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segunda-feira, 20 de junho de 2022

DISCIPULADO



DISCIPULADO

Incapazes de desvendá-lo,
o tomamos como fruição:
e é sempre o mar que nos desvenda.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

A arte de Timon Maxey

Braided Rakaia

Chatham Island

Gray Rock Red Rocks

Red Rocks

Wreck At Owenga

Timon Maxey é um artista plástico neozelandês. 
Veja e conheça mais no site dele, AQUI.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Novo acréscimo n'O Poema Sem Fim



Hoje é o dia trinta de agosto do ano de dois mil e onze,
o último dia de meus quinze dias de férias
estou na praia e venta forte (sou
a única pessoa de meu convívio que gosta de ventos)
o mar, batido, chacoalha, ressona e une seu som 
ao do vento que vibra em minhas orelhas
(o mar detém a minha angústia 
quase como o Teu Espírito, Senhor),
e eles (as ondas e o vento, a mais perfeita cópula da natura)
sussurram como numa língua perdida e mística,
desaprendida em Adão:

PAZ...      PAZ...
                                     PAZ...
             PAZ...
PAZ...
                                              PAZ...
(e a singularidade desta sensação de paz - que é apenas intuída! -
é que ela transcende até mesmo a paz das amizades verdadeiras, 
de dois amigos que, quedados em silêncio,
comprazem-se na segura companhia um do outro)
         PAZ...
                                       PAZ...
PAZ...

uma entoação que nada detém,
um cicio que não cessa
ora espaçado, ora massivo, mas sem parar,
como se fosse a respiração de algo aritmeticamente
diluído em tudo, em todos os lugares
fluindo muito além
do que se pode chamar de 'vivo':
uma força que hipervive
como (e apenas par)a falar de um lugar
onde a Paz Ininterrupta freme,
onde a Paz-Sem-Fim
oceanicamente 
É

Visite: http://opoemasemfim.blogspot.com/

domingo, 3 de julho de 2011

Bodyboarder voador

O Bodyboarder australiano Christian Riguccini compete no DesafioShark Island Challenge 
na Ilha Shark (Tubarão), perto de Cronulla, Sydney, Austrália.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Surfistas, apaixonados e simpatizantes: entendam o mar

Prof. Elói Melo

Surfar não depende só de ficar em pé na prancha e aprender as manobras. Também é fundamental entender o mar e prestar atenção nos sinais enviados pela natureza.
Atualmente, há diversos sites que disponibilizam a previsão de swell e analisam as condições do mar - facilitandoa muito a vida das surfistas.
Mas o que é mesmo swell ? Para esclarecer as dúvidas de quem está dando os primeiros passos no esporte, consultei o professor Elói Melo, 56 anos, PHD em Ciências Oceânicas pela Universidade da Califórnia (EUA), pós-graduado em engenharia oceânica pela Universidade Federal do Rio de Janeiro.
Ele coordena o Laboratório de Hidráulica Marítima da Universidade Federal de Santa Catarina e é responsável por uma das bóias que fazem o monitoramento das condições do mar no Brasil. Surfista desde os 15 anos, ele esclarece tudo o que você sempre quis saber, mas nunca teve coragem de perguntar.

Qual é o melhor local para entrar e sair do mar?

O canal é o melhor local para entrar e o banco de areia, para sair.


Como reconhecer a vala, o banco de areia e o canal?

A melhor maneira de identificar é observando. A vala é o buraco escavado pelas ondas e pela corrente. Se houver uma vala, observe se ali há correnteza. Ficará mais fácil entrar por ali, que é um canal, que se forma com a água que vai da praia em direção ao mar, facilitando a vida da surfista. O banco de areia é onde as ondas quebram e indica que naquela região a profundidade é mais rasa.


Como se formam as ondas?

As ondas são geradas pelo vento nos oceanos. Para que se forme uma onda, é necessário que haja uma ventania, não necessariamente numa praia próxima ao pico. As ondas formadas dentro da zona de geração (região onde ocorrem as tempestades) são denominadas vagas. Depois de criadas, elas podem viajar por conta própria e ganham o nome de swell, ou ondulação.

Um exemplo de como elas podem viajar são as ondas na costa da Califórnia, que, às vezes, são geradas na Nova Zelândia e atravessam o Oceano Pacífico inteiro para chegar até a costa norte-americana.  Se a tempestade acontece próxima à costa, as ondas acabam rolando dentro da zona de geração e menos tempo o swell terá para se acertar, para chegar perfeito à costa.

O que determina o tamanho das ondas?

Quando elas ainda estão se formando no meio do oceano, três fatores determinam o tamanho: intensidade do vento, pois quanto mais vento, maiores ondas podem aparecer; a área do oceano sobre a qual o vento atua, também chamada de pista; e a duração do vento, ou seja, o tempo que ele atua e transfere energia na forma de ondas.

Ondas grandes são geradas por tempestades com ventos fortes, mas não um furacão, que passa rápido e não tem pista. Para que rolem ondas grandes, é necessário uma tempestade com ventos fortes no oceano, os chamados ciclones extratropicais, que duram cerca de dois ou três dias. O fundo só passa a fazer diferença quando as ondas estão próximas às praias e passam pela plataforma continental.

O que é swell?

Após serem criadas na zona de geração, as ondas normalmente viajam pelos oceanos e são denominadas swell, ou ondulação.


Como funciona a combinação entre swell e vento?

Os ventos estão em constante mudança, conforme o movimento do sistema atmosférico. Se uma tempestade de sul durar dois ou três dias, ela poderá sofrer influência de diversos tipos de ventos, que possivelmente variarão entre norte e nordeste. Só que nesse momento, os ventos não interferem mais porque o que importa é o momento em que a tempestade foi gerada.

Ou seja, o vento interfere no momento em que dissipa energia para gerá-las. O vento cria outras ondas e as primeiras seguem sua trajetória. Já nas praias, é preciso observar qual vento é favorável para fazer quebrar determinado pico e isso depende da posição geográfica da praia. Por exemplo: Maresias tem altas ondas com ondulação de sul e vento leste, porém em Ubatuba, esse mesmo vento deforma as ondas.

O swell de sul sempre traz onda para a costa brasileira em todos os picos?

Tudo depende da orientação da costa em relação à direção do swell. O litoral sudeste é muito bem posicionado geograficamente para receber as ondulações vindas do extremo sul. Geralmente, as tempestades ocorrem numa faixa entre 30º e 50º graus de latitude. Se analisarmos o Atlântico Sul, Florianópolis (SC) está a 27,5º graus de latitude. Ou seja, as tempestades rolam ainda mais para baixo, no que chamamos de Quadrante Sul, que é a região mais ao sul do Rio Grande do Sul, Uruguai e Argentina. Isso depende da praia estar bem posicionada para receber essas ondulações, além de não ter muito vento. Saquarema, por exemplo, na região dos Lagos (RJ), está otimamente posicionada para receber os swells vindos do sul, além do que, o vento Nordeste, que é dominante no Brasil, também é constante na região proporcionando excelentes ondas. Já no Ceará, onde a posição geográfica está voltada para cima, o swell de sul não influencia em nada as ondas da região. Para rolar onda lá, é necessário que a ondulação venha do Atlântico Norte. Por isso, nessa região, a época de ondas boas ocorre entre dezembro e fevereiro, quando é inverno no Hemisfério Norte. Por isso Fernando de Noronha é tão constante nessa época do ano, enquanto o restante do litoral do Brasil é dominado pelo flat.


O que é vento maral e terral?

O vento maral provém do mar para a terra. Esse vento gera ondas locais, as marolas, e acaba balançando o mar, deixando as ondas irregulares. Já o vento terral não gera onda e vai da terra em direção ao mar. O terral costuma deixar o mar liso.


É verdade que raio é sinal de que o mar vai abaixar?

Não há nenhuma explicação científica. As tempestades de verão, que geralmente são repletas de raios, não fazem onda porque os ventos fortes duram em média meia hora. E isso não faz o mar subir, pois é preciso de tempo para que as ondas subam.


Chuva diminui o tamanho das ondas?

A chuva não tem efeito significativo em relação as ondas.


O que determina o intervalo entre as ondas nas séries?

O período das ondas, que é o intervalo entre as duas ondas, é um fator importante e é preciso prestar bastante atenção nele. O período chega a ser até mais importante do que a altura das ondas e varia de 3 a 4 segundos, até 20 segundos em média. Quanto mais longo for o período, mais perfeitas serão as ondas, independentemente do tamanho. Para que rolem altas ondas, é preciso que uma tempestade atue numa área de oceano muito grande, por pelo menos dois dias. Na Indonésia, muitas vezes os períodos são de 18 a 20 segundos, por isso as ondas são tão perfeitas. Quando o período está entre 4 e 5 segundos as ondas tornam-se bagunçadas, mexidas.


Como funcionam as bóias? Quantas existem no Brasil?

A bóia é uma esfera metálica de um metro de diâmetro com 300 kg, fundeada em pontos estratégicos da costa com cabos e âncora. Ela balança quando as ondas passam e possui um equipamento eletrônico em seu interior que é capaz de dizer a altura da ondas quando elas passam por ela. O Laboratório de Hidráulica Marítima da Universidade Federal de Santa Catarina tem uma há 35 quilômetros da costa de Florianópolis. Ela possui uma antena que registra cerca de 20 minutos a cada hora e  envia as informações via rádio. Nós recebemos, processamos e disponibilizados em nosso site (www.lahimar.ufsc.br). Além do tamanho, ela também mede o período e a direção _as três informações básicas necessárias. Em Arraial do Cabo (RJ), também há outra bóia do Instituto de Estudos do Mar Almirante Paulo Moreira, que utiliza com o mesmo sistema.


E a maré, como influencia as ondas?

A maneira como a onda quebra depende da profundidade onde ela se encontra. Por exemplo, se for uma praia de perfil declinado, na maré seca as ondas quebrarão de uma maneira. Quando a maré encher, as ondas vão quebrar onde está mais raso, muda o ponto de arrebentação. Ou seja, o tipo da onda varia de acordo com o nível da água ocasionado pela maré.


A Lua influencia, por quê?

A Lua influencia totalmente na maré. Mas as ondas não têm nada a ver com isso, pois a Lua apenas controla as marés. Quando a Lua está cheia, o nível do mar sobe, mas se não tiver swell não vai adiantar nada. Só vai influenciar se a maré for grande. Na região sudeste, a variação é de pequena amplitude. Já no nordeste é preciso prestar mais atenção na maré. Boas ondas dependem de uma combinação de fatores e em algumas praias as ondas quebram melhores com a maré cheia.


Por que o mar fica de ressaca?

Porque acontecem as tempestades nos oceanos. Se ventos fortes atuarem por mais de dois dias, acontece uma tempestade que proporcionará uma ressaca no mar.


Frente fria sempre traz ondas grandes?

Para elas trazerem ondas grandes tem que ter ventos que atendam aos requisitos, como serem fortes e têm que ir na direção certa da costa. É uma coisa que não se pode afirmar. Mas, geralmente as frente frias evoluem para um ciclone extra-tropical, proporcionando as ondulações.


Uma onda perfeita depende de vento, fundo ou swell?

Depende se o swell tiver um período longo, com mais de dez segundos, se o vento local está favorável (terral ou vento fraco) e se a praia está numa posição geográfica favorável. Já ondas espetaculares precisam de um fundo com feições, como um canyon submarino, ou um morro submerso, que faça com que elas quebrem perfeitas. É uma combinação de fatores, não depende só de um deles. 


Como interpretar a previsão de ondas na internet

Waves (www.waves.com.br) - O site oferece um gráfico que disponibiliza a previsão das ondas durante cinco dias, além de mostrar o período, velocidade dos ventos e fotos das principais praias do Brasil para a prática do surf.
Lahimar (www.lahimar.ufsc.br) – Site do Laboratório de Hidráulica Marítima da Universidade Federal de Santa Catarina, responsável por uma das bóias encontradas em nosso litoral. 
Disk Surf (www.disksurf.com.br) – Oferece  previsão das ondas e ventos e ainda o serviço de atendimento ao surfista gratuito. Disponível em alguns Estados é só ligar e saber onda estão as melhores condições.
Inpe (tucupi.cptec.inpe.br/wam) – Site do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, que apresenta gráficos com a altura e direção das ondas e oferece a possibilidade de controlar o movimento e a velocidade do gráfico..

Como interpretar o gráfico do Waves Check

Na parte superior do gráfico você encontra um seletor representando os próximos cinco dias. O mapa representa as condições para o período destacado em vermelho no seletor. Há duas previsões para cada dia, uma referente às 9 horas e outra para às 21 horas. O mapa das condições do oceano é interativo, sendo possível deslocá-lo horizontal e verticalmente por intermédio das barras de rolagens, ou por intermédio do "zoom" abaixo do mapa.
O botão "animar" altera automaticamente o instante selecionado no seletor, representando a evolução das condições do oceano para os próximos dias. Há duas opções disponíveis de modelo. O modelo global simula os oceanos como bacias oceânicas planas e muito profundas, enquanto o modelo regional considera os efeitos de refração devido às variações da profundidade. Nos dois modelos podemos apresentar no mapa a altura significativa das ondas, o período médio e a intensidade dos ventos.
O primeiro gráfico abaixo do mapa apresenta a previsão para a altura, direção e período das ondas para os próximos dias, tendo como referência uma bóia "virtual" (simulação de presença de bóia) localizada próxima ao pico. O tamanho está apresentado em azul e sua escala fica à esquerda do gráfico. O período está assinalado em vermelho e sua escala está à direita do gráfico. O período das ondas corresponde ao intervalo de tempo entre as ondas. Quanto maior for o período, maior a possibilidade de ocorrer boas ondas.
Na parte inferior temos a direção do swell (ondulação) no início do dia. Para observar eventuais mudanças no decorrer do dia, passe o mouse sobre o gráfico e observe a direção do swell apontada pela bússola. Neste gráfico as regiões escuras representam o período noturno, enquanto o restante representa o período diurno. No segundo gráfico temos a evolução da intensidade e direção do vento para os próximos dias.

sábado, 19 de fevereiro de 2011

O índio Lautaro e a História da Resistência Mapuche


Não houve jamais rei que conseguisse sujeitar esta soberba gente liberta,
nem estrangeira nação que se jactasse de haver pisado seus territórios,
nem terra comarcana que ousasse mover-se contra ela ou levantar-lhe espada.
Essa gente sempre foi livre, indômita, temida, com lei própria e cerviz erguida.
(La Araucana, poema de Alonso de Ercilla y Zúñiga, 1533-1594)
No século 16, os mapuches, também conhecidos como araucanos, habitavam o sul do atual Chile e o centro-sul da atual Argentina. Sua história guerreira contra os invasores europeus começa em 1546. Pedro de Valdívia, que penetrara no Chile facilmente pelo norte, atravessando o deserto de Atacama e fundando o povoado de Santiago (atual capital), no centro do país, achou que a conquista seria um empreendimento tranquilo.
Assim, resolveu expandir seu domínio ao sul. Em 1546, uma expedição partiu, e alcançou o rio Bio-Bio, nas proximidades da atual Concepción. Mal sabia Valdívia que ali começava a Araucanía, território sagrado dos mapuches-araucanos. E estes não demoraram a atacar. E o fizeram de forma tão aguerrida que o surpreso espanhol teve que fugir para Santiago.
Percebendo que suas suposições otimistas estavam erradas, Valdívia passou anos preparando uma nova expedição. Esta partiu ao sul em 1550. Ao chegar ao rio Laja, no entanto, a tropa foi atacada de surpresa pelos mapuches, obrigando-a a escapar mais uma vez.
O espanhol, que apesar de tudo conseguira fazer alguns prisioneiros, mandou que lhes cortassem os narizes e as mãos direitas, libertando-os em seguida para que amedrontassem a tribo. Péssima idéia. Pois ao invés de se acovardarem, os mapuches seguiram em seu encalço e, no rio Andalién, voltaram a atacar. Nova fuga espanhola.
Pouco depois Valdívia fundou um forte em Concepción. Nem bem tinham passado alguns dias, a guarnição foi acossada pelos mapuches. Embora tenham conseguido repelir os guerreiros índios, os espanhóis perderam muitos homens. Apavorado, Valdívia pediu ajuda ao vice-reinado castelhano no Peru.
Enquanto esperavam os reforços, e constatando que os mapuches inesperadamente tinham como que "desaparecido", os espanhóis foram implantando fortes: no rio Imperial, no lago Villarrica, em Valdívia. Tão logo chegaram as tropas mandadas desde Lima, comandadas por Francisco de Villagra, em 1552, fundaram outras fortificações em Tucapel, Purén, Confines (hoje Angol), Arauco e Lebu.
Durante toda a consecução dessas obras militares, os mapuches não se manifestaram, o que provavelmente levou os castelhanos a pensar que a conquista estava definitivamente estabelecida. Não sabiam, no entanto, que os índios não tinham "sumido". Na verdade, reunidos em assembléias no coração da Araucanía, os caciques preparavam a guerra. E que, para realizá-la, contavam com uma "arma" secreta sequer imaginada pelos invasores.


O GAROTO ESPIÃO

A "arma" dos mapuches se chamava Lautaro, um rapaz de apenas 18 ou 19 anos, que acabara de ser escolhido como toqui (líder), comandante dos exércitos indígenas, sob as ordens do grande cacique Caupolicán.
Filho do chefe Curihancu, nascido provavelmente em 1534 na zona entre Carampangue e Tirúa, ainda menino Lautaro passara a viver com os espanhóis, em Concepción, após ter sido capturado. Batizado como Alonso, começou a trabalhar nas cavalariças, ganhando a confiança dos inimigos, inclusive do próprio Pedro de Valdívia.
Há quem afirme que Lautaro era instruído por seu povo, no sentido de aprender os segredos dos castelhanos, através de contatos com Caupolicán, feitos através de mensageiros índios que entravam e saíam do povoado.
O garoto espião cumpriu magistralmente a missão. Foi com ele que o cavalo, um dos maiores elementos da supremacia bélica do conquistador em toda a América, revelou-se finalmente ao índio. Primeiramente, rompia-se o mito de que o cavalo e o espanhol eram um ser único e aterrador, com três metros de altura, duas cabeças, seis patas e dois braços. Em segundo lugar, descobria-se que o cavalo não era um animal feroz. E tampouco invencível. Tinha suas deficiências e pontos fracos.
Lautaro investigou tudo o que pôde e, num certo dia, terminada a missão, escapou. Levando consigo dois cavalos, apresentou-se a Caupolicán.
Nas vésperas do Natal de 1553, à frente de 6 mil guerreiros, o agora toqui Lautaro investiu contra o forte de Tucapel. A guarnição espanhola não conseguiu resistir e fugiu. Lautaro manteve o forte, certo de que os conquistadores tentariam recuperá-lo. Foi precisamente o que fez Valdívia. Mas a tática do jovem índio foi mandar ondas sucessivas de guerreiros que levaram os espanhóis a lutar, sem trégua, em pontos acidentados ou pantanosos, onde o cavalo não tinha eficácia.
Assim, no dia 26 de dezembro, às margens do rio Tucapel, Lautaro captura o próprio Valdívia, cujo cavalo havia atolado num alagadiço. Em seguida, após uma assembléia que considerou falsa uma oferta dos espanhóis de retirarem-se do país, Valdívia é executado.


NO LAÇO

Em Concepción, ao saber da morte de Valdívia, Francisco de Villagra decide vingá-lo. Arma uma expedição, que parte à caça de Lautaro, supondo que ele havia se refugiado no sul. O jovem chefe índio, porém, prevendo a reação espanhola, faz justamente o contrário. Sobe rumo a Concepción, ficando de tocaia na serra de Marigueño.
Os espanhóis se aproximam. É a manhã do dia 24 de fevereiro de 1554. Um cão ladra e denuncia a presença dos mapuches. Começa a batalha. O fogo de seis canhões, usados pela primeira vez no Chile, causa estragos entre os índios, mas não detêm sua ofensiva.
Pelo contrário. Os guerreiros de Lautaro investem com curiosas armas, compostas de uma vara de quatro metros, tendo um cordel atado na extremidade. Com ele, engancham a cabeça dos inimigos e os derrubam dos cavalos. Isso é fatal aos castelhanos, pois as pesadas armaduras os impedem de movimentar-se.
De repente, porém, os índios recuam. E os invasores crêem que, no final das contas, a vitória foi sua. Mas em seguida, a surpresa. Aparece um novo destacamento, com guerreiros descansados e dispostos, usando a mesma matreira arma de corda.
Os castelhanos tentam resistir, contando com a chegada da noite para escapar, quando Lautaro envia um terceiro destacamento novinho em folha. Em pânico, os espanhóis pensam em fugir, recuando pelo caminho principal do vale. Mas Lautaro lhes apronta outra: coloca ali uma multidão de mulheres e crianças, munidos de lanças, que enganam os invasores.
Sentindo-se cercados, os castelhanos sucumbem. Apenas conseguem manter um cerco de proteção a Villagra, que mesmo assim foi laçado e ferido. Num golpe de sorte, porém, logra escapar a Concepción.
Incansável, Lautaro decide ir atrás. No entanto, ao chegar, o vilarejo já tinha sido evacuado. Os ocupantes espanhóis, em pânico, tinham se transladado para Santiago. Concepción — a sede do poder castelhano no Chile — foi incendiada e destruída pelos mapuches.


"VAMOS TOMAR MADRI"

Em 1555, a Real Audiência de Lima determinou que Concepción fosse reconstruída, sob o comando do capitão Alvarado. Ao saber disso, Lautaro a sitiou e atacou novamente, em dezembro daquele ano. Sem êxito, Alvarado tentou romper o cerco. Somente 38 espanhóis conseguiram escapar da nova destruição do povoado.
Naquela altura, os castelhanos já sentiam um enorme pavor das investidas militares dos mapuches. E, principalmente, temiam e respeitavam Lautaro. Com ele estava um povo inteiro. Tinha uma causa a defender, possuía disciplina e inteligência, uma combinação muito eficaz no sucesso de uma guerra.
Assim, não deve ter sido com muita surpresa que os castelhanos souberam, no ano seguinte, 1556, que os mapuches, numa audaciosa ofensiva, estavam marchando contra a própria Santiago. Há quem diga que a disposição dos indígenas era tal, que desejavam cumprir uma façanha totalmente inédita na história da conquista da América: "Vamos tomar Santiago, vencer os espanhóis, atravessar o oceano e tomar Madri".
No comando, claro, estava Lautaro. Mas aí algo aconteceu, talvez uma delação. O governo de Santiago soube do plano de ataque. Uma expedição foi mandada para deter os mapuches. E como os espanhóis não conseguiam vencer Lautaro no campo de batalha, o fizeram através de um ato covarde. Em 29 de abril de 1557, perto do rio Maule, o grande chefe foi assassinado enquanto dormia, atravessado por uma lança.
Depois da morte de Lautaro, assumiu a governança Garcia Hurtado de Mendoza. Imediatamente ordenou que se reconstruísse Concepción. Embora os mapuches já viessem sofrendo os efeitos devastadores de uma epidemia de varíola, que surgira dos contatos com os europeus, Caupolicán atacou o povoado. Mas teve que recuar antes que a cavalaria espanhola chegasse.
Garcia armou, então, o mais poderoso exército que já enfrentara os mapuches. Mas estes o atacaram em Lagunilla, sob o comando de Galvarino — que havia sido escolhido por Caupolicán como substituto de Lautaro. Apesar do esforço, os castelhanos, não conseguiram vencer.
Embora os indígenas não tenham sido derrotados, Garcia conseguiu prender, torturar e matar Galvarino. Em seguida, logrou matar também o grande chefe Caupolicán e outros 30 caciques.
Garcia achou que, desta vez, os mapuches estavam vencidos. Mas não. Os suplícios e as mortes de seus líderes só reforçaram neles a disposição de resistir. A chamada Guerra do Arauco não terminou naquele século 16 e tampouco nos seguintes. Por cerca de 300 anos, os espanhóis nunca puderam se sentir tranquilos na terra araucana. Os huincas (brancos) só conseguiram ocupar o sul do Chile, principalmente as regiões de Temuco e Osorno, em 1881.


ACUSADOS DE TERRORISMO

Mesmo com a ocupação de seu território no século 19, que os mapuches chamam de anexação militar, este povo indígena não cessou sua luta. Continuaram incomodando os patrões e o Estado chileno, sendo os criadores dos primeiros sindicatos de trabalhadores do país. Isso porque, com a "pacificação da Araucanía", milhares de índios foram levados ao norte, onde passaram a trabalhar em indústrias e minas, transformando-se em operários.
Já na década de 1970, os mapuches lideraram, no sul, a reforma agrária iniciada pelo presidente Salvador Allende. E posteriormente, com o golpe militar, lutaram contra Pinochet, sendo barbaramente reprimidos.
Nos últimos tempos, a tribo — cuja população soma 1,6 milhão de pessoas, somente no Chile — voltou a fazer expropriações de terras e ações rebeldes, principalmente contra os latifundiários e empresas transnacionais — o que levou a "democracia" chilena a detê-los sob a acusação de terrorismo.
"O próprio Estado está dando atualidade à lei anti-terrorista gerada na ditadura fascista; e frente a esse terrorismo de Estado não há outra resposta que a mobilização do povo mapuche", disse a professora Elza Pepin, no Encontro da Juventude Mapuche realizado em 2002, em Rouen, França.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Beachionary – Mapas e descrições das praias no mundo


beachionary.com é um projeto com um grande objetivo: chegar a ser o maior diretório de praias no mundo todo.
Podemos ler detalhes sobre a estrutura existente em cada praia, ver opiniões, desfrutar de fotos.. tudo com a opção de dar nossas sugestões para ampliar o banco de dados do sistema.
Ainda que no momento não tem muitos dados incluídos, a facilidade de uso e o design limpo e intuitivo podem fazer do beachionary todo um sucesso na sua categoria.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

(Mais) Um poema de Cassiano Ricardo

Georges Braque - Loiseaux bleu et gris


COMPETIÇÃO

O mar é belo.
Muito mais belo é ver um barco
no mar.

O pássaro é belo.
Muito mais belo é hoje o homem
voar.

A lua é bela.
Muito mais bela é uma viagem
lunar.

Belo é o abismo.
Muito mais belo o arco da ponte
no ar.

A onda é bela.
Muito mais belo é uma mulher
nadar.

Bela é a montanha.
Mais belo é o túnel para alguém
passar.

Bela é a nuvem.
Mais belo é vê-la de um último
andar.

Belo é o azul.
Mais belo o que Cézanne soube
pintar.

Porém mais belo
que o de Cézanne, o azul do teu
olhar.

O mar é belo.
Muito mais belo é ver um barco
no mar.

domingo, 19 de dezembro de 2010

O Farol Acende-se


Há um mar parado na sua invisibilidade
e um marinheiro cego em movimento permanente.
há um marinheiro cego e o mar rente
à face dura da terra e um barco e a cidade.

Ninguém decora os recifes e os corais verdes
e azuis fundem-se em cristais nos olhos do navegador.
há um navegador cego e o mar acordando a dor
da sua cegueira em música de silenciosos acordes.

Há um barco e a cidade e a escuridão e um gigante
Adamastor em cada vaga em cada litro de água salgada.
há a água salgada nos agrestes medos de tudo e de nada
e a coragem que se esfuma no ar talvez por um instante.

O breu da noite engole mais fundo que a aguardente
e arde no cerne da garganta da vida que lenta se afasta.
é a cidade e as suas luzes apagadas a ave que arrasta
a esperança para o abismo onde a verdade sempre mente.

Os milagres não existem na tempestade forjada na loucura
do marinheiro cego em busca da cidade branca banhada de sol.
e há um barco resistindo, um homem persistindo e então um farol
acende-se e derrama o dia no seu olhar molhado pela noite escura.

(José António Gonçalves)

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Para o início de uma Ficção (pois o dia é de Finados a dor é grande eu estou sozinho e preciso Senhor, fugir para Aldebarã)


O Planeta Azul de Aldebarã... 34 andróides deram suas vidas quânticas para nos trazer até aqui... Alikdeai, a NAVE, sacrificou-se por nós – morreu nossa preceptora, a inteligência coletiva de nossa colônia. Deus, quem creria que algo assim seria possível, que até máquinas se sacrificariam – por amor a Ti?

A guerra contra o mal é vasta, mas eis-nos aqui, como Lafayette em Yorktown, como os 300 gigantes nas Termópilas, doze cães de carbono, doze portadores da Mensagem

       (essa história continuará um dia?)


Sammis
via http://liricoletivo.blogspot.com
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