quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

Trás-frente, baixo-cima: Uma crônica STREET FIGHTER

 



Nos anos 90 do século pretérito, a febre mundial representada pelo jogo Street Fighter 2, que colocou nosso planeta em polvorosa, claro que não deixou incólume o bairro gonçalense onde até hoje moro: O game simplesmente jogou tudo para o ar, com quase todos os moleques virando aficionados. O jogo, quase todos sabemos, inaugurou uma nova era dos fliperamas, sendo responsável central pela abertura de diversas casas no gênero. No final, era ele que pagava sozinho a luz e o aluguel...

Minha história com SF é atrapalhada, mas interessante: Como de início eu tinha dificuldade de realizar o simples “C” para dar as magias dos personagens (hadoken), e era para mim impossível aplicar o Shoryuken (aqui chamado de hoiuguer), logo me afeiçoei aos personagens cujos golpes eram baseados em trás-frente ou cima-baixo: Blanka, Honda, Guile, Shun-Li e principalmente meu preferido: Bison. Com este último me apurei nas manetes, e chegava a vencer alguns jogadores que usavam os apelões Ryu e Ken, para surpresa geral. Desenvolvi mesmo um preconceito contra os dois personagens e seus usuários, pois jogar com eles era “mole demais”. Moleque de coração duro, tinha seus adeptos na conta de retardados mentais. Ops, perdão, mas eram os tempos! De toda forma, até hoje não sou muito fã dos personagens com movimentos relacionados aos dois (como os posteriores Akuma, Dan, Sakura etc.). Mas, calma: Claro que aprendi a realizar os movimentos perfeitamente. Só ficou o ranço...

Aqui tínhamos um fliperama bem aconchegante, o bar da Dona Zeza, que ficava próximo a uma “favelinha” ou área mais carente do bairro, na beira do rio Alcântara (por sinal, chamamos aquela parte do bairro de Beira Rio ou Beira do Rio). Quantas vezes cheguei ali sete da manhã, esperando a birosca abrir! Quantas vezes eu mesmo ligava as máquinas na tomada, para “adiantar” a jogatina, enquanto o filho de Dona Zeza abria as portas e varria o pequeno varandão? Nada de eufemismos, amigos: É vício que chama.

Logo veio o maior frisson e a maior sofrência com o game: Tentar zerar com TODOS os personagens, tarefa que só dois do bairro ousaram (desafio que, anos depois, se repetiu em outro choque em minha vida, quando conheci KoF 95, mas essa é outra história). Amiguinho, naqueles tempos de barbárie, onde não tínhamos vídeos de Youtube ou grandes jogadores para emular (emular é copiar), e revistas eram raras, zerar o jogo com Dhalsim, Honda e Zanguief (eu não conseguia aplicar o pilão, principal golpe do personagem!) foi aventura cara e infernal. Mas consegui! Eu estava ou ao menos me sentia no time dos “PROs”...

No entanto, se tiver de hoje matar a saudade num emulador ou me deparar por acaso com um fliperama, a seleção de personagens vai parar logo nele, el villano, Mestre Bison/Vega. O resto é como andar de bicicleta: Vai no automático.

 

Sammis Reachers


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