saído do hotel por uma porta de segurança. Duas horas depois, estava em um voo para Berlim.


Quando Appelbaum retornou aos EUA, 12 dias depois, e foi detido em Newark, jornais noticiavam que os documentos de guerra identificavam dezenas de informantes afegãos e possíveis desertores que estavam cooperando com as tropas norte-americanas (quando perguntado por que o WikiLeaks não revisou os documentos antes de divulgá-los, um porta-voz da organização culpou o grande volume de informações: "Não consigo imaginar alguém revisando 76.000 documentos"). Marc Thiessen, ex-redator de discursos para o ex-presidente George W. Bush, chamou o grupo de "uma empreitada criminosa" e implorou para o exército norte-americano caçá-lo como a Al Qaeda. O congressista republicano Mike Rogers, de Michigan, disse que o soldado que supostamente forneceu os documentos ao WikiLeaks deveria ser executado.


Dois dias depois, após palestrar em uma conferência de hackers em Las Vegas, Appelbaum foi abordado por alguns agentes do FBI disfarçados. "Queremos conversar por uns minutinhos", afirmou um deles. "Achamos que você pudesse não querer, mas às vezes é bom ter uma conversa para esclarecer tudo."


Appelbaum está fora do radar desde então - evitando aeroportos, amigos, estranhos e locais inseguros, viajando de carro pelo país. Passou os últimos cinco anos de sua vida trabalhando para proteger ativistas no mundo inteiro de governos repressores. Agora, está fugindo do governo de seu próprio país.


A obsessão de Appelbaum pela privacidade pode ser explicada pelo fato de que, na infância, ele não teve nenhuma. "Venho de uma família de lunáticos", conta. Seus pais, que nunca se casaram, iniciaram uma batalha de custódia antes mesmo de ele nascer e que durou dez anos. Ele passou os primeiros cinco anos de sua vida com a mãe, que diz ser uma esquizofrênica paranoide. Ela insistia que Jake havia sido molestado de alguma forma pelo pai quando ainda estava no útero. A tia conseguiu a sua guarda quando ele tinha seis anos; dois anos depois, ela o deixou em um lar infantil em Sonoma County. Foi ali, aos oito anos, que ele invadiu sue primeiro sistema de segurança. Um garoto mais velho lhe ensinou como conseguir o código PIN de um teclado de segurança: você o limpa e, da próxima vez em que um segurança digitar o código, sopra pó de giz no teclado e consegue as digitais. Uma noite, quando todos estavam dormindo, os meninos desabilitaram o sistema e fugiram do lugar. Não fizeram nada de especial - só andaram por uma quadra de softball do outro lado da rua por meia hora - mas Appelbaum se lembra nitidamente da noite: "Foi muito bom, por um momento, ser completamente livre".


Quando tinha 10 anos, o tribunal lhe mandou ir morar com o pai, de quem tinha se mantido próximo, mas logo o pai começou a usar heroína e Appelbaum passou a adolescência viajando com ele pelo norte da Califórnia de ônibus, morando em casas de grupos cristãos e abrigos para sem-teto. Ocasionalmente, seu pai alugava uma casa e a transformava em um esconderijo de heroína, sublocando cada quarto para amigos viciados. Todas as colheres na cozinha tinham marcas de queimadura. Uma manhã, quando Appelbaum foi escovar os dentes, encontrou uma mulher tendo convulsões na banheira com uma seringa pendurada no braço. Em uma tarde, ao voltar da escola, encontrou um bilhete de suicídio assinado pelo pai (Appelbaum o salvou de uma overdose naquele dia, mas o pai morreu anos depois em circunstâncias misteriosas). A situação chegou a um ponto de ele não conseguir nem sentar no sofá com medo de ser furado por uma agulha.


Um estranho na própria casa, Appelbaum adotou a cultura outsider. Assombrava o shopping de Santa Rosa, pedindo trocados, vestia-se de drag queen e com camisetas escritas "i love satan", tingia o cabelo de roxo, provocava brigas com cristãos fundamentalistas e dava amassos em meninos na frente da escola (Appelbaum se identifica como "viado", embora mencione uma dezena de namoradas em vários países). Quando o pai de um amigo estimulou seu interesse em computadores e lhe ensinou ferramentas básicas de programação, algo se abriu para Appelbaum. Programar e hackear lhe permitiram "sentir que o mundo não era um lugar perdido. A internet é o único motivo para eu estar vivo hoje".


Aos 20 anos, ele se mudou para Oakland e eventualmente começou a fornecer segurança tecnológica para a Rainforest Action Network e o Greenpeace. Em 2005, poucos meses após a morte do pai, viajou sozinho para o Iraque - atravessando a fronteira a pé - e configurou conexões de internet via satélite no Curdistão. Após o furacão Katrina, dirigiu até Nova Orleans, utilizando documentos falsos de imprensa para passar pela Guarda Nacional, e configurou hot spots sem fio em um dos bairros mais pobres da cidade, para permitir que os refugiados se inscrevessem para casas na FEMA [
agência norte-americana de gerenciamento de emergências].

Ao voltar para casa, começou a experimentar com os cartões de tarifa utilizados pelo sistema de trânsito Bay Area Rapid Transit e descobriu que era possível fazer um cartão ter tarifa ilimitada. Em vez de tirar proveito, alertou oficiais da BART sobre suas vulnerabilidades. Entretanto, durante a conversa, Appelbaum descobriu que a BART armazenava permanentemente as informações codificadas em cada cartão de trânsito - número de cartão de crédito utilizado, onde e quando foi passado - em um banco de dados privado. Ficou indignado. "Guardar essas informações é uma irresponsabilidade", afirma. "Pago impostos e não tive escolha sobre como eles armazenam esses dados. Não é uma decisão democrática, e sim uma diretriz burocrática."


Por causa de suas preocupações com a privacidade, é fácil ver por que Appelbaum foi atraído pelo Tor Project. Ele se voluntariou como programador, mas logo ficou claro de que sua maior habilidade é o proselitismo: ele projeta a mistura perfeita de entusiasmo e medo. "Jake pode fazer uma defesa melhor do que a maioria", conta Roger Dingledine, um dos fundadores do Tor. "Ele diz: 'Se alguém estivesse te procurando, é isso o que faria', e mostra para a pessoa. Ela fica apavorada."


A internet, uma vez considerada uma força implacável de liberalização e democratização, virou a ferramenta essencial para vigilância e repressão. "Não dá para retratar informações depois que elas são divulgadas", diz Appelbaum, "e são necessárias pouquíssimas informações para arruinar a vida de alguém". Os perigos da web podem ser abstratos para a maioria dos norte-americanos, mas para uma boa parte do mundo, visitar websites restritos ou dizer algo polêmico em um e-mail pode levar a prisão, tortura ou morte.


No ano passado, cerca de 60 governos proibiram seus cidadãos de acessar livremente a internet. Há rumores de que a China tenha uma equipe de mais de 30 mil censores que excluíram centenas de milhões de websites e bloquearam uma gama excêntrica de termos - não apenas "Falun Gong" [
grupo que partica atividades físicas e de metitação em busca do equilíbrio - e que é contra o Partido Comunista da China], "opressão" e "Tian'anmen" [referência à Praça da Paz Celestial], mas também "temperatura", "quente", "estudo" e "cenoura".

Em uma tarde ensolarada em São Francisco, antes de o WikiLeaks dominar as manchetes, Appelbaum está vestindo seu uniforme habitual de hacker: botas pretas, meias pretas, calças pretas, óculos pretos de aro grosso e uma camiseta com slogan (a de hoje é "fuck politics - i just want to burn shit down" [
"foda-se a política, quero queimar tudo"]). Embora seu trabalho o faça ficar sentado na maior parte do dia, ele raramente fica quieto. Frequentemente pula e executa uma série de alongamentos acrobáticos rápidos. Levanta a perna contra a parede, estala o pescoço violentamente, estica o braço sobre o peito e, da mesma maneira repentina, senta novamente.

Explica que temos de tomar um táxi para pegarmos sua correspondência. Como ao ser um vegano rígido ou um mórmon, uma vida de anonimato total exige muito sacrifício. Você não pode, por exemplo, receber correspondências em casa, nem listar seu nome na lista do edifício. Todas as cartas para Appelbaum são enviadas para uma caixa postal privada, onde um balconista as recebe. Isso permite que Appelbaum - e os dissidentes e hackers com os quais lida - use o sistema postal anonimamente. A Pessoa 1 pode enviar um pacote para Appelbaum, que pode reembalá-lo e encaminhá-lo à Pessoa 2. Assim, a Pessoa 1 e a Pessoa 2 nunca têm contato direto - nem conhecem a identidade uma da outra.


O Tor funciona de maneira semelhante. Quando você usa a internet, seu computador faz uma conexão com o servidor web que deseja contatar. O servidor reconhece seu computador, anota seu endereço IP e envia a página solicitada. No entanto, não é difícil para uma agência governamental ou um hacker mal-intencionado observar toda essa transação: eles conseguem monitorar o servidor e ver quem está contatando, ou monitorar seu computador e ver quem você está tentando contatar. O Tor evita essa espionagem online ao introduzir intermediários entre seu computador e o sistema que está tentando alcançar. Digamos, por exemplo, que você mora em São Francisco e quer enviar um e-mail para um amigo, um militar de alto escalão da Guarda Revolucionária Iraniana. Se enviar um e-mail diretamente para o amigo, a rede da Guarda poderá facilmente ver o endereço IP do seu computador e descobrir seu nome e informações pessoais. Mas se você instalou o Tor, seu e-mail é roteado para um de 2.000 relays - computadores que rodam Tor - espalhados pelo mundo. Então, sua mensagem vai para um relay em Paris, que o encaminha para um segundo relay em Tóquio, que o envia para um terceiro relay em Amsterdã, de onde é finalmente transmitido para seu amigo em Teerã. A Guarda Iraniana só pode ver que um e-mail foi enviado de Amsterdam. Qualquer pessoa que espia seu computador só veria que você enviou um e-mail para alguém em Paris. Não há conexão direta entre São Francisco e Teerã. O conteúdo de seu e-mail não está oculto - para isso, é necessária tecnologia de criptografia - mas sua localidade está segura.


Appelbaum passa uma boa parte do ano comandando sessões de treinamento do Tor em todo o mundo, frequentemente realizadas em segredo para proteger ativistas sob risco de morte. Alguns, como os defensores de prostitutas do Sudeste Asiático que ensinou, tinham conhecimento limitado em computadores. Outros, como um grupo de estudantes que Appelbaum treinou em um seminário no Qatar, são altamente sofisticados: um trabalho na rede de censura do governo, outro trabalha para uma petroleira nacional, e um terceiro criou um painel de mensagens da Al-Jazeera que permite que os cidadãos façam comentários anonimamente. Na Mauritânia, o regime militar do país foi forçado a abandonar seus esforços para censurar a internet depois que um dissidente, Nasser Weddady, escreveu um guia para o Tor em árabe e o distribuiu a grupos de oposição. "O Tor fez com que os esforços do governo fossem completamente fúteis", afirma Weddady. "Eles simplesmente não tinham o know-how para combater isso."


Ao distribuir o Tor, Appelbaum não diferencia os mocinhos dos vilões. "Não sei a diferença entre uma teocracia e outra no Irã", diz. "O importante para mim é que as pessoas tenham comunicação livre de vigilância. O Tor não deveria ser considerado subversivo, mas sim uma necessidade. Qualquer pessoa em qualquer lugar deveria poder falar, ler e formar suas próprias crenças sem ser monitorada. As coisas tinham de chegar a um ponto no qual o Tor não é uma ameaça, e sim utilizado por todos os níveis da sociedade. Quando isso acontecer, venceremos."


Como o rosto público de uma organização dedicada ao anonimato, Appelbaum se vê em uma posição instável. É do interesse do Tor obter o máximo possível de publicidade - quanto mais pessoas permitirem que seus computadores sirvam de relay, melhor. Mas ele também vive em um estado de vigilância constante, preocupado que seus inimigos - hackers invejosos, regimes estrangeiros repressores, o próprio governo - estejam tentando atacá-lo. Sua concessão é utilizar um sistema de duas camadas. Ele mantém uma conta no Twitter e publicou milhares de fotos no Flickr, mas toma medidas amplas para evitar o aparecimento de qualquer informação privada - números de telefone, endereços de e-mail, fotos de amigos.


"Há graus de privacidade", afirma. "O normal hoje em dia é denunciar conspicuamente outra pessoa de uma maneira que nem a Stasi poderia imaginar. Não faço isso. Não digito meu endereço residencial em computador algum. Pago o aluguel em dinheiro. Para cada conta online, gero senhas aleatórias e crio novos endereços de e-mail. Nunca dou cheques, porque eles são inseguros - seus números de encaminhamento e de conta são o que basta para esvaziar sua conta bancária. Não entendo por que as pessoas ainda usam cheques. É uma loucura."


Quando viaja, se o laptop fica fora de vista por qualquer período de tempo, ele o destrói e joga fora; a preocupação é que alguém possa tê-lo infectado. Frequentemente é levado a medidas extremas para fazer cópias do Tor passarem pela alfândega em países estrangeiros. "Estudei como as 'mulas' que transportam drogas fazem", conta. "Quero derrotá-los no próprio jogo." Ele me mostra uma moeda de cinco centavos e a joga no chão do apartamento. Ela se abre e, dentro, há um minúsculo cartão de memória Micro SD de oito gigabytes, que contém uma cópia do Tor.


Embora o Tor tenha crescido rapidamente, a vigilância do governo na internet se expandiu com rapidez ainda maior. "É inacreditável quanto poder uma pessoa tem se recebe acesso irrestrito aos bancos de dados do Google", afirma Applebaum.


Como rapidamente observa, os regimes opressores estrangeiros são apenas parte do problema. Nos últimos anos, o governo dos EUA está silenciosamente acumulando bibliotecas de dados sobre os próprios cidadãos. A polícia pode intimar seu provedor de internet a dar seu nome, endereço e registros telefônicos. Com um mandado de Justiça, pode solicitar o endereço de e-mail de qualquer pessoa com quem você se comunique e os websites que visita. Seu provedor de telefonia móvel pode rastrear sua localização o tempo todo. "Não é só o Estado", diz Appelbaum. "Se quisesse, o Google poderia acabar com qualquer país. O Google tem sujeira suficiente para destruir qualquer casamento nos Estados Unidos."


Mas o Google não fornece fundos para o Tor?


"Amo o Google", afirma. "E amo as pessoas lá, Sergey Brin e Larry Page são legais, mas estou apavorado com a próxima geração que assumir. Uma ditadura benevolente ainda é uma ditadura. Em algum momento, as pessoas perceberão que o Google tem tudo sobre todos, e principalmente pode ver as perguntas sendo feitas, em tempo real. Ele pode literalmente ler sua mente."


Agora, com a controvérsia do WikiLeaks, Appelbaum desapareceu, escondendo seu paradeiro até dos melhores amigos. Ele suspeita que seus telefones estão grampeados e que está sendo seguido. Uma semana depois de ser interrogado em Newark, ele me liga de um lugar anônimo, depois de meu pedido de contato ter sido passado a ele por uma série de intermediários. Percebe a ironia da situação.


"Usarei o Tor muito mais do que antes - e já usei muito", diz, com a voz incaracteristicamente sóbria. "Virei uma das pessoas que passei os últimos anos da minha vida protegendo. É melhor eu aceitar meu próprio conselho."


Tradução: Lígia Fonseca

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Os novos benefícios do café



Com seu sabor característico e uma gama de nutrientes importantes, o café é uma bebida muito comum à população brasileira, sendo a segunda mais consumida no país, após a água. Apesar das suas vantagens, porém, o café ainda poderia ser fortificado com mais nutrientes, o que auxiliaria no combate às deficiências nutritivas da população brasileira. 

Foi pensando nisso que a estudante de mestrado do Programa de Pós-graduação em Ciência de Alimentos do Instituto de Química (IQ) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Luciana Lopes Costa, elaborou a sua dissertação sobre o enriquecimento do café com ferro e zinco para buscar suprir a carência de tais minerais na dieta dos brasileiros.

"A nossa intenção era verificar se o café poderia ser um veículo adequado para a fortificação, permitindo uma absorção adequada dos minerais adicionados a sua matriz, e o resultado foi excelente", explica Adriana Farah, professora do Instituto de Química e orientadora da dissertação de Luciana. "No projeto defendido, o enfoque escolhido foi a fortificação do café em pó, porque ele é mais acessível às pessoas de baixa renda do que o café solúvel".

Para verificar a eficácia da fortificação do café em pó, as pesquisadoras testaram diversas preparações diferentes para o alimento, como com coadores de pano e em máquinas de café expresso. Os resultados apontaram uma maior absorção dos minerais quando a bebida era preparada em cafeteiras elétricas e em máquinas expressas, com 40% de aproveitamento do ferro e do zinco. "O percentual ainda não é o ideal de extração em relação ao custo-benefício da fortificação do café torrado e moído, e mais estudos precisam ser realizados no sentido de aumentar essa recuperação", relata Adriana.

De acordo com a professora, cada xícara do café fortificado atende a 20% da recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS) para a ingestão diária de ferro e de zinco. "O café que foi enriquecido no estudo foi obtido sob condições específicas para torná-lo o mais saudável possível, a ponto de preservar as suas moléculas de ácidos clorogênicos e lactonas. Elas são responsáveis pelo fato do café ser o alimento que mais contribui para a capacidade antioxidante na dieta do brasileiro, além de ser uma bebida com potenciais propriedades antidiabetes, antibacteriana e hepatoprotetora, entre outras", conclui.

SABOR IGUAL

Apesar da nova configuração nutritiva, as melhorias desenvolvidas não modificaram o sabor do café, que foi experimentado por diversos provadores. Como nenhum deles percebeu diferença, as pesquisadoras acreditam que o novo café pode vir a ter uma boa aceitação do público. Ainda assim, não existem previsões de quando o produto pode chegar ao mercado.

FONTE
Marlon Câmara - Jornalista
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