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sábado, 1 de agosto de 2020

O meu vizinho, anônimo herói pró-vida

Imagem ilustrativa - O Tempo

Ontem o gritei enquanto eu voltava da mercearia, onde fora comprar um real de pão e um quilo de açúcar Guarani – aquele intermediário entre o União e o Caravelas.
Ele passara por mim há pouco com sua bicicleta de carga e suas roupas indefectivelmente sujas, como de estivador. Eu queria dar-lhe alguns remédios que comprara para um dos gatos da casa, e que agora ficaram sem uso, e poderiam estar fazendo falta para alguém.
Ele é um desses alguéns e conhecedor de muitos outros como ele – um protetor de animais, um zelador da criação numa luta dantesca contra tantos gigantes – da coisificação dos animais ao discurso dos politicamente corretos de sofá & plantão – “Tanta gente precisando de ajuda, e você salvando cães?”.
Ele, que tem emprego fixo, após o expediente engata no segundo batente – coletor de reciclagens, cuja boa parte do lucro, eu o sei, é destinado a alimentar e cuidar de animais sob a guarda dele e de outros. Lida com lixo – o lixo humano que não entende a nobreza de suas ações, e o lixo produzido com tão desembestada fartura pelo bicho homem, a quem até nisso ele ajuda, recambiando os materiais para que a Terra, brevemente poupada, tenha um quilo a mais de fôlego.
É um camarada excepcionalmente fora da curva – ao menos da curva que nossos cansados e míopes olhos suburbanos alcançam. Arredio a festas e maiores confraternizações ou infernizações sociais, diz não pertencer “a nenhum sistema”; acredita na força superior que a tudo gerou e sustém.
Construiu sua grande casa praticamente sozinho, e nela vive sem aporrinhar ninguém, em nenhum dos trezentos e tantos dias do ano. Como acontece aos demais de sua espécie, a incompreensão leva os demais a cognominá-lo de “maluco”. Bem, até eu já carreguei essa bandeira nas costas. Em certos momentos ela vira até menção honrosa, escudo. Mas voltemos ao nosso homem. Ele se incomoda com carros largados em sua porta, ou a venda de drogas perto a seu portão? Sim. E você, não? Tem um pouco menos de medo que o normal dos homens, mas nada que o faça um Superman. A ninguém aborrece, a todos cumprimenta, e vive como pode sua inadequação.
Enquanto conversávamos em meu portão, vizinho ao dele, um casal de também vizinhos passou pela rua e lhe agradeceu – pela ajuda prestada, vim a saber, com um cachorrinho da tal família que havia ferido internamente o ouvido. Ele, com quem as pessoas têm pouca paciência de conversar – o abençoado insiste em não se enquadrar nos padrões, e olha que cada um de nós tem centenas de padrões pré-programados para engarrafar os outros – disse que fazia aquilo por missão, por senso de missão.
O homem, já senhor de seus sessenta e poucos anos, mas com cara de 45, firme calibre, disse não ser digno de agradecimentos. Pois é apenas um ser humano cumprindo seus propósitos de vida. E que o que fazia nada era, e que já fora, ele também, muito ajudado por muitas pessoas. “Dente da engrenagem, elo da corrente de Gaia”, pensei.
Sendo aguardado pela patroa, tive que me despedir. Enquanto trancava o portão, me surpreendi silenciosamente feliz por um homem de exceção como aquele, misantropo que tão bem conhece a miséria humana, mas a peita e contradiz, ter um tão grande e incompreensível carinho por mim. Oxalá eu, outro gauche na vida, como ele, como Drummond, esteja no caminho certo, seja um dos humílimos remadores contra a corrente?
Sérgio é o nome dele. Um dos muitos gonçalenses anônimos que sustentam essa terra de pé – reserva moral, reserva de amor, reserva de proatividade pró-vida – reserva sem reservas. Um dos quais o mundo não é digno, como diz a Bíblia (Hb 11.38) acerca de santos.

Sammis Reachers
Artigo publicado originalmente no Jornal Daki

segunda-feira, 6 de junho de 2016

Sobre a última das (r)evoluções éticas - E o que você tem a ver com isso



A última grande revolução ética a ser alcançada será a libertação dos animais de nosso jugo exploratório. O último salto equalizador. Estamos vivendo o início, os albores dessa revolução, e os inimigos, assim que se derem conta, se levantarão com força, crentes e tudo, com versículos, com suásticas, com foices e martelos - com sua fome "animalesca". Vamos fazer nossa parte, semeando informação, esclarecendo. A revolução avança e é irreversível, mas precisa ser apressada. Se você JÁ NÃO PRECISA USAR O SOFRIMENTO DE OUTREM PARA MINORAR SEU PRÓPRIO SOFRIMENTO ("FOME", "TRABALHO", "DIVERSÃO" ETC.), QUE ÉTICA HÁ EM CONTINUAR A FAZÊ-LO?

Reflita. Se não concorda, tente me contradizer. Se concorda, inicie seu próprio despertar - que é uma jornada que vai da tomada de consciência até a tomada de atitudes. E muitas são as atitudes possíveis.

Sammis Reachers

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Motojadas: animais agonizam durante espetáculo de tortura no Brasil

(Foto: Captação de vídeo/youtube)

Por Lilian Regato Garrafa  (da Redação)
Modalidade de crueldade contra animais com o rótulo de entretenimento, a motojada ainda é pouco conhecida pela população em geral, mas está relativamente difundida no Nordeste, tendo reedições cada vez mais frequentes a cada ano. Trata-se da vaquejada com o acréscimo de uma motocicleta, para deixar a perseguição ao animal ainda mais cruel e covarde.
O “esporte” consiste em tortura explícita: o animal sofre uma perseguição implacável e tenta fugir em visível desespero, completamente desamparado e com mínimas chances de sair ileso. A função do torturador-motoqueiro, que conta com a torcida da plateia, é derrubar o animal, que recebe chutes, socos e não tem como se esquivar, restando-lhe apenas correr para fugir do puxão que o levará ao chão. Basta assistir a uma única competição para ver que a violência é algo claro.
Assim como na vaquejada, muitos animais morrem na arena ao bater a cabeça nas madeiras; outros têm o rabo arrancado durante a prova. A violência e os maus-tratos começam muito antes de os animais serem soltos na arena. Eles são confinados em um pequeno cercado, onde são atormentados, encurralados, espancados com pedaços de madeira e submetidos a vigorosas e sucessivas trações de cauda. Onde está a graça? O cabra macho é admirado pela sua coragem. Onde está o heroísmo em submeter um ser indefeso a intenso medo e sofrimento? Covardia de quem pratica. Sadismo de quem assiste.
O vídeo abaixo mostra alguns minutos das sessões de violência imposta aos animais:
Alguns estados brasileiros já aboliram práticas que promovem maus-tratos a animais em eventos festivos. Em outros tramitam projetos de lei com amparo legal. Rodeios, vaquejadas e agora as motojadas são inconstitucionais. O Art. 225 da Constituição Federal cita que cabe ao Poder Público “proteger a fauna e a flora, vedadas, na forma da lei, as práticas que coloquem em risco sua função ecológica, provoquem a extinção de espécies ou submetam os animais a crueldade”. E o Art. 32 da Lei de Crimes Ambientais cita claramente como crime “praticar ato de abuso, maus-tratos, ferir ou mutilar animais silvestres, domésticos ou domesticados, nativos ou exóticos”, com pena de três meses a um ano de detenção e multa.
Para o próximo dia 29 de julho, há programado um evento no interior do Ceará, que está sendo divulgado por meio deste informativo:
(Foto: Divulgação)
Existe um projeto em tramitação na Comissão de Turismo e Desporto que pretende proibir laçadas e derrubadas de bois e bezerros em rodeios e eventos similares. Mas enquanto tal projeto não entra em votação, é fundamental pressionar os órgãos governamentais, deputados, vereadores, comissões, exigindo o fim desses eventos.
E o mínimo que está ao alcance de cada um fazer para que eventos de crueldade como estes deixem de acontecer é boicotar não apenas o próprio espetáculo, mas também os artistas que recebem para participar e seus patrocinadores – e, para que isso seja mais eficiente, é ideal enviar mensagens informando o boicote à empresa que financia e aos artistas que participam. Faz-se necessário mostrar que o público não engole produtos que custam o sangue de animais e que vinculam sua imagem à violência explícita.
Não é mais possível suportar a exploração econômica da crueldade com o rótulo de cultura e manifestação popular. É crime e merece extinção.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

GOLFINHO PEDE AJUDA A HUMANOS: ASSISTA AO VÍDEO



 Um grupo de mergulhadores que realizava um mergulho noturno em Kona, no Hawaii, para observar arraias mantas teve uma surpresa inesperada. Um golfinho se aproximou de um dos mergulhadores (Keller Laros) e, calmamente, mostrou sua nadadeira lateral, onde uma linha de pesca com um anzol estavam enroscados e ferindo o animal. Keller entendeu o pedido de ajuda e começou a soltar o golfinho, que se manteve parado e tranquilo enquanto seu salvador o libertava, subindo à tona para respirar, quando necessário, e retornando.

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

VI Seminário sobre Direito e Ética Animal na USP - 20 e 21 de Setembro




VI Seminário sobre Direito e Ética Animal na USP, organizado pelo DIVERSITAS vai ocorrer nos próximos dias 20 e 21 de setembro. Participações de Artur Matuck, Carlos Naconecy, Christian Nucker, Daniel Lourenço, Juliana Prado, Laerte Levai, Renata Zancan, Renato Queiroz, Sara Albieri e Vanice Orlandi. INSCRIÇÕES ABERTAS, É GRATUITO

Como evento paralelo a exposição PASSARINHO NA GAIOLA NÃO CANTA, LAMENTA, com ilustrações em grandes painéis de vários ilustradores que acreditam na importância da liberdade das aves, a favor da desarticulação do comércio legal ou ilegal de pássaros e contra o tráfico de animais silvestres, que é o terceiro comércio ilícito no mundo a movimentar grandes fortunas, depois do tráfico de drogas e de armas.
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