Mostrando postagens com marcador política. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador política. Mostrar todas as postagens

domingo, 21 de setembro de 2025

Graças a Deus não silenciamos nossos políticos à bala - Uma reflexão sulamericana

 


Graças a Deus somos um país civilizado.

Imagine, por um ou dois minutos, se tivéssemos a cultura barbaresca dos outros-americanos do Norte que, desde antes do grande Lincoln, costumam silenciar à bala seus grandes e pequenos homens políticos - que pensam em geral o contrário do atirador:
Já não teríamos, de há muito, Bolsonaro, enterrado ainda deputado e palhaço, não genocida;
De há muito e muito antes, estaríamos pondo velas coloridas (pretas não que ele não gosta da cor) no túmulo do bondoso Lula;
Já não haveria, veja você, um Alexandre de Moraes, um Xandão para odiarmos e amarmos conforme a crise ou o mês.
Fosse nossa Pindorama a América de George Washington, todos estariam fulminados seja por uma nossa Taurus, seja por uma Ruger deles, ou talvez uma Beretta carcamana, para demonstrar nosso não-partidarismo bairrista.
Graças a Deus que não somos aqueles.
Imagine você, PASTOR desgostoso, que perdeu a fé e o medo da sodomia lá, ainda naquele seminário, e que passa os dias defendendo Lula (ou o Bozo): O que faria sem ele? Procuraria OVELHAS para apascentar?
E você, minha amiga, mulher empoderada e feia como o diabo, que passa os dias falando mal de bolsonaristas, de Bolsonaro, dos Bolsonaros e seus babalorissauros, como faria? Procuraria finalmente um MACHO, um domador de feras, para civilizá-la?
E você poderá dizer: "Puxa, Samerson, se eles não existissem aqueles em cuja mente eles alugaram apartamentos, palácios, mansões, arrumariam algo mais ÚTIL para fazer. Seriam LIVRES. É isso que você quer dizer?" Bem, quem sabe?
Uma coisa sei: Há em mim um Bozo, há em mim um Lula, e em você também: E vamos bem, miscigenados de defeitos e bovinidade. Claro, alguns tiveram as mentes estupradas; mas, não fossem os políticos, eles arrumariam outras máscaras para fantasiar e ocupar a própria idiotice.
Porém graças, graças a Deus somos de uma outra e melhor América, fundada na dialogicidade. Como você pôde ler.

Sammis Reachers

domingo, 14 de setembro de 2025

Sammis Reachers: Dez frases sobre a POLÍTICA

 


O extremismo é um corredor veloz, mas sem pernas: precisa sempre das pernas e do lombo de um asno para avançar.


Todo extremo tem a mesma face; só muda de pele. Todo extremista, o mesmo discurso. Só mudam as palavras.

 

Foi obra da esquerda, da direita? Boas ideias não têm lado: contentam-se em ter razão.

 

É preciso dar nomes aos bois, e, antes deles e ainda mais importante, sobrenomes aos lobos.

 

Sou de centro. Vezes centro esquerda, noutros pontos centro direita. Mas sou fundamentalmente uma pessoa desagradável para os fundamentalistas, os radicais: Quando ando, é impossível ouvir o som de correntes sendo arrastadas.

 

Nenhum político merece sua seriedade. Dê-lhe o que restar.

 

Não há democracia fora do chão.

 

Política é isso aí: Tanto rabo preso que você olha e não vê nenhum CÃO, apenas as CAUDAS abanando – e as CORRENTES.

 

Inteligência é a capacidade de solucionar problemas. Sabedoria é a capacidade de evitá-los. E a Política é espúria e magistral soma das duas: Capacidade de criar problemas e lucrar com eles.

 

Além da guerra, a política é a única ocupação onde um porco pode entregar o máximo de sua porquidão. Uma arena onde ele pode ofertar o seu pior para o cosmos.



sexta-feira, 4 de julho de 2025

Juliana e o vulcão, ou a erupção de nossa tragédia política

 

Sammis Reachers

Nesta semana este país gigante e ferido de patologias genéticas que lhe embotam o raciocínio e o convívio (escolha a sigla que lhe agradar) se viu mobilizado.

Juliana Marins, niteroiense como eu, foi vítima de uma tragédia.

Mas sua tragédia pessoal/familiar revelou outras em seu bojo. Logo o país ainda polarizado se viu num embate: Onde está o presidente Lula, o Lule de tantos, que não providenciou seja o resgate do corpo vivo, seja o translado do cadáver? Pior, enviou jatinho da FAB para resgatar antiga “comparsa de falcatruas” dos tempos do Mensalão...

A monstruosidade de muitos se mostrou não na empatia com a Juliana ou seus restos mortais, mas em usar um fato trágico como artefato político, granada de concussão para tentar atordoar o outro lado.

E a monstruosidade foi prontamente respondida com outra monstruosidade (é a guerra, baby): Lula, o Lule misógino, machista e racista das massas bichas e machas, aprovou o gasto com o translado de corpos de brasileiros.

Há praticamente CINCO MILHÕES DE BRASILEIROS RESIDINDO NO EXTERIOR.

CINCO MILHÕES.

Fora os turistas.

Não, eu não quero, não posso e nem preciso pagar essa conta. Nem o país que eles escolheram deixar para sempre ou por momento.

Mas Juliana era turista. Turista de AVENTURA, que é aquele que escolhe o risco, e extrai do perigo, prazer. Sim, mesmo sabendo dos riscos, mesmo apesar dos riscos. Mesmo apesar da família, seu receoso apoio ou constrangida oposição. Ficou claro o desenho? Turista de AVENTURA. Aventurou, aventurou e morreu. Uma tragédia. Pessoal e familiar. Arthur, filho de Campina Grande e garçon em Barcelona, acaba de morrer em terras espanholas. Embolia pulmonar. Agorinha. Sua morte nos comove? Adelaide, maquiadora de Nova Iguaçu, acaba de morrer em Berna, na Suíça. Caiu de uma escada de três míseros degraus, dentro de casa. Cabeça na quina da pia. Morreu assim como todos os CINCO MILHÕES de brasileiros no exterior irão morrer, antes, durante e após você e eu.

Tudo isso é para expor o ridículo de nossa situação. O país não tem que enviar jatos da FAB, esse elefante branco e voador, com seus orelhões de dumbo ou do diabo, para resgatar criminosos “perseguidos”. E nem cadáveres, seja de trabalhadores pátrios, seja principalmente de aventureiros.

Mas bom senso desertou de nós há uma década ou quase duas, e a situação da inocente Juliana só serve para expor com toques de filme splatter o horror de nossa película. Por sinal, já ouviu nossa trilha sonora? Somos o país de Poze e Oruam, de Gusttavo Lima e de Enrique & Juliano...

Além da guerra, a política é a única ocupação onde um porco pode entregar o máximo de sua porquidão. Uma arena onde ele pode ofertar o seu pior para o cosmos.

Lula, como antes fez Bolsonaro, se mostra fraco ou porco demais: Os ventos do populismo – leia-se, desejo de reeleição, essa monstruosidade que não deveria existir – o faz lançar âncora onde quer que possa conseguir mais votos, de um bolsa-luz (na verdade, luz elétrica de graça para quem consome pouco), CNH gratuita para o pobre que pode comprar carro, mas não pagar por uma carteira (?), ao translado de corpos de aventureiros. Amanhã tem Flamengo, time de meu coração e de um terço da pátria aurirrubra: Eu e você pagamos a conta para que um fique deitado em sua casa ou casebre assistindo a Copa do Mundo de Clubes, luz e bolsas em dia, enquanto eu não posso, pois estou dando expediente no trabalho. E do trabalho, na hora apertada do almoço, assisto à comoção sobre outro aventureiro que curte a vida adoidado, não compartilhando seu prazer (justo, pois é particular), mas compartilhando sua desdita, pois pago os custos finais de sua aventura.

Esse desejo lulista de perpetuar-se no poder, pondo em risco a economia do país, é tão deletério quanto os arroubos golpistas e provincianos do idiota da aldeia Bolsonaro, outro que se revelou populista, mas tarde e sem talento, que talento no que seja sempre lhe faltou na vida.

Contra essa dualidade demoníaca de Lule x Bozo, quem se apresenta? A direita como a tupiniquim carrega em si o vírus totalitário; a esquerda outra que não a lulista é ainda mais perniciosa; os liberalóides passam do ponto: propondo Estado mínimo, querem mesmo é Estado nenhum. Marina se aquietou e aniquilou, conformada, um dos casos mais sinistros de implosão-política-sem-escândalos da história pátria. Ciro Gomes, o eterno injustiçado, não consegue falar a língua de nosso povo e até de nossas "elites", feridos todos de analfabetismo funcional (o "mal do século" brasileiro).

Primeira, segunda e terceira vias assoreadas, interditadas por lama perfumada. Precisamos de uma quarta, quinta, sexta vias. Mas de que bueiro emergiriam?

Estamos todos futricados, como diria meu pai.


*****


Sammis Reachers é escritor e editor. Paga suas contas como professor de Geografia. É licenciado também em História e em Artes Plásticas, e graduado em Biblioteconomia.


segunda-feira, 9 de setembro de 2024

Wagner Sales Entrevista: Sammis Reachers

 No dia 05/07/2024, participei de uma entrevista, ou melhor, um descontraído bate-papo com o jornalista Wagner Sales, em seu programa Wagner Sales Entrevista. A conversa versou sobre a realidade política e cultural de nosso município, São Gonçalo, bem como sobre literatura, educação e meus livros. Confira:



sábado, 16 de setembro de 2017

First They Killed My Father e Capitalismo: Uma História de Amor - Ou: A esquerda, a direita e o mal


Assisti nesta semana a dois filmes bem diferentes, dois filmes (na Netflix) para você aprender sobre SORDIDEZ.
 Em First They Killed My Father vemos a colheita maldita que foi a implantação do comunismo no Camboja, pela história real de uma família desfeita nas fazendas coletivas, alistamentos compulsórios e outras fornalhas marxistas.
Já em Capitalismo: Uma História de Amor, de Michael Moore, o alcagueta-mor do Império, vemos a sordidez inacreditável do capitalismo e seus mecanismos de vampirização e prostituição daquele que foi feito à imagem e semelhança de Deus.
Dois filmes para aprendermos sobre SORDIDEZ, sobre sistemas que em suas raízes e processos (práxis, práticas) negam o cristianismo ensinado no Sermão do Monte; para aprendermos que um outro caminho precisa ser tomado.
Recomendo que você os assista. Como gosto de provocar, são filmes para serem exibidos nas EBDs das igrejas.

Construir a justiça e viver o Sermão não são tarefas fáceis ou redutíveis a maniqueísmos; pelo contrário, são as cargas mais pesadas já dadas, a longa porta estreita que indica que, sim, um outro mundo é possível, mesmo neste rascunho traçado em pus (nosso mundo), mesmo enquanto esperamos pela nossa Pátria Celeste.


Sammis Reachers

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Carla Zambelli, líder do movimento Varre Brasil: ‘Ou param com a corrupção ou paramos o país’


Júlia Rodrigues

Quem se torna uma figura conhecida por organizar um dos grupos mais ativos no combate à corrupção fica sujeito a mais desconfortos e incômodos do que se imagina. Carla Zambelli, líder do Varre Brasil, conhece alguns – começando pela exposição familiar e pela dupla jornada de atividades. Mas tem suficiente jogo de cintura para administrá-los. “Precisei bloquear fotos e vídeos pessoais no meu Facebook, além de ter de ouvir meu namorado se queixar de que passo mais tempo nas manifestações do que com ele”, conta. “Trabalho pelo menos 44 horas semanais como gerente de projetos e, nas horas vagas, administro o movimento”.

Carla está convencida de que vale a pena. Além do Varre Brasil, ela também ajudou a fundar o NASRUAS. A seu lado, outros 50 voluntários garantem o entrosamento dos dez grupos de manifestantes que decidiram protestar unidos no dia 12 de outubro. São três as bandeiras comuns: fim do voto secreto no Congresso, adoção da lei da Ficha Limpa nas eleições de 2012 e inclusão da corrupção no rol dos crimes hediondos. Carla encara a terceira com ceticismo. “O Congresso até pode aprovar, mas qual político será condenado?”, duvida.

Os organizadores esperam reunir pelo menos 5 mil pessoas na Avenida Paulista. Carla se anima com o crescimento das mobilizações também em outros pontos do país. “Em São José dos Campos e Vila Velha, tudo indica que será grande”, exemplifica. “Estão produzindo panfletos e camisetas para divulgar o evento. No Maranhão, onde apareceram apenas 12 pessoas no dia 7 de setembro, já são esperadas cem. Estamos crescendo”.

A aversão a partidos e políticos é uma das mais fortes características dessa nova geração de descontentes. Segundo Carla, a possibilidade da fundação de um novo partido foi examinada, mas morreu no berço. “Não queremos que pareça que estamos fazendo autopromoção”, justifica. Os grupos nasceram da indignação de muitos brasileiros com a corrupção institucionalizada. Ela considera prematura a ideia de fechar a lente em determinados casos individuais. “A corrupção está instalada nos três Poderes e atinge todos os níveis de governo: federal, estadual e municipal”, afirma. Para Carla, o mensalão é mais um entre muitos escândalos. Por esses motivos, preferem concentrar-se em unanimidades nacionais. “Não podemos deixar que Paulo Maluf, José Dirceu, Antônio Palocci, José Sarney e Jaqueline Roriz fiquem impunes”, diz.

Ao contrário do ocorrido na década de 60 e no início dos anos 90, a maioria dos grupos não é formada por líderes estudantis, mas por homens e mulheres de 30 a 50 anos. “O que estamos fazendo deveria ser feito pelos estudantes”, registra. Aos 31 anos, mãe de um filho de três, decidiu assumir as rédeas do movimento por não se conformar com a apatia da juventude.

Publicamente, os políticos ignoraram os protestos de 7 de setembro. Mas há sinais evidentes de que eles temem o crescimento da ameaça. Dias depois do ato que reuniu cerca de 4 mil pessoas na Avenida Paulista, internautas com falsa identidade acessaram as páginas no Varre Brasil para espalhar a discórdia entre os militantes. “Descobrimos que os computadores usados para fazer essa picuinha eram do Congresso Nacional”, revela. Para os políticos que tentam enfraquecer o movimento, Carla manda um recado: “Não iremos desistir. Ou param com a corrupção ou paramos o país”.

Fonte: Coluna do Augusto Nunes


II MARCHA CONTRA A CORRUPÇÃO – CONTRA O VOTO SECRETO NO CONGRESSO E A FAVOR DA FICHA LIMPA.

Oportunidade perfeita para quem se arrependeu de ficar no sofá dia 7 de setembro e agora entende a importância de uma manifestação coletiva nas ruas como forma de pressão política contra a corrupção! AGORA É A HORA CIDADÃOS BRASILEIROS!

CIDADES CONFIRMADAS:
* Belo Horizonte MG – Praça da Liberdade até a Praça 7 – 14h.
* Brasília DF – Museu Nacional – 14h.
* Florianópolis SC – Trapiche Beira-Mar – 14h.
* Fortaleza CE – Praça da Imprensa rumo ao Cocó – 14h
* Recife PE – Praia de Boa Viagem – Av. Boa Viagem – Pracinha de Boa Viagem.
* Rio de Janeiro RJ – Praça da Cinelândia (em frente a camara dos vereadores/ a frente do teatro municipal) – 14h.
* Salvador BA -Concentraçao no Cristo da Barra e as 14h segue para o Palácio do Governador.
* São Luiz MA – Praça do Pescador na avenida Litorânea – 14h.
* São Paulo – Av. Paulista / MASP – 14h.
* Uberlândia MG- Praça Tubal Vilela – 14h.



Participe - Divulgue - Interaja!

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

O Homem Mais Perigoso do Ciberespaço

Jacob Appelbaum – o hacker norte-americano por trás do WikiLeaks – luta contra regimes opressores no mundo inteiro. Agora, está fugindo do governo de seu próprio país 


Por Nathaniel Rich

Foto: Peter Yang
Jacob Appelbaum no coletivo de hackers de Noisebridge, que ele fundou antes de o FBI começar a segui-lo
Jacob Appelbaum no coletivo de hackers de Noisebridge, que ele fundou antes de o FBI começar a segui-lo
 
 



 
Em 29 de julho, ao voltar de uma viagem para a Europa, Jacob Appelbaum, um rapaz magro e despretensioso de 27 anos, usando uma camiseta preta com o slogan "be the trouble you want to see in the world" ["seja o problema que você quer ver no mundo"], foi detido na alfândega por um grupo de agentes federais. Em uma sala de interrogações no aeroporto Newark Liberty, em Newark, foi questionado sobre seu papel no WikiLeaks, o grupo denunciador que expôs os relatórios de inteligência mais bem guardados do governo norte-americano sobre a guerra no Afeganistão - e que, a cada dia, libera mais documentos na rede. Os agentes fizeram cópias de seus recibos, apreenderam três de seus celulares - ele tem mais de uma dúzia - e confiscaram seu computador. Eles o informaram que estava sob vigilância do governo, questionaram sobre o calhamaço de 91.000 documentos militares confidenciais que o WikiLeaks havia divulgado na semana anterior, um vazamento que Daniel Ellsberg, ativista da era do Vietnã, chamou de "a maior divulgação não autorizada desde os Papéis do Pentágono". Exigiram saber onde Julian Assange, fundador do WikiLeaks, estava se escondendo, pressionaram para saber sua opinião sobre as guerras no Afeganistão e no Iraque. Appelbaum se recusou a responder. Depois de três horas, finalmente foi liberado.

Appelbaum é o único membro norte-americano conhecido do WikiLeaks e o líder evangelista do programa de software que ajudou a possibilitar o vazamento. De uma certa maneira, é uma versão bizarra de Mark Zuckerberg: se a ambição do Facebook é "tornar o mundo mais aberto e conectado", Appelbaum vem dedicando a vida a lutar pelo anonimato e pela privacidade. Um garoto de rua anarquista criado por um pai viciado em heroína, abandonou a escola, aprendeu sozinho as minúcias do código e desenvolveu uma paranoia saudável ao longo do caminho. "Não quero viver em um mundo onde todos são observados o tempo inteiro", diz. "Quero ficar sozinho o máximo possível. Não quero que um rastro de dados conte uma história que não é verdadeira." Transferimos nossas informações mais íntimas e pessoais - contas bancárias, e-mails, fotos, conversas por telefone, históricos médicos - para redes digitais, confiando que está tudo trancado em alguma cripta secreta, mas Appelbaum sabe que essas informações não são seguras. Ele sabe porque consegue encontrá-las.


Demonstra isso quando o encontro, no segundo trimestre, duas semanas antes de o WikiLeaks virar manchete no mundo inteiro ao divulgar um vídeo mostrando soldados dos EUA matando civis no Iraque. Visito seu duplex cavernoso em São Francisco. Os únicos móveis são um sofá preto, uma poltrona preta e uma mesa baixa preta: uma máscara de Guy Fawkes está pendurada em uma parede da cozinha. O chão está coberto de sacos Ziploc com maços de dinheiro estrangeiro: pesos argentinos, francos suíços, leis romenos, dinars iraquianos antigos com o rosto de Saddam Hussein. O saco marcado "Zimbábue" contém uma única nota de $50 bilhões. Fotos, a maioria delas tirada por Appelbaum, cobrem a parede sobre sua mesa: garotas punk em poses sedutoras e um retrato do falecido pai, um ator, vestido como um personagem.


Appelbaum me conta sobre um de seus feitos menos impressionantes em hacking, um programa de software que inventou, chamado Blockfinder. Diz que não foi especialmente difícil de gravar. Na verdade, a palavra que usa para descrever a complexidade do programa é "trivial", um adjetivo cada vez menos usado que ele e seus amigos hackers empregam, como em "Disparar o firewall chinês é trivial" ou "É trivial acessar qualquer conta do Yahoo utilizando ataques de solicitação de senha". Tudo o que o Blockfinder faz é permitir que você identifique, contate e possivelmente invada cada rede de computador no mundo.


Ele me leva até um de seus oito computadores e aperta várias teclas, ativando o Blockfinder. Em menos de 30 segundos, o programa lista todas as alocações de endereço de protocolo internet no mundo - provavelmente lhe dando acesso a cada computador conectado à internet. Appelbaum decide se concentrar em Burma, um pequeno país com um dos regimes mais repressores do mundo. Digita o código de país de duas letras de Burma: "mm", para Mianmar. O Blockfinder instantaneamente começa a cuspir todo endereço IP em Burma.


O Blockfinder informa a Appelbaum que há 12.284 endereços IP alocados em Burma, todos eles distribuídos por provedores de internet controlados pelo governo. Em Burma, como em muitos países fora dos Estados Unidos, o acesso à internet passa pelo Estado. Appelbaum pressiona algumas teclas e tenta se conectar a cada sistema de computação em Burma. Apenas 118 respondem. "Isso significa que praticamente todas as redes em Burma estão bloqueadas para o mundo externo", afirma. "Exceto 118 delas." Esses 118 sistemas de computação sem filtro só poderiam pertencer a organizações e pessoas a quem o governo conceda acesso ilimitado à internet: políticos de confiança, os mais altos escalões de empresas estatais, agências de inteligência.


"Agora, esta", diz Appelbaum, "é a parte boa".


Ele seleciona uma das 118 redes aleatoriamente e tenta entrar nela. Uma janela abre pedindo uma senha. Appelbaum joga a cabeça para trás e dá uma risada alta - uma gargalhada alegre, quase maníaca. A rede roda em um roteador Cisco Systems e está cheia de vulnerabilidades. Invadi-la será trivial.


É impossível saber o que está do outro lado da senha. A conta de e-mail pessoal do primeiro-ministro? O servidor de rede da polícia secreta? O comando central da junta militar? Seja lá o que for, poderá estar logo na ponta dos dedos de Appelbaum.


Ele fará isso?


"Eu poderia", afirma Appelbaum com um sorriso. "Mas seria ilegal, não?"


Ninguém fez mais para espalhar o evangelho do anonimato do que Appelbaum, cujo emprego normal é ser o rosto público do Tor Project, um grupo que promove a privacidade na internet através de um programa de software inventado há 15 anos pelo Laboratório de Pesquisa Naval dos EUA. Ele viaja o mundo ensinando a espiões, dissidentes políticos e ativistas de direitos humanos como usar o Tor para evitar que alguns dos regimes mais repressores do mundo rastreiem seus movimentos online. Acredita ser um absolutista da liberdade de expressão. "A única maneira de progredirmos na raça humana é através do diálogo", afirma. "Todos deviam honrar a carta de direitos humanos da ONU que diz que o acesso à liberdade de expressão é um direito universal. A comunicação anônima é uma boa forma de isso acontecer. O Tor é só uma implementação que ajuda a disseminar a ideia."


Só no ano passado, foram realizados 36 milhões de downloads do Tor. Um suspeito membro de alto escalão do exército iraniano utilizou o Tor para vazar informações sobre o aparato de censura de Teerã. Um blogger tunisiano exilado na Holanda usa o Tor para burlar a censura estatal. Durante as Olimpíadas de Pequim, protestantes chineses usaram o Tor para esconder sua identidade do governo.


O Tor Project recebeu financiamento não apenas de grandes corporações como Google e grupos de ativistas como o Human Rights Watch, mas também do exército norte-americano, que vê no Tor uma ferramenta importante para o trabalho de inteligência. No entanto, o Pentágono não ficou especialmente feliz quando o Tor foi usado para revelar seus segredos. O WikiLeaks roda no Tor, o que ajuda a preservar o anonimato de seus informantes. Embora Appelbaum seja funcionário do Tor, é voluntário do WikiLeaks e trabalha em conjunto com Julian Assange, fundador do grupo. "Não dá para subestimar a importância do Tor para o WikiLeaks", afirma Assange. "Jacob tem sido um promotor incansável nos bastidores de nossa causa."


Em julho, pouco antes de o WikiLeaks divulgar os documentos confidenciais da guerra do Afeganistão, Assange deveria fazer a palestra principal na Hackers on Planet Earth (HOPE), uma grande conferência realizada em um hotel de Nova York. Agentes federais foram vistos na plateia, presumidamente esperando Assange aparecer. Só que quando as luzes se apagaram no auditório, não foi Assange quem subiu ao palco, mas sim Appelbaum.


"Olá a todos os meus amigos e fãs em vigilância nacional e internacional", começou Appelbaum. "Estou aqui hoje porque acredito que podemos fazer um mundo melhor. Infelizmente o Julian não pôde vir, porque não vivemos nesse mundo melhor agora, ainda não chegamos lá. Queria fazer uma pequena declaração aos agentes federais no fundo da sala e para aqueles aqui na frente, e serei muito claro: eu tenho comigo, no bolso, algum dinheiro, a Declaração dos Direitos e uma carteira de motorista, e é só. Não tenho um sistema de computação, nem telefone, chaves, nenhum acesso a coisa alguma. Não há motivo absolutamente algum para me prender ou me incomodar, e caso vocês se perguntem, sou um norte-americano, nascido e criado aqui, que está descontente com como as coisas estão." Fez uma pausa, interrompida por aplausos ensurdecedores. "Citando Tron" acrescentou, "'Luto pelo usuário'".


Nos 75 minutos seguintes, Appelbaum falou sobre o WikiLeaks, pedindo a hackers na plateia para se juntarem à causa. Depois, as luzes se apagaram e Appelbaum, com o capuz cobrindo o rosto, pareceu ser escoltado para fora do auditório por um grupo de voluntários. Só que, no lobby, o capuz foi retirado, revelando um rapaz que não era Appelbaum. O verdadeiro Appelbaum havia fugido pelos bastidores e saído do hotel por uma porta de segurança. Duas horas depois, estava em um voo para Berlim.


Quando Appelbaum retornou aos EUA, 12 dias depois, e foi detido em Newark, jornais noticiavam que os documentos de guerra identificavam dezenas de informantes afegãos e possíveis desertores que estavam cooperando com as tropas norte-americanas (quando perguntado por que o WikiLeaks não revisou os documentos antes de divulgá-los, um porta-voz da organização culpou o grande volume de informações: "Não consigo imaginar alguém revisando 76.000 documentos"). Marc Thiessen, ex-redator de discursos para o ex-presidente George W. Bush, chamou o grupo de "uma empreitada criminosa" e implorou para o exército norte-americano caçá-lo como a Al Qaeda. O congressista republicano Mike Rogers, de Michigan, disse que o soldado que supostamente forneceu os documentos ao WikiLeaks deveria ser executado.


Dois dias depois, após palestrar em uma conferência de hackers em Las Vegas, Appelbaum foi abordado por alguns agentes do FBI disfarçados. "Queremos conversar por uns minutinhos", afirmou um deles. "Achamos que você pudesse não querer, mas às vezes é bom ter uma conversa para esclarecer tudo."


Appelbaum está fora do radar desde então - evitando aeroportos, amigos, estranhos e locais inseguros, viajando de carro pelo país. Passou os últimos cinco anos de sua vida trabalhando para proteger ativistas no mundo inteiro de governos repressores. Agora, está fugindo do governo de seu próprio país.


A obsessão de Appelbaum pela privacidade pode ser explicada pelo fato de que, na infância, ele não teve nenhuma. "Venho de uma família de lunáticos", conta. Seus pais, que nunca se casaram, iniciaram uma batalha de custódia antes mesmo de ele nascer e que durou dez anos. Ele passou os primeiros cinco anos de sua vida com a mãe, que diz ser uma esquizofrênica paranoide. Ela insistia que Jake havia sido molestado de alguma forma pelo pai quando ainda estava no útero. A tia conseguiu a sua guarda quando ele tinha seis anos; dois anos depois, ela o deixou em um lar infantil em Sonoma County. Foi ali, aos oito anos, que ele invadiu sue primeiro sistema de segurança. Um garoto mais velho lhe ensinou como conseguir o código PIN de um teclado de segurança: você o limpa e, da próxima vez em que um segurança digitar o código, sopra pó de giz no teclado e consegue as digitais. Uma noite, quando todos estavam dormindo, os meninos desabilitaram o sistema e fugiram do lugar. Não fizeram nada de especial - só andaram por uma quadra de softball do outro lado da rua por meia hora - mas Appelbaum se lembra nitidamente da noite: "Foi muito bom, por um momento, ser completamente livre".


Quando tinha 10 anos, o tribunal lhe mandou ir morar com o pai, de quem tinha se mantido próximo, mas logo o pai começou a usar heroína e Appelbaum passou a adolescência viajando com ele pelo norte da Califórnia de ônibus, morando em casas de grupos cristãos e abrigos para sem-teto. Ocasionalmente, seu pai alugava uma casa e a transformava em um esconderijo de heroína, sublocando cada quarto para amigos viciados. Todas as colheres na cozinha tinham marcas de queimadura. Uma manhã, quando Appelbaum foi escovar os dentes, encontrou uma mulher tendo convulsões na banheira com uma seringa pendurada no braço. Em uma tarde, ao voltar da escola, encontrou um bilhete de suicídio assinado pelo pai (Appelbaum o salvou de uma overdose naquele dia, mas o pai morreu anos depois em circunstâncias misteriosas). A situação chegou a um ponto de ele não conseguir nem sentar no sofá com medo de ser furado por uma agulha.


Um estranho na própria casa, Appelbaum adotou a cultura outsider. Assombrava o shopping de Santa Rosa, pedindo trocados, vestia-se de drag queen e com camisetas escritas "i love satan", tingia o cabelo de roxo, provocava brigas com cristãos fundamentalistas e dava amassos em meninos na frente da escola (Appelbaum se identifica como "viado", embora mencione uma dezena de namoradas em vários países). Quando o pai de um amigo estimulou seu interesse em computadores e lhe ensinou ferramentas básicas de programação, algo se abriu para Appelbaum. Programar e hackear lhe permitiram "sentir que o mundo não era um lugar perdido. A internet é o único motivo para eu estar vivo hoje".


Aos 20 anos, ele se mudou para Oakland e eventualmente começou a fornecer segurança tecnológica para a Rainforest Action Network e o Greenpeace. Em 2005, poucos meses após a morte do pai, viajou sozinho para o Iraque - atravessando a fronteira a pé - e configurou conexões de internet via satélite no Curdistão. Após o furacão Katrina, dirigiu até Nova Orleans, utilizando documentos falsos de imprensa para passar pela Guarda Nacional, e configurou hot spots sem fio em um dos bairros mais pobres da cidade, para permitir que os refugiados se inscrevessem para casas na FEMA [
agência norte-americana de gerenciamento de emergências].

Ao voltar para casa, começou a experimentar com os cartões de tarifa utilizados pelo sistema de trânsito Bay Area Rapid Transit e descobriu que era possível fazer um cartão ter tarifa ilimitada. Em vez de tirar proveito, alertou oficiais da BART sobre suas vulnerabilidades. Entretanto, durante a conversa, Appelbaum descobriu que a BART armazenava permanentemente as informações codificadas em cada cartão de trânsito - número de cartão de crédito utilizado, onde e quando foi passado - em um banco de dados privado. Ficou indignado. "Guardar essas informações é uma irresponsabilidade", afirma. "Pago impostos e não tive escolha sobre como eles armazenam esses dados. Não é uma decisão democrática, e sim uma diretriz burocrática."


Por causa de suas preocupações com a privacidade, é fácil ver por que Appelbaum foi atraído pelo Tor Project. Ele se voluntariou como programador, mas logo ficou claro de que sua maior habilidade é o proselitismo: ele projeta a mistura perfeita de entusiasmo e medo. "Jake pode fazer uma defesa melhor do que a maioria", conta Roger Dingledine, um dos fundadores do Tor. "Ele diz: 'Se alguém estivesse te procurando, é isso o que faria', e mostra para a pessoa. Ela fica apavorada."


A internet, uma vez considerada uma força implacável de liberalização e democratização, virou a ferramenta essencial para vigilância e repressão. "Não dá para retratar informações depois que elas são divulgadas", diz Appelbaum, "e são necessárias pouquíssimas informações para arruinar a vida de alguém". Os perigos da web podem ser abstratos para a maioria dos norte-americanos, mas para uma boa parte do mundo, visitar websites restritos ou dizer algo polêmico em um e-mail pode levar a prisão, tortura ou morte.


No ano passado, cerca de 60 governos proibiram seus cidadãos de acessar livremente a internet. Há rumores de que a China tenha uma equipe de mais de 30 mil censores que excluíram centenas de milhões de websites e bloquearam uma gama excêntrica de termos - não apenas "Falun Gong" [
grupo que partica atividades físicas e de metitação em busca do equilíbrio - e que é contra o Partido Comunista da China], "opressão" e "Tian'anmen" [referência à Praça da Paz Celestial], mas também "temperatura", "quente", "estudo" e "cenoura".

Em uma tarde ensolarada em São Francisco, antes de o WikiLeaks dominar as manchetes, Appelbaum está vestindo seu uniforme habitual de hacker: botas pretas, meias pretas, calças pretas, óculos pretos de aro grosso e uma camiseta com slogan (a de hoje é "fuck politics - i just want to burn shit down" [
"foda-se a política, quero queimar tudo"]). Embora seu trabalho o faça ficar sentado na maior parte do dia, ele raramente fica quieto. Frequentemente pula e executa uma série de alongamentos acrobáticos rápidos. Levanta a perna contra a parede, estala o pescoço violentamente, estica o braço sobre o peito e, da mesma maneira repentina, senta novamente.

Explica que temos de tomar um táxi para pegarmos sua correspondência. Como ao ser um vegano rígido ou um mórmon, uma vida de anonimato total exige muito sacrifício. Você não pode, por exemplo, receber correspondências em casa, nem listar seu nome na lista do edifício. Todas as cartas para Appelbaum são enviadas para uma caixa postal privada, onde um balconista as recebe. Isso permite que Appelbaum - e os dissidentes e hackers com os quais lida - use o sistema postal anonimamente. A Pessoa 1 pode enviar um pacote para Appelbaum, que pode reembalá-lo e encaminhá-lo à Pessoa 2. Assim, a Pessoa 1 e a Pessoa 2 nunca têm contato direto - nem conhecem a identidade uma da outra.


O Tor funciona de maneira semelhante. Quando você usa a internet, seu computador faz uma conexão com o servidor web que deseja contatar. O servidor reconhece seu computador, anota seu endereço IP e envia a página solicitada. No entanto, não é difícil para uma agência governamental ou um hacker mal-intencionado observar toda essa transação: eles conseguem monitorar o servidor e ver quem está contatando, ou monitorar seu computador e ver quem você está tentando contatar. O Tor evita essa espionagem online ao introduzir intermediários entre seu computador e o sistema que está tentando alcançar. Digamos, por exemplo, que você mora em São Francisco e quer enviar um e-mail para um amigo, um militar de alto escalão da Guarda Revolucionária Iraniana. Se enviar um e-mail diretamente para o amigo, a rede da Guarda poderá facilmente ver o endereço IP do seu computador e descobrir seu nome e informações pessoais. Mas se você instalou o Tor, seu e-mail é roteado para um de 2.000 relays - computadores que rodam Tor - espalhados pelo mundo. Então, sua mensagem vai para um relay em Paris, que o encaminha para um segundo relay em Tóquio, que o envia para um terceiro relay em Amsterdã, de onde é finalmente transmitido para seu amigo em Teerã. A Guarda Iraniana só pode ver que um e-mail foi enviado de Amsterdam. Qualquer pessoa que espia seu computador só veria que você enviou um e-mail para alguém em Paris. Não há conexão direta entre São Francisco e Teerã. O conteúdo de seu e-mail não está oculto - para isso, é necessária tecnologia de criptografia - mas sua localidade está segura.


Appelbaum passa uma boa parte do ano comandando sessões de treinamento do Tor em todo o mundo, frequentemente realizadas em segredo para proteger ativistas sob risco de morte. Alguns, como os defensores de prostitutas do Sudeste Asiático que ensinou, tinham conhecimento limitado em computadores. Outros, como um grupo de estudantes que Appelbaum treinou em um seminário no Qatar, são altamente sofisticados: um trabalho na rede de censura do governo, outro trabalha para uma petroleira nacional, e um terceiro criou um painel de mensagens da Al-Jazeera que permite que os cidadãos façam comentários anonimamente. Na Mauritânia, o regime militar do país foi forçado a abandonar seus esforços para censurar a internet depois que um dissidente, Nasser Weddady, escreveu um guia para o Tor em árabe e o distribuiu a grupos de oposição. "O Tor fez com que os esforços do governo fossem completamente fúteis", afirma Weddady. "Eles simplesmente não tinham o know-how para combater isso."


Ao distribuir o Tor, Appelbaum não diferencia os mocinhos dos vilões. "Não sei a diferença entre uma teocracia e outra no Irã", diz. "O importante para mim é que as pessoas tenham comunicação livre de vigilância. O Tor não deveria ser considerado subversivo, mas sim uma necessidade. Qualquer pessoa em qualquer lugar deveria poder falar, ler e formar suas próprias crenças sem ser monitorada. As coisas tinham de chegar a um ponto no qual o Tor não é uma ameaça, e sim utilizado por todos os níveis da sociedade. Quando isso acontecer, venceremos."


Como o rosto público de uma organização dedicada ao anonimato, Appelbaum se vê em uma posição instável. É do interesse do Tor obter o máximo possível de publicidade - quanto mais pessoas permitirem que seus computadores sirvam de relay, melhor. Mas ele também vive em um estado de vigilância constante, preocupado que seus inimigos - hackers invejosos, regimes estrangeiros repressores, o próprio governo - estejam tentando atacá-lo. Sua concessão é utilizar um sistema de duas camadas. Ele mantém uma conta no Twitter e publicou milhares de fotos no Flickr, mas toma medidas amplas para evitar o aparecimento de qualquer informação privada - números de telefone, endereços de e-mail, fotos de amigos.


"Há graus de privacidade", afirma. "O normal hoje em dia é denunciar conspicuamente outra pessoa de uma maneira que nem a Stasi poderia imaginar. Não faço isso. Não digito meu endereço residencial em computador algum. Pago o aluguel em dinheiro. Para cada conta online, gero senhas aleatórias e crio novos endereços de e-mail. Nunca dou cheques, porque eles são inseguros - seus números de encaminhamento e de conta são o que basta para esvaziar sua conta bancária. Não entendo por que as pessoas ainda usam cheques. É uma loucura."


Quando viaja, se o laptop fica fora de vista por qualquer período de tempo, ele o destrói e joga fora; a preocupação é que alguém possa tê-lo infectado. Frequentemente é levado a medidas extremas para fazer cópias do Tor passarem pela alfândega em países estrangeiros. "Estudei como as 'mulas' que transportam drogas fazem", conta. "Quero derrotá-los no próprio jogo." Ele me mostra uma moeda de cinco centavos e a joga no chão do apartamento. Ela se abre e, dentro, há um minúsculo cartão de memória Micro SD de oito gigabytes, que contém uma cópia do Tor.


Embora o Tor tenha crescido rapidamente, a vigilância do governo na internet se expandiu com rapidez ainda maior. "É inacreditável quanto poder uma pessoa tem se recebe acesso irrestrito aos bancos de dados do Google", afirma Applebaum.


Como rapidamente observa, os regimes opressores estrangeiros são apenas parte do problema. Nos últimos anos, o governo dos EUA está silenciosamente acumulando bibliotecas de dados sobre os próprios cidadãos. A polícia pode intimar seu provedor de internet a dar seu nome, endereço e registros telefônicos. Com um mandado de Justiça, pode solicitar o endereço de e-mail de qualquer pessoa com quem você se comunique e os websites que visita. Seu provedor de telefonia móvel pode rastrear sua localização o tempo todo. "Não é só o Estado", diz Appelbaum. "Se quisesse, o Google poderia acabar com qualquer país. O Google tem sujeira suficiente para destruir qualquer casamento nos Estados Unidos."


Mas o Google não fornece fundos para o Tor?


"Amo o Google", afirma. "E amo as pessoas lá, Sergey Brin e Larry Page são legais, mas estou apavorado com a próxima geração que assumir. Uma ditadura benevolente ainda é uma ditadura. Em algum momento, as pessoas perceberão que o Google tem tudo sobre todos, e principalmente pode ver as perguntas sendo feitas, em tempo real. Ele pode literalmente ler sua mente."


Agora, com a controvérsia do WikiLeaks, Appelbaum desapareceu, escondendo seu paradeiro até dos melhores amigos. Ele suspeita que seus telefones estão grampeados e que está sendo seguido. Uma semana depois de ser interrogado em Newark, ele me liga de um lugar anônimo, depois de meu pedido de contato ter sido passado a ele por uma série de intermediários. Percebe a ironia da situação.


"Usarei o Tor muito mais do que antes - e já usei muito", diz, com a voz incaracteristicamente sóbria. "Virei uma das pessoas que passei os últimos anos da minha vida protegendo. É melhor eu aceitar meu próprio conselho."


Tradução: Lígia Fonseca

sábado, 16 de outubro de 2010

Serra, Dilma e o problema da corrupção no Brasil - Quais as soluções propostas?


Nesta reta final das Eleições, uma questão crucial para o pleno desenvolvimento (em todas as frentes) do Brasil, e mesmo para sua maior inserção como verdadeira liderança no cenário global, tem sido pouco debatida por nossos dois nobres candidatos: a nossa velha e visceral corrupção. Quais dos, repito, nobres candidatos, por exemplo, tem apoiado e promovido a idéia de transformar o crime de corrupção em crime hediondo (saiba mais aquiaqui e aqui- o que pelo menos assustaria mais a canalha, aumentando, se não ao nível justo, ao menos um pouco o grau da punição? Tal mudança interessa a algum deles, nobres a aguerridos candidatos a gerir a máquina-Brasil? Interessa a seus partidos, seus aliados, suas bancadas, e por que não (pardon, mes amis, mas os tempos são maus), a suas famílias? Queremos saber! Ou talvez isso só convenha ao povo, à vítima? Isso é só um exemplo dentre muitos.

Para promover a reflexão e o debate sobre este tema da corrupção, convidamos você a ler uma esclarecedora entrevista realizada com o sociólogo Roberto daMatta. Foi publicada na RevistaÉpoca Negócios #36, em Fevereiro. Mas, como o dia 31 está aí, o texto não poderia ser mais atual.

LEIA A ENTREVISTA AQUI.

E aproveitando o embalo, e já que a nossa bancada evangélica cresceu em todas as tribunas, que tal convidarmos nossos (nobres) representantes a promoverem esta idéia (do crime hediondo), a salgarem a terra e iluminarem este algumas vezes tenebroso mundo dos gabinetes e repartições? Se não nós, quem? Se não agora, quando? 

Afinal, nem só de PNHD3 viverá o homem (cristão), mas de combater todo tipo de mal. Soluções existem.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Cidadão, informe-se nestes sites e vote consciente


As eleições estão às portas, e poucas vezes vimos o debate político tão agitado e requisitando tanto a atenção e participação de nós, cristãos.

Cada vez mais se faz necessário o acompanhamento da coisa público-política (e suas criaturas) por parte da sociedade civil. A Web, graças a Deus, trouxe significativos avanços e facilidades neste sentido. Alguns sites de Ongs e outras iniciativas prestam um relevante serviço à sociedade, acompanhando, expondo, esclarecendo e mesmo denunciando a ficha e as ações daqueles que foram eleitos/empregados para, ao menos em tese, nos servir/representar.

A revista Veja desta semana trouxe encartada uma cartilha, Guia do Voto Consciente - Eleições 2010. A cartilha é elaborada pelo projeto Educar para Crescer, e pode ser baixada aqui. A cartilha traz a dica de diversos sites que permitem um maior acompanhamento e participação da sociedade na situação política. Pois bem, listamos abaixo estes sites, acrescentando de nossa parte outro tanto, dentre diversas iniciativas de valor. 

Desde já lhe convidamos a não apenas conhecer, mas também a divulgar e a linkar em seus blogs e sites estes endereços eletrônicos.

Transparência Brasil (http://www.transparencia.org.br/index.html) - A Transparência Brasil é uma organização independente e autônoma, fundada em abril de 2000 por um grupo de indivíduos e organizações não-governamentais comprometidos com o combate à corrupção. Possui diversos projetos de relevância, como por exemplo os três listados logo abaixo (Excelências, Deu no Jornal e Às Claras).

Projeto Excelências (http://www.excelencias.org.br/)– O projeto Excelências traz informações sobre todos os parlamentares em exercício. No site, você pode consultar o histórico profissional, os processos a que eles respondem na Justiça, as multas que receberam dos Tribunais de Contas, as declarações de bens, as freqüências ao trabalho e muito mais.

Deu no Jornal (http://www.deunojornal.org.br/) – Deu no Jornal é um banco de dados de reportagens relacionadas à corrupção e seu combate, publicadas em jornais e revistas de todos os estados. O conteúdo editorial das matérias é de responsabilidade exclusiva dos veículos originais. O material divulgado aqui não pode ser usado comercialmente nem redistribuído, e seu uso é restrito a finalidades informativas e de pesquisa.

Às Claras (http://www.asclaras.org.br/2008/) - Às Claras é uma iniciativa da Transparência Brasil que traduz os dados sobre o perfil do financiamento das campanhas eleitorais para uso de cidadãos interessados. Aqui se descrevem e se analisam as informações provenientes das prestações de contas dos candidatos à Justiça Eleitoral.

Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral – MCCE (http://www.mcce.org.br/) – Site da rede composta por 48 organizações da sociedade civil brasileira, responsável pela campanha que culminou com a aprovação da Lei Complementar nº 135/2010 (Lei da Ficha Limpa).

Contas Abertas (http://contasabertas.uol.com.br/WebSite/) - O Contas Abertas é uma entidade da sociedade civil, sem fins lucrativos, que reúne pessoas físicas e jurídicas, lideranças sociais, empresários, estudantes, jornalistas, bem como quaisquer interessados em conhecer e contribuir para o aprimoramento do dispêndio (os gastos) público, notadamente quanto à qualidade, à prioridade e à legalidade.

Vote na Web (http://www.votenaweb.com.br/) - Um site para você se aproximar das decisões do Congresso Nacional que afetam diretamente a sua vida. Conheça as leis que estão em votação, vote online, e veja como votaram nossos políticos, quantos projetos cada um apresentou, e muito mais.

Escritório da ONU Sobre Drogas e Crimes - UNODC Brasil e Cone Sul (http://www.unodc.org/brazil/programasglobais_corrupcao.html) – Estuda e oferece propostas para o combate à corrupção em escalas global e local. Possui diversas cartilhas e documentos para download livre, além de apresentar artigos, notícias e muito mais.
 
Museu da Corrupção (http://www.muco.com.br/muco/home.htm) – iniciativa sagaz do Diário do Comércio e Prêmio Esso de Jornalismo em 2009, temos aqui um verdadeiro museu, com arrojado projeto arquitetônico e dedicado ao tema da corrupção, no Brasil e no mundo. Muita informação, exposta com bom humor, nesta obra em aberto, pois o acervo cresce constantemente... São muitas as atrações do Museu, como a relação completa dos escândalos ocorridos desde o início da década de 1970 e de grande parte das operações realizadas pela Polícia Federal no período. Nunca é demais lembrar!

Veja ainda:

Congresso em Foco - http://congressoemfoco.uol.com.br
Câmara dos Deputados - http://www2.camara.gov.br/
Senado Federal - http://www.senado.gov.br/
Tribunal Superior Eleitoral - http://www.tse.gov.br
Tribunal de Contas da União (TCU)http://portal2.tcu.gov.br/TCU
Controladoria Geral da União (CGU) - http://www.cgu.gov.br/


Sammis Reachers 
Via  http://www.cidadaniaevangelica.blogspot.com/

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Pela quebra do sigilo fiscal dos partidos, candidatos, coordenadores de campanha e ocupantes de cargos públicos


 Amados irmãos, já a princípio compartilho que meu voto para Presidente vai para a Marina Silva. Mas a proposta que vocês lerão abaixo, do candidato à Presidência Zé Maria (PSTU), sobre a quebra do sigilo fiscal dos partidos e candidatos, merece todo o nosso apoio. 

De minha parte creio mesmo que o golpe mortal na corrupção generalizada que assola o máquina pública no Brasil (em todas as esferas possíveis e imagináveis) passa pela sistemática quebra dos sigilos bancário e fiscal dos candidatos a cargos públicos, sejam cargos eletivos, ou sejam cargos concursados (neste caso em especial os de policiais ou do judiciário, além de cargos classificados como de confiança). Claro, em tal realidade os 'atingidos' pularão nas tamancas e escoicearão, mas a caravana da Justiça não pode parar. É preciso dar um basta, e, a pagar-se o preço necessário, podemos sim reduzir a níveis mínimos (em face dos atuais) a corrupção que ora grassa. 

Lembremos do caso da Lei da Ficha Limpa. Tudo começou com uma idéia, e um esforço de mobilização. Vamos pensar, propor, compartilhar e debater estas idéias. Podemos mudar radicalmente nosso maquinário público, e dar exemplo para todo o planeta.

Sammis Reachers 

Abaixo  o texto do Zé Maria:

Pela abertura fiscal de todos os candidatos

Zé Maria

Muitas pessoas têm perguntado qual minha opinião sobre essa baixaria que se estabeleceu entre a Dilma e o Serra. Nossa resposta é firme: se não há irregularidades, não há por que temer. Os dados fiscais de todos partidos e candidatos devem ser abertos, ter ampla divulgação, para que a população possa ter acesso a essas informações.

De qualquer forma, nada justifica as ações do PT. Esse partido, que chegou ao poder pela confiança dos trabalhadores, utiliza o aparelho do Estado para obter informações de seus adversários. É o vale-tudo eleitoral. Não é a primeira vez que caso como esse acontece. Em 2006, o PT já protagonizou o escândalo dos aloprados, quando surgiu um dossiê sobre os gastos pessoais de FHC, produzido dentro da Casa Civil, quando Dilma era ministra. Até hoje, ninguém foi punido.

Mas Serra também tem o rabo preso. É por isso que quer manter o sigilo fiscal. O problema começa no financiamento de campanha. Os grandes bancos e as grandes empresas dão dinheiro para as campanhas eleitorais e depois cobram a fatura.

O PT e o PSDB carregam nas costas escândalos de corrupção. Quem não lembra do mensalão do PT em 2005? Ou do panetone do Arruda, governador do Distrito Federal, no ano passado? É o sujo falando do mal-lavado.

No entanto, os trabalhadores não têm o mesmo direito ao sigilo. As informações sobre as suas vidas, seus dados, podem ser facilmente comprados nas grandes cidades. Neste dia 15 mesmo saiu na imprensa uma denúncia de que a polícia civil de São Paulo quebrou o sigilo criminal daqueles que tentaram emprego na Petrobras. Fizeram isso durante dez anos a pedido da empresa!

O PSTU não teme. Defendemos o financiamento público de campanha e não nos corrompemos aceitando dinheiro de empresas e bancos: nossa campanha é financiada pelos trabalhadores.

Reafirmo: é preciso acabar com o sigilo fiscal dos partidos, candidatos, coordenadores de campanha e ocupantes de cargos públicos.

via http://www.zemariapresidente.org.br
 

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Porque não votar no PT e sua coligação

Porque não votar no PT e sua coligação:

PNDH-3 – Programa Nacional de Direitos Humanos

Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República

Decreto no. 7037 de 21 de dezembro de 2009

Este documento está disponível em arquivo eletrônico no site: www.sedh.gov.br

Este projeto será votado na próxima legislatura do Congresso Nacional. Portanto é necessária muita prudência na escolha dos Senadores e Deputados Federais. É melhor não votar nos candidatos do PT, PMDB, PCdoB, PDT, PRB, PR, PSB, PSC, PTC e PTN, partidos que apóiam o PNDH

Analise os seguintes itens do PNDH-3

Inclusão social de lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais.
No rol de movimentos e grupos sociais que demandam políticas de inclusão social encontram-se crianças, adolescentes, mulheres, pessoas idosas, lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais, pessoas com deficiência, povos indígenas, populações negras e quilombolas, ciganos, ribeirinhos, varzanteiros, pescadores, entre outros. (Página 53)

Desconstrução de estereótipos
a) Realizar campanhas e ações educativas para desconstrução de estereótipos relacionados com diferenças étnico-raciais, etárias, de identidade e orientação sexual, de pessoas com deficiência, ou segmentos profissionais socialmente discriminados. (Página 92)

Afirmação e promoção de uma cultura de respeito à livre orientação sexual e identidade de gênero
Objetivo estratégico V:
Garantia do respeito à livre orientação sexual e identidade de gênero.
Ações programáticas:
a) Desenvolver políticas afirmativas e de promoção de uma cultura de respeito à livre orientação sexual e identidade de gênero, favorecendo a visibilidade e o reconhecimento social. (Página 98)

União civil entre pessoas do mesmo sexo.
b) Apoiar projeto de lei que disponha sobre a união civil entre pessoas do mesmo sexo.
Recomendação: Recomenda-se ao Poder Legislativo a aprovação de legislação que reconheça a união civil entre pessoas do mesmo sexo.


Direito de adoção por casais homoafetivos
c) Promover ações voltadas à garantia do direito de adoção por casais homoafetivos.

• Recomenda-se ao Poder Judiciário a realização de campanhas de sensibilização de juízes para evitar preconceitos em processos de adoção por casais homoafetivos.

• Recomenda-se ao Poder Legislativo elaboração de projeto de lei que garanta o direito de adoção por casais homoafetivos.

Incluir configurações familiares constituídas por gays, etc.
d) Reconhecer e incluir nos sistemas de informação do serviço público todas as configurações familiares constituídas por lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais (LGBT), com base na desconstrução da heteronormatividade.

Uso de nome social de travestis e transexuais.
e) Desenvolver meios para garantir o uso do nome social de travestis e transexuais.

Recomendação: Recomenda-se aos estados, Distrito Federal e municípios a promoção de ações que visam a garantir o uso do nome social de travestis e transexuais.

g) Fomentar a criação de redes de proteção dos Direitos Humanos de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais (LGBT), principalmente a partir do apoio à implementação de Centros de Referência em Direitos Humanos de Prevenção e Combate à Homofobia

h) Realizar relatório periódico de acompanhamento das políticas contra discriminação à população LGBT, que contenha, entre outras, informações sobre inclusão no mercado de trabalho, assistência à saúde integral, número de violações registradas e apuradas, recorrências de violações, dados populacionais, de renda e conjugais.

Descriminalização do aborto.
g) Apoiar a aprovação do projeto de lei que descriminaliza o aborto, considerando a autonomia das mulheres para decidir sobre seus corpos. (Página 91)

Impedir símbolos religiosos em estabelecimentos públicos.
c) Desenvolver mecanismos para impedir a ostentação de símbolos religiosos em estabelecimentos públicos da União. (Página 100)

quarta-feira, 28 de julho de 2010

MARINA SILVA, POTIRA E OS MILAGRES AMAZÔNICOS



 Suzuki e Márcia - ATINI Voz pela Vida
Esta é uma daquelas cenas que a gente custa a apagar da memória. No meio de uma conferência importante, de gente grande, eis que uma menininha linda e despachada se aproxima da ilustre preletora. Com toda desenvoltura entrega-lhe um colar indígena, tasca-lhe um beijo estalado e posa sorridente para as fotos.

A preletora ilustre chama-se Marina Silva. A indiazinha despachada será chamada aqui de Potira.

Quanto mistério, quanta dor, e quanta esperança este encontro evoca. As duas nasceram na floresta amazônica, as duas enfrentaram a dureza da vida na mata. As duas estavam destinadas a engrossar as fileiras de brasileiras excluídas, anônimas e invisíveis.

Marina nasceu filha de seringueiro, tomou muito banho de igarapé e comeu pirarucu com farinha nas beiradas dos rios. Potira nasceu filha de índia solteira e por isso não chegou a comer nada, não tomou banho, nem lhe cortaram o cordão umbilical.

Marina ouvia as histórias do avô enquanto espiava a chama fina da lamparina nas noites escuras da mata. Potira não ouviu nada, só o choro abafado da mãe, obrigada a abandoná-la na floresta por conta da sua solteirice.

Marina imaginava o futuro enquanto se embalava na rede e sonhava um dia aprender as letras. Potira não teve rede, foi enrolada numas folhas de bananeira brava e largada perto de um toco de pau na beira da capoeira.

Marina se vestia com camisa de manga comprida para se proteger dos carapanãs e dos marimbondos, enquanto seguia o pai pelas picadas estreitas do seringal. Potira não conseguiu se proteger das formigas que se aproximaram e começaram a comer a placenta ainda ligada ao seu corpinho recém-nascido. Nem dos insetos que picaram suas pernas e seu rosto naquela noite comprida e chuvosa.

Marina mudou seu destino quando desafiou a sorte - teve coragem de pedir ao pai que a deixasse sair para estudar na cidade grande. A esperança de Potira surgiu quando duas tias decidiram escondê-la numa roça velha e correr por 4 horas na mata até o acampamento dos missionários.

Marina esperou até os 16 anos para conseguir decifrar as primeiras letras do alfabeto. Potira esperou 36 horas na mata até ser resgatada e salva da morte.

Dois milagres, duas histórias de superação, de desafio às leis da probabilidade. Marina aprendeu a ler no Mobral, veio a ser professora, doutora, senadora, ministra. Hoje é candidata a presidência da república. Potira foi adotada por uma professora paulistana casada com gaúcho, e ganhou duas irmãs rondonienses. É a caçula e o xodó da família.

O encontro da foto aconteceu recentemente num grande evento público em Brasília. Potira entregou a Marina Silva o colar em nome das crianças indígenas sobreviventes do infanticídio que são atendidas pela ATINI.

Em seguida, Kakatsa Kamaiurá, secretário geral da organização, também sobrevivente, tomou o microfone e fez seu apelo. Queria saber de Marina se ela se comprometia a defender o direito das crianças indígenas em risco de infanticídio. Marina respondeu emocionada que toda criança tem direito à vida e que ela priorizaria, em seu governo, os direitos dessas crianças.

Potira saiu toda saltitante, rindo orgulhosa por ter tirado foto com uma mulher tão importante.

.......

Eu conheço a Marina pessoalmente, ela acompanha nossa trajetória desde 2005 e já me ouviu por mais de uma hora atentamente em seu gabinete. Mostrou sensibilidade e nos encorajou muito em nossa luta pela dignidade das crianças indígenas. É a única que recebe os indígenas, que os escuta. É também uma crente comprometida, verdadeira, e uma pessoa de confiança e capacidade administrativa.

Eu "marinei" definitivamente. Convido você a ler os 12 pontos do texto abaixo e a se cadastrar no site http://www.movimentomarinasilva.org.br/ para apoiar a candidatura da Marina. Vamos acreditar em milagres e lutar contra as probabilidades!
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...