Nos
anos 90, no movimentado reino dos fliperamas, a Konami corria por fora para ser
a melhor gamehouse, logo atrás da Capcom. Ela desovou no mercado uma tempestade
de bons beat ‘em ups, com uma característica marcante na maioria, um “padrão
Konami”: Eram mais acelerados que os games das concorrentes, atraindo a
muitos, não sem provocar repulsa em alguns puristas. Iam dos games das
Tartarugas Ninja ao belíssimo Metamorfic Force, passando por Buck O’Hare. Ah, e
o principal: sua família Crime Fighters. Trata-se de uma sequência de três
jogos: Crime Fighters (1989), Vendetta (1991), e Violent Storm (1993), o último
“episódio”.
No
game, estamos lá mesmo, na década de noventa, só que num mundo pós-Terceira Guerra
Mundial. A anarquia impera, enquanto o que restou da humanidade vive dos e com
destroços. Neste cenário, um grupo maléfico se destaca: os Geld, sindicato de
canalhas comandados por Red Freddy. Contra essa e outras corjas, três paladinos
se levantam, dispostos a justiçar o mundo no poder da bordoada. Boris (não o
Karloff), Wade (não o Wilson) e Kyle (não o/a Minogue, que aquela é Kilye). Como
se não bastasse a rixa já estabelecida, os cães da Geld sequestram uma amiga
dos caras, a Sheena. O resto, meu amigo, o resto é andar pelas sete fases e
bater, bater até consertar ou ao menos equilibrar as coisas.
O
jogo possui grandes sprites e belos cenários distópicos – e até utópicos (dado
o contexto), como belos e floridos parques. Os adversários vão de humanos a
mutantes, todos dentro daquela fauna clássica de um beat ‘em up: Metaleiros,
mulheres em traje sado-masô, gordões kamikazes, artistas marciais de meia-tigela
e o escambau.
As armas brancas se resumem a canos e facas,
com um acréscimo politicamente hiper incorreto: leitões (!), que você pega e
atira nos adversários (após acertar alguém, os leitõezinhos viram bolas de
futebol americano, que por sua vez podem ser também apanhadas e atiradas).
Wade
é o personagem equilibrado; Kyle o veloz, e Boris o moedor de carnes, o fortão
da encrenca.
O
jogo traz uma boa gama de golpes, embora a ausência da corridinha seja sensível.
Mas há um poderoso dash (diagonal inferior esquerda ou direita + pulo) que
supre – e com sobras – sua ausência. Todos os personagens conseguem golpear
adversários caídos, um bom ponto. Além da voadora, o tradicional golpe aéreo
atordoador (pulo + direcional para baixo + soco) aqui comparece. O golpe
especial de cada personagem (soco + pulo) pode ser aplicado parado ou em
movimento (neste caso, soco + pulo + diagonal superior direita ou esquerda),
atingindo bem mais adversários. Mas vamos ver o repertório dos caras em
detalhes:
Wade: Toque para cima e soco,
o personagem desfere um gancho; toque para baixo e soco, uma rasteira giratória
(espalha-brasas). Toque para trás mais soco: Ele aplica um soco para trás.
Kyle: Baixo mais soco: Uma
rasteira-dash (que, se aplicada rápido, consegue acertar inimigos caídos).
Apertando rapidamente o soco, Kyle desfere chutes a jato, feito Chun-Li, ótimos
para encurralar adversários. E se o adversário defender (sim, alguns defendem),
sofre dano mesmo assim. Toque para trás mais soco, redunda numa cotovelada em
quem estiver atrás de você.
Fique
atendo: Wade e Kyle, quando agarram inimigos pesados, ao tentar aplicar o balão
podem não conseguir e acabar “esmagados”. Ao começar o balão, você deve apertar
rápida e repetidamente o soco, para evitar passar vergonha. Esse problema já
não acontece com o Boris.
Boris, o negão com nome de
russo: Toque para baixo mais soco, ele dá uma roladinha tombadora de otários.
Toque para trás mais soco: Boris dá uma cabeçada para trás, acertando o safado
que estiver na retaguarda. Boris consegue andar segurando os adversários, feito
o Haggar de Final Fight e, como ele, aplica belos pilões. E o mano é sobremodo bruto:
Ele dá pilões até em galão, cadeira e caixote, e em tudo o que conseguir
agarrar... E tem variação: Segurando o adversário e acionando pulo mais soco
colocando para baixo: Pilão; mesma manobra, mas sem tocar no direcional:
quebradão (ele pula e “quebra” o adversário na própria cabeça); mesma manobra
mas colocando o direcional para cima: Boris quebra o cara no joelho. Três
pilões, meus amigos. Sim, Zanguief: temos um rei do pilão, e ele não é
soviético!
Resumo do riscado: Violent Storm é um dos melhores beat ‘em ups de todo o sempre, e um dos tops da reta final daquela era de ouro dos fliperamas, para a qual todos nós daríamos uma grana para poder voltar – mesmo que fosse por uma única tarde.
Sammis Reachers
*Resenha publicada originalmente na revista OldBits Edição X.



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